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    Incêndio paralisa unidade de refinaria da Petrobras em Pernambuco

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um incêndio atingiu uma torre da unidade de Coqueamento Retardado (U-21) da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras, em Pernambuco, na manhã desta terça-feira, levando à paralisação da unidade, conforme comunicado da companhia.

    A petroleira ressaltou que não houve feridos e que o incêndio foi extinto pela equipe de contingência da refinaria, que tem capacidade de processamento de 230 mil barris de petróleo por dia.

    A petroleira estatal não informou quais as consequências para a produção da refinaria, mas enfatizou que 'não há impacto no abastecimento'.

    'A Petrobras conta com estoque e produção para garantir a oferta de combustíveis aos seus clientes', afirmou.

    Mais recente refinaria da petroleira estatal a ser construída, com início das operações em 2014, a Rnest tem a maior taxa de conversão de petróleo cru em diesel --combustível mais comercializado do Brasil--, de 70 por cento.

    Além de diesel S-10, com baixo teor de enxofre, a Rnest também produz nafta, óleo combustível, coque e gás liquefeito de petróleo (GLP).

    Segundo a empresa, uma comissão de investigação foi mobilizada para avaliar as causas do acidente e o prazo para retorno da unidade.

    O incêndio ocorre pouco mais de três meses após um incêndio de grandes proporções ter atingido a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, a maior da Petrobras.

    Com produção correspondente a aproximadamente 20 por cento de todo o refino de petróleo no Brasil, a Replan tem capacidade para processar 434 mil barris de petróleo por dia e ainda passa por reparos.

    A refinaria de Paulínia está operando com metade de sua capacidade.

    (Por José Roberto Gomes e Marta Nogueira)

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    Incêndio na Califórnia deixou ao menos 88 mortos e 196 desaparecidos, diz xerife

    Por Lee van der Voo

    CHICO, Estados Unidos (Reuters) - Ao menos 88 pessoas morreram e 196 estão listadas como desaparecidas três semanas depois que o incêndio florestal mais letal da história do Estado norte-americano da Califórnia consumiu uma pequena comunidade montanhosa, reduzindo-a a escombros, disseram autoridades na quarta-feira.

    O incêndio, que começou em 8 de novembro, destruiu quase 14 mil casas e queimou quase 62 mil hectares, uma área cinco vezes do tamanho de San Francisco, dentro e nos arredores de Paradise, comunidade de 27 mil pessoas do norte californiano.

    O xerife do condado de Butte, Kory Honea, disse estar esperançoso de que algumas das 196 pessoas tidas como desaparecidas ainda podem estar vivas.

    'Dito isso, à medida que passarmos a repovoar estas áreas e permitir que as pessoas vão às áreas, é possível que algumas encontrem ossos ou fragmentos de ossos', disse ele a repórteres, acrescentando que as autoridades encerraram a busca por vítimas.

    O número de pessoas da lista de desaparecidos tem oscilado. Pessoas dadas como desaparecidas foram encontradas em abrigos, hospedadas em hotéis ou com amigos, disseram autoridades.

    Três pessoas foram retiradas da lista na quarta-feira ao serem encontradas em um estacionamento de trailers, informou o xerife.

    Cerca de 35 pessoas que morreram no incêndio foram identificadas graças a amostras de DNA e outros indícios, e outras 47 foram identificadas provisoriamente. Seis continuam sem identificação, segundo Honea.

    Autoridades dos bombeiros disseram ter contido totalmente o fogo no domingo, mas investigadores ainda não determinaram sua causa.

    (Reportagem adicional de Brendan O'Brien em Milwaukee)

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    Primeira chuva em meses contém incêndio na Califórnia, mas cria risco de deslizamentos

    Por Elijah Nouvelage

    CHICO, Califórnia (Reuters) - A primeira chuva significativa em meses no norte da Califórnia praticamente extinguiu o incêndio florestal mais mortal da história do Estado norte-americano, na quarta-feira, mas também aumentou os riscos de enchentes relâmpago que podem atrapalhar as equipes que procuram vítimas.

    Espera-se entre 102 e 152 milímetros de chuva no final de semana em áreas ao redor da cidade de Paradise, comunidade de quase 27 mil pessoas localizada 280 quilômetros ao nordeste de San Francisco que foi consumida em grande parte pelo chamado Incêndio Camp.

    O fogo matou ao menos 83 pessoas e não há notícias de 563, disse o xerife do condado de Butte, Kory Honea, em um boletim à imprensa.

    'A chuva é uma preocupação para nós, e existe a possibilidade de correntezas de lama', disse Honea. Os agentes de busca serão retirados de áreas ameaçadas por deslizamentos de lama, acrescentou.

    A tempestade aumentou o sofrimento das pessoas abrigadas no estacionamento de uma loja Walmart na vizinha Chico.

    Mitchell Manley estava molhado e com frio, mas agradecido por ter convencido sua mãe idosa a sair de casa. Ele disse que a maioria dos mortos são aposentados que acreditaram que poderiam escapar das chamas dentro de casa.

    'Tive sorte de conseguir retirá-la, ela ia esperar em casa', disse Manley, que acampou no Walmart enquanto espera para voltar para sua cidade, Concow.

    Armazéns foram abertos em Chico para proteger do frio e da chuva as pessoas que saíram de seus lares, e o chef celebridade José Andrés se preparou para lhes oferecer centenas de refeições no Dia de Ação de Graças.

    Cerca de 830 pessoas se inscreveram para passar o feriado vasculhando as cinzas e escombros debaixo da chuva forte que foi prevista em busca de restos mortais, disse Honea.

    As chuvas, que em algumas áreas provavelmente serão acompanhadas de ventos de até 72 quilômetros por hora, elevaram o perigo de as ravinas se transformarem em rios de lama.

    O incêndio calcinou 62 mil hectares dos sopés das colinas de Sierra e está 85 por cento contido.

    'Não há vegetação para segurar a terra, e existe o risco de ela começar a se mover e a lama arrastar tudo em seu caminho', disse Johnnie Powell, meteorologista do Centro Nacional do Clima em Sacramento.

    (Reportagem adicional de Andrew Hay, no Novo México, e Steve Gorman, em Los Angeles)

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    Busca por 1.276 desaparecidos continua após incêndio florestal mais mortal da Califórnia

    Por Terray Sylvester

    PARADISE, Estados Unidos (Reuters) - Autoridades vasculhavam os destroços carbonizados do incêndio mais mortal da Califórnia neste domingo, procurando por quaisquer sinais das 1.276 pessoas que estão desaparecidas após o incêndio ter devastado a cidade montanhosa de Paradise.

    Os restos mortais de 76 pessoas foram recuperados até agora, e houve tentativa de identificar 63 deles por DNA, que ainda precisa ser confirmado. No início do domingo, uma parcela de 60 por cento do incêndio, que começou em 8 de novembro, estava contida, versus 55 por cento no sábado.

    Há previsão de chuva para a área nesta semana, que pode ajudar a apagar as chamas, mas está aumentando o risco de enchentes e deslizamentos de terra, piorando o sofrimento de 46 mil pessoas que receberam ordens de retirada.

    No sábado, dois antropologistas forenses da Universidade Nevada, Reno, estavam ajudando os bombeiros a vasculhar os destroços de um estacionamento de trailers para idosos em Paradise.

    Os bombeiros removeram a cobertura de metal de um telhado que caiu, conforme os antropologistas recolhiam fragmentos de ossos visivelmente carbonizados, organizando-os em sacos de papel.

    Roger Fielding, vice-legista chefe do escritório do xerife do condado de Martin, disse que cada local estava sendo tratado como uma cena de crime e cada passo da recuperação estava sendo documentado com fotos.

    'Nosso trabalho é coletar quaisquer itens que possam refletir quem poderia ser essa pessoa', ele disse.

    Além das vidas perdidas, os prejuízos em propriedades causados pelo incêndio o tornam o mais destrutivo da história da Califórnia, gerando o desafio adicional de fornecer abrigos de longo prazo para milhares de desalojados.

    Estão previstos até 10 centímetros de chuva entre o fim da terça-feira e sexta-feira nas montanhas de Sierra, disse o Centro de Previsão do Tempo do Serviço Climático Nacional.

    Patrick Burke, meteorologista chefe do Centro de Previsão do Tempo do Serviço Climático Nacional em College Park, Maryland, disse que a chuva terá um efeito duplo.

    'Vai trazer um alívio muito necessário para os bombeiros e a qualidade do ar, mas podem ocorrer deslizamentos perigosos onde a vegetação foi queimada em encostas e colinas', ele disse.

    Também estão previstas até duas polegadas de chuva no sul da Califórnia esta semana, onde o incêndio Woolsey tirou pelo menos três vidas, disse Burke.

    Autoridades da Califórnia disseram na manhã de domingo que uma parcela de 88 por cento do incêndio Woolsey foi contida e que a contenção completa deve ocorrer na quinta-feira de Ação de Graças.

    No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, visitou Paradise e a região do incêndio Woolsey.

    Trump culpou a má gestão das florestas pela recente série de incêndios e disse que discutiu o problema com o governador da Califórnia, Jerry Brown, e o governador eleito, Gavin Newsom.

    (Por Terray Sylvester; reportagem adicional por Steve Holland em Washington, Rich McKay em Atlanta e Bernie Woodall em Fort Lauderdale)

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    Número de desaparecidos em pior incêndio da história da Califórnia supera 600

    Por Terray Sylvester

    PARADISE, Estados Unidos (Reuters) - As buscas por vítimas de um incêndio catastrófico que reduziu uma cidade do norte da Califórnia a cinzas foi intensificada nesta quinta-feira, quando as autoridades elevaram para 630 o número de pessoas dadas como desaparecidas durante o incêndio florestal mais letal e destrutivo da história do Estado norte-americano.

    Foram confirmadas as mortes de ao menos 63 pessoas no Incêndio Camp, que irrompeu uma semana atrás no sopé das colinas desidratadas pela seca em Sierra, localizada 280 quilômetros ao norte de San Francisco, e hoje é considerado um dos incêndios florestais mais fatais nos Estados Unidos desde a virada do século.

    As autoridades atribuíram o saldo de mortes elevado em parte à velocidade assombrosa com que a chamas, atiçadas pelo vento e alimentadas por arbustos e árvores ressecados, se propagaram por Paradise, cidade de 27 mil habitantes.

    Quase 12 mil casas e edifícios, incluindo a maior parte da cidade, foram consumidos na noite de quinta-feira passada, horas depois de o incêndio começar, disse o Departamento de Silvicultura e Proteção contra Incêndios da Califórnia (Cal Fire).

    O que sobrou foi uma vastidão fantasmagórica e enfumaçada de terrenos vazios cobertos de cinzas, destroços retorcidos e escombros.

    Milhares de outras estruturas ainda estão ameaçadas pelo incêndio, e até 50 mil pessoas receberam ordens de retirada no auge do incêndio. Um exército de bombeiros, muitos de Estados distantes, luta para conter e suprimir as chamas.

    A cifra revisada de 630 indivíduos cujo paradeiro e destino são desconhecidos é mais do que o dobro dos 297 listados no início do dia pelo escritório do xerife do condado de Butte.

    O xerife Kory Honea informou que quase 300 pessoas de quem inicialmente não se tinha notícias foram encontradas vivas. Ele disse que a lista de desaparecidos continuará oscilando, já que nomes são acrescentados e outros retirados, seja porque se descobriu estarem em segurança ou porque foram identificados entre os mortos.

    O saldo mais alto de mortes confirmadas e o número crescente de pessoas de quem não se tem notícias foram divulgados em uma coletiva de imprensa noturna de Honea, que disse que os restos de mais sete vítimas do Incêndio Camp foram localizados desde a quarta-feira, quando a cifra era de 56.

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    Incêndio florestal fatal na Califórnia cresce e só está 30% contido

    Por Noel Randewich e Sharon Bernstein

    PARADISE, Estados Unidos (Reuters) - O incêndio florestal mais mortífero e destruidor da história da Califórnia consumiu mais 3.237 hectares e só está 30 por cento contido, disseram autoridades dos bombeiros do Estado norte-americano nesta terça-feira, quando equipes de busca voltaram a vasculhar destroços calcinados à procura de restos humanos.

    O Incêndio Camp, que arde cerca de 280 quilômetros ao norte de San Francisco, passou a ocupar 50.500 hectares, mais do que quatro vezes a área da cidade, disse o Departamento de Silvicultura e Proteção contra Incêndios da Califórnia (Cal Fire).

    O saldo de mortes continuava em 42 pessoas, o mais alto já causado por um incêndio florestal na Califórnia, e 228 indivíduos são considerados desaparecidos. Mais de 7.600 casas e outras estruturas foram destruídas, outro recorde.

    Grande parte dos danos se concentra em Paradise, cidade de 27 mil habitantes do condado de Butte que foi virtualmente arrasada na madrugada de quinta-feira, poucas horas após a irrupção das chamas.

    Cento e cinquenta agentes de busca e resgate devem chegar à área nesta terça-feira, reforçando 13 equipes de resgate lideradas por médicos legistas na zona do incêndio, disse Kory Honea, xerife do condado de Butte.

    O xerife solicitou três equipes ambulantes de legistas dos militares norte-americanos, unidades de cães farejadores de cadáveres para localizar restos humanos e três grupos de antropólogos forenses.

    Cerca de 52 mil pessoas continuam sujeitas a ordens de retirada, segundo Honea.

    Já no sul da Califórnia duas pessoas morreram no Incêndio Woolsey, que destruiu 435 estruturas e deslocou cerca de 20 mil pessoas nas montanhas e sopés das colinas próximas do litoral de Malibu, situado a oeste de Los Angeles.

    O Incêndio Woolsey está 35 por cento contido, um avanço em relação aos 30 por cento do dia anterior, informou o Cal Fire.

    Quase nove mil bombeiros estão combatendo os incêndios florestais. O Cal Fire disse que 16 outros Estados, incluindo Oregon, Texas, Missouri e Geórgia, enviaram equipes de bombeiros ou outros recursos para debelá-los.

    As autoridades estão investigando a causa dos incêndios. Uma porta-voz da Comissão de Prestadoras de Serviço Público da Califórnia disse nesta terça-feira que a agência reguladora iniciou investigações que podem incluir uma inspeção dos locais dos incêndios assim que o Cal Fire liberar o acesso.

    Ventos de até 60 quilômetros por hora devem continuar no sul da Califórnia ao longo desta terça-feira, aumentando o risco de novas chamas causadas pela dispersão das brasas. O Cal Fire disse que 57 mil estruturas ainda estão ameaçadas pelo Incêndio Woolsey.

    (Reportagem adicional de Brendan O'Brien)

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    Incêndio deixa 5 mortos na Califórnia e provoca retirada de Malibu

    Por Stephen Lam

    PARADISE, Estados Unidos (Reuters) - Cinco pessoas morreram no norte do Estado norte-americano da Califórnia quando as chamas envolveram completamente seus veículos enquanto eles tentavam deixar Paradise, uma cidade de montanha ao norte de Sacramento que foi praticamente destruída por um dos três incêndios florestais que acontecem por todo o Estado, disseram autoridades nesta sexta-feira.

    Cerca de 800 quilômetros ao sul, um segundo incêndio forçou a retirada da cidade litorânea de Malibu e ameaçou a cidade cercada de Thousand Oaks, onde um atirador matou 12 pessoas nessa semana em um bar e casa noturna. Um terceiro incêndio também estava em expansão no condado de Ventura, no sul do Estado.

    No início da sexta-feira, o fogo avançou rapidamente para as imediações de Chico, 145 quilômetros ao norte de Sacramento, forçando milhares a fugirem da cidade depois de tomar a cidade de Paradise, disseram autoridades do Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia (Cal Fire) em uma entrevista coletiva.

    O fogo, que começou na quinta-feira, havia mais que triplicado de tamanho para 2838 hectares, e apenas 5 por cento da área do incêndio foi contida.

    'A cidade está devastada, tudo está destruído', disse o porta-voz do Cal Fire, Scott Maclean, em referência à Paradise, que tem população de 26 mil pessoas.

    Além das cinco pessoas encontradas mortas em seus carros, muitos foram forçados a abandonar seus veículos e correrem para sobreviver pela única estrada que passa por Paradise. Cerca de 2 mil estruturas foram destruídas na área, segundo autoridades.

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    Incêndio florestal provoca devastação e fuga de milhares na Califórnia

    Por Stephen Lam

    PARADISE, Califórnia (Reuters) - Um incêndio florestal que avança rapidamente se aproximou na manhã desta sexta-feira da cidade de Chico, no Estado norte-americano da Califórnia, forçando milhares de pessoas a fugirem depois de deixar a cidade vizinha de Paradise em ruínas.

    Autoridades emitiram um alerta de retirada obrigatória para casas ao leste Chico, que tem cerca de 93 mil habitantes e se localiza cerca de 145 quilômetros ao norte de Sacramento.

    As chamas do incêndio, que já consumiu 8.100 hectares, estão sendo alimentadas por ventos de 56km/h que sopram no sentido oeste, disseram autoridades. Anteriormente, o incêndio devastou Paradise, situada cerca de 20 quilômetros ao leste de Chico.

    'A cidade está devastada, tudo foi destruído. Não sobrou muita coisa de pé', disse o porta-voz do Departamento Florestal e de Proteção contra Incêndios da Califórnia, Scott Maclean.

    'Este incêndio se moveu tão rápido e cresceu tão rápido que muitas pessoas foram pegas por ele'.

    Maclean disse que um número ainda desconhecido de civis e bombeiros se feriram no incêndio e que pode levar dias até que autoridades descubram se alguém morreu.

    A cidade de Paradise fica em um cume e tem rotas de fuga limitadas. Acidentes de trânsito congestionaram as estradas e moradores abandonaram seus veículos para fugir das chamas carregando crianças e animais de estimação, disseram autoridades. Uma mulher presa no trânsito entrou em trabalho de parto, reportou o jornal Enterprise-Record.

    'É muito caótico', disse Ryan Lambert, policial da Patrulha Rodoviária da Califórnia.

    Agentes de resgate usaram uma escavadeira para afastar carros abandonados no caminho e chegar ao Hospital Feather River para retirar pacientes enquanto chamas consumiam o edifício, disse a repórteres Doug Teeter, supervisor do condado de Butte.

    O hospital foi totalmente destruído, disse Mike Mangas, porta-voz da prestadora de serviços Dignity Health, ao Action News Now.

    O incêndio, que começou na manhã de quinta-feira, é o mais violento a atingir a Califórnia ao longo de um dos piores anos para incêndios florestais no Estado.

    (Reportagem adicional de Brendan O'Brien)

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    Incêndio no Museu Nacional provoca indignação por 'tragédia anunciada'

    Por Gabriel Stargardter

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Policiais usaram bombas de gás para afastar dezenas de pessoas que se reuniram no entorno do Museu Nacional nesta segunda-feira para demonstrar indignação e manifestar apoio à instituição, após um incêndio devastador da noite de domingo que atingiu o emblemático prédio na zona norte do Rio de Janeiro.

    Imagens aéreas transmitidas ao vivo pela emissora GloboNews mostraram policiais lançando bombas de gás e usando cassetetes para afastar algumas dezenas de pessoas, principalmente pesquisadores, estudantes e funcionários, que tentavam entrar pelos portões do parque onde fica o museu.

    Após alguns minutos de tensão, a polícia liberou o acesso à área externa do Museu Nacional, e dezenas de pessoas formaram um cordão humano no entorno do prédio histórico para dar um abraço simbólico no museu, mostraram imagens aéreas.

    Depois do incêndio de domingo, a fachada amarela do Museu Nacional, que já serviu como Palácio Imperial, permanecia de pé na manhã desta segunda-feira, mas suas grandes janelas revelavam corredores queimados e vigas de madeira carbonizadas em um interior sem teto.

    De vez em quando, bombeiros saíam do prédio com um vaso ou pintura que conseguiram resgatar entre os 20 milhões de itens que foram provavelmente destruídos após o incêndio de domingo, cuja causa ainda não foi determinada por autoridades.

    O Ministério Público Federal (MPF) pediu instauração de inquérito policial para apurar as causas e as responsabilidades pelo dano causado ao imóvel e ao acervo, e informou que no final de junho do ano passado a Câmara do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural realizou encontro técnico sobre prevenção de incêndios em bens culturais protegidos, 'voltado à produção de norma pelo Iphan que compatibilize as exigências do Corpo de Bombeiros com aquelas inerentes ao patrimônio cultural'.

    'Infelizmente, passado mais de um ano do evento, as instituições públicas federais responsáveis não publicaram a referida norma, padronização mínima para atuação dos bombeiros e outras instituições em todo o Brasil', disse o MPF em nota.

    O vice-diretor do museu, Luiz Duarte, disse à GloboNews que a instituição vinha sendo negligenciada por sucessivos governos federais, e que um financiamento ainda não liberado de 21,6 milhões de reais do BNDES anunciado em junho incluía, ironicamente, um plano para instalar equipamentos modernos de proteção contra incêndios.

    O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Roberto Robadey, disse a repórteres nesta segunda-feira que os dois hidrantes localizados do lado de fora do prédio estavam secos. Isso forçou bombeiros a utilizarem água de um lago próximo para abastecer os caminhões, mas as chamas consumiram o prédio rápido demais.

    'Em um mundo ideal, nós teríamos muitas coisas que não temos aqui: sprinkler dentro da edificação', disse Robadey, acrescentando que o Corpo de Bombeiros irá avaliar sua resposta ao incêndio e tomar medidas se necessário. 'Ontem foi um dos dias mais tristes da minha carreira.'

    Renato Rodriguez Cabral, professor de geologia e paleontologia do Museu Nacional, disse que o declínio do museu não aconteceu de um dia para o outro.

    'Isso não é de hoje. É uma tragédia anunciada desde 1892 quando o museu veio para cá', disse Cabral enquanto abraçava alunos e colegas de trabalho. 'Sucessivos governos republicanos nunca deram dinheiro, nunca investiram em infraestrutura'.

    Cabral disse que o prédio recebeu novas fiações há 15 anos, mas que claramente não havia um plano suficiente para proteger o museu de um incêndio, acrescentando: 'Os bombeiros praticamente assistiram ao incêndio'.

    'Para a história e ciência brasileiras, isso é uma tragédia completa', disse. 'Não tem como recuperar o que perdemos'.

    MENOS RECURSOS

    O museu, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ao Ministério da Educação, foi fundado em 1818. Seu acervo contava com diversas coleções importantes, incluindo artefatos egípcios e o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil.

    De 2013 para cá os recursos destinados ao local caíram significativamente, embora tenham oscilado ano a ano, segundo levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

    De janeiro a agosto de 2018, foram pagos apenas 98.115 reais à instituição, sendo 46.235 reais via UFRJ, para funcionamento do museu, e outros 51.880 reais pelo Ministério da Cultura, para concessão de bolsas de estudo. No total, a cifra corresponde a 15 por cento da verba de 2017.

    De acordo com o levantamento da Câmara, o total de recursos recebido pelo museu foi de 979.952 reais em 2013 e de 941.064 reais em 2014, com forte recuo em 2015, quando passou a 638.267 reais. Em 2016 houve alguma recuperação, para 841.167 reais, valor que novamente voltou a cair no ano passado, para 643.568 reais pagos.

    Em 2017, após uma infestação de cupins que levou ao fechamento da sala de exposição de fósseis de dinossauros, o Museu Nacional recorreu a um site de financiamento coletivo para buscar recursos para reabrir a exibição, e arrecadou quase 60.000 reais, quase o dobro da meta.

    A destruição do prédio, onde imperadores já viveram, foi uma perda 'incalculável para o Brasil', disse o presidente Michel Temer em publicação no Twitter. 'Foram perdidos 200 anos de trabalho, pesquisa e conhecimento'.

    O Palácio do Planalto disse em nota oficial que Temer se reuniu nesta manhã com entidades financeiras e empresas pu?blicas e privadas, e que ficou definida a criação de uma rede de apoio econo?mico para viabilizar a reconstruc?a?o do Museu Nacional.

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Marcela Ayres, em Brasília)

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