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    Neoenergia lidera leilão de transmissão marcado por fortes disputas

    SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de projetos de transmissão de energia realizado pelo governo federal nesta quinta-feira começou com destaque para a atuação da Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, que aparecia isolada à frente na disputa por volta do meio-dia, quando houve pausa para almoço.

    Após perder para os italianos da Enel a concorrência pela distribuidora paulista de energia Eletropaulo, no primeiro semestre, a Neoenergia foi agressiva no início do leilão desta quinta-feira e arrematou os três primeiros lotes de projetos, que demandarão investimentos de cerca de 4,8 bilhões de reais, de acordo com estimativa da reguladora Aneel.

    Os três primeiros lotes licitados também atraíram ofertas de empresas como Taesa, Engie Brasil Energia e Equatorial, além da chinesa State Grid e da canadense Brookfield, que se associou à espanhola Cymi, entre outros investidores.

    Na primeira parte do certame que acontece na sede da bolsa paulista B3, a Neoenergia arrematou três grandes lotes de projetos, ganhando a disputa com deságios de 57 por cento, 46,97 por cento e 44,9 por cento frente à receita anual teto autorizada para cada lote de projetos.

    O leilão, que envolve empreendimentos que demandarão investimentos totais de 13,2 bilhões de reais, era marcado ainda por uma forte concorrência para os outros lotes.

    O desconto médio para os oito primeiros lotes era de 51,8 por cento, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

    Também arremataram empreendimentos as elétricas Energisa, que ficou com o lote 4, e CPFL, da chinesa State Grid, que levou o lote 5 com o maior desconto do leilão até o momento, de 57,1 por cento. O deságio ofertado pela Energisa foi de 45,8 por cento.

    Houve ainda projetos levados por grupos menores, como a Zopone Engenharia (lote 7) e os consórcios JAAC/EMTEP (lote 6) e IG Transmisssão/ESS Energias Renováveis (lote 8), que apresentaram lances com deságios de 53,49 por cento, 49 por cento e 46,2 por cento, respectivamente.

    A JAAC, uma empresa de serviços de engenharia, ficou conhecida após ser barrada no último leilão de transmissão, em junho, e entrar com uma liminar que acabou atrasando aquele certame em horas.

    Os oito lotes já contratados por ora no leilão demandarão um investimento total de 6,4 bilhões de reais por parte dos vencedores, segundo a Aneel.

    (Por Luciano Costa)

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    Leilão de projetos de transmissão deve ter forte disputa e investimento recorde

    Por Luciano Costa

    SÃO PAULO (Reuters) - Um leilão do governo federal para a concessão de novos projetos de transmissão de energia na quinta-feira deverá manter a forte competição vista nas últimas licitações do setor, marcadas por retornos mais atraentes, viabilizando investimentos recordes de 13,2 bilhões de reais, disseram especialistas à Reuters.

    O certame oferecerá a investidores contratos de 30 anos para a construção e futura operação de 16 lotes de empreendimentos, compreendendo linhas de energia com uma extensão total de 7,15 mil quilômetros em 13 Estados.

    Empresas como a Cteep, da colombiana ISA, a Taesa, uma parceria entre Cemig e ISA, além de Engie, EDP Brasil, Equatorial e a indiana Sterlite, que participaram dos últimos leilões, devem manter o apetite e protagonizar embates, principalmente pelos projetos que demandarão maiores aportes.

    Na última licitação, em junho, os indianos foram os principais vencedores, ao arrematarem a concessão para seis empreendimentos, e os deságios oferecidos pelos investidores frente à receita-teto oferecida por cada projeto chegaram ao recorde de mais de 73,9 por cento.

    'Deve ser algo bastante parecido, o perfil dos 'players' que vão participar é muito parecido, assim como os apetites. Não vejo muitas mudanças nos resultados. Os investidores estão muito animados com o setor de energia e com a transmissão', disse à Reuters o sócio da área de energia do Pinheiro Neto Advogados, José Roberto Oliva Jr..

    Por outro lado, lotes menores poderão atrair empresas de construção, que já apareceram nas últimas licitações, e eventualmente fundos de investimento, disseram à Reuters executivos do Banco do Brasil, que tem apoiado empresas interessadas na disputa.

    'Os 'players' tradicionais estarão presentes, pelo que temos visto de movimentação, mas o fato é que existem lotes pequenos, com investimento de 80 milhões, 160 milhões, e isso abre possibilidades para empresas EPCistas, que já fazem a construção de projetos no setor', disse o gerente-executivo da diretoria de mercado de capitais do BB, Luiz Giacomini.

    Dos lotes de projetos do certame, sete têm investimento previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de até 500 milhões de reais, enquanto cinco deverão demandar mais de 1 bilhão de reais.

    Se todos empreendimentos atraírem lances, os aportes a serem feitos nas instalações de transmissão devem somar 13,2 bilhões de reais, contra um recorde de 12,7 bilhões em um leilão de abril do ano passado.

    Para o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Roberto Brandão, é difícil imaginar algum lote vazio na concorrência, como ocorreu em diversas ocasiões entre 2014 e 2016.

    'Tem sido muito grande o sucesso desses leilões, eles conseguiram atrair até investidores que não eram tradicionais de transmissão, a Aneel melhorou as condições em vários aspectos (desde as licitações com lotes vazios)', afirmou.

    DISPUTA NO SUL

    Um dos aspectos que chama a atenção no leilão da quinta-feira é o número de empreendimentos previstos para o Sul do país, em parte devido à revogação pelo governo de um contrato da estatal Eletrosul, da Eletrobras, para a construção de linhas na região, que agora serão relicitadas em quatro diferentes lotes.

    O investimento apenas nessas obras antes outorgadas à estatal será de 4 bilhões de reais, quase um terço do total do certame.

    O presidente da Cteep, Reynaldo Passanezi, disse a jornalistas no início do mês que esses lotes estão no radar da companhia, enquanto a indiana Sterlite, que já tem projetos na região Sul, também já afirmou anteriormente que tem preferência por empreendimentos complexos e de grande porte.

    Para o gerente de soluções da diretoria de mercado de capitais do BB, Carlos Belinger, a competição deve ser acirrada, dado que muitas das transmissoras já possuem projetos na região que teriam sinergias com os ativos que serão licitados.

    'A gente vê que o apetite de alguns 'players' por essa região, os que já têm ativos lá, pode ser maior que nos leilões anteriores, quando a concentração (das concessões) foi mais para Nordeste e Norte', apontou.

    Ficam no Sul os dois maiores lotes de projetos do certame, um em Santa Catarina, com investimento estimado de 2,8 bilhões de reais, e outro no Rio Grande do Sul, orçado em 2,4 bilhões.

    (Por Luciano Costa)

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    Maior leilão de linhas de transmissão em 4 anos, em 20/12, demandará R$13,2 bi, diz Aneel

    (Reuters) - A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou em reunião nesta terça-feira a realização em 20 de dezembro de um leilão de concessões para a construção e futura operação de projetos de transmissão que demandarão investimentos de cerca de 13,2 bilhões de reais.

    O certame, o maior de linhas de transmissão em quatro anos, que acontecerá na sede da bolsa paulista B3, ofertará os projetos aos investidores em 16 lotes, com prazo para implementação das instalações de 48 a 60 meses após a assinatura dos contratos, estimada para março do ano que vem.

    Os vencedores da concorrência, que deverá viabilizar mais que o dobro dos investimentos do último leilão, de junho, terão direito a contratos de concessão de 30 anos.

    A licitação passada viabilizou 6 bilhões de reais em investimentos, com a participação de companhias como a indiana Sterlite Power, que apresentaram fortes deságios frente à receita máxima estabelecida pela Aneel.

    O diretor Sandoval Feitosa, relator do processo sobre a licitação na Aneel, disse que esse será o maior leilão de infraestrutura promovido pelo órgão regulador nos últimos quatro anos, em termos de aportes previstos.

    O edital da disputa aprovado nesta terça-feira contou com algumas mudanças em relação a uma versão colocada anteriormente em audiência pública, incluindo a retirada de dois lotes de empreendimentos no Amazonas antes previstos para serem licitados (16 e 17).

    Esses projetos deverão ser colocados em leilão somente em 2019, uma vez que dependem da realização prévia de obras de distribuição de energia pela subsidiária local da Eletrobras, a Amazonas Energia.

    Por outro lado, foram mantidos na licitação quatro lotes de projetos (10 a 13) no Rio Grande do Sul referentes a uma concessão antes atribuída à estatal Eletrosul, subsidiária da Eletrobras.

    O governo federal revogou o contrato da Eletrosul para o projeto após a companhia atrasar as obras e não avançar em tratativas para transferir o controle do empreendimento à chinesa Shanghai Electric.

    Com isso, as linhas de transmissão e subestações antes envolvidas no contrato serão agora relicitadas. O investimento estimado nessas instalações é de 4 bilhões de reais.

    No total, o leilão de transmissão em dezembro envolverá projetos que somarão 7,15 mil quilômetros em novas linhas de enegia, além de subestações com 14.829 MVA em capacidade.

    Os empreendimentos licitados compreendem investimentos a serem realizados nos Estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

    Os maiores lotes do leilão serão os de número 1, para obras em Santa Catarina, e 10, no Rio Grande do Sul, com aportes previstos de 2,79 bilhões de reais e 2,4 bilhões de reais, respectivamente.

    NEGOCIAÇÃO POR LICENÇAS

    A Aneel decidiu ainda que os vencedores da disputa pelos lotes antes atribuídos à Eletrosul poderão eventualmente negociar a compra junto à empresa de licenças ambientais e outros ativos associados ao projeto.

    A Eletrobras havia pedido à Aneel um reembolso de 143,8 milhões de reais já investidos no empreendimento, mas segundo a agência negociações sobre valores deverão ser realizadas de forma bilateral entre a estatal e os novos responsáveis pelas obras.

    A mesma possibilidade foi aberta para licenças e ativos do lote 7, que compreende projetos que haviam sido atribuídos à Linhas de Laranjal, controlada pela espanhola Isolux, que também tiveram o contrato revogado pelo governo por atrasos.

    (Por Luciano Costa, em São Paulo)

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    CCR vence leilão da Rodovia de Integração do Sul com oferta de deságio de 40,53%; ações sobem

    SÃO PAULO (Reuters) - A CCR venceu o leilão de concessão da Rodovia de Integração do Sul (RIS), ofertando um deságio de 40,53 por cento sobre a tarifa teto de pedágio estabelecida no edital do leilão, o primeiro de rodovias realizado durante o governo do presidente Michel Temer.

    A CCR ofereceu uma tarifa de pedágio 4,30545 reais, ante tarifa teto de 7,24 reais. O deságio oferecido pela CCR foi maior que os ofertados no certame por Ecorodovias (37,02 por cento), Patria Investimentos(38,73 por cento), Sacyr (27,43 por cento) e pelo consórcio Integra Sul (27,2 por cento).

    A concessão é a primeira de rodovia obtida pela CCR no Rio Grande do Sul e engloba um corredor que faz interligação com regiões produtoras agrícolas do Estado com o porto de Rio Grande.

    Como o deságio ofertado foi elevado, a empresa terá que fazer um aporte de 1,3 bilhão de reais na empresa a ser criada para tocar a concessão, que tem um contrato de 30 anos.

    Segundo o presidente da CCR Lam Vias -- responsável pelas concessões das rodovias federais--, José Braz, 330 milhões de reais serão aportados até o final de 2019 com recursos próprios do grupo, que avaliará necessidade de acessar o mercado de capitais a partir de 2023 para fazer frente ao restante dos investimentos obrigatórios, estimados em 7,8 bilhões de reais ao longo da concessão.

    A RIS é formada por quatro trechos de rodovias que somam um total de 473,4 quilômetros. Um trecho de cerca de 100 quilômetros atualmente é alvo de disputa judicial com a operadora Concepa, do grupo Triunfo, que tenta manter sua concessão.

    O ministro dos Transportes, Valter Casimiro, disse que 'não há riscos de voltar ao concessionário antigo. O risco é muito baixo do judiciário devolver a concessão (para a Concepa)', afirmou o ministro após o leilão.

    As ações da CCR passaram para o território positivo após o anúncio do resultado do leilão, e por volta das 13:00 subiam 2,5 por cento, enquanto o Ibovespa tinha alta de 1,22 por cento.

    Apesar de ser o primeiro projeto rodoviário concedido pelo Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo Michel Temer, a RIS é o 105º ativo de infraestutura concedido no âmbito do PPI.

    Segundo o secretário do PPI, Tarcisio de Freitas, ainda em 2018 o governo colocará em leilão a empresa de loterias da Caixa Econômica Federal (Lotex), 18 linhas de transmissão de energia elétrica e um terminal portuário em Santos (SP). O primeiro leilão é o da Lotex, que deve ocorrer até o final deste mês, afirmou.

    O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, afirmou após o leilão que o governo federal decidiu manter o critério de 100 dias a partir da publicação dos editais de concessão para a realização dos leilões de outros projetos. Por causa disso, 17 empreendimentos ficarão a cargo do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro: a Ferrovia Norte Sul, 12 aeroportos e quatro terminais portuários.

    Questionado sobre o risco do PPI não ser mantido pelo novo governo, Freitas afirmou que a equipe do presidente eleito tem mantido conversas com integrantes do atual governo e sinalizou que pretende manter o programa de concessões. 'A tendência é de continuidade absoluta. Todos os gestos do novo governo observados até agora vão nesta direção de continuidade', disse Freitas a jornalistas.

    Segundo ele, os 17 editais de concessões a serem tocadas pelo próximo governo serão publicados em novembro deste ano. 'Os investimentos previstos para os aeroportos serão de 7 bilhões a 8 bilhões de reais, na Norte Sul, são pelo menos 3 bilhões de reais só para começar a operar', disse Freitas.

    (Por Alberto Alerigi Jr.)

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    Governo paulista derruba liminar que suspendia leilão da Cesp

    SÃO PAULO (Reuters) - O governo de São Paulo cassou nesta segunda-feira uma decisão liminar que suspendia por 60 dias o leilão de privatização da elétrica Cesp, agendado para terça-feira.

    A liminar foi cassada pela presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que considerou que 'a suspensão imotivada (da licitação) suscita apenas insegurança jurídica', segundo decisão judicial vista pela Reuters.

    A liminar, que havia sido concedida na sexta-feira pelo mesmo tribunal, atendeu a pedidos de sindicatos de trabalhadores da companhia que alegavam falta de informações sobre a desestatização e seu impacto sobre os funcionários.

    Nesta segunda-feira, o desembargador Wilson Fernandes, presidente do TRT 2ª Região, afirmou que planos para a privatização da Cesp já são discutidos há mais de dois anos, o que seria tempo suficiente para o sindicato buscar defender os direitos de seus representados 'sem o açodamento da postulação de liminar para sustar o leilão a menos de uma semana de sua ocorrência'.

    Ele defendeu ainda que a suspensão do leilão da Cesp poderia gerar 'grave risco' para as finanças do governo estadual.

    O leilão da Cesp envolverá o pagamento de um bônus de outorga de no mínimo 1,37 bilhão de reais ao governo federal, pela renovação do contrato da hidrelétrica Porto Primavera, além de um preço mínimo de 14,30 reais por ação da companhia a ser vendida pelo governo estadual.

    A Cesp opera três hidrelétricas em São Paulo com uma capacidade total de 1,65 gigawatt, a maior parte referente à usina Porto Primavera.

    (Por Luciano Costa)

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    Petrobras vê avanço de Exxon e Shell no pré-sal ao ser coadjuvante em leilão pela 1ª vez

    Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Gigantes petroleiras estrangeiras, como Exxon Mobil, Shell, BP e Chevron, foram os destaques nesta sexta-feira do último leilão de blocos exploratórios do pré-sal do governo Michel Temer, em uma rodada sob regime de partilha que teve a estatal Petrobras como coadjuvante pela primeira vez.

    Com a venda dos quatro blocos ofertados, o governo brasileiro arrecadou 6,8 bilhões de reais apenas em bônus de assinatura --nas rodadas sob partilha ganha a disputa quem oferta a maior parcela de óleo à União.

    Entre as ganhadoras do leilão, que teve um ágio de 170,58 por cento, estiveram ainda a chinesa CNOOC, QPI do Qatar e a colombiana Ecopetrol, que levou pela primeira vez áreas no pré-sal sob regime de partilha.

    A atuação da Petrobras --cujos representantes saíram sem dar entrevistas-- mais tímida foi avaliada por autoridades como positiva, porque mostra que o setor está menos dependente de uma só empresa.

    Isso em meio a medidas regulatórias realizadas nos últimos dois anos para abrir o setor de petróleo a mais investidores internacionais, gerando maior concorrência.

    'Esse processo que a gente viveu foi muito positivo porque mostra que não estamos na dependência de apenas uma única empresa, só da Petrobras... o setor de petróleo e gás do Brasil é muito maior do que a Petrobras, sem demérito à Petrobras...', afirmou à Reuters o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

    Segundo cálculos de Oddone, desde setembro do ano passado, rodadas de partilha e de concessão trouxeram uma arrecadação total de aproximadamente 28 bilhões de reais em bônus de assinatura.

    Ele estimou que, com os leilões desta sexta-feira, serão investidos no país em exploração e produção de petróleo cerca de 1,8 trilhão de reais, nos próximos dez anos, o que ajudará o país a se colocar entre os quatro maiores produtores de petróleo em meados da próxima década, dobrando sua extração.

    Às vésperas da eleição, o clima na rodada foi permeado por discursos de autoridades e também declarações de investidores sobre a necessidade de se manter o caminho de reformas no setor de petróleo do Brasil, em busca de maior competição. A exceção foi um protesto de cerca de 20 pessoas, incluindo índios, que fizeram uma manifestação pacífica contra a realização da licitação.

    O secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Félix, afirmou acreditar que o próximo governo não poderá abrir mão da realização de leilões para a atração de riquezas e também declarou que 'o Brasil é bem maior que a Petrobras e a gente está descobrindo isso aí'.

    VENCEDORES

    A Shell, empresa privada com maior produção no Brasil e forte presença no pré-sal, foi o grande destaque do leilão, arrematando como operadora 50 por cento de participação, em consórcio com a Chevron, o bloco Saturno, na Bacia de Santos. As empresas deram lance de 70,20 por cento de lucro em óleo para a União, com o maior ágio da rodada, de mais de 300 por cento.

    'A Shell está no Brasil há 105 anos e já vivemos com muita volatilidade, e esse é um país que respeita contratos e a gente continua avançando nas nossas apostas no país', disse o presidente da Shell no Brasil, André Araujo, ao ser perguntado se empresa não temia os riscos políticos.

    'O que a gente espera é que o próximo governo continue entendendo o papel que a indústria de óleo e gás traz para o país e mantendo regras cada vez mais claras e previsibilidade.'

    Já o consórcio formado por Exxon Mobil e QPI, do Catar, levou o bloco de Titã no pré-sal da Bacia de Santos, com lance de 23,49 por cento de excedente em óleo à União, versus percentual mínimo de 9,53 por cento --a norte-americana ficou como operadora do consórcio, com 64 por cento de participação.

    'Estamos muito felizes, o desfecho dessa rodada, realmente, nesse último ano, foi excelente para a gente... passamos a ter 26 blocos no Brasil... Nós acreditamos no cronograma que a ANP está desenvolvendo, de ter licitações contínuas. Claro, vamos continuar avaliando cada licitação', disse a presidente da Exxon no Brasil, Carla Lacerda.

    O consórcio formado pelas companhias BP Energy, Ecopetrol e CNOOC arrematou o bloco de Pau Brasil, também no pré-sal da Bacia de Santos, com lance de 63,79 por cento de excedente em óleo, versus percentual mínimo de 24,82 por cento.

    A BP Energy, como operadora do consórcio vencedor, terá 50 de participação; Ecopetrol terá 20 por cento, e CNOOC, 30 por cento.

    O presidente da BP Upstream na América Latina, Felipe Arbelaez, comemorou a estreia como operador em uma área do pré-sal sob regime de partilha de produção.

    Ele disse ter ficado satisfeito após vencer o lance concorrente, feito por um consórcio formado pela Petrobras, em parceria com a CNODC e a Total (operadora), com uma pequena diferença entre os percentuais ofertados. O perdedor ofertou 62,40 por cento.

    A Petrobras, conforme a lei para o pré-sal, poderia ter exercido o direito de ser operadora da área antes do leilão, mas não o fez.

    Já a Petrobras arrematou o bloco Sudoeste de Tartaruga Verde, no pré-sal da Bacia de Campos. A petroleira estatal foi a única a dar lance pelo bloco, oferecendo o percentual mínimo de 10,01 por cento de excedente em óleo.

    A estatal tem interesse na área por já contar com concessão em um bloco adjacente.

    No leilão do pré-sal anterior, realizado em junho, a Petrobras havia reafirmado seu domínio no pré-sal ao bancar lances elevados que garantiram à companhia o status de operadora dos consórcios vencedores nos três blocos que foram negociados.

    (Por Marta Nogueira, Rodrigo Viga Gaier, Alexandra Alper e Gabriel Stargardter)

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    Shell, Exxon, BP e Chevron e outras arrematam áreas no pré-sal; Petrobras leva uma

    Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A 5ª rodada de áreas de petróleo e gás no pré-sal, realizada nesta sexta-feira, consolidou uma maior diversidade de petroleiras entre as vitoriosas neste tipo de licitação, ao mesmo tempo em que a Petrobras teve uma participação mais tímida no leilão de blocos da região petrolífera altamente produtiva.

    Aparecerem entre as ganhadoras a anglo-holandesa Shell, a norte-americana Exxon Mobil, britânica BP, a chinesa CNOOC e a colombiana Ecopetrol, que levou pela primeira vez áreas no pré-sal sob regime de partilha.

    A licitação, que arrecadou ao governo brasileiro 6,8 bilhões de reais, apenas em bônus de assinatura --nas rodadas sob partilha ganha a disputa quem oferta a maior parcela de óleo--, foi marcada também pela participação mais tímida da Petrobras, que já tem grandes áreas para serem desenvolvidas no pré-sal.

    A atuação da estatal brasileira, contudo, foi avaliada por autoridades até como positiva. Isso mostra que país não está mais na dependência de apenas uma empresa, disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone.

    'Mostra que o setor é muito maior que a Petrobras, por mais importante e simbólica que ela seja', acrescentou Oddone, destacando que agora o pré-sal terá seis operadoras (Petrobras, Total, BP, Shell, Equinor e Exxon), nas áreas sob regime de partilha.

    Ele estimou que, com os leilões desta sexta-feira, serão investidos no país em exploração e produção de petróleo cerca de 1,8 trilhão de reais, nos próximos dez anos, o que ajudará o país a se colocar entre os quatro maiores produtores de petróleo em meados da próxima década, dobrando sua extração.

    VENCEDORES

    O consórcio formado pelas petroleiras Shell e Chevron arrematou o bloco Saturno no pré-sal da Bacia de Santos, o primeiro a ser leiloado na licitação realizada pela reguladora ANP no Rio de Janeiro.

    O lance de Shell/Chevron somou 70,2 por cento de excedente em óleo à União, versus percentual mínimo de 17,54 por cento.

    A Shell é operadora de consórcio com a Chevron, com cada empresa tendo 50 por cento de participação.

    Já o consórcio formado por Exxon Mobil e QPI, do Catar, levou o bloco de Titã no pré-sal da Bacia de Santos, com lance de 23,49 por cento de excedente em óleo à União, versus percentual mínimo de 9,53 por cento --a norte-americana ficou como operadora do consórcio, com 64 por cento de participação.

    O consórcio formado pelas companhias BP Energy, Ecopetrol e CNOOC arrematou o bloco de Pau Brasil, também no pré-sal da Bacia de Santos, com lance de 63,79 por cento de excedente em óleo, versus percentual mínimo de 24,82 por cento.

    A BP Energy, operadora do consórcio vencedor, terá 50 de participação, Ecopetrol, tem 20 por cento, e CNOOC, 30 por cento.

    Já a Petrobras arrematou o bloco Sudoeste de Tartaruga Verde, no pré-sal da Bacia de Campos. A petroleira estatal foi a única a dar lance pelo bloco, oferecendo o percentual mínimo de 10,01 por cento de excedente em óleo. A estatal tem interesse na área por já contar com concessão em um bloco adjacente.

    No leilão do pré-sal anterior, realizado em junho, a Petrobras havia reafirmado seu domínio no pré-sal ao bancar lances elevados que garantiram à companhia o status de operadora dos consórcios vencedores nos três blocos que foram negociados.

    (Por Marta Nogueira, Rodrigo Viga Gaier e Alexandra Alper)

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