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    Turquia diz que assassinato de Khashoggi foi planejado e que verdade virá à tona

    Por David Dolan e Stephen Kalin

    ISTAMBUL (Reuters) - O partido governista da Turquia disse nesta segunda-feira que Jamal Khashoggi foi vítima de um assassinato 'monstruosamente planejado', rejeitando a alegação de Riad de que ele teria morrido em uma briga, à medida que aumenta a descrença do Ocidente nas múltiplas explicações da Arábia Saudita para o desaparecimento do jornalista.

    Khashoggi, colunista do jornal Washington Post e crítico do poderoso príncipe herdeiro saudita, desapareceu três semanas atrás depois de entrar no consulado saudita em Istambul para obter documentos para se casar.

    A reação de Riad desde então, inicialmente negando conhecimento do fato para depois dizer que ele morreu durante uma briga no consulado, deixou vários governos ocidentais incrédulos e tensionou as relações do Ocidente com o maior exportador de petróleo do mundo.

    O porta-voz do partido governista turco AK, Omer Celik, disse que esforços foram feitos para ocultar o assassinato, em referência a imagens de câmeras de segurança transmitidas pela CNN que mostram um homem vestido como Khashoggi andando por Istambul, depois que o jornalista desapareceu.

    'Estamos enfrentando uma situação que foi monstruosamente planejada e que, depois, tentaram ocultar. É um assassinato complicado', disse a repórteres.

    'Estamos sendo cuidadosos para que ninguém tente ocultar a questão. A verdade virá à tona. Os responsáveis serão punidos, algo como isso nunca mais passará pela cabeça de ninguém'.

    Khashoggi desapareceu no dia 2 de outubro, depois de entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Após semanas negando ter conhecimento sobre o que aconteceu com ele, autoridades sauditas disseram que o proeminente jornalista foi morto em uma briga.

    No domingo, o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse que Khashoggi morreu em uma 'operação clandestina', mas alguns de seus comentários pareceram contradizer declarações anteriores de Riad, representando mais uma mudança na história oficial.

    Vários países, incluindo Alemanha, Reino Unido, França e Turquia, têm pressionado a Arábia Saudita para que apresente fatos, e a chanceler Angela Merkel disse que Berlim não exportará armas ao reino enquanto persistir qualquer incerteza a respeito do destino de Khashoggi.

    'É impossível não se perguntar como pode ter havido uma 'troca de socos' entre 15 combatentes jovens especializados... e Khashoggi, de 60 anos, sozinho e impotente', escreveu Yasin Aktay, conselheiro do presidente turco, Tayyip Erdogan, e amigo de Khashoggi, no jornal pró-governo Yeni Safak.

    'O argumento da 'troca de socos' para a morte de Khashoggi é um cenário montado às pressas agora que ficou claro que os detalhes do incidente virão à tona em breve', escreveu Aktay. 'Quanto mais se pensa nisso, mais parece que se está zombando da nossa inteligência.'

    Erdogan disse que divulgará informações sobre a investigação de seu país em um discurso na terça-feira.

    Autoridades da Turquia suspeitam que Khashoggi foi assassinado dentro do consulado e que seu corpo foi retalhado. Fontes turcas dizem que as autoridades têm uma gravação de áudio que supostamente documenta o assassinato do jornalista de 59 anos.

    Para os aliados da Arábia Saudita, a questão será se acreditam que o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, que se apresenta como um reformista, tem alguma culpa. O rei Salman, de 82 anos, deixou a seu cargo a administração cotidiana do reino.

    Em alguns pontos críticos, a explicação de Jubeir parece divergir de comunicados oficiais anteriores.

    O ministro de Relações Exteriores saudita disse que autoridades do reino não sabiam como Khashoggi tinha morrido. Isso contradiz a informação emitida pelo procurador-geral um dia antes de que Khashoggi morreu após uma briga com pessoas que o encontraram dentro do consulado. A fala também contradiz comentários feitos por duas autoridades sauditas à Reuters de que o jornalista morreu após estrangulamento.

    Um membro da equipe se vestiu com as roupas de Khashoggi para parecer que o jornalista tinha deixado o consulado, disse uma autoridade saudita. Esse relato parece ter sido corroborado por imagens de câmera de segurança transmitidas pela CNN que mostram um homem vestido como Khashoggi andando por Istambul.

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    Arábia Saudita diz que assassinato de Khashoggi foi 'erro grave' e isenta príncipe

    Por Doina Chiacu e Kylie MacLellan

    WASHINGTON/LONDRES (Reuters) - A Arábia Saudita afirmou no domingo que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul foi um 'erro enorme e grave', mas procurou blindar o poderoso príncipe herdeiro da crise, dizendo que Mohammed bin Salman não estava ciente do caso.

    Os comentários do ministro de Relações Exteriores saudita, Adel al-Jubeir, foram alguns dos mais diretos a partirem de Riad, que deu relatos múltiplos e conflitantes sobre o assassinato de Khashoggi em 2 de outubro, primeiro negando sua morte e mais tarde a admitindo em meio a uma crise internacional.

    'Essa foi uma operação que foi uma operação clandestina. Essa foi uma operação na qual indivíduos acabaram excedendo a autoridade e as responsabilidades que tinham', disse Jubeir à rede norte-americana Fox.

    'Eles cometeram um erro quando mataram Jamal Khashoggi no consulado e tentaram acobertar', afirmou.

    As semanas de negação e a falta de provas palpáveis diante das alegações de autoridades da Turquia, segundo as quais Khashoggi foi assassinado, abalaram a confiança global nos laços com o maior exportador de petróleo do mundo.

    O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Stephen Mnuchin, disse que a admissão saudita de que o colunista do Washington Post foi morto durante uma briga foi um 'bom primeiro passo, mas não o suficiente', mesmo assim acrescentando que é prematuro debater sanções contra Riad.

    Três potências europeias --Alemanha, Reino Unido e França-- pressionaram a Arábia Saudita para que apresente fatos, e a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Alemanha não exportará armas ao reino enquanto persistir qualquer incerteza a respeito do destino de Khashoggi.

    Na noite de domingo a Agência de Imprensa saudita disse que tanto o rei Salman quanto o príncipe Mohammed ligaram para o filho de Khashoggi, Salah, para dar seus pêsames.

    Jubeir transmitiu as condolências para toda a família de Khashoggi na manhã de domingo. 'Infelizmente um erro enorme e grave foi cometido, e garanto a vocês que os responsáveis responderão por ele', disse ele à Fox.

    Jubeir disse que seu país não sabia que Khashoggi, um cidadão saudita radicado nos EUA, havia sido assassinado nem sabe onde seu corpo está, e também que o príncipe Mohammed não é o responsável.

    Khashoggi, de 59 anos, desapareceu depois de entrar no consulado para obter documentos para se casar. Depois de uma quinzena negando qualquer envolvimento em seu desaparecimento, no sábado Riad disse que Khashoggi, um crítico do príncipe da coroa, morreu durante uma briga no edifício. Uma hora mais tarde outra autoridade saudita atribuiu sua morte a uma chave de braço.

    (Reportagem adicional de Thomas Escritt, em Berlim; Kylie MacLellan, em Londres; Laurence Frost, em Paris; Taiga Uranaka, em Tóquio; Praveen Menon, em Wellington; Omer Berberoglu e Yesim Dikmen, em Istambul)

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