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    Bolsonaro reforça que CPMF não voltará e diz que acima de ministro há um 'comandante'

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, voltou a negar nesta quinta-feira a recriação da CPMF caso seja eleito, e, após dizer que seu principal assessor econômico, Paulo Guedes, admitiu ter cometido um 'ato falho' nessa questão, destacou que acima de um ministro há um 'comandante'.

    'Olha só, o presidente serei eu, tratei desse assunto com ele (Guedes), ele falou que foi um ato falho. Ele quer diminuir a quantidade de impostos, agregando tudo num novo nome, pessoal fala em IVA, imposto de valor agregado, ele escorregou nessa palavra', disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.

    'Não admitiremos a volta da CPMF, é um imposto ingrato, que incide em cascata e não é justo. Não existirá a CPMF, assim como será mantido todos os direitos sociais, entre eles o décimo terceiro. Então teremos um ministro sim, mas acima dele teremos um comandante e esse comandante chama-se Jair Bolsonaro', acrescentou o candidato.

    Bolsonaro já havia negado uma possível volta da CPMF em outras ocasiões, depois que seu coordenador econômico Guedes disse a um grupo de investidores no mês passado que recriaria um tributo nos moldes da CPMF.

    NORDESTE

    Na entrevista à rádio pernambucana, o líder das pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto também fez uma série de acenos aos nordestinos, região em que não tem registrado bons índices de apoio nas pesquisas diante da forte influência do PT.

    Bolsonaro disse que a prioridade, caso eleito, é terminar as obras inacabadas, e afirmou que a conclusão da transposição do Rio São Francisco será a obra mais importante. Segundo ele, o Exército brasileiro vai ajudar na conclusão da obra, que será feita com 'zelo' e 'capricho' para ser 'duradoura'.

    O candidato do PSL destacou ainda que quer trazer de Israel tecnologia para melhorar a agricultura da região do semi-árido brasileiro. Ele não deu detalhes de como isso ocorreria.

    'Em Israel chove menos do que o semi-árido nosso, por que lá eles têm uma agricultura pujante, plantam de tudo e até exportam? Por que não trazer isso para o Brasil? Então a água é vida, com água você realmente resolve uma infinidade de problemas', disse.

    Bolsonaro afirmou que, se eleito, vai governar em parceira com todos os governadores, inclusive com os filiados a partidos como o PT, a quem ele faz duras críticas durante a campanha. O candidato do PSL disse que não se pode prejudicar toda a população e que isso é 'desumano', 'desleal' e não 'democrático'.

    'E aí Recife, ou melhor, Pernambuco, Ceará, o Estado que for, eleger um governador do PT, do PDT, não tem problema nenhum. Inclusive nós sempre falamos, menos Brasília, mais Brasil. Nós queremos descentralizar os recursos e mandar para os Estados, para os governadores e os prefeitos diretamente na ponta da linha, sabendo onde aquele recurso deve ser melhor aplicado fazê-lo', disse.

    'Então não tem como fechar a torneira para um governador, por exemplo, do Maranhão porque ele é do PCdoB, isso não existe. O povo brasileiro é um só povo, eu prego a união há muito tempo', acrescentou.

    Bolsonaro disse que 'inventaram' que ele é contra nordestinos, assim como seria contra negros, mulheres e gays. E atribuiu essas críticas a petistas.

    'Inventam essas coisas e ficam martelando, como inventam agora que eu sou contra o décimo terceiro, que eu sou a favor da volta da CPMF, que eu sou contra o Bolsa Família. É que o PT faz muito bem, as narrativas, a briga da informação, o cara ocupa o microfone de rádio, o espaço de televisão. Em vez de mostrar o que eles fizeram ao longo de 13 anos, eles fazem exatamente o contrário, fica criticando os outros', acusou.

    O candidato do PSL questionou o fato de ser apontado como uma pessoa que é 'contra tudo' e ao mesmo tempo estar em primeiro lugar nas pesquisas. Ele disse que a 'grande surpresa positiva' das eleições virá do Nordeste --sua campanha tem apostado num crescimento da região para tentar vencer a disputa no primeiro turno.

    Segundo o presidenciável, ele tem uma maior aceitação no Nordeste do que tinha o então candidato do PSDB, Aécio Neves, quando concorreu contra a então candidata à reeleição Dilma Rousseff em 2014, e que o apoio por lá 'está crescendo'.

    CRÍTICAS AO PT

    Bolsonaro aproveitou a entrevista para cutucar o candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, que deve ser seu provável adversário na disputa de segundo turno. Na entrevista, ele pediu aos ouvintes do Nordeste para conversar com parentes e amigos que moram em São Paulo para conhecerem a avaliação da gestão de Haddad à frente da prefeitura paulistana.

    'Ele (Haddad) foi tão mal que, para a reeleição, ele perdeu no primeiro turno para o (João) Dória', disse ele, ao emendar uma crítica ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal mentor da candidatura de Haddad, e que está preso.

    'E esse homem (Haddad) agora está a serviço de uma pessoa que tinha tudo para ser um grande presidente, um homem que deixasse realmente uma marca na história, que foi o Lula, mas resolveu enveredar para outro caminho. Eu lamento o Lula estar nesta situação, preso, mas ele está colhendo o que ele plantou. Ele tentou fazer com que o Brasil envergasse, fosse de um só partido, o PT, e instituiu o maior programa de corrupção do mundo'.

    Segundo Bolsonaro, a corrupção pode levar à falta de recursos para a saúde, educação e até um eventual aumento do valor do programa Bolsa Família.

    Num recado ao eleitorado nordestino, chamado por ele de mais conservador e família, o candidato do PSL repetiu na entrevista que vai combater o ensino de questões ligadas à sexualidade para criança, e reafirmou que não tem nada contra os homossexuais.

    'Os movimentos de esquerda ligados à causa LGBT, como não tinham de discutir isso (o chamado kit gay) comigo que iam perder, inventaram que eu sou homofóbico, que eu vou matar gay. De onde é que vocês ouviram eu falando isso aí? A minha briga foi e será contra o material escolar', disse.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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    Imposto nos moldes de CPMF viria no lugar de IVA em reforma tributária de Bolsonaro, diz fonte

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - Um imposto nos moldes da CPMF, com incidência sobre movimentações financeiras, viria no lugar da adoção de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em simplificação tributária promovida em eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), afirmou à Reuters nesta quarta-feira uma fonte com trânsito na campanha do presidenciável.

    Segundo a fonte, que falou em condição de anonimato, a ideia não é que o imposto funcione como um tributo a mais, mas que seja peça-chave na reorganização tributária.

    A mesma fonte afirmou que a investida se assenta sobre os estudos do economista Marcos Cintra, que defende há anos a substituição de todos os tributos de natureza declaratória por apenas um, que seria cobrado tanto por quem paga como por quem recebe transações financeiras, como ordens de pagamento e transferências eletrônicas.

    Nos cálculos de Cintra, a instituição de um imposto único de 2,81 por cento sobre cada lançamento bancário manteria a carga tributária brasileira no atual patamar de 35 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A arrecadação seria feita pelo sistema bancário, que repassaria os recursos automaticamente para o governo.

    Com alíquota de 0,38 por cento e originalmente concebida para destinar recursos à saúde, a CPMF foi extinta em 2007.

    Em artigo recente em seu site, Cintra defendeu o modelo em contraposição ao IVA, que está, por sua vez, na base das reformas tributárias propostas pelos candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB).

    'Não há mais como imaginar que ainda possam perdurar os mecanismos de exação tributária declaratórios, analógicos e dependentes de estruturas físicas de fiscalização e auditoria, como é o caso do IVA', escreveu Cintra.

    'No mundo digital há que se utilizar de ferramentas como o imposto eletrônico sobre a movimentação financeira. É uma base inovadora que deve substituir os atuais tributos. Trata-se de uma forma de tributação menos impactante sobre os preços quando comparada com o IVA, simples de ser cobrada, exige alíquota muito baixa, reduz custos para o governo e as empresas e elimina a sonegação', completou. 'Este é o projeto que fará toda diferença para a retomada sustentada do crescimento e que se ajusta à realidade brasileira.'

    A recriação de um imposto sobre movimentações financeiras foi proposta pelo coordenador econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, de acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira.

    Em mensagem publicada no Twitter nesta manhã, Bolsonaro afirmou que sua equipe econômica trabalha para reduzir a carga tributária. O candidato não citou as declarações de Paulo Guedes.

    À Reuters, o candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), afirmou ser contra a proposta de recriar um imposto nesse modelo e destacou que caberá ao presidenciável decidir sobre a adoção do novo tributo.

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    Vice de Bolsonaro diz ser contra proposta de recriar impostos nos moldes da CPMF

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), afirmou nesta quarta-feira à Reuters ser contra a proposta de recriar um imposto sobre movimentação financeira nos moldes da CPMF e destacou que caberá ao presidenciável decidir sobre a adoção do novo tributo.

    Essa sugestão foi proposta pelo principal assessor econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, de acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira.

    'Eu sou a favor da redução de impostos como forma de dar uma alavancada. Agora, o Paulo Guedes está fazendo os estudos dele e a última instância é o Bolsonaro, o Bolsonaro que vai decidir', disse Mourão, para quem é preciso avaliar se o país vai 'arcar com um ônus maior' a título de carga tributária ou buscar outra saída que preveja queda de impostos para a população.

    'Exatamente (sou contra), a não ser aquela história: quando se divulga uma proposta você apresenta os prós e contras dela e isso tem um peso que leva o decisor, no caso o Bolsonaro, optar pela linha de ação ou não', explicou.

    Em mensagem publicada no Twitter mais cedo nesta manhã, Bolsonaro afirmou que sua equipe econômica trabalha para reduzir a carga tributária. O candidato não citou as declarações de Paulo Guedes.

    'Nossa equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!', disse Bolsonaro na publicação.

    Bolsonaro, que está hospitalizado desde o dia 6 de setembro após levar uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro. O candidato tem utilizado as redes sociais para fazer campanha enquanto internado.

    O candidato a vice disse que deve almoçar neste fim de semana com Guedes para discutir propostas de governo.

    Em entrevista à Reuters no fim de maio, Guedes já havia se manifestado a favor da criação de um tributo único, com custo de fiscalização menor ao que seria associado à adoção de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Na ocasião, ao ser questionado se o mecanismo funcionaria como uma CPMF, Guedes disse que essa seria “uma pista”.

    PAPEL NA CAMPANHA

    Mourão afirmou ter sido convidado para uma reunião, ocorrida na terça-feira em São Paulo, com integrantes da cúpula do PSL, mas não compareceu porque tinha agenda de campanha a cumprir no interior do Estado. Disse ter sido representado no encontro pelo também general da reserva do Exército Augusto Heleno, que tem participado da formulação de propostas para a campanha.

    O candidato a vice afirmou que a deliberação do encontro, que lhe foi repassada, é de que ele não vai participar de debates da campanha representando Bolsonaro.

    'Meu papel é manter aqui o trabalho que estou fazendo, com calma, discrição e não vou participar de debate', disse.

    Aliados de Bolsonaro têm demonstrado desconforto com declarações polêmicas feitas por Mourão, como a de que seria possível fazer uma revisão constitucional por um grupo de notáveis e que não seja eleito pelo população e a de que, em áreas carentes, a criação por mãe e avó pode levar a uma fábrica de desajustados que tendem a ingressar em quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas.

    Questionado se foi repassado a ele alguma determinação do encontro para não se pronunciar, o candidato a vice afirmou que 'não chegou nada', por isso não pode falar sobre o assunto.

    'O que ocorre é uma coisa muito simples. Tem alguns eventos que já tinham sido marcados bem antes de eu ser candidato, são eventos fechados só que a imprensa agora tem comparecido. São as mesmas ideias que eu já venho expondo há mais de dois anos, só que agora elas ganharam uma outra dimensão. Apenas isso', disse.

    'Minhas ideias já estão muito bem expostas, muito bem difundidas, as pessoas já tomaram conhecimento delas e depois que as palavras saem da boca não podem voltar, né?', completou ele, ao ser perguntado se avalia se policiar nas declarações.

    O candidato a vice afirmou que as propostas da campanha de Bolsonaro estão bem difundidas e têm por objetivo colocar o país em um caminho correto. Disse ainda que na reta final do primeiro turno de campanha a intenção não é ficar batendo boca com outros candidatos.

    'Não vamos baixar o nível do confronto, o confronto tem que ser em torno de ideias, de propostas e o eleitor define aquela que julgar mais adequada', disse.

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