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    Jornalistas e advogados de Mianmar expressam preocupação com prisão de repórteres da Reuters

    Por Thu Thu Aung

    YANGON (Reuters) - Grupos que representam jornalistas e advogados de Mianmar entregaram uma carta ao presidente do país nesta sexta-feira explicando sua preocupação com a prisão de dois repórteres da Reuters condenados por violarem leis de segredos de Estado.

    A carta, entregue ao presidente Win Myint na abertura do semioficial Conselho de Imprensa de Mianmar (MPC), apontou contradições no caso contra Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, que foram sentenciados a sete anos de prisão em setembro.

    Suas condenações provocaram dúvidas sobre o progresso de Mianmar rumo à democracia e causaram revolta em defensores dos direitos humanos.

    Ainda em setembro a líder de fato da nação, Aung San Suu Kyi, disse que o caso não tem relação com a liberdade de imprensa. Ela também pediu que as pessoas a lerem o veredicto do caso e 'mostrarem onde houve um erro judicial'.

    A carta, assinada pela Rede de Jornalistas de Mianmar (MJN) e vários outros grupos, incluindo duas associações nacionais de advogados, disse que, como Wa Lone e Kyaw Soe Oo estão empregados como jornalistas profissionais, seu caso deveria ter sido julgado segundo a lei de mídia, não a Lei de Segredos Oficiais, que data da era colonial.

    'A Lei de Segredos Oficiais foi recomendada para evitar a espionagem. Em tempos modernos, essa lei não é mais adequada e precisa ser revista', disse a carta. 'Uma pena de sete anos a cada um dos repórteres está vetando a mídia e nega o direito público de acesso à informação.'

    O porta-voz do governo, Zaw Htay, disse em sua coletiva de imprensa quinzenal que o governo não pode interferir no caso porque os tribunais de Mianmar são independentes. Ele confirmou que o presidente recebeu a carta dos membros do MPC, mas não se estendeu no assunto.

    A correspondência também disse que Wa Lone e Kyaw Soe Oo acompanharam os fatos locais para relatar histórias de grande interesse público, mostraram equilíbrio profissional ao buscar comentários de autoridades policiais para contar os dois lados da história e não violaram a lei de mídia de Mianmar.

    Antes de serem presos, os repórteres trabalhavam em uma investigação sobre o assassinato de 10 homens e meninos rohingyas, cometido por forças de segurança e civis budistas, no oeste de Mianmar durante uma operação repressiva do Exército que começou em agosto do ano passado.

    A operação fez mais de 720 mil pessoas fugirem para Bangladesh.

    Durante a cerimônia na capital Naypyitaw, um dos membros recém-escolhidos do MPC, Thar Lun Zaung Htet, também entregou cartas das esposas dos jornalistas e pediu ao presidente que analise o caso.

    Em resposta às cartas, Win Myint disse que 'tem que agir neste caso de acordo com a lei e analisará este caso de acordo com os procedimentos legais', segundo Thar Lun Zaung Htet.

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    Repórteres da Reuters recorrem de condenação por violação de segredos de Estado em Mianmar

    YANGON (Reuters) - Os advogados de dois repórteres da Reuters condenados a 7 anos de prisão em Mianmar entraram com um recurso nesta segunda-feira contra a condenação por acusação de violação da Lei de Segredos Oficiais do país.

    O recurso cita indícios de uma armadilha da polícia e a falta de provas de um crime.

    'Apresentamos um recurso... porque o veredicto do tribunal de julgamento foi errado', disse o presidente e editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, em um comunicado. 'Ao condená-los como espiões, este ignorou indícios eloquentes de uma armadilha da polícia, violações graves do devido processo legal e a incapacidade da acusação de provar qualquer um dos elementos centrais do crime'.

    Ele acrescentou que a corte transferiu o ônus da prova da acusação para os repórteres da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, e pediu que Mianmar 'confirme sua alegada dedicação ao Estado de Direito, à liberdade de imprensa e à democracia ordenando a libertação de nossos colegas'.

    Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram considerados culpados em setembro depois de um julgamento em um tribunal do distrito de Yangon, em um caso histórico que provocou dúvidas sobre o progresso de Mianmar rumo à democracia e causou revolta em diplomatas e defensores dos direitos humanos.

    No mesmo mês a líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, disse que a prisão dos repórteres não tem relação com a liberdade de expressão. Na semana posterior à condenação ela disse que os repórteres foram condenados por lidarem com segredos oficiais e que 'não foram presos por serem jornalistas'.

    O porta-voz do governo, Zaw Htay, não quis comentar o recurso da defesa.

    Os advogados de defesa apresentaram o recurso na manhã desta segunda-feira à Alta Corte, sediada em Yangon. Se esta aceitá-la, um juiz de apelações acolherá argumentos escritos e orais da acusação e dos advogados de defesa e depois pronunciará uma decisão.

    Antes de serem presos os repórteres investigavam os assassinatos de dez meninos e homens rohingyas cometidos por forças de segurança e budistas locais do Estado de Rakhine durante uma operação repressiva do Exército que começou em agosto do ano passado. A operação levou mais de 700 mil pessoas a fugirem para Bangladesh.

    Durante oito meses de audiências, Wa Lone e Kyaw Soe Oo declararam que dois policiais que não haviam encontrado antes lhes entregaram papéis enrolados em um jornal durante um encontro em um restaurante de Yangon no dia 12 de dezembro e que praticamente em seguida foram lançados por policiais à paisana em um carro.

    No dia 1º de fevereiro uma testemunha da polícia disse que as informações constantes nos documentos já havia sido publicada em jornais, e em abril uma testemunha da acusação disse que um policial de alto escalão ordenou a subordinados que plantassem documentos em Wa Lone para 'incriminá-lo'.

    (Por Antoni Slodkowski)

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    Ações de Suu Kyi em Mianmar são 'lamentáveis', mas Nobel da Paz será mantido, diz fundação

    Por Esha Vaish

    ESTOCOLMO (Reuters) - Algumas das ações tomadas por Aung San Suu Kyi como líder civil de Mianmar são 'lamentáveis', mas o Prêmio Nobel da Paz concedido a ela não será retirado, disse o chefe da Fundação Nobel à Reuters em entrevista concedida à Reuters.

    Lars Heikensten, que se pronunciou dias antes da concessão do prêmio deste ano, disse não fazer sentido retirar prêmios em reação a coisas que aconteceram após sua entrega, já que os juízes teriam que debater os méritos dos laureados constantemente.

    Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiram um relatório em agosto acusando os militares de Mianmar de realizar execuções em massa de muçulmanos rohingyas com 'intenção genocida' em uma operação que levou mais de 700 mil refugiados a fugirem para Bangladesh pela fronteira.

    Suu Kyi, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991 por fazer campanha pela democracia e hoje lidera o governo de Mianmar, foi acusada no mesmo relatório de não usar sua 'autoridade moral' para proteger civis.

    'Vemos que o que ela tem feito em Mianmar vem sendo muito questionado, e defendemos os direitos humanos, este é um dos nossos valores centrais', disse Heikensten em entrevista na sexta-feira.

    'Então é claro que, tanto quanto ela é responsável por isso, é muito lamentável', acrescentou.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, não respondeu ligações pedindo comentários na segunda-feira. No mês passado ele disse que não conversará mais com a imprensa por telefone, mas só em uma coletiva duas vezes por semana.

    Mianmar rejeitou as conclusões da ONU, que classificou como 'unilaterais', e disse que a ação militar, ocorrida após ataques de militantes às forças de segurança em agosto do ano passado, foi uma operação de contrainsurgência legítima.

    No mês passado Suu Kyi disse que, em retrospecto, seu governo poderia ter lidado melhor com a situação no Estado de Rakhine, mas não reconheceu nenhum crime grave.

    'Não acreditamos que faria sentido tentar retirar prêmios... isso nos envolveria em discussões constantes sobre os méritos do que as pessoas estão fazendo mais tarde, depois de terem recebido o prêmio', disse Heikensten.

    'Sempre houve e haverá laureados do Nobel que estão fazendo coisas depois de terem recebido o prêmio que não aprovamos ou que não achamos ser coisas corretas. Isso não podemos evitar, acho', acrescentou.

    O Prêmio Nobel da Paz de 2018 será anunciado em Oslo na sexta-feira.

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    Transição democrática de Mianmar está 'em um impasse', diz painel da ONU

    Por Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - A transição democrática de Mianmar se encontra em um impasse, uma vez que as autoridades tentam silenciar os críticos mas permitem o discurso de ódio, particularmente contra muçulmanos rohingyas, disse nesta terça-feira o chefe da missão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o país.

    Marzuki Darusman, diretor da Missão de Verificação de Fatos da ONU em Mianmar, denunciou o que qualificou como 'brutalidade extrema dos militares' conhecidos como Tatmadaw, ao apresentar um relatório que o enviado do governo de Mianmar rejeitou por considerar unilateral.

    A comissão apresentou seu relatório completo de 440 páginas depois de um sumário divulgado em 27 de agosto em que disse que os militares de Mianmar cometeram assassinatos em massa e estupros de rohingyas com 'intenção genocida' e pediram que o comandante-chefe, Min Aung Hlaing, e cinco generais sejam processador pelos crimes mais graves previstos na lei internacional.

    O governo de Mianmar refutou o sumário na ocasião e disse que a comunidade internacional está fazendo 'alegações falsas'. Os militares não comentaram, e a Reuters não conseguiu contatar os generais mencionados no relatório.

    O embaixador de Mianmar, Kyaw Moe Tun, rejeitou as conclusões da comissão por serem 'unilaterais', e disse que o governo não reconhece sua autoridade.

    'Este relatório não só é prejudicial para a coesão social no Estado de Rakhine, ele também mina os esforços do governo para trazer paz, reconciliação nacional e desenvolvimento à nação inteira', disse ele ao fórum.

    Darusman disse nesta terça-feira que 'não existe lei nem instituição de Mianmar que esteja acima dos Tatmadaw', e pediu o fim do que classificou como sua 'impunidade completa'.

    A democracia depende de autoridades que aceitam monitoramento e lutam contra o discurso de ódio e a desinformação, afirmou.

    'Neste aspecto, a transição democrática de Mianmar mal começou, e agora está em um impasse', acrescentou.

    Darusman disse que a repressão militar em Rakhine em agosto de 2017, desencadeada na esteira de ataques de insurgentes, provocou um êxodo em massa de quase 750 mil rohingyas para Bangladesh, as mortes de ao menos 100 mil pessoas e a destruição de mais de 37 mil casas e estruturas dos rohingyas.

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    Líder de Mianmar Suu Kyi defende condenação de repórteres da Reuters

    HANÓI (Reuters) - A líder do governo de Mianmar, Aung San Suu Kyi, disse nesta quinta-feira que os dois repórteres da Reuters presos no país podem recorrer da condenação de 7 anos de prisão, e que o julgamento deles não teve qualquer relação com a liberdade de expressão.

    Questionada sobre como se sentia prendendo jornalistas como uma líder democrática, Suu Kyi disse: 'Eles não foram presos porque são jornalistas, eles foram presos porque... o tribunal decidiu que eles violaram a Lei de Segredos Oficiais'.

    Suu Kyi se pronunciou durante o Fórum Econômico Mundial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Hanói, no Vietnã, respondendo a uma pergunta do mediador que questionou se ela se sentia confortável com a prisão dos repórteres.

    Os jornalistas Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram considerados culpados de violar uma lei sobre segredos oficiais e condenados no início deste mês, em um caso marcante visto como um teste para o progresso democrático em Mianmar.

    Sua prisão desencadeou grande indignação internacional, incluindo um pedido do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, por sua libertação.

    'Me pergunto se muitas pessoas realmente leram o resumo do julgamento, que não teve nenhuma relação com liberdade de expressão, teve relação com a Lei de Segredos Oficiais', disse Suu Kyi.

    'Se acreditamos no Estado de Direito, eles têm todo o direito de recorrer do julgamento e de apontar porque o julgamento foi errado', acrescentou.

    (Reportagem de James Pearson, Mai Nguyen e Khanh Vu, em Hanói, e Simon Lewis, em Yangon)

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    Bachelet pede à ONU novo órgão de direitos humanos para investigar crimes contra rohingyas

    Por Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira a criação de um novo organismo para reunir provas visando um futuro processo de crimes cometidos contra muçulmanos rohingyas de Mianmar, incluindo assassinatos e torturas.

    Uma equipe de investigadores independentes da ONU disse em um relatório publicado no mês passado que existem indícios de 'intenção genocida' dos militares contra os rohingyas e que crimes contra a humanidade e crimes de guerra parecem ter sido cometidos.

    Os investigadores identificaram seis generais de Mianmar, incluindo o comandante-chefe das Forças Armadas do país, dizendo que deveriam ser levados à Justiça.

    Um ano atrás, tropas do governo conduziram uma operação repressiva brutal em Rakhine, um Estado de Mianmar, em reação a ataques do Exército de Salvação Arakan Rohingya (Arsa) a 30 postos policiais e uma base militar do país. Cerca de 700 mil rohingyas fugiram da repressão, e hoje a maioria mora em campos de refugiados na vizinha Bangladesh.

    Em seu primeiro discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU desde que tomou posse em 1º de setembro, Bachelet disse que os ataques e a perseguição parecem continuar em Rakhine. Investigadores também encontraram indícios de execuções, tortura e violência sexual contra minorias nos Estados de Kachin e Shan, disse.

    'A persistência destes padrões de violações sublinha a impunidade total concedida às forças de segurança de Mianmar', disse Bachelet ao fórum de 47 membros em Genebra, que inaugurou uma sessão de três semanas.

    Ela louvou o fato de o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter decidido na semana passada que sua corte tem jurisdição sobre as supostas deportações de rohingyas de Mianmar para Bangladesh por vê-las como possíveis crimes contra a humanidade.

    'Este é um passo imensamente importante para acabar com a impunidade e tratar do sofrimento enorme do povo rohingya'.

    'Também louvo os esforços de Estados-membros deste Conselho para estabelecerem um mecanismo internacional independente para Mianmar, para reunir, consolidar, preservar e analisar indícios dos crimes internacionais mais graves de forma a acelerar julgamentos justos e independentes em cortes nacionais e internacionais'.

    Mianmar negou ter cometido atrocidades contra os rohingyas, dizendo que seus militares realizaram ações justificáveis contra militantes e sinalizando que não pretende cooperar com o TPI.

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    Mídia e ativistas de Mianmar criticam condenação de repórteres da Reuters

    Por Shoon Naing e Thu Thu Aung

    YANGON (Reuters) - Vários veículos de comunicação de Mianmar e dezenas de grupos da sociedade civil denunciaram a condenação de dois repórteres da Reuters a 7 anos prisão com base na Lei de Segredos Oficiais, e disseram que a sentença foi um ataque ao direito de liberdade de informação no país do sudeste asiático.

    Na segunda-feira, um tribunal de Mianmar considerou os dois jornalistas culpados, em um caso histórico visto como um teste do progresso democrático de Mianmar, que foi governado por uma junta militar até 2011.

    Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, investigavam o massacre de moradores de um vilarejo pertencentes à minoria muçulmana rohingya cometido por forças de segurança e civis quando foram presos, em dezembro, e se declararam inocentes.

    O jornal 7 Day Daily, um dos mais lidos do país, imprimiu um bloco negro em sua primeira página nesta terça-feira e um editorial intitulado 'Um dia triste para Mianmar'.

    O jornal, de propriedade privada, disse que as penas 'acabam com a esperança de que o governo atual valorizará e respeitará a liberdade de imprensa', acrescentando que o governo ganhou a reputação de oprimir a mídia, como governos militares anteriores.

    'Todos precisam estar cientes de que a democracia não sobreviverá em uma idade das trevas da informação', afirmou.

    Mianmar aboliu a censura direta da mídia em 2012 como parte das reformas de um regime parcialmente civil que levaram a eleições vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2015.

    Não foi possível contatar o porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, para obter comentários sobre o veredicto nem na segunda-feira nem nesta terça-feira.

    O vice-ministro da Informação, Aung Hla Tun, rejeitou a insinuação de que o veredicto foi um golpe na liberdade de imprensa, mas admitiu que algumas leis 'não são amistosas' com a mídia, inclusive a Lei de Segredos Oficiais que justificou a condenação dos dois repórteres.

    'Esta legislação não foi aprovada por este governo, nós a herdamos', disse ele à Reuters. 'Estamos tentando rever as leis. Algumas serão abolidas, se necessário, e outras emendadas'.

    Kyaw Zwa Moe, um editor da revista de notícias online Irrawaddy, disse que Suu Kyi e o presidente Win Myint têm que entender que o caso diz respeito ao direito das pessoas à informação.

    O jornal Mianmar Times, também de propriedade privada, publicou uma foto em preto e branco de página inteira de Kyaw Soe Oo algemado e cercado de repórteres ao deixar a corte, dizendo que o veredicto foi 'um golpe na liberdade de imprensa'.

    Já o jornal estatal Global New Light of Mianmar noticiou os fatos do veredicto em quatro parágrafos em uma página interna, sem mencionar nenhuma crítica à decisão, mas observando que a defesa pode recorrer.

    (Reportagem adicional de Simon Lewis e Antoni Slodkowski)

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    Repórteres da Reuters são condenados a 7 anos de prisão em Mianmar

    Por Simon Lewis e Thu Thu Aung

    YANGON (Reuters) - Um juiz de Mianmar considerou dois repórteres da Reuters culpados de violarem uma lei sobre segredos de Estado e os condenou a 7 anos de prisão nesta segunda-feira, em um caso visto como um teste para o progresso democrático no país do sudeste asiático.

    O juiz Ye Lwin, do distrito de Yangon, disse que Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, violaram a Lei de Segredos Oficiais, que data da era colonial do país, quando coletaram e obtiveram documentos confidenciais.

    'Os réus... violaram a seção 3.1 da Lei de Segredos Oficiais e estão condenados a 7 anos', disse o juiz, acrescentando que o tempo que os repórteres já passaram na prisão desde que foram detidos no dia 12 de dezembro será levado em consideração.

    Os advogados de defesa podem recorrer ao tribunal regional e depois à Suprema Corte.

    Os dois repórteres haviam se declarado inocentes e dito à corte que a polícia plantou documentos durante sua cobertura jornalística sobre a violência no Estado de Rakhine.

    Defensores da liberdade de imprensa, a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia e países incluindo Estados Unidos, Canadá e Austrália haviam pedido a absolvição dos jornalistas.

    'Hoje é um dia triste para Mianmar, para os jornalistas da Reuters Wa Lone e Kyaw Soe Oo e para a imprensa de todas as partes', disse o editor-chefe da Reuters, Stephen J. Adler, em um comunicado.

    'Não esperaremos enquanto Wa Lone e Kyaw Soe Oo sofrem esta injustiça e avaliaremos como proceder nos próximos dias, inclusive se buscaremos socorro em um fórum internacional', acrescentou.

    Os repórteres disseram ao tribunal que dois policiais lhes entregaram documentos em um restaurante na cidade de Yangon momentos antes de outros agentes chegarem para prendê-los.

    Uma testemunha da polícia afirmou que o encontro no restaurante foi uma cilada para prender os jornalistas de forma a impedi-los ou puni-los por sua cobertura de um massacre de muçulmanos rohingyas em Rakhine.

    Ao menos 50 pessoas lotaram a sala da pequena corte nesta segunda-feira, e muitas ficaram do lado de fora. O juiz Ye Lwin leu um sumário de depoimentos de testemunhas durante cerca de uma hora antes de pronunciar seu veredicto.

    Ele disse que se descobriu que 'documentos confidenciais' encontrados com os dois réus teriam sido úteis 'para inimigos do Estado e organizações terroristas'. Os documentos em sua posse e em seus celulares 'não são informação pública'.

    'NÃO TEMO NADA'

    Vários repórteres tomaram nota chorando quando o juiz emitiu sua decisão.

    Chit Su Win, esposa de Kyaw Soe Oo, irrompeu em lágrimas depois do veredicto, e familiares tiveram que ampará-la enquanto ela deixava o recinto.

    Wa Lone trocou apertos de mão com apoiadores, dizendo-lhes para não se preocuparem. Usando algemas e escoltado por policiais, ele se dirigiu a um aglomerado de amigos e repórteres.

    'Sabemos o que fizemos. Sabemos que não fizemos nada errado. Não temo nada. Acredito na justiça, democracia e liberdade', disse.

    Kyaw Soe Oo também disse a repórteres que não cometeu nenhum crime e que ambos manterão sua luta pela liberdade de imprensa.

    'O que eu quero dizer a este governo é: vocês podem nos colocar na prisão, mas não tapem os olhos e ouvidos do povo'.

    ((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

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    Rompimento de represa de Mianmar inunda comunidades e bloqueia rodovia

    YANGON (Reuters) - Mais de 50 mil pessoas deixaram suas casas depois que o rompimento de uma represa inundou comunidades no centro de Mianmar nesta quarta-feira e bloqueou parte de uma rodovia que conecta as importantes cidades de Yangon, Mandalay e a capital Naypyitaw, disseram autoridades.

    O Corpo de Bombeiros de Mianmar enviou uma brigada à represa de irrigação de Swar após o rompimento, que ocorreu às 5h30 locais e liberou água sobre a cidade próxima de Swar e dois vilarejos.

    'O (desaguadouro) da represa se rompeu e inundou os dois vilarejos próximos da rodovia', disse o Corpo de Bombeiros em sua página de Facebook.

    Fotos publicadas no Facebook mostraram soldados de Mianmar retirando pessoas em balsas e caiaques de bambu improvisados e carregando crianças e idosos em locais cobertos de água até o joelho.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, disse que até o início da tarde local não havia registro de vítimas.

    Muitas pessoas, incluindo algumas que não foram atingidas diretamente pelas enchentes, decidiram deixar suas casas por medo de que o nível de água suba ainda mais, disse um funcionário do Departamento de Gestão de Desastres Naturais que pediu para não ser identificado, na ausência de autorização para falar com meios de comunicação.

    Ao todo, 12.000 famílias, ou um total de 54.000 pessoas, saíram de suas casas, disse outro funcionário, do Departamento de Alívio e Reassentamento, que também se recusou a ser identificado.

    A represa foi construída ao longo do córrego Swar em 2004, pode armazenar o equivalente a 87.550 hectares de água e irriga mais de 8 mil hectares de terras de cultivo, de acordo com um documento do Ministério da Agricultura e Irrigação publicado na internet.

    Uma hidrelétrica se rompeu no vizinho Laos no mês passado, deslocando milhares de pessoas e matando ao menos 27, o que ressalta os temores com a segurança de muitas represas do sudeste da Ásia.

    (Reportagem da redação de Yangon)

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    Veredicto de repórteres da Reuters é adiado à medida que pressão aumenta sobre Mianmar

    Por Antoni Slodkowski

    YANGON (Reuters) - O veredicto do julgamento de dois repórteres da Reuters presos em Mianmar acusados de violarem a Lei de Segredos Oficiais do país foi adiado desta segunda-feira para o dia 3 de setembro porque o juiz responsável pelo caso está doente, disse uma autoridade do tribunal.

    Diversos repórteres e diplomatas haviam se reunido no tribunal de Yangon para ouvir o veredicto dos jornalistas Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, após oito meses de audiências em um caso que passou a ser visto como um teste para o progresso democrático no país do sudeste asiático.

    'Estamos decepcionados em não ter recebido a decisão do juiz hoje', disse a Reuters em comunicado.

    'Wa Lone e Kyaw Soe Oo já passaram mais de oito meses na prisão com base em acusações de um crime que não cometeram. Estamos ansiosos para receber o veredicto na próxima semana, quando temos muita esperança que eles serão inocentados e reunidos com suas famílias'.

    O porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, não pôde ser encontrado de imediato para comentar o adiamento do veredicto.

    O ápice do caso acontece em um momento de crescente pressão sobre o governo da ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi devido a uma repressão no Estado de Rakhine, desencadeada por ataques militantes em agosto de 2017.

    Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram em relatório divulgado nesta segunda-feira que militares de Mianmar realizaram massacres e estupros coletivos de muçulmanos rohingyas com 'intenção genocida', e que o comandante-chefe do país e cinco generais deveriam ser processados.

    'Não estamos assustados ou abalados. A verdade está do nosso lado. Qualquer que seja a situação, não ficaremos abalados. Eles não podem nos enfraquecer', disse Wa Lone a repórteres após a breve audiência desta segunda-feira.

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    Generais de Mianmar tiveram 'intenção genocida' contra rohingyas, diz ONU

    Por Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - Militares de Mianmar realizaram massacres e estupros coletivos de muçulmanos rohingyas com 'intenção genocida', e o comandante-chefe e cinco generais deveriam ser processados por orquestrarem os crimes mais graves previstos em lei, disseram investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.

    O governo civil de Mianmar liderado por Aung San Suu Kyi permitiu que o discurso de ódio florescesse, destruiu documentos e deixou de proteger minorias de crimes contra a humanidade e crimes de guerra do Exército nos Estados de Rakhine, Kachin e Shan, afirmaram os investigadores da ONU em um relatório.

    Tudo isso 'contribuiu para o cometimento de crimes atrozes', acrescentou o relatório.

    Um ano atrás, tropas do governo realizaram uma operação repressiva brutal em Rakhine em reação a ataques do Exército de Salvação Arakan Rohingya (Arsa) contra 30 postos policiais e uma base militar de Mianmar.

    Cerca de 700 mil rohingyas fugiram da repressão, e a maioria está vivendo em campos de refugiados na vizinha Bangladesh.

    O relatório da ONU disse que a ação militar, que incluiu a queima de vilarejos, foi 'inteiramente desproporcional a ameaças de segurança reais'.

    A ONU define o genocídio como atos que visam destruir um grupo nacional, étnico, racial ou religioso em parte ou por inteiro. Tal designação é rara na lei internacional, mas foi usada em países como a Bósnia e o Sudão e em relação à campanha do Estado Islâmico contra comunidades yazidi no Iraque e na Síria.

    'Os crimes no Estado de Rakhine, e a maneira como foram perpetrados, são semelhantes em natureza, gravidade e abrangência àqueles que permitiram que uma intenção genocida fosse estabelecida em outros contextos', disse a Missão Independente de Levantamento de Fatos da ONU em Mianmar.

    No relatório final de 20 páginas, a missão disse: 'Há informações suficientes para justificar a investigação e o processo de autoridades de alto escalão da cadeia de comando do Tatmadaw (Exército) para que um tribunal competente possa determinar sua responsabilidade por genocídio em relação à situação no Estado de Rakhine'.

    O governo de Mianmar, que recebeu uma cópia do relatório da ONU previamente, como de praxe, não comentou. Contatado por telefone, o porta-voz dos militares de Mianmar, general Tun Tun Nyi, disse que não poderia comentar de imediato.

    Entre os acusados está o general Aung Aung, comandante da 33ª Divisão de Infantaria, que supervisionou as operações na vila costeira de Inn Din, onde 10 meninos e homens rohingyas em cativeiro foram mortos.

    A Reuters não conseguiu entrar em contato com Aung Aung nesta segunda-feira.

    O massacre foi revelado por dois repórteres da Reuters, Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, que em razão disso foram presos em dezembro e estão sendo julgados por acusações de violação da Lei de Segredos Oficiais do país.

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    de tudo o que acontece nos bastidores do mundo da música, desde lançamentos, shows, homenagens, parcerias e curiosidades sobre o seu artista favorito. A vinda de artistas ao Brasil, cantores e bandas confirmadas no Lollapalooza e no Rock in Rio, ações beneficentes, novos álbuns, singles e clipes. Além disso, você acompanha conosco a cobertura das principais premiações do mundo como o Oscar, Grammy Awards, BRIT Awards, American Music Awards e Billboard Music Awards. Leia as novidades sobre Phil Collins, Coldplay, U2, Jamiroquai, Tears for Fears, Céline Dion, Ed Sheeran, A-ha, Shania Twain, Culture Club, Spice Girls, entre outros. Aproveite também e ouça esses e outros artistas no aplicativo da Rádio Antena 1, baixe na Apple Store ou Google Play e fique sintonizado.

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