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    Pompeo culpa Rússia e Cuba por crise na Venezuela; Rosneft rejeita acusações

    Por Matt Spetalnick e Lesley Wroughton

    WASHINGTON/MOSCOU (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, culpou Rússia e Cuba na segunda-feira por provocarem a crise política na Venezuela apoiando o presidente Nicolás Maduro, e disse que exortou a Índia a não ajudar Caracas comprando petróleo venezuelano.

    Os comentários foram feitos depois que o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções ao banco russo Evrofinance Mosnarbank por ajudar a petroleira estatal venezuelana PDVSA a driblar restrições financeiras norte-americanas.

    'Essa história não está completa sem reconhecer o papel central que Cuba e Rússia desempenharam e continuam a desempenhar minando os sonhos democráticos do povo venezuelano e seu bem-estar', disse Pompeo a repórteres.

    'Moscou, como Havana, continua a proporcionar cobertura política ao regime Maduro, ao mesmo tempo pressionando países para que desconsiderem a legitimidade democrática do presidente interino Guaidó', acrescentou.

    O governo do presidente Donald Trump vem adotando medidas para aumentar a pressão sobre Maduro e fortalecer o líder opositor Juan Guaidó, reconhecido pelos EUA e por mais de 50 outros países como presidente interino.

    Mas Maduro, que acusa Guaidó de uma tentativa de golpe dirigida por Washington, ainda tem o apoio da Rússia e da China, além do controle de instituições estatais, incluindo os militares.

    Pompeo se reuniu com o secretário das Relações Exteriores indiano, Vijay Gokhale, na segunda-feira, com o qual debateu a compra de petróleo venezuelano por parte da Índia.

    'Estamos pedindo à Índia a mesma coisa que aos outros países: não sejam os salva-vidas econômicos do regime Maduro', disse Pompeo.

    'Tenho muita confiança na mesma maneira com que a Índia tem sido incrivelmente solidária com nossos esforços com o Irã, tenho confiança de que eles também entendem a verdadeira ameaça ao povo venezuelano'.

    O mercado indiano é crucial para a economia da Venezuela, sendo historicamente o segundo maior cliente que compra o petróleo cru do país da Opep pagando em dinheiro, só ficando atrás dos EUA, que vêm cedendo o controle de grande parte dessa renda a Guaidó por meio das sanções impostas a Maduro.

    Pompeo disse que a gigantesca petroleira estatal russa Rosneft também está desafiando sanções dos EUA ao comprar petróleo da PDVSA, mas a Rosneft disse que os contratos foram firmados antes da última leva de sanções norte-americanas ser adotada em janeiro e que pode procurar os tribunais para se defender se for necessário.

    (Reportagem adicional de Mohammad Zargham e David Alexander em Washington; Gabrielle Tetrault-Farber, Tatiana Voronova, Elena Fabrichnaya e Katya Golubkova, em Moscou; Nailia Bagirova em Baku)

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    Venezuela receberá 2 mil médicos cubanos que deixaram o Brasil, diz Maduro

    CARACAS (Reuters) - A Venezuela irá receber 2 mil médicos cubanos que deixaram o Brasil após disputa entre a ilha comunista e o presidente Jair Bolsonaro.

    Bolsonaro disse que cerca de 11 mil médicos estavam sendo submetidos a “trabalho escravo” e exigiu que o governo cubano, que fica com 75 por cento de seus salários, permitisse que os funcionários recebessem o valor integral e fossem acompanhados por suas famílias no Brasil.

    Cuba se recusou a cumprir as exigências e retirou os médicos do Brasil.

    “Na próxima semana, vamos ter um evento especial que celebra a chegada de 2 mil novos médicos de família que Cuba vai nos enviar. Eles estão vindo do Brasil”, disse o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em discurso televisionado.

    “O fascismo brasileiro encerrou o projeto de saúde e os 2 mil médicos estão vindo para a Venezuela”, disse.

    Clínicas administradas por médicos cubanos foram um programa marcante do ex-líder socialista venezuelano Hugo Chávez, que desfrutou de amplos recursos de petróleo durante seus 14 anos no comando da Venezuela, encerrados em 2013 por um câncer. A Venezuela pagava pelos serviços médicos com remessas de petróleo.

    Maduro, que tem vivido um colapso da antes crescente economia da Venezuela, tem enfrentado queixas de decadência do sistema de saúde do país e de abandono das unidades antes administradas por médicos cubanos. O presidente venezuelano não deu detalhes sobre como o país pagará pelos serviços.

    (Reportagem de Brian Ellsworth)

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    Em aniversário da revolução cubana, Raúl Castro critica EUA por rumo de 'confrontação'

    HAVANA (Reuters) - O líder do Partido Comunista de Cuba, Raúl Castro, disse que os cubanos estão preparados para resistir ao que parece ser um rumo de 'confrontação' do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um embargo comercial intensificado que já dura quase seis décadas.

    Raúl, de 87 anos, liderou o ato do 60º aniversário da revolução de esquerda que levou seu falecido irmão Fidel ao poder em 1959, derrotando o governo de Fulgencio Batista, apoiado por Washington. A cerimônia ocorreu em Santiago de Cuba, cerca de 800 quilômetros ao leste de Havana, na terça-feira.

    'Agora, novamente o governo norte-americano parece tomar o rumo da confrontação com Cuba e apresentar nosso país pacífico e solidário como uma ameaça à região', declarou Raúl em um discurso no qual instou o país a continuar 'priorizando as tarefas de preparação para a defesa'.

    O ex-presidente observou que 'aos 60 anos do triunfo (da revolução), não nos intimidam a linguagem da força nem as ameaças', uma alusão ao retrocesso nos laços entre Washington e Havana desde que Trump assumiu a Casa Branca, revertendo a reaproximação iniciada por seu antecessor, Barack Obama, no final de 2014.

    As duas nações restabeleceram as relações diplomáticas em julho de 2015. Em novembro o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, disse que Washington adotará uma linha mais dura contra Cuba, Venezuela e Nicarágua, países que qualificou como a 'troica da tirania'.

    O discurso de Raúl veio em um momento no qual o governo cubano se vê afetado pelas sanções comerciais dos EUA, o colapso econômico de sua aliada estratégica Venezuela e as tensões nas finanças internas do país.

    A economia local teve uma crescimento anual médio de um por cento nos últimos três anos, menos que a taxa de 5 a 7 por cento que especialistas afirmam ser necessária para a ilha se recuperar de uma depressão da década de 1990.

    'Um desafio que enfrentaremos no ano que começa hoje é a situação da economia, sobrecarregada pelas tensões nas finanças externas por causa dos abalos na renda das exportações, o bloqueio norte-americano e seus efeitos extraterritoriais', argumentou Raúl.

    'É preciso em primeiro lugar reduzir todo gasto não imprescindível e poupar mais', acrescentou.

    (Por Nelson Acosta e Sarah Marsh)

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    Comissão descarta emenda constitucional pró-casamento gay em Cuba

    Por Sarah Marsh

    HAVANA (Reuters) - A comissão a cargo da redação da nova Constituição de Cuba revisou um esboço original e retirou totalmente o conceito de casamento, depois de inicialmente incluir uma emenda para permitir uniões entre pessoas do mesmo sexo.

    O primeiro esboço da nova Constituição, revelado em julho, incluía um Artigo 68 que redefinia o matrimônio como neutro quanto ao gênero, em vez de aquele entre um homem e uma mulher, um projeto promovido pela filha do líder do Partido Comunista, de Raúl Castro.

    A polêmica sobre a emenda no país de tradição machista dominou uma consulta pública nacional de três meses sobre a nova Carta Magna, concebida para atualizar aquela dos tempos soviéticos.

    As igrejas evangélicas, críticas mais explícitas ao Artigo 68, ameaçaram bloquear toda a reformulação constitucional por causa deste único tópico no referendo sobre a versão final, agendado para o início do ano que vem.

    Na terça-feira a comissão disse à Assembleia Nacional que a questão do matrimônio deveria ser tratada no código familiar, que deve ser atualizado pouco depois de a Constituição ser aprovada.

    A Assembleia Nacional deve votar nesta semana a versão final, que depois será submetida ao referendo popular.

    'A comissão propõe... retirar o conceito de matrimônio do projeto da Constituição como forma de respeitar todas as opiniões', escreveu a Assembleia em sua conta de Twitter. 'O matrimônio é uma instituição social e legal'.

    Na última década Cuba avançou muito nos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, e muitos cubanos urbanos e mais jovens e ativistas LGBT saudaram o Artigo 68.

    Mas a maioria dos cubanos parece tê-lo rejeitado, e as igrejas evangélicas capitalizaram essa desaprovação em uma campanha política não governamental incrivelmente forte para Cuba, coletando assinaturas para uma petição contra a iniciativa e realizando serviços em protesto.

    De agosto a novembro quase 9 milhões dos 11,2 milhões de cidadãos compareceram a mais de 130 mil encontros comunitários em toda a nação para se manifestar sobre o esboço constitucional, noticiou o veículo estatal Cubadebate na terça-feira.

    O governo qualificou o processo como o melhor exemplo de democracia participativa, mas opositores o classificaram como uma fraude, já que os fundamentos do sistema de partido socialista único de Cuba jamais foram tema de debate.

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    Bolsonaro diz que fará tudo que puder dentro da legalidade e democracia contra Cuba e Venezuela

    (Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira que fará tudo que puder dentro da legalidade e da democracia contra Cuba e Venezuela, cujos regimes de esquerda ele critica.

    Em transmissão ao vivo em uma rede social, Bolsonaro afirmou que não convidar os líderes dos dois países, a quem chamou de ditadores, é um exemplo do que pode fazer para apoiar os povos de Cuba e da Venezuela.

    'Nós não convidamos o ditador cubano nem o ditador venezuelano, afinal de contas é uma festa da democracia, e lá não existem eleições e, quando existem, são suspeitas de fraude, então para nós não interessa', disse o presidente eleito.

    'Tudo o que pudermos fazer, dentro da legalidade, dentro da democracia, contra esses países, nós faremos', acrescentou.

    O futuro governo chegou a convidar os líderes dos dois países, mas depois desconvidou, numa disputa interna que levou ao afastamento do chefe de cerimonial da transição.

    Na transmissão, Bolsonaro voltou a dizer que não é contra imigrantes, mas que é preciso haver critérios para que eles entrem no país. E citou a situação na França como exemplo, afirmando que os imigrantes tentam 'fazer valer a sua cultura' no novo país, o que é um problema.

    'Os que foram para lá, o povo francês acolheu da melhor maneira possível, mas vocês sabem da história dessa gente né? Eles têm algo dentro de si que não abandonam suas raízes e querem fazer valer a sua cultura, os seus direitos lá de trás, e a França está sofrendo com isso.'

    (Por Alexandre Caverni)

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    Cuba faz concessões ao setor privado e ameniza novas regras

    Por Sarah Marsh e Nelson Acosta

    HAVANA (Reuters) - O governo de Cuba anunciou na quarta-feira um afrouxamento das novas regulamentações sobre o incipiente setor privado da ilha comunista, dois dias antes de as medidas entrarem em vigor, para levar em conta as preocupações de empreendedores e especialistas.

    As preocupações com o acúmulo de riqueza e os receios de sonegação fiscal e outras irregularidades levaram o governo a anunciar em julho controles mais rígidos sobre o setor privado, que floresceu na esteira de reformas de mercado realizadas oito ano atrás.

    Mas algumas das restrições anunciadas provocaram uma frustração generalizada e críticas de empreendedores e economistas, particularmente as regras que limitam os cubanos a uma licença comercial por pessoa e restaurantes a 50 lugares.

    A ministra do Trabalho, Margarita González Fernández, disse em uma mesa redonda transmitida na noite de quarta-feira que o governo decidiu suspender estas restrições.

    'Vejo um raio de luz agora', disse Camilo Condis, de 33 anos, que mora em Havana e tem duas licenças comerciais, uma para alugar um apartamento e outra para trabalhar em um restaurante, e sonha com novos empreendimentos, como abrir um café.

    'Agora posso voltar a sonhar e ser criativo, porque agora sei que será legal ter mais de um empreendimento'.

    Cubanos como Condis, que têm mais de uma licença, passaram meses angustiados para decidir de qual abrir mão, e proprietários de restaurantes particulares de Havana que são populares com os turistas disseram que teriam que reduzir as operações.

    Analistas disseram que as regras limitavam o crescimento do setor em um momento no qual a economia estatal já enfrenta ventos contrários consideráveis, como a redução da ajuda da Venezuela, uma aliada crucial, e das exportações, e poderiam inibir investidores estrangeiros.

    Margarita disse que Havana ouviu a reação de especialistas e de trabalhadores do setor privado nas reuniões que as autoridades fizeram com eles para explicar as novas regras.

    'Recebemos opiniões, ideias e experiência que avaliamos rigorosamente', afirmou. 'Como resultado, decidimos aprovar a modificação de alguns aspectos aprovados originalmente'.

    Empreendedores cubanos que se queixaram que as novas regras foram redigidas sem que fossem consultados disseram ser significativo que agora o governo esteja ouvindo suas opiniões.

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    Premiê da Espanha promete laços mais estreitos com Cuba durante visita histórica

    Por Sabela Ojea e Sarah Marsh

    MADRI/HAVANA (Reuters) - O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, concordou com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em aprofundar seus laços políticos bilaterais, durante a primeira visita oficial de um líder espanhol ao país comunista em três décadas.

    Os dois líderes assinaram na quinta-feira um acordo instituindo reuniões anuais de diálogo político de alto nível entre Espanha e Cuba que abordarão uma série de tópicos, incluindo os direitos humanos.

    As relações entre Cuba e a União Europeia têm melhorando constantemente desde que foram retomadas formalmente em 2016, após um esfriamento de duas décadas, mesmo com o desgaste do relacionamento entre a ilha e os Estados Unidos.

    Entretanto, antes mesmo de pousar em Havana, Sánchez foi alvo de críticas de ativistas da oposição.

    Sánchez está em Cuba 'para entreter ditadores, em vez de pedir liberdade e democracia', escreveu o líder do oposicionista Partido Popular, Pablo Casado, no Twitter.

    Durante a visita, Sánchez conversará com representantes de alguns dos intelectuais dissidentes cubanos, inclusive os diretores de uma revista digital independente e de um centro de estudos, além de proponentes do jovem setor privado da ilha, segundo uma autoridade do governo espanhol.

    Uma sucessão de líderes mundiais passou pela maior ilha-nação do Caribe nos últimos anos, à medida que Cuba tenta melhorar suas relações com o Ocidente, modernizar sua economia planificada e atrair mais investimento estrangeiro.

    Mas, esta é a primeira visita oficial de um premiê espanhol desde 1986, quando o também social-democrata Felipe González passou pela ilha. A Espanha é a terceira maior parceira comercial de Cuba e mantém laços culturais fortes com sua ex-colônia.

    Sánchez e Díaz-Canel, que sucedeu Raúl Castro como presidente em abril, também concordaram na quinta-feira em ampliar sua cooperação cultural, depois de se reunirem na Praça da Revolução de Havana.

    'A nova geração de líderes cubanos precisa desta reaproximação, que mostra que as relações exteriores de Cuba não precisam ser limitadas ao conflito EUA-Cuba ou a alianças com países como Rússia e China', disse o diplomata cubano aposentado Carlos Alzugaray.

    'É oxigênio em um momento difícil'.

    Na manhã desta sexta-feira, Sánchez inaugurará um fórum empresarial hispano-cubano em um hotel que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentou recentemente a uma lista de locais proibidos para viajantes norte-americanos.

    (Reportagem adicional de Sam Edwards e Marc Frank)

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    Bolsonaro diz que médicos cubanos têm situação de quase escravidão e reitera promessa de asilo

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que os médicos cubanos que trabalham no Brasil por meio do programa Mais Médicos são submetidos a situação de quase escravidão, e reiterou que aqueles que pedirem asilo político no Brasil serão atendidos por seu governo.

    'É uma situação de praticamente escravidão que estão sendo submetidos os médicos e as médicas cubanas no Brasil. Imaginou confiscar da senhora 70 por cento do seu salário?', disse Bolsonaro a jornalistas em entrevista coletiva durante visita ao 1º Distrito Naval, no centro do Rio de Janeiro.

    'Cubano que pedir asilo aqui justifica, no meu entender, pela ditadura da ilha, terá o asilo concedido da minha parte', acrescentou.

    O governo cubano anunciou na quarta-feira que vai retirar todos os médicos do país que participam do Mais Médicos depois que Bolsonaro afirmou que vai modificar os termos da iniciativa e estabeleceu condições ao governo cubano.

    Nesta sexta-feira, Bolsonaro repetiu as exigências e afirmou ter ouvido 'barbaridades' sobre os médicos cubanos.

    'Eu não sou presidente ainda, mas se fosse exigiria isso. Um Revalida presencial, assistir o médico atender o povo, porque o que nós temos ouvido, de muitos relatos, são verdadeiras barbaridades', afirmou. 'Queremos o salário integral e queremos o direito a trazer a família para cá. Isso é pedir muito?'.

    Como parte do programa Mais Médicos, os profissionais de Cuba ficam com 25 por cento dos mais de 3.000 dólares pagos pelo Brasil à ilha por cada médico por mês, com 75 por cento ficando com o governo de Havana.

    A Confederação Nacional de Municípios (CNM) lamentou a decisão de Cuba e afirmou que a situação pode levar a um 'estado de calamidade pública' em regiões brasileiras onde há escassez ou até ausência de atendimento médico.

    Segundo a CNM, 1.575 municípios atendidos pelo Mais Médicos contam apenas com médicos cubanos, que atendem em todo o Brasil mais de 28 milhões de pessoas.

    'Nesse sentido, a CNM aposta no diálogo entre as partes para os médicos cubanos permanecerem no país pelo menos até o final deste ano ou, se possível, por tempo maior a ser acordado entre os dois países', afirmou a confederação na quinta-feira em comunicado.

    Para substituir os 8.332 médicos cubanos que deixarão o país ainda este ano, o Ministério da Saúde realizará edital para selecionar profissionais brasileiros, que devem ser convocados ainda em novembro, informou a pasta em nota.

    O ministério realizará reunião com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) nesta sexta-feira para finalizar a proposta do edital.

    MARINHA

    Ainda na visita desta sexta-feira ao 1º Distrito Naval, Bolsonaro afirmou, após se reunir com o comandante da Marinha, Eduardo Bacellar, que o almirante foi convidado para assumir o Ministério da Defesa, mas rejeitou o convite por questões pessoais.

    Segundo Bolsonaro, o Bacellar estará em 'nosso coração' durante todo tempo que ele permanecer na Presidência da República, mesmo sem ocupar formalmente um cargo no governo.

    'Sempre o procurarei para que boas decisões sejam tomadas, em especial na área aqui da nossa Marinha', disse.

    O general da reserva do Exército Fernando Azevedo e Silva foi anunciado na terça-feira como futuro ministro da Defesa.

    Anteriormente, Bolsonaro havia falado em indicar alguém da Marinha para a pasta, uma vez que o próximo governo já tem diversos nomes do Exército e também um ministro da Aeronáutica.

    (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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    Cuba decide retirar profissionais do Mais Médicos; Bolsonaro diz que dará asilo a cubanos

    Por Nelson Acosta e Mateus Maia

    HAVANA/BRASÍLIA (Reuters) - Cuba anunciou nesta quarta-feira que vai se retirar do programa Mais Médicos, que durante cinco anos tem enviado especialistas de saúde da ilha ao Brasil, depois que o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que iria modificar os termos de colaboração da iniciativa e estabeleceu condições ao governo cubano.

    Bolsonaro comparou a atuação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos a trabalho escravo e garantiu que, quando assumir o governo, 'o cubano que quiser pedir asilo aqui vai ter'.

    'Eu jamais faria um acordo com Cuba nesses termos. Isso é trabalho escravo, não é nem análogo à escravidão, é trabalho escravo, não poderia compactuar com isso daí', disse Bolsonaro em entrevista coletiva em Brasília.

    O presidente eleito também questionou a capacidade dos médicos cubanos, afirmando aos jornalistas 'duvidar' que alguém quisesse ser atendido por um dos profissionais de saúde da ilha e afirmando ter relatos de 'barbaridades' cometidos por médicos cubanos no país.

    A televisão estatal cubana informou, ao ler comunicado do Ministério de Saúde de Cuba, que Bolsonaro, 'com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, tem declarado e reiterado que modificará os termos e condições do programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao que foi acordado por esta com Cuba'.

    Logo após o anúncio de Havana, Bolsonaro foi ao Twitter para afirmar que o governo cubano não aceitou as condições de seu governo para a manutenção da ilha no Mais Médicos, entre elas o pagamento integral dos salários aos profissionais cubanos que atuam no país.

    De acordo com o presidente eleito, a maior parte dos vencimentos tem como destino a 'ditadura' da ilha caribenha, e a decisão cubana de abandonar o Mais Médicos não leva em conta os impactos na saúde dos brasileiros e na integridade dos médicos cubanos.

    'Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou', escreveu Bolsonaro na rede social.

    'Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos', acrescentou.

    Cuba participa desde agosto de 2013 do Mais Médicos, programa criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de ampliar o atendimento médico no país a cidadãos de baixa renda.

    O Ministério da Saúde cubano disse que comunicou sua decisão à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e aos políticos brasileiros que 'fundaram e defenderam essa iniciativa'.

    Em nota, o Ministério da Saúde do Brasil informou que vai convocar 'nos próximos dias um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos' e que desde 2016 vem trabalhando para diminuir os médicos cubanos no programa.

    'Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles', acrescentou.

    De acordo com o governo cubano, cerca de 20.000 médicos atenderam 113 milhões de pacientes brasileiros em mais de 3.000 municípios do país. Os profissionais ficam com 25 por cento dos mais de 3.000 dólares pagos pelo Brasil à ilha por cada médico por mês, com 75 por cento ficando com o governo de Havana.

    Os serviços de saúde de Cuba, que estão presentes em 67 países, se tornaram uma das principais fontes de receita em dólares para Havana, assim como o turismo.

    Por meio da Opas, os médicos cubanos colaboraram na luta contra o Ebola na África e os problemas de visão na América Central e no Caribe, além de estarem presentes em países como Equador, Peru, Chile, México e Venezuela, entre outros.

    O fim da parceria com Cuba foi lamentado pelo governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que participava de encontro de governadores eleitos com Bolsonaro em Brasília no momento do anúncio da ilha.

    “É mais um problema para gestores estaduais e mais ainda para municípios, que estão quebrados. Município não tem capacidade de pagar os médicos para ficar nas comunidades”, disse Casagrande a jornalistas.

    (Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo, e Lisandra Paraguassu e Mateus Maia, em Brasília)

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    Novo presidente de Cuba faz primeira viagem aos EUA para denunciar embargo na ONU

    HAVANA (Reuters) - O novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chegou a Nova York no domingo em sua primeira visita aos Estados Unidos, onde denunciará o embargo econômico norte-americano de décadas contra seu país na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), noticiou a mídia estatal.

    As tensões entre os inimigos da Guerra Fria se intensificaram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o embargo no ano passado, na esteira da retomada das relações diplomáticas levada a cabo por seu antecessor, Barack Obama. Washington também alegou a ocorrência de uma série de ataques contra a saúde de seus diplomatas em Havana.

    O governo cubano disse que nenhum ataque aconteceu e que a gestão Trump está usando qualquer um que tenha ocorrido – se algum de fato ocorreu – como pretexto para escalar sua postura hostil contra a ilha comunista.

    Díaz-Canel, que assumiu a Presidência de seu mentor, Raúl Castro, em abril, discursará na Cúpula de Paz Nelson Mandela da Assembleia-Geral nesta segunda-feira e na própria Assembleia-Geral na quarta-feira, segundo o veículo estatal Cubadebate.

    Nesta sessão Cuba apresentará pelo 27º ano seguido uma resolução pedindo o fim do embargo comercial dos EUA contra a ilha.

    'Trazemos a voz de Cuba que, acima de tudo, vem denunciar a política anormal do bloqueio, uma política que já fracassou, continuará a fracassar e que é o bloqueio mais longo da história da humanidade', disse Díaz-Canel ao chegar, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores cubano.

    (Por Sarah Marsh)

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