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    EXCLUSIVO-Petrobras pode desinvestir mais US$20 bi a partir de agora até 2019, diz fonte

    Por Marta Nogueira e Alexandra Alper

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras poderá obter mais 20 bilhões de dólares, de agora até o próximo ano, caso sejam realizadas as vendas de todos os projetos já anunciados para desinvestimentos, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto nesta terça-feira, em um sinal de que a companhia espera manter o ritmo de seu robusto plano de negociações apesar de recentes dificuldades.

    Nos últimos três anos, a estatal realizou cerca de 20 bilhões de dólares em vendas de ativos e parcerias, a partir do programa traçado para reduzir uma enorme dívida, acrescentou a fonte, na condição de anonimato.

    Dentre os acordos que poderão ser concluídos neste ano está a venda da refinaria Pasadena, no Texas, para a Chevron, embora o negócio não deva recuperar o enorme investimento feito pela empresa no ativo, envolvido no escândalo de corrupção, segundo a fonte.

    A Reuters publicou na semana passada que negociações estavam em curso com a petroleira norte-americana.

    A planejada venda de gasodutos no Nordeste, da subsidiária TAG, seria também importante para atingir aquele montante projetado para ser realizado até 2019. A esperada venda da fatia em empresa que a Petrobras tem na África também deve agregar montante bilionário na conta.

    Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

    A fonte também apontou que poderá ser concluído até o fim de dezembro o processo de venda dos polos de petróleo em águas rasas de Enchova e Pampo, localizados no Estado do Rio de Janeiro.

    Anteriormente, a Petrobras confirmou que a Ouro Preto Óleo e Gás havia apresentado a melhor proposta na fase vinculante do processo de venda de Enchova e Pampo.

    A Ouro Preto recebeu apoio da companhia de private equity EIG Global Energy Partners, conforme reportado pela Reuters em julho.

    Uma segunda fonte confirmou à Reuters nesta terça-feira que um acordo para a venda dos polos poderá ser alcançado ainda neste ano.

    Com a maior dívida global para uma petroleira listada em bolsa, a Petrobras traçou um plano de arrecadar 21 bilhões de dólares no biênio 2017-2018, com vendas de ativos e parcerias.

    Em meio aos esforços, a empresa reduziu a dívida líquida de 100,4 bilhões de dólares em 2015 para 73,7 bilhões de dólares no fim do segundo trimestre deste ano.

    O resultado foi alcançado mesmo em meio a resistências encontradas em sindicatos e tribunais.

    TAG

    No entanto, a empresa não deverá atingir a meta projetada para o biênio 2017-2018 caso não conclua a venda bilionária da rede de gasodutos TAG neste ano, segundo a fonte.

    A negociação da TAG, unidade de gasodutos no Nordeste, foi suspensa por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que exigiu que vendas de subsidiárias por estatais sejam aprovadas antes pelo Congresso. Para vender, a empresa precisa derrubar a decisão do tribunal.

    A Petrobras também tem buscado maneiras de aumentar a produção em áreas maduras, vendendo uma participação de 25 por cento em seu importante campo de Roncador, na Bacia de Campos, para a norueguesa Equinor.

    Na mesma linha, a empresa também abriu uma concorrência e convidou as gigantes Schlumberger, Baker Hughes (da GE) e Halliburton para um possível acordo de compartilhamento de produção para um campo terrestre. Um acordo representaria um novo caminho para a Petrobras impulsionar a produção de campos maduros sem perder o controle ou arriscar o capital, em parceria com um dos maiores provedores de serviços de petróleo do mundo.

    Mas o negócio não deverá acontecer até o primeiro trimestre de 2019, disse a fonte. Outra pessoa familiarizada com o assunto disse que um acordo neste ano é possível, mas mais provável para o próximo ano. Apesar dos contratempos, a empresa não deve deixar de bater a meta de alavancagem de 2,5 vezes Ebitda/dívida líquida, traçada para o fim deste ano.

    A Petrobras, segundo já foi informado recentemente por diretores, deverá anunciar seu Plano de Negócios e Gestão 2019-2023 em dezembro.

    (Edição de Roberto Samora)

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    EXCLUSIVO-EIG e Warburg Pincus participam de ofertas por campos maduros da Petrobras

    Por Alexandra Alper e Carolina Mandl

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - As gigantes de private equity Warburg Pincus e EIG Global Energy estão na disputa por dois conjuntos de campos maduros de petróleo em águas rasas colocados à venda pela Petrobras, disseram cinco fontes à Reuters, enquanto tentam conquistar presença no maior produtor de petróleo da América Latina.

    Duas pessoas familiarizadas com o processo disseram que os campos à venda, localizados nos polos de Enchova e Pampo, na Bacia de Campos, devem atrair propostas de cerca de 1 bilhão de dólares, contribuindo com o plano bilionário de desinvestimentos da Petrobras.

    A EIG Global Energy Partners se uniu à petroleira brasileira Ouro Preto para disputar os polos Enchova e Pampo, em um acordo em que a firma de private equity deverá prover capital para o investimento, de acordo com duas fontes. Não estava claro como a oferta seria estruturada.

    Enquanto isso, o Goldman Sachs também fará o financiamento para a aquisição, disseram as fontes.

    A Trident Energy, uma empresa do portfólio de investimentos da Warburg Pincus especializada em ativos maduros de petróleo, também fez uma oferta por ambos os polos, disseram duas fontes. Em 2016, a Warburg Pincus investiu 500 milhões de dólares na Trident.

    Uma vitória de qualquer grupo representaria a estreia tanto da EIG quanto da Trident no negócio de produção de petróleo no Brasil.

    O gestor de ativos alternativo Carlyle também estudou participar da licitação, mas optou por não fazer uma proposta.

    Não está claro se a Petrobras recebeu outras ofertas além das de Ouro Preto e Trident para esses polos.

    Nos últimos meses, as principais petroleiras do mundo investiram bilhões de dólares para arrematar blocos de petróleo em águas profundas brasileiras, diante de um declínio de reservas globais e do potencial do pré-sal no país.

    Pequenas empresas especializadas em campos maduros de petróleo muitas vezes são melhores do que as gigantes do petróleo para cortar custos na extração e, algumas delas, aperfeiçoaram sua expertise em extrair mais produto deles.

    Eu acho que é normal os private equities se interessarem , disse Edmar Almeida, pesquisador de economia e energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observando que as áreas ainda têm uma produção relativamente forte e podem ver suas taxas de recuperação melhoradas.

    A novidade é que estes fundos estavam pouco entusiasmados com o Brasil, depois do problema com a OGX, Petra e HRT , disse ele, citando a derrocada da OGX, do empresário Eike Batista, que assustou investidores em petroleiras menores no Brasil, depois de abalar a confiança dos mercados com promessas não concretizadas. A volta seria uma boa novidade.

    A venda dos polos de campo maduros, localizados no Estado do Rio de Janeiro, também faria sentido financeiro para a Petrobras, a companhia petrolífera mais endividada do mundo, que busca levantar 21 bilhões de dólares com a venda de ativos no biênio 2017-2018.

    No entanto, sindicatos de petroleiros da Petrobras têm se posicionado contra às vendas de campos da empresa e algumas tentativas feitas pela gestão da empresa chegaram a encontrar resistência dos tribunais.

    Segundo a Petrobras, o polo Enchova, que inclui os campos Marimba, Enchova, Bonito, Enchova Oeste Bicudo e Pirauna, tem 32 poços produzindo 25.100 barris de óleo equivalente por dia.

    Já o polo de Pampo, que engloba os campos de Badejo, Pampo, Linguado e Trilha, tem 27 poços produzindo 13.500 barris de óleo equivalente por dia. A Petrobras está vendendo os direitos dos campos até 2025. Tanto a Enchova quanto a Pampo começaram a produzir nos anos 80.

    Trident, EIG e Carlyle não responderam imediatamente a um pedido de comentários. Petrobras, Ouro Preto e Goldman Sachs se recusaram a comentar o assunto.

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