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    Trump envia Pompeo a Riad por conta de jornalista desaparecido; sauditas podem culpar oficial de inteligência

    Por Tulay Karadeniz e Roberta Rampton

    ANCARA/WASHINGTON (Reuters) - A Arábia Saudita está preparando reconhecer a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi após um interrogatório mal conduzido, informaram a CNN e o jornal New York Times nesta segunda-feira, após o presidente norte-americano Donald Trump especular que 'assassinos particulares' podem ser os responsáveis.

    Trump destacou o secretário de Estado, Mike Pompeo, para se encontrar com o Rei Salman sobre o caso que afetou a relação dos norte-americanos com os sauditas, que são cuidadosamente estimados pelo presidente norte-americano.

    Khashoggi, que era residente norte-americano, colunista do jornal Washington Post e um dos principais críticos ao poderoso príncipe da coroa saudita, Mohammed bin Salman, desapareceu após entrar no consulado saudita em Istambul há duas semanas, quando buscava documentos matrimoniais. Autoridades turcas acreditam que ele foi assassinado e seu corpo removido.

    Citando duas fontes anônimas, a CNN reportou na segunda-feira que a Arábia Saudita está preparando um relatório que reconheceria que Khashoggi foi morto como resultado de uma sessão de interrogação que deu errado. O governo saudita não foi encontrado imediatamente para comentar a reportagem da CNN.

    'Eu ouvi essa informação, mas ninguém sabe se é uma informação oficial', disse Trump a jornalistas, sem se explicar.

    O The New York Times, citando uma pessoa familiarizada com os planos dos sauditas, reportou que o príncipe havia aprovado interrogatório ou a rendição de Khashoggi de volta para a Arábia Saudita. O governo saudita, disse o jornal, protegeria o príncipe ao culpar um oficial de inteligência pela operação frustrada.

    O caso provocou um clamor internacional contra a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, com executivos de mídia e de negócios se retirando de uma conferência de investimentos que será promovida no país no próximo mês.

    Embora os organizadores tenham dito nesta segunda-feira que a conferência acontecerá normalmente, os sauditas cancelaram uma recepção diplomática anual em Washington que aconteceria nesta semana.

    Muitos membros do Congresso dos Estados Unidos, que há muito têm uma relação complicada com a Arábia Saudita, emitiram fortes críticas ao país do Oriente Médio diante do caso.

    Autoridades turcas possuem uma gravação sonora que indica que Khashoggi foi morto no consulado, disseram uma autoridade turca e uma fonte de segurança à Reuters, e também existem evidências compartilhadas com países incluindo a Arábia Saudita e os Estados Unidos. Não foram disponibilizados mais detalhes.

    A Arábia Saudita nega veementemente o assassinato de Khashoggi e denunciou as acusações como 'mentiras' dizendo que ele deixou o edifício pouco após ter entrado.

    'O rei nega firmemente qualquer conhecimento disso', afirmou Trump a jornalistas depois de conversar com o rei Salman. 'Ele realmente não sabia, talvez - eu não quero entrar na cabeça dele, mas pareceu para mim - que talvez tenham sido assassinos particulares. Quem sabe?'.

    O presidente norte-americano não deu evidências para apoiar a teoria. Parlamentares democratas criticaram Trump por ter utilizado o termo 'assassinos particulares'.

    'Ouvindo a teoria ridícula dos 'assassinos particulares' e queria saber onde os sauditas vão chegar com isso', disse o senador democrata Chris Murphy no Twitter.

    REI ORDENA INVESTIGAÇÃO

    Trump chamou Pompeo na noite de domingo e pediu que ele se encontrasse pessoalmente com líderes sauditas, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert.

    Trump disse que Pompeo pode ir à Turquia depois da Arábia Saudita.

    Investigadores policiais turcos entraram no consulado em Istambul na segunda-feira. Uma fonte diplomática turca disse anteriormente que uma equipe conjunta turca-saudita faria buscas no prédio, o último local onde Khashoggi foi visto antes de ter desaparecido no dia 2 de outubro.

    'Faz treze dias desde o incidente, então com certeza conseguir algumas evidências pode ser difícil', disse o oficial turco.

    Uma autoridade saudita, não autorizada a falar publicamente, disse à Reuters que o rei havia ordenado uma investigação interna baseada nas informações obtidas pela equipe multinacional em Istambul.

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    França investiga paradeiro de chefe da Interpol após mulher relatar desaparecimento

    PARIS (Reuters) - A polícia francesa abriu uma investigação sobre o paradeiro do presidente da Interpol, Meng Hongwei, depois de sua mulher dizer que ele está desaparecido desde que viajou à China, seu país natal, na semana passada.

    A mulher de Hongwei entrou em contato com a polícia em Lyon, cidade francesa onde fica a sede da agência de colaboração internacional de polícia, após não ter notícias de seu marido desde que ele foi para a China no dia 29 de setembro, informaram fontes policiais.

    Ligações para a porta-voz da Interpol não foram respondidas de imediato.

    A principal função da Interpol é fornecer um mecanismo para que forças policiais de diferentes países informem umas às outras sobre suspeitos procurados.

    Meng ocupou diversos cargos importantes na China, incluindo o de vice-ministro de Segurança Pública.

    Ele foi nomeado presidente da Interpol em 2016 e, na época, grupos de direitos humanos expressaram preocupação de que Pequim poderia tentar usar sua posição na organização para perseguir dissidentes no exterior.

    Há muito tempo Pequim tenta conseguir o apoio de outros países para prender e deportar de volta à China cidadãos que acusa de crimes como corrupção e terrorismo.

    A Reuters não foi imediatamente capaz de contactar o Ministério de Segurança Pública da China para comentar.

    (Reportagem da Redação de Paris e de Catherine Lagrange, em Lyon)

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