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    Procuradores da Operação Trapaça estão perto de decisão sobre denúncias envolvendo a BRF

    Por Ana Mano

    SÃO PAULO (Reuters) - A investigação no Brasil sobre fraudes supostamente cometidas pela BRF e outras empresas do setor de alimentos está entrando em suas semanas finais, de acordo com autoridades e documentos oficiais, o que pode resultar em oferecimento de denúncia contra os envolvidos até o final deste ano.

    Os procuradores encarregados da chamada Operação Trapaça deverão decidir se denunciam o ex-presidente do conselho de administração da empresa Abilio Diniz e mais de 40 outras pessoas, uma vez que, em 20 de novembro, expira o prazo para que autoridades policiais concluam as chamadas diligências complementares.

    Os documentos da Operação Trapaça revelam possíveis violações de protocolos de segurança alimentar desde pelo menos 2015.

    As investigações, que tiveram início em março de 2017 sob o nome de Carne Fraca, jogam luz sobre a relação entre processadoras de alimentos, fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA) e laboratórios certificados pelo governo para atestar a segurança de alimentos vendidos no mercado doméstico e também em países como China, Japão, Oriente Médio e Europa.

    Inicialmente, as investigações revelaram que as empresas teriam subornado fiscais para manter plantas em operação e vender carne produzida fora dos padrões exigidos pelas normas. Essas alegações causaram interrupções na produção e prejudicaram o Brasil no mercado de exportação de carne, que rende cerca de 15 bilhões de dólares ao ano ao país. Até agora, dez réus foram condenados por corrupção na Carne Fraca, inclusive um ex-colaborador da BRF e três agentes do MAPA.

    As denúncias que os procuradores devem analisar em dezembro podem ter relação com o esquema de pagamento de propinas a agentes do serviço de fiscalização, bem como estar ligadas a alegações posteriores de que a BRF, agentes públicos e laboratórios falsificaram e esconderam certos dados incriminatórios relacionados aos seus processos industriais.

    A BRF, que ainda tem 12 plantas de produção de aves proibidas de exportar para a União Europeia depois que Bruxelas apontou 'deficiências' nos controles oficiais do Brasil, posteriormente admitiu a possibilidade de cooperar com as investigações em troca de multas corporativas mais brandas.

    UMA RESPOSTA FIRME

    A Polícia Federal apurou que o problema de contaminação nos frangos da BRF foi percebido por autoridades chinesas em 2015, quando o governo daquele país encontrou traços da substância dioxina acima dos níveis tolerados pelas normas vigentes.

    Ao mesmo tempo que iniciou uma investigação interna, a BRF tentou persuadir autoridades do Brasil a usar dados técnicos elaborados pela própria empresa em sua resposta oficial aos chineses, segundo um relatório da Polícia Federal de 400 páginas. Divulgado no mês passado, o relatório também alega que a empresa tentou fazer lobby junto a oficiais do MAPA para limitar a disseminação da notícia relacionada à dioxina.

    Diniz, que estava em um barco próximo à ilha italiana de Capri quando o assunto da dioxina se tornou público, discutiu o incidente com o então presidente-executivo da BRF, Pedro Faria. 'Muitos dias sem nos falarmos. Preocupado com a questão China porque estou sem notícias... Tudo bem?', disse ele em uma mensagem de setembro de 2015.

    Faria, que também pode virar réu no caso, respondeu que os executivos da empresa haviam feito bom progresso para 'controlar o vazamento da informação e mantê-lo sob controle'. Ele observou ainda que a BRF havia apresentado uma defesa robusta ao MAPA, o que levaria o governo a fornecer 'uma resposta mais firme aos chineses'.

    Após a suspensão das exportações da unidade de Rio Verde (GO), origem dos embarques contaminados com dioxina, o governo revogou a suspensão uma semana depois, segundo as investigações.

    Diniz e Faria negam qualquer irregularidade.

    O episódio da dioxina é apenas um exemplo de violação a protocolos de segurança alimentar da BRF, segundo a PF. De acordo com as investigações, a empresa autorizou o abate em junho de 2016 de um lote de 26.000 aves contaminadas com o patógeno Salmonella Typhimurium. A empresa teria vendido a carne deste lote em dez Estados do Brasil, mas haveria escondido tal decisão dos fiscais, disse o relatório.

    Segundo a Polícia Federal, existem também indícios de que a farinha de pena produzida na unidade de Mineiros (GO) da BRF ainda estivesse contaminada com dioxina em outubro de 2017. Além disso, as autoridades afirmam que em março de 2018 a BRF ainda teria suprimido informação sobre o uso de alguns antibióticos em seus processos industriais.

    REAÇÃO DO MAPA

    A investigação sobre as práticas da indústria alimentícia do país levou o MAPA, após a Carne Fraca, a suspender 19 servidores do exercício da função pública por determinação judicial.

    Eumar Novacki, secretário-executivo do ministério, disse à Reuters recentemente que alguns fiscais trabalham na mesma planta por décadas, o que pode criar conflitos de interesse. Por isso, o MAPA avalia a introdução de um rodízio para evitar o problema, mas não há nenhuma decisão ou mudança na legislação neste sentido.

    Além de punir indivíduos que podem ter violado a lei, Novacki disse que 'uma mudança de cultura' seria providencial, nas empresas e no governo, para alterar de fato o modo como as coisas funcionam.

    (Por Ana Mano, com reportagem adicional de Jake Spring em Brasília)

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    Recuperação da BRF vai levar pelo menos 2 anos, diz CEO

    Por Tatiana Bautzer e Rodrigo Campos

    NOVA YORK(Reuters) - Os investidores não verão os resultados da mudança na BRF SA, maior exportadora de aves do mundo, no curto prazo, disse o presidente-executivo da companhia, Pedro Parente, à Reuters na segunda-feira.

    'Realisticamente, isso não acontecerá em menos de dois anos', disse Parente em uma entrevista em Nova York, acrescentando que um de seus maiores desafios como CEO é 'gerenciar as expectativas dos investidores'.

    Parente deixou seu cargo de presidente-executivo da estatal Petrobras para elaborar e implementar um plano de recuperação na BRF depois escândalos de corrupção e de segurança alimentar corroeram as vendas da empresa.

    Em abril, Parente foi nomeado presidente do conselho de administração da empresa, antes de assumir o papel adicional de presidente-executivo. Ele deve deixar o cargo executivo em meados de 2019 e ser substituído pelo vice-presidente de Operações, Lorival Luz.

    A administração da empresa disse publicamente que espera que as margens parem de cair no próximo ano e atinjam sua média histórica, estimada em dois dígitos baixos, em 2020. Somente em 2021 as margens podem subir acima desse nível, disseram executivos da empresa.

    Em abril, as ações da BRF atingiram o nível mais baixo desde dezembro de 2009. Desde então já subiram 10 por cento, mas ainda acumulam queda de cerca de 45 até agora em 2018.

    'Não estou usando atalhos e não estou interessado em mostrar bons números trimestrais se eles não forem sustentáveis', disse Parente. Parente e Luz disseram que esperam reduzir os custos industriais em 30 por cento em um processo previsto para levar cerca de um ano.

    A chave para a recuperação será o mercado interno brasileiro, que deve ser a espinha dorsal para a sustentação de operações lucrativas da empresa, disse Parente. Um segmento importante é o serviço de alimentação, onde a BRF vem perdendo participação de mercado depois que a ex-direitoria demitiu a maior parte de sua equipe de vendas em um esforço de redução de custos.

    Parente também disse que a BRF está 'preocupada' com o possível dano às exportações para o Oriente Médio depois que o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que planeja transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

    A BRF e outros processadores de alimentos brasileiros apostaram muito nas exportações de carne halal para países muçulmanos nos últimos anos.

    'Temos visto uma reação franca dos países árabes, então esperamos que seja uma retórica de campanha', disse Parente.

    FOCO NA DEMANDAÇÃO

    Parente disse que a relação da dívida/Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) era de 6,7 vezes, e a meta é baixá-la para 3 vezes até o final de 2019.

    Depois que a empresa reduzir sua alavancagem para os níveis desejados, provavelmente voltará a se expandir, principalmente no Oriente Médio e na Ásia, acrescentou Parente. A empresa pretende construir uma unidade de produção na Arábia Saudita para atender aos novos requisitos de conteúdo local no país.

    Nesse meio tempo, a BRF está vendendo ativos na Europa, Tailândia e Argentina.

    Parente e Luz disseram que as negociações estão indo bem, com as operações europeias e tailandesas provavelmente indo para o mesmo comprador, já que a maior parte da produção na Tailândia é exportada para a Europa. Cinco interessados devem entregar propostas vinculantes para os ativos, disseram eles.

    Na Argentina, a BRF está considerando propostas na primeira fase da venda de compradores interessados ??em todo o negócio e outras que buscam partes dele, para decidir qual é a melhor alternativa, disse Luz.

    A BRF espera levantar 3 bilhões de reais com a venda das unidades, parte dos 5 bilhões de reais que pretende arrecadar para pagar dívida. Os restantes 2 bilhões de reais virão da venda de um fundo de recebíveis, imóveis e redução de estoque.

    O estoque ideal da BRF deve ficar em torno de 40 mil toneladas de produtos, mas depois que a União Europeia bloqueou as importações de 12 de suas plantas, chegou a 140 mil toneladas, disse Luz. A empresa vem reduzindo o estoque, que agora está perto de 85 mil toneladas, acrescentou.

    (Por Tatiana Bautzer and Rodrigo Campos, reportagem adicional de Simon Webb)

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    Ministério da Agricultura investiga BRF, diz fonte

    Por Ana Mano

    SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério da Agricultura abriu uma investigação de corrupção a partir de alegações policiais de que a BRF, maior exportadora de frango do mundo, teria agido para fraudar protocolos de segurança alimentar, disse uma autoridade do ministério na quarta-feira.

    O processo de apuração de responsabilidade de pessoa jurídica, publicado no Diário Oficial da União em 17 de outubro, não cita nominalmente nenhuma empresa. A publicação ocorreu dois dias após a divulgação de um relatório da Polícia Federal alegando que pessoas do alto escalão da BRF supostamente adulteraram documentos e resultados de laboratórios para burlar normas de segurança alimentar e controles de qualidade.

    O funcionário do ministério, que pediu para não ser identificado, disse que a investigação diz respeito a empresas citadas na operação Trapaça da PF em março deste ano.

    A operação alegou que a BRF e o laboratório Mérieux NutriSciences Brasil conspiraram para enganar os controles oficiais.

    A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura não comentou imediatamente. A BRF disse que não foi notificada da investigação do ministério e não poderia se pronunciar. A Mérieux negou as alegações de fraude e corrupção.

    A Polícia Federal alegou na ocasião que a BRF tentou controlar a disseminação de notícias de que a China havia encontrado traços da substância altamente tóxica dioxina nas importações de frango do Brasil em 2015, e agiu para impedir que o governo fizesse uma investigação aprofundada do caso.

    A PF também acusou a BRF de usar o antibiótico proibido Nitrofurazona e de divulgar erroneamente os níveis de outros antibióticos em seus processos industriais. A BRF disse que está cooperando com a investigação e suspendeu preventivamente todos os funcionários citados no relatório policial.

    As autoridades encontraram evidências de que a BRF ordenou o abate para consumo em 2016 de cerca de 26.000 aves infectadas com Salmonella Typhimurium, um patógeno nocivo aos seres humanos. A polícia também alega que a empresa forneceu informações falsas às autoridades para ocultar a decisão.

    A PF disse que carne desse lote foi vendida em pelo menos 10 Estados brasileiros e exportado para a Europa.

    A investigação relacionada às práticas das empresas de alimentos começou em março de 2017 com a operação 'Carne Fraca' e foi ampliada em março de 2018 com a 'Trapaça'.

    Não há ainda “prova inconteste” de qualquer irregularidade cometida por servidores públicos, disse a PF.

    Mas o Ministério da Agricultura disse que 22 servidores foram implicados na primeira parte da investigação, e que 19 se encontram suspensos do exercício da função pública e afastados por determinação judicial.

    Na semana passada, a polícia indiciou 43 pessoas ligadas à sua investigação criminal, incluindo um ex-diretor-executivo da BRF e um ex-presidente do conselho de administração. Agora, os procuradores precisam decidir se acusam as pessoas, pedem provas adicionais ou descartam as alegações da polícia.

    O caso interrompeu a produção e causou o fechamento temporário dos mercados de exportação para os fornecedores brasileiros de carne.

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    BRF enfrenta crescente competição por milho com indústria de etanol

    Por Marcelo Teixeira

    SÃO PAULO (Reuters) - A brasileira BRF, uma das maiores produtoras de carne suína e de aves do mundo, tem enfrentado crescente competição pela oferta de milho, principal matéria-prima da companhia, com o aumento da produção de etanol de milho no Centro-Oeste, disse o presidente da companhia nesta quarta-feira.

    Pedro Parente afirmou em São Paulo que a situação coloca desafios adicionais para a empresa assegurar matéria-prima para ração a custos razoáveis.

    O etanol de milho é uma tendência relativamente nova no Brasil, mas tem tido um desenvolvimento rápido em Mato Grosso, Estado que é o principal produtor de grãos do Brasil, também um dos maiores exportadores do cereal.

    A companhia já está utilizando ingredientes alternativos para a produção de ração, como os grãos secos por destilação (DDGs, na sigla em inglês), subproduto da fabricação de etanol de milho.

    'Temos visto um aumento no consumo de milho pelos produtores de etanol em Mato Grosso e Goiás, onde eles se tornaram consumidores relevantes de milho', disse Parente em uma apresentação em seminário organizado pela corretora e consultoria INTL FCStone em São Paulo.

    O presidente da BRF estimou que os fabricantes de etanol já estavam usando entre 10 e 15 por cento da oferta nesses Estados, onde a indústria tem plantas de processamento e opera com os produtores de frango e suínos integrados.

    Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, mas tradicionalmente produz o combustível a partir da cana-de-açúcar.

    Novos investimentos no Centro-Oeste, no entanto, estão aumentando a participação do etanol produzido a partir do milho em volumes totais.

    O diretor financeiro da BRF, Elcio Ito, disse que a empresa começou a adicionar DDGs, que é rico em proteína, como um ingrediente alternativo para rações.

    Ele disse que os DDGs competem com o farelo de soja em custo nas áreas onde as usinas de etanol de milho operam, então a BRF compra os DDGs quando eles são mais baratos que o farelo de soja e dependendo do tipo de ração que precisam produzir.

    A BRF está lutando para superar a proibição imposta pela União Europeia devido a questões sanitárias.

    Parente disse que a empresa atualmente tem altos estoques de peito de frango, produto que costumava exportar amplamente para a Europa, como resultado da proibição.

    O presidente-executivo disse que a empresa está vendendo o peito de frango em alguns mercados selecionados a preços mais baixos para reduzir os estoques.

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    Prejuízo líquido da BRF salta para R$1,574 bi no 2º tri

    SÃO PAULO (Reuters) - A BRF registrou um prejuízo líquido de 1,574 bilhão de reais no segundo trimestre, ante prejuízo de 166 milhões de reais no mesmo período do ano passado, em meio a fortes perdas com operações da Polícia Federal envolvendo a empresa e a greve dos caminhoneiros.

    O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ficou negativo em 289 milhões de reais, ante resultado positivo de 575 milhões de reais no mesmo período do ano anterior.

    Esse resultado contabiliza impacto negativo de 288 milhões de reais com as operações Carne Fraca e Trapaça da PF, decorrente de gastos com advogados, devolução de produtos e outros efeitos. Já a greve dos caminhoneiros no final de maio gerou perdas diretas de 75 milhões de reais com gastos logísticos adicionais, aumento da ociosidade e perda de estoques.

    Desconsiderando itens extraordinários, o Ebitda ajustado recuou 47,1 por cento na comparação anual, para 373 milhões de reais, com margem Ebitda ajustado de 4,6 por cento ante 8,8 por cento no mesmo período de 2017. A diminuição no Ebitda ajustado refletiu a queda na margem bruta devido ao aumento dos preços dos grãos e maiores despesas gerais e administrativas, disse a empresa.

    O lucro bruto caiu 55,4 por cento para 661 milhões de reais, com recuo de 10,4 pontos percentuais na margem bruta para 8,1 por cento.

    A maior processadora de carne frango do país disse que o segundo trimestre foi marcado pela continuidade do aumento dos preços dos grãos, que deve gerar impactos mais evidentes no custo da ração animal a partir do terceiro trimestre. 'Dito isso, a carne de frango brasileira perde competitividade no cenário de frango global.'

    A receita líquida consolidada totalizou 8,2 bilhões de reais, aumento de 1,9 por cento na comparação anual, devido ao aumento de 4 por cento nos volumes comercializados, principalmente no Brasil e no mercado Halal, mas com queda de 2 por cento no preço médio no período.

    A melhor performance comercial no Brasil, decorrente do crescimento no volume de 8,6 por cento ano a ano, e a contínua recuperação de preços em dólar no mercado Halal compensaram o desempenho mais fraco do mercado internacional, dadas as restrições do mercado europeu à BRF, o mercado russo ainda fechado para a indústria brasileira e as tarifas antidumping aplicadas temporariamente pela China, disse a empresa.

    O resultado financeiro também piorou, ficando negativo em 792 milhões de reais, ante 695 milhões de reais negativos no mesmo período do ano passado.

    A BRF encerrou o trimestre com dívida líquida de 15,696 bilhões de reais, alta de 1,7 bilhão de reais ante a dívida ao término do primeiro trimestre.

    A alavancagem medida pela relação dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 5,69 vezes, ante 4,44 vezes no trimestre imediatamente anterior e 4,79 vezes no segundo trimestre de 2017. A empresa, contudo, reforçou que busca reduzir esse índice para 4,35 vezes ao final de 2018 e para 3 vezes ao final de 2019.

    (Por Raquel Stenzel)

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    BRF quer vender R$5 bi em ativos no 2º semestre

    SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de alimentos BRF pretende vender 5 bilhões de reais em ativos no segundo semestre deste ano, em uma freada de arrumação da empresa envolvida no escândalo da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e impactada pelo fechamento de mercados de exportação de carne de aves.

    A companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão, vai vender suas operações na Europa, Tailândia e Argentina, focando seus esforços no Brasil, na Ásia e no mercado muçulmano.

    No Brasil, ajustes em suas fábricas devem resultar em corte de 5 por cento da força de trabalho da companhia ou cerca de 4 mil trabalhadores, se for usada informação sobre o total de funcionários disponível no site da companhia.

    É uma freada de arrumação, olhando para aquilo que é absolutamente fundamental, que é melhorar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem , disse o presidente-executivo da BRF, Pedro Parente, em teleconferência com jornalistas, sobre as vendas de ativos.

    O objetivo é reduzir o endividamento da BRF, que encerrou março em 14 bilhões de reais. A expectativa é que a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado termine 2018 em 4,35 vezes ante 4,44 vezes no fim do primeiro trimestre. Para 2019, a BRF espera que a alavancagem caia para nível abaixo de três vezes.

    Os 5 bilhões de reais a serem levantados incluem ainda venda de ativos imobiliários e não operacionais e participações minoritárias em empresas, além de uma operação de securitização de recebíveis.

    Algumas horas mais cedo, executivos da empresa tinham informado analistas e investidores que a BRF captaria apenas 500 milhões de reais com vendas de ativos não essenciais, afirmando que uma decisão sobre desinvestimentos de ativos importantes ainda não tinha sido tomada. As ações da empresa acabaram então fechando em alta de 0,5 por cento, a 18 reais, enquanto o Ibovespa teve acréscimo de 1,39 por cento.

    Segundo Parente, os ativos na Europa, Tailândia e Argentina vão compor a maior parte do volume de recursos a serem levantados pela BRF nos próximos meses. Ele negou que a empresa venderá os ativos com desconto ao ser questionado sobre o relativo curto espaço de tempo para se desfazer de tamanho conjunto de operações, que representam cerca de 10 por cento dos volumes vendidos pela companhia.

    Não antecipamos nenhum desconto, vamos vender pelo valor justo e de mercado. Nosso caixa é bastante grande para a gente não tomar nenhuma decisão apressada , disse Parente. No primeiro trimestre, o caixa da BRF era de 7,27 bilhões de reais.

    E apesar de dizer que a BRF vê boas chances de vender os ativos já na segunda metade deste ano, Parente comentou que a companhia ainda não tem bancos contratados para ajudar na venda das operações. Está na fase final de escolha , disse. O executivo ainda afirmou que a empresa não pretende fazer nenhuma listagem de ações.

    Depois que os preços de grãos usados na alimentação dos animais para abate subiu acentuadamente em 2016, a BRF foi atingida no ano passado e neste ano por investigações da Polícia Federal sobre propinas para agentes de fiscalização sanitária e outras irregularidades, na chamada operação Carne Fraca.

    Questionado sobre o estágio atual das investigações e os contatos da empresa com as autoridades para redução das incertezas dos investidores sobre a empresa, Parente preferiu não comentar o assunto.

    As operações da PF acabaram levando neste ano a um embargo da Europa contra as exportações de carne de frango do Brasil. Neste ano, também, a China adotou medida antidumping que atingiu as exportações do setor.

    Sobre a venda de participações minoritárias em empresas, o vice-presidente global Lorival Nogueira Luz Junior, também não se manifestou, comentando apenas que todas as alternativas serão avaliadas . A BRF possuía até o final de março 11,63 por cento do frigorífico Minerva.

    (Por Alberto Alerigi Jr.; Edição de Eduardo Simões)

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    Parente assume presidência-executiva da BRF na segunda-feira

    SÃO PAULO (Reuters) - Pedro Parente assumirá a presidência-executiva da BRF na segunda-feira (18), após o conselho de administração da companhia de alimentos aprovar sua nomeação, também aprovada pela comissão de ética da Presidência da República.

    Parente vai acumular a presidência-executivo global com a presidência do conselho de administração da BRF por pelo menos 180 dias, informou a BRF em fato relevante.

    A aprovação da comissão de ética era necessária devido à regra que proíbe ex-funcionário público ou de empresa controlada pelo governo de executar atividade considerada incompatível com o cargo anteriormente exercida por seis meses. Parente renunciou à presidência da Petrobras no início deste mês, em desdobramento da greve dos caminhoneiros.

    A comissão de ética da Presidência afirmou que Parente poderá assumir imediatamente o comando da fabricante BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, por entender que se trata de empresa de mercado completamente distinto do da Petrobras .

    A BRF informou que vai pedir aprovação em assembleia para que Parente acumule as duas funções por um ano, período em que ele priorizará processo de planejamento estratégico e financeiro, cuidará diretamente da preparação de seu sucessor e liderará o processo de reorganização da companhia, em especial o preenchimento de posições chaves e questões ligadas à sua governança .

    Também no dia 18, Lorival Nogueira Luz Júnior tomará posse como diretor-presidente global de Operações, acumulando o cargo de vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores.

    (Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Ricardo Brito, em Brasília, e Paula Arend Laier)

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    Pedro Parente é convidado para presidência da BRF, precisa de aval de comissão de ética, diz fonte

    Por Rodrigo Viga Gaier

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-presidente da Petrobras Pedro Parente foi convidado para assumir o comando da empresa de proteína animal, BRF, do qual já é presidente do conselho de administração, disse à Reuters uma fonte próxima às negociações nesta quarta-feira.

    Para assumir a BRF, Parente precisa de aval da Comissão de Ética da Presidência da República. Ele cumpre atualmente uma quarentena de seis meses depois de ter enviado carta de renúncia a Michel Temer em 1º de junho, em desdobramento gerado pela greve dos caminhoneiros.

    Se a Comissão de Ética entender que não há conflito de interesses ou sobreposicão de funções ao deixar a Petrobras para assumir a empresa de proteína animal, Parente poderá assumir o comando da BRF nos próximos dias, afirmou a fonte.

    Segundo a fonte, o pedido de esclarecimento à Comissão de Ética será feito nas próximas horas e aparentemente não há impedimento para Parente assumir a presidência-executiva da BRF, apesar da quarentena.

    As ações da BRF fecharam em baixa de 3 por cento, a 20,20 reais, nesta sexta-feira, tendo reduzido fortemente a queda no leilão de fechamento, em meio a rumores de que o nome de Parente deverá ser aprovado para a presidência-executiva da empresa em reunião do conselho de administração na quinta-feira. Procurada, a BRF afirmou que não comenta rumores de mercado .

    A BRF acumula desvalorização de cerca de 45 por cento neste ano, afetada por eventos como a operação Carne Fraca, suspensão de exportações de frango para a União Europeia e imposição de sobretaxas pela China sobre importações brasileiras. Os papéis vêm de quedas de 24 por cento, 10,5 por cento e 11,25 por cento em 2017, 2016 e 2015, respectivamente, em meio a resultados fracos e problemas de gestão.

    (Por Rodrigo Viga Gaier)

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