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Podcast Lado Pessoal 27/07/2022

Apresentado pela Millena Machado, Lado Pessoal vai te levar até o universo particular dos CEOs. Com um formato descontraído, você vai conhecer aspectos da vida pessoal, decisões impactantes, mudanças de localidade, e, ainda, qual música inspirou os momentos importantes na vida de cada um dos CEOs.

Transcrito:

PODCAST Nº 08 – julho/2022 (2ª temporada)

Legendas:

MM: = Millena Machado (Apresentadora do podcast, Lado Pessoal).

LF: = Luiz Fernando Lenski (Entrevistado)

Está no ar... Lado Pessoal, com Millena Machado, o Podcast de entrevistas da Rádio Antena 1! Vinheta da Antena 1.

Música de introdução deste Podcast: City Of Blinding Lights – U2.

[0:00:31] - MM: Olá... Está no ar, Lado Pessoal, o podcast da Rádio Antena 1 que bate um papo descontraído e sincero com os executivos que lideram as maiores empresas que atuam no Brasil. Eu sou Millena Machado, e hoje revelando o seu lado pessoal pra gente, o CEO da Víncula Implantes, Luiz Fernando Lenski, mais conhecido como Lenski. Lenski, seja muito bem-vindo!

[0:00:56] – LF: 4Obrigado, Millena!... Bom dia, e bom dia a todos que nos ouvem também.

[0:01:01] – MM: Muito bem! Essa música a gente já começa o nosso bate papo com um astral l”. Quando eu coloquei pra escutar, aqui, antes de te entrevistar, eu fiquei pensando: qual será a cidade, no mundo, que mais mexe com ele, seu lugar favorito, hein?

[0:01:20] – LF: Uau... Uau! É... Eu tenho uma história muito particular de... com cidades, porque... é... o meu pai era bancário no interior de São Paulo, e eu, até os 16 anos, 17 anos, quando eu saí de casa e vim pra São Paulo pra estudar, tal, eu morei em várias cidades, né, então eu não tenho necessariamente uma raiz em algum lugar. Mas a partir disso, também, eu criei uma... uma mente aberta pra, literalmente, estar experimentando novos lugares né, e como eu também tive a oportunidade de morar próximo de Nova York, certamente essa é uma cidade que me influenciou muito e é incrível, assim como São Paulo. Eu falo que a minha saída logo cedo saindo de casa, do interior né, aquele... aquele garoto que vem lá do... do interior com uma série de... de leituras de São Paulo e as novidades, isso há muito tempo atrás né, você chegando numa cidade dessa aqui é... é um desafio grande, mas super emocionante; então acho que tem essas duas cidades, até pelo que elas representaram e marcaram na minha vida entre tantas outras, é... muito... eu acho que eu citaria e ficaria com as duas.

[0:02:39] – MM: É... É em São Paulo e Nova York que seu coração pulsa! Mas onde você nasceu?

[0:02:44] – LF: Eu nasci em São Manoel... É uma cidadezinha....

[0:02:47] – MM: Ahhh... Interior de São Paulo

[0:02:47] – LF: Interior de São Paulo, pequena e entre Botucatu e Bauru.

[0:02:53] – MM: Sim, sim... Que legal! Uma natureza bonita lá, eu conheço!

[0:02:58] – LF: Eu adoro!

[0:02:58] – MM: E me conta uma coisa, você falou do seu pai, bancário né? Sabe que a gente tem uma diferença de idade, eu sou dos anos 80, você é dos anos 70, certo?

[0:03:07] – LF: Eu sou dos anos... do final dos anos 60.

[0:03:10] – MM: Ah... Um pouquinho antes.

[0:03:13] – LF: Eu sou um pouquinho antes.

[0:03:13] – MM: Então, eu me lembro... Até na minha época, no começo, assim, nos anos 80, mas eu me lembro que as pessoas que trabalhavam em Banco nesses anos 70, 80, tinham a missão de desbravar o Brasil né?

[0:03:25] – LF: Sem dúvida.

[0:03:25] – MM: De levar as agências bancárias pelas outras cidades né, então, era muito comum quem trabalhava em Banco mudar bastante de cidade mesmo. E aí você não consegue citar um melhor amigo da sua infância ou da sua adolescência? Rsrsrs...

[0:03:38] – LF: Não, eu tive alguns grandes amigos, mas é muito difícil, esse é um ponto super sensível, realmente, né, e como tudo na vida você tem prós e contras.

[0:03:49] – MM: É....

[0:03:49] – LF: E contras, né? É... Eu fui... Quando eu vim pra São Paulo eu já tinha morado em 9 cidades diferentes, e eu vim pra São Paulo com 18 anos.

[0:03:59] – MM: Uau!

[0:03:59] – LF: Então você imagina né? Tirando o tempo médio aí, 2 anos em cada cidade, e sempre no interior de São Paulo, e tenho muito disso; tenho muito disso do meu pai estar desbravando cidades pequenininhas do Interior, cidades de 6000 habitantes, 7000 habitantes naquela época. O que, se por um lado é... trouxe uma capacidade de... de você né, não ter dificuldade com o logro e estar sempre aberto a este logro, porque eu fui moldado assim, né, traz um pouco do que eu vejo, por exemplo, com a minha esposa hoje, que ela tem muito mais raízes em colégios, com amizades de longa, longa data. Eu tenho amigos ainda que eu cultivo, mas esses amigos são mais de, sei lá, 16, 17 anos pra frente do que aqueles realmente da infância ali com 7, 8, 9 anos das cidades em que eu passei.

[0:04:52] – MM: Entendi. Aí, hoje, pros seus filhos, você faz diferente ou faz igual? Como é que é, assim, as suas... a sua trajetória profissional, também, te leva pra lá e pra cá?

[0:05:04] – LF: Não, não, não! É... poderia me levar, poderia me levar. Eu acho que o primeiro... o primeiro ponto é... importante de tudo isso é assim, são as circunstâncias; então, eu tive uma circunstância de vida muito diferente das circunstâncias que eles estão vivendo, que os meus filhos estão vivendo, né; então, como é... como aproveitar e tirar o máximo disso? Então, enquanto eu tive essa possibilidade de conhecer lugares diferentes né, de ter ainda que no Interior de São Paulo, mas tão né, são cidades, são escolas, ambiente social, totalmente diferentes, e numa parte de desenvolvimento da minha infância. Hoje eles têm... eles estão em São Paulo, né, e aí eles estão desde do início, a Marcela tem 11 anos, o Pedro tem 8, e desde o início eles estão no mesmo colégio, então eles estão fazendo o círculo de amizades deles neste ambiente muito mais... eu diria assim... eu não diria controlado né, mas muito mais... é... sem tanta movimentação.

[0:06:20] – MM: Uhum...

[0:06:20] - É claro que a pandemia traz, também, uma outra perspectiva, mas isso a gente fala em outro... talvez em outro momento aqui do nosso bate papo.

[0:06:28] – MM: É...

[0:06:30] – LF: Mas é... Eu não tento, assim, me restringir ou não tento fazer, porque eu tive uma experiência assim, ela foi proveitosa pra mim, pra eles também vai valer, até porque o mundo está muito diferente daquela época minha vivida. Aliás, ao contrário, eu costumo muito mais acompanhá-los e me adaptar àquilo que eles estão trazendo do que forçá-los a uma realidade que já não existe mais a que eu vivi; foi muito legal, foi muito proveitosa, mas não dá pra encaixar, exatamente, como eu vivi.

[0:06:58] – MM: Sabe que nessa música que você escolheu pra abrir o nosso podcast, a City of blinding lights do U2, tem alguns versos que me chamaram a atenção, não sei se são os mesmos que chamam atenção, mas eu até anotei aqui: “quanto mais se vê menos se sabe, quanto mais se sabe menos se sente”

[0:07:15] – LF: Exatamente!

[0:07:15] – MM: E você citou agora a questão da pandemia e tudo né...rs...

[0:07:18] – LF: Exatamente!

[0:07:18] – MM: E de você deixar a sua vida solta e ser conduzida pela nova geração, vamos dizer assim né ...

[0:07:25] – LF: Exatamente!

[0:07:25] – MM: O quê que tudo isso diz pra você? Porque você escolheu essa música, menino, pra abrir a nossa conversa?

[0:07:27] – LF: Você tocou no ponto que é o principal aí. Do U2 em si, marcou primeiro geração, então isso foi... foi... E entre tantas músicas de sucesso deles, essa me marcou especificamente, e quando eu vejo né, a atualidade dessa música, na letra assim, você mencionou, e é bem o início da música... “The more you see the less you know”, né, e assim, e é hoje o que a gente vê. Eu costumo dizer dentro do meu ambiente profissional e na minha... no meu ambiente social, eu acho que quem tem grandes certezas, hoje, tem que tomar cuidado porque é um grande iludido, porque a gente... essa capacidade nossa de se adaptar e essa capacidade nossa de se reinventar por coisas que a gente não controla e que em horas impacta, be time, todos nós, vive a pandemia né; agora tá um pouco mais controlado, mas a gente passou por um período grande de que decisões que a gente tinha que tomar hoje, amanhã elas poderiam ser, literalmente, serem pulverizadas, porque não...já mudou... já tinha mudado completamente, era uma nova variante, era um novo lockdown, era... Então, essa música, pra mim, tem esses dois aspectos: primeiro a marcação de uma geração e, dois, a... a... ela é uma música super atual, mesmo tendo anos e anos aí de... de estrada, e acho que você tocou nesse ponto principal, que é isso que me marca muito.

[0:09:01] – MM: É uma questão de humildade né, de consciência, de saber seu lugar no mundo né, de ter paciência...

[0:09:09] – LF: Exatamente! Exatamente!

[0:09:11] – MM: De confiar no amanhã mesmo não sabendo, não tendo ideia do futuro; tanta coisa boa, eu adorei essa sua escolha, viu, é muito... muito bacana; essa música provoca uma reflexão. Vamos falar um pouco sobre profissão?

[0:09:24] – LF: Claro!

[0:09:24] – MM: Porque você teve passagem por grandes empresas né, uma trajetória de sucesso: Alcoa, a Johnson & Johnson, Nestlé, e agora fazendo parte do Pátria, né? Nossa sua experiência profissional, se você pudesse passar um conselho né, ou compartilhar um aprendizado com alguém que também está nessa carreira executiva e que almeja chegar ao topo como você, se General Manager, ser CEO, ser Executive Director, o que você recomendaria como ponto de atenção? O quê que pode ofuscar nessa trajetória que pode impedir a pessoa de alcançar esse reconhecimento? Quais foram os principais desafios que você passou? Ou você quer citar um deles ou alguma oportunidade que fala: “— olha, se eu não tivesse vestindo óculos naquele momento, não enxergasse essa questão, teria passado e ... e a minha vida seria totalmente diferente”.

[0:10:17] – LF: É uma pergunta.... é... Não é uma pergunta simples, né, Millena, até porque, é... as experiências de vida, elas trazem muitos, muitos, muitos aprendizados. Eu, felizmente, tive a oportunidade de trabalhar em grandes empresas e grandes escolas, e vários elementos contribuíram com a minha carreira e... carreira que eu tenho bastante orgulho de olhar pra traz e ver tudo que aconteceu e da forma como aconteceu. E aí, quando a gente faz uma reflexão do que, de fato, contribuiu pra essa evolução e, obviamente, não foram só experiências positivas vividas, né; certamente, assim como todos, eu passei por momentos difíceis, momentos críticos né, mas tem alguns elementos aí que... é... eu acho que foram fundamentais. Primeiro, assim, se a gente falar e como você me perguntou no começo da... do nosso bate papo aqui, a minha formação é uma formação de interior, é uma formação de... de boa parte de escola pública, então eu fui... Quando eu cheguei em São Paulo pra fazer faculdade e pra começar a me desenvolver né, inclusive num... numa amplitude muito maior como ser humano, é... eu tive que me reinventar, constantemente, e aprender. Então, a abertura ou o aprendizado é uma característica que eu... que eu reforço importantíssima né, e que me trouxe muito, muito... muito benefício. Segundo, a gente acabou de tocar num ponto aqui, também, valor, né; a gente é sempre provocado, e têm muitas decisões que você não tem uma reposta pronta, uma resposta certa, assim, clara. Aonde é que você se apega? E aí, felizmente, eu tive a oportunidade de, na Johnson & Johnson formatar muito bem alguns conceitos e, principalmente, esse lance de valor, pela carta de valores da Johnson né, e por todo o significado que isto traz pra empresa e... de algo concreto o resultado que isso é... é demonstrado, que isso impacta. Então, isso me moldou de uma forma que hoje eu tenho muito claro esse ponto; e acho que o terceiro é ser genuíno, é ser genuíno com as pessoas, ser genuíno com aquilo que você se propõe a fazer, né, e sempre estar olhando... É óbvio que, no final do dia, você sempre tem um impacto pessoal, né, e a gente tem um ambiente competitivo que eu vivo, a gente sempre tem o objetivo de estar crescendo, estar se desenvolvendo e estar produzindo mais e oferecendo, inclusive pra minha família, ahn.... oportunidades pra eles também de desenvolvimento, de crescimento, enfim. Agora, se você faz isso como um fim pra você, eu tenho um grande questionamento se isso acaba tendo melhormente os resultados, porque você não está isolado, e você não é um indivíduo que sozinho consegue mobilizar tudo. Então, eu sempre tive isso comigo também, principalmente de liderança né, e como você traz um time, como você desenvolve o ambiente que você influencia. Acho que esses três elementos são importantíssimos e é um... talvez uma forma de contribuição com todos aqueles que estão nos acompanhando.

[0:14:14] – MM: E aí, quando erra, o quê que faz?

[0:14:16] – LF: Não, então; eu acho que a... o fato de você ter princípios claros, como acabei de mencionar, ele não necessariamente traz, né, a blindagem com relação ao erro; você vai errar, você vai cometer equívocos, qualquer ser humano está sujeito a isso, você vai, muitas vezes, é.... quantas ezes eu não tratei um... um assunto e, depois, fazendo a reflexão falei; “— poxa”, né? Até com relação a pessoa, né, envolvida naquele tema teve um lado aí que não foi legal; né”. Até pra fazer a leitura e até pra voltar a uma trajetória daquilo que você determina e que você entende como é mais fácil, quando você tem esses princípios claros, quando você tem esses valores claros, quando você tem um norte muito bem definido fica muito mais simples pra fazer. E assim, por exemplo, quando a gente mencionou a Johnson & Johnson aqui né, a Johnson & Johnson, certamente, ao longo dos centos e tantos anos de história dela, ela cometeu vários equívocos, vários equívocos. Agora, não se tornou o que é por ter feito... por ter cometido os equívocos e não ter aprendido com esses equívocos. E assim vale com a gente. Como é que eu volto pro meu norte? Como é que eu volto pro meu core? E a partir disso continuo me desenvolvendo; acho que esse é o ponto principal.

[0:15:37] – MM: Maravilha! Fiquei curiosa; pra você, então, seria mais fácil ser justo ou mais fácil ser correto?

[0:15:44] – LF: Uhhh!... É...

[0:15:50] – MM: Rsrsrsrs...

[0:15:50] – LF: Pra mim eu acho que é mais fácil é... pra mim, tá, e não isso significa... pra mim talvez seja mais fácil ser justo.

[0:16:01] – MM: Ohh!

[0:16:03] – LF: Porque o correto... e é super complexo, né? é isso que a gente pode né?...

[0:16:09] – MM: Filosofar...rsrsrs

[0:16:09] – LF: É... Filosofar e ... Nossa! Isso é tema pra... pra horas e horas de debate. O correto, ele tem uma.... ele tem uma... um lado de...de... de perspectiva né, da cultura. Quanta gente está vendo aqui, né, uma série de discussões, o que é realmente o correto? Agora, ser justo não; eu tenho um pouco mais de amarração com isto tudo, você tem ali umas... vamos chamar ali cláusulas pétreas aí que a gente pode analisar que fala: “— bom, isso aqui não dá pra abrir mão”; né, literalmente não dá pra abrir mão. Então, enfim, tentando né, amarrar o que você traz pra mim aí, que é muito complexo, eu iria por esse caminho.

[0:16:56] – MM: Aí no teu dia a dia, você pega e briga por aquilo que você acha justo? Você vai lá... é...

[0:17:02] – LF: Eu brigo.

[0:17:02] – MM: É? Vai atrás de uma verba, contrata mais gente, faz um plano diferente, engaja o pessoal, monta uma atividade, como é que é pra você trabalhar essa justiça e equilibrar isso mesmo sob pressão de faturamento, de entregas, de metas? Questões que estão externas também né, questões de contexto social... [0:17:23] – LF: Claro!

[0:17:23] – MM: Econômico de um país... Como é que faz?

[0:17:26] – LF: Mas eu acho que isso é... é... inclusive é o que... é o grande... é a grande motivação que eu tenho, né, porque, fazer o justo, e o certo não só pensando só no negócio, pensando na sociedade, no impacto que eu tenho hoje na sociedade. Por exemplo, hoje, como responsável pela Víncula, a gente tem lá na ponta um paciente que eu não toco diretamente, quem toca é o cirurgião; mas como é que eu faço todo esse processo acontecer com respeito ao paciente? Com respeito ao produto que eu estou fornecendo a ele, que seja de qualidade, que seja acessível economicamente? E, portanto, você assumir essas causas e brigar no bom sentido por elas, né, aquilo que você falou, no dia a dia meu, aqui né; então eu tenho que... o Pátria é o meu controlador né, é o meu principal acionista, meu acionista, né, como é que eu discuto isso com o Pátria? Como é que eu ponho isso na mesa? De novo, né, se eu tenho esse norte, se eu tenho esse valor e se eu tenho esse significado, fica até mais fácil pra argumentar; eu posso não conseguir e posso não ter aprovação, mas não significa que eu não.... que eu abri mão daquilo que é o justo, daquilo que é o correto. E aí as coisas funcionam mais, as coisas... Não necessariamente a gente vai casar sempre o financeiro com isso, né? Mas a gente senta e vai buscar uma solução é... maximizada quando a gente coloca isso em primeiro plano.

[0:19:04] – MM: Pela... pelo teu jeito de falar, pelas tuas respostas, eu percebo, assim, que você é uma pessoa em paz consigo mesma, que está sempre buscando o equilíbrio, que é observador, que tem o cuidado de pensar, sentir, pra depois falar, pra depois agir. De onde vem tanto autoconhecimento, essa segurança, essa naturalidade, hein? Rsrs5

[0:19:26] – LF: Uuh! É... Você mencionou né, você é dos anos 80 e eu sou do final dos anos 60, esse ano aqui eu fiz 53 anos.

[0:19:39] – MM: Parabéns!

[0:19:39] – LF: Obrigado! E esse... E esse equilíbrio né, ou essa busca do equilíbrio né, porque a gente está sempre em busca, é... ele não foi sempre assim, eu tive momentos pessoais e profissionais de completo desequilíbrio... de completo desequilíbrio. Então, é... de você achar que você pode tudo, de você achar que você conquistou e continua na conquista; então, momentos profissionais, por exemplo, onde eu pus até a minha vida, a minha saúde em risco por conta de trabalho, aquela coisa do workaholic , do “é possível, vamos fazer, vamos acontecer, tal”. E a partir disso eu tive a felicidade de ter algumas pessoas na minha vida, pessoas mais seniors que, a partir do momento que eu passei a ouvi-las, eu também dei... me dei oportunidade de entrar numa jornada de autoconhecimento.

[0:20:47] – MM: Olha!

[0:20:47] – LF: E isso começou no final dos anos 90.

[0:20:52] – MM: Tá!

[0:20:52] – LF: Né? E foi muito, muito... é... oportuna essa... essa jornada iniciado porque em 2000 eu fui morar nos Estados Unidos pela Johnson & Johnson né, e também foi um momento, ali, de você dar uma parada e refletir sobre várias situações de vida, tanto do ponto de vista profissional porque é um reconhecimento... foi um reconhecimento muito legal que eu tive da Johnson & Johnson, mas fundamentalmente por aquele choque que você tem da vida pessoal de estar morando num outro país, de estar vivendo com várias outras situações, e aí você dá uma parada, dá uma pensada em várias coisas, e como estruturar esse... essa jornada em busca de self knowledge. Então, portanto, isso tem anos, eu diria décadas, é.... e que foi sendo talhado até pela minha história de vida e pelos meus filhos, pela minha esposa que me ensinam muito. E a partir do momento que você entra nessa possibilidade de degustar o que a vida tá te oferecendo, eu acho que você entra num processo de retroalimentação. Não são, evidentemente, tudo flores, você acaba encontrando situações de desafios extremos, mas eu me considero um cara super privilegiado, e até pelas oportunidades e pessoas que eu conheci e tive a oportunidade de aprender.

[0:22:17] – MM: E aí, então, você, além de estar presente, viver com intensidade os seus relacionamentos, é isso que eu estou entendendo né, das suas respostas, assim, refleti sobre e tal, você também busca alguma coisa... é... algum outro tipo de apoio, por exemplo, leituras, é... religiosidade, algum outro elemento pra compor esse autoconhecimento que você poderia passar de dica pra gente?

[0:22:45] – LF: Sim. Claro, claro! Nessa minha busca pelo equilíbrio que passa mandatoriamente por um autoconhecimento maior, eu passei por cursos e cursos não só profissionais, como desenvolvimento pessoal, terapia, eu acho uma ferramenta fundamental de autoconhecimento e tive oportunidade de ter o acompanhamento de uma... de uma psicóloga que eu adoro né, e até marcou muito a minha vida, é... E na medida que você vai, também, amadurecendo né, e você vai conectando essas coisas, a... o significado e a amarração de tudo isso acaba... acaba sendo um grande combustível seu. Então, eu vejo hoje, claramente, né, toda busca que eu tenho e tudo aquilo que eu posso, inclusive devolver, né, daquilo que eu aprendi, daquilo que eu fiz, é... de novo entra naquele processo de retroalimentação, e isso é muito legal, é muito gostoso.

[0:24:09] – MM: Falando em devolver, você tem alguma causa social que você se dedique ou causa ambiental ou alguma coisa assim que você esteja comprometido nesse momento?

[0:24:21] – LF: Tenho. Eu assim, eu sou mantenedor de uma organização na minha cidade, no interior, que ajuda crianças carentes. E isso vem muito, fazendo um link dessa... da pergunta que você me fez agora com a anterior, né. Nessa busca, nessa jornada, uma das ferramentas e um dos cursos que eu fiz foi estabelecer um projeto de vida, e esse projeto de vida tinha até um nome, e eu chamei esse projeto de é... “Projeto 100”, 100 anos de vida.

[0:25:03] – MM: Olha!

[0:25:03] – LF: Com independência e autonomia. E aí aqui que você falou dos elementos que a gente tem né, de religiosidade, de família ou de valores profissionais ou mesmo financeiro, então, esse projeto, ele através de uma estrutura montada por quem estava dando o curso, ele tem elementos, ele tem frentes, ele tem dimensões; então a dimensão religiosa, o que você precisa fazer? A dimensão física e mental, o que você precisa fazer? A dimensão financeira, a dimensão familiar; e aí entra esse ponto também da contribuição, que era outra frente, a do social, né, o que você pode retribuir? O que você pode trazer de volta? E várias coisas; é incrível, porque você começa a escrever, e isso foi escrito há 10 anos passados, 20, 25 anos atrás; né? Fala: “— nossa, 100 anos”. Eu já estou na metade da jornada, pelo menos, 53... E você ter uma... chegar ao 100 de forma independente financeiramente e autônoma fisicamente, né, é um desafio. Mas é interessante que quando você escreve e você faz segmento disso, né, como as coisas vão se materializando. Então a parte financeira, quando você faz um exercício de escrever e fala; “— poxa, com 50 anos eu preciso ter tanto”; não, mas é muito ou é pouco? E um desafio: “— será que eu vou me frustrar se eu não atingir?”. Né? E aí é sempre aqueles fantasminhas que aparecem, você se compromete, por exemplo, com alimentação, você se compromete, por exemplo, com.... Hoje, 6h da manhã eu estava fazendo academia, e como a gente entra na academia as portas estão fechadas aqui, eu faço online com a minha personal que está há 21 anos comigo.

[0:26:43] – MM: Olha!

[0:26:45] – LF: Você transforma isso em hábito né. E aí você vai revisitando o projeto ali, e fala: “— nossa, realmente eu consegui, passei, passei essa fase, passei essa fase”. E o social é muito isso; e aí no social tem dois impactos importantes, essa contribuição que eu faço como mantenedor lá de uma instituição de caridade lá da minha cidade, e a outra coisa, quando você começa a refletir sobre isso, o impacto que trouxe pra mim na vida profissional. Quando eu tomei a decisão de sair de multinacional, né, depois de 30 anos, então você imagina, eu sou eu ser talhado de Alcoa, de Johnson & Johnson, de Nestlé, aí como é que você toma uma decisão depois de 30 anos de ir pra um grupo nacional, que foi o Grupo Cristália, um grupo familiar, Brasil, e uma das motivações maiores que eu considerei e realmente me motivou foi de retribuir um pouco pro meu país.

[0:27:45] – MM: Olha!

[0:27:45] – LF: Tudo aquilo que eu tinha... que eu consegui desenvolver, que eu consegui aprender, como é que é uma empresa nacional né? Que tipo de contribuição eu consigo trazer? E foi um barato, foi muito legal e isso me credenciou, inclusive, até pro próprio Pátria nesse novo desafio de estar num [inaudível], mas não são... São coisas que vão se conectando a partir do momento, de novo, aquilo que a gente já falou um tempinho atrás, do norte, dos valores, né, e do equilíbrio que eu sempre buscava, não significa que eu sempre fui equilibrado, significa que eu sempre sou o carinha que consegue não ter o estresse com as crianças, não ter o momento de... E agora né? Mas, a busca, ela se retroalimenta

[0:28:28] – MM: E a Gisele, sua esposa, também é executiva ou é de outra área?

[0:28:30] – LF: Ela já foi executiva, agora ela tá tocando mais projetos é... Tyler Manger, a gente pode chamar assim; então, agora mesmo ela está desenvolvendo com uma empresa, hoje ela está fora aqui de casa.

[0:28:46] – MM: Ah...!

[0:28:46] – LF: E coisas que ela consegue, agora, um equilíbrio muito maior de... de ter a dedicação pras crianças, e é bem italianona, é bem aquela mãezona que está acompanhando o tempo inteiro com a necessidade de, né, de se sentir produtiva e executiva que foi no passado.

[0:29:00] – MM: Muito bem! Olha como o tempo voa, passa rápido! Tá na hora de a gente encerrar, Lenski...rsrs....

[0:29:05] – Uau...Uau...! Foi muito rápido né, mas...

[0:29:49] – LF: Voa... Voa!

[0:29:49] – MM: E ir colocando em prática, a gente está vivenciando aquilo, e depois olhar pra trás é gostoso, é só orgulho, é só sensação de vitória; muito legal!

[0:30:00] – LF: Sem dúvida!

[0:30:00] – MM: Ó, você sabe que pode escolher uma música pra encerrar o nosso podcast, estou olhando aqui, você selecionou Woman in Chains do Tears For Fears, quero saber porque você escolheu essa canção aí pra gente encerrar.

[0:30:10] – LF: Ah, de novo, né, como foi o próprio... a música de início nosso aqui, é... eu pensando em música e com essa... com todo... com todo o prazer que é você sempre revisitar a sua história e revisitar as músicas que te marcaram, essa música me marcou muito porque foi um show do Tears For Fears no Morumbi, e foi logo no meu início de São Paulo né, no início ali da década de 90, e eu não estava esperando muito do show, gostava de Tears For Fears, mas quando a Oleta Adams entrou fazendo o vocal dela, foi um negócio assim que até hoje quando eu paro eu consigo me transportar pra aquele momento, foi muito legal. E aí, curiosamente né, quando você me pede música, tal, e eu fui ler, eu estava tendo uma conversa com a minha filha esses dias, o significado da mulher, e acho que essa música traz muito de várias discussões que a gente está discutindo. Então, de uma... Assim como foi a música que a gente iniciou né, de uma provocação que vocês trouxeram pela musicalidade, pelo que significou a música lá atrás, eu fui me conectar com ela do que ela representa agora, e as duas têm um significado muito atual. Então é por isso que eu deixo aí com o pessoal e espero que gostem.

[0:31:37] – MM: Muito legal! Lenski, parabéns, viu, pela sua trajetória pessoal, profissional, parabéns por suas realizações! Foi muito bacana ter você aqui, obrigada mesmo, que bom que você topou o convite, estava aberto e contribuiu muito aqui pro nosso projeto. Obrigada!

[0:31:55] – LF: Sou eu que agradeço e parabéns pela iniciativa. Muito legal aí o podcast, esse bate papo com várias pessoas que passam sempre uma experiência legal pra gente. Parabéns!

[0:32:06] – MM: Obrigada, obrigada! Até uma próxima então, hein!

[0:32:09] – LF: Até uma próxima!

[0:32:09] – MM: Esse podcast com o lado pessoal de Luiz Fernando Lenski, CEO da Víncula Implantes vai ficar disponível pra você escutar quantas vezes você quiser, e encaminhar também, hein! Então aproveite, escute muito e compartilhe à vontade. A gente se encontra no próximo podcast. Até lá!

3 S
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Podcast Lado Pessoal: Diretora Geral Da Swarovski No Brasil, Chile e Argentina

PODCAST Nº 07 – julho/2022 (2ª temporada)

Legendas:

MM: = Millena Machado (Apresentadora do podcast, Lado Pessoal).

CA: = Carla Assunção (Entrevistada)

Está no ar... Lado Pessoal, com Millena Machado, o Podcast de entrevistas da Rádio Antena 1! Vinheta da Antena 1.

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Música de introdução deste Podcast: I Can’t Get No - Satisfaction – Rolling Stones.

[0:00:27] - MM: Olá... Começa agora mais um Lado Pessoal, o podcast - Rádio Antena 1. Eu sou Millena Machado, e junto com você nós vamos descobrir o que pensa, como decide, o que inspira uma das executivas mais admiradas do Brasil. Hoje, revelando seu lado pessoal pra gente a Managing Director da Swarovski para Brasil, Chile e Argentina, Carla Assunção. Carla, seja muito bem-vinda... Como eu queria te receber aqui!

[0:00:56] – CA: Millena!... Muito prazer, muito obrigada por essa oportunidade desse bate papo, e pra mim é um super prazer estar aqui com vocês, poder compartilhar um pouco da minha experiência pra essa audiência, esse público.

[0:01:12] – MM: Ah... Eu acho que vai ser maravilhoso pra todos os públicos mesmo mas, principalmente, pra nós, mulheres, porque você tem uma história de vida e profissional que, realmente, em algum momento na trajetória de cada uma de nós vai dar match, acho que muita gente vai se reconhecer aí com tudo que você vai compartilhar com a gente. Quero começar pela música de abertura que você escolheu, I Can’t Get No - Satisfaction, do Rolling Stones, o que ela diz sobre você, porque você escolheu essa música pra gente dar o tom da abertura aqui do nosso papo?

[0:01:39] – CA: Ah, legal! Ah, é porque eu, na realidade, eu me sinto muito assim, não que eu não seja uma pessoa satisfeita, eu acho que eu sou uma pessoa satisfeita e realizada, mas eu sempre acho que tem tanto mais pra gente aprender, vivenciar, experimentar, e eu acho que essa música, ela traduz muito bem o meu espírito, a minha natureza; então, é por isso que eu gosto muito dessa música, e já cheguei a usá-la em momentos, assim, muito chave da minha vida.

[0:02:09] – MM: Ah, é?

[0:02:09] – CA: Então ela é... Eu tive um momento um... uma música mesmo bem inspiracional pra lembrar quem eu sou.

[0:02:16] – MM: Fiquei curiosa pra saber como é que você faz pra não se deslumbrar, pra realmente selecionar aí as suas prioridades e entender: “— e isso é legal, isso também é muito legal, nossa isso é mais legal”, como é que você faz pra lidar com tudo isso no dia a dia e não perder foco?

[0:02:28] – CA: Ai que pergunta ótima, Millena! Adoro essa sua pergunta, primeiro porque você tocou num ponto chave. Você quando tem esse espírito curioso e você é mais uma generalista, que é o meu caso, do que uma especialista, o desafio de você ter foco é muito grande, pelo menos pra mim, eu não vou dizer pra todo mundo que tem essa característica, mas pra mim, o foco é um grande desafio na vida, desde a hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir; porque, primeiro, sempre como tudo né, todas as características humanas sempre tem um lado bom, um lado positivo e um lado desafiador. Eu acho que o lado bom é esse, eu ser uma pessoa sempre curiosa, é... atenta no sentido de querer sempre descobrir o que as pessoas ao seu redor tem pra... pra te transmitir e te impactar como pessoa; ao mesmo tempo essa... essa curiosidade, ela facilmente te leva pra um lado meio caótico né, aquele lado onde você pensa em muita coisa ao mesmo tempo e tem muita dificuldade de se concentrar. Então, quando você tem um processo aí de autoconhecimento que vem com a idade, vem com a vida, né, vem com os percalços, vem com as conquistas, você entende como que essa fraqueza funciona e quais são os gatilhos que você pode colocar na sua vida pra você ter mais controle dessa... dislexia...rs.. vamos dizer assim... rs... no seu dia a dia. E como é que eu faço isso? Primeiro que eu tenho essa... eu sou muito... é... disciplinada no sentido de autocuidado, eu gosto muito de me cuidar; então, eu pratico yoga há muitos anos, me ajuda muito a trazer muito mais do que um estado contemplativo e meditativo, mas um estado de presença. Então quando eu saio da minha prática eu sempre tento trazer isso pro meu dia a dia, quando eu vejo que eu já estou viajando, que eu já estou em outra dimensão, eu falo: “— espera, traz o corpo, traz esse estado de presença”; então esse é o meu exercício, parece um exercício, é muito pro lado, e toda hora que eu vejo que eu estou me afastando e me tornando muito prolixa eu tento trazer esse estado de presença pro meu dia a dia. Então, eu acho que isso me ajuda muito a ter essa... essa questão da curiosidade que é o que eu gosto de... de ser, e ao mesmo tempo estar presente naquilo que eu estou fazendo naquele exato momento. É sempre um exercício; eu acho que é um exercício constante.

[0:04:54] – MM: Achei uma dica ótima, porque você encontrou solução num paralelo, né; às vezes a gente pensa que a solução está ali no dia a dia mesmo, por despertador, é... falar: “— não, só tenho 5 minutos com você”, limitar coisas né? E aí você foi num paralelo cuidar do físico, da saúde, da espiritualidade também, porque não, pra ganhar força que... nossa, amei o que você falou, que é essa coisa muscular né, pra lidar com o seu dia a dia. Já aconteceu, é comum isso em você, não sei se agora ou se já foi uma época, de quando você se depara com algo, você logo querer agilizar aquilo ou o problema do outro ser maior do que o seu ou a tarefa do outro, o trabalho do outro, aí você vai se colocando em segundo, em terceiro, por isso fala: “— ah, o que é meu mesmo, é minha obrigação, faço rapidinho”, e aí você vê, depois, que se você se dedicasse poderia ter, nossa, brilhado muito mais, feito muito mais se tivesse focado no seu; como é que lida com o egoísmo e com a prioridade e com a empatia do outro? Existe, assim, um dilema parecido?

[0:06:13] – Na nossa dinâmica pessoal sempre tem muita gente esperando muito de você. Então, é outro momento da vida que eu acho que exige muito exercício de você saber até onde você prioriza o outro e aonde você também aprende a dizer ‘não’, a impor limites pra priorizar você própria. E não tem fórmula, eu não acho que existe uma fórmula de sucesso, porque têm horas que você consegue fazer isso muito bem, dependendo do seu estado de espírito, dependendo de como você se encontra naquele momento específico, e têm horas que você acaba priorizando a vida dos outros em detrimento da sua. Eu acho a beleza da vida é você ter consciência dessa... desse jogo, dessa dinâmica, e sempre quando ela sair do prumo você conseguir resgatar, de novo, o que realmente é prioridade pra você, o que realmente faz sentido pra você se focar e até onde você vai com a prioridade dos outros em detrimento da sua e até onde a sua prioridade é em detrimento da prioridade dos outros. É um exercício.

[0:07:19] – MM: É um exercício. E quando chega lá no equilíbrio fica maravilhoso né, mesmo que seja por um tempinho...rsrsrs...

[0:07:26] – CA: Não, é; e eu acho que, com o tempo, você acaba realmente criando uma certa... vamos dizer... consistência, assim, de como você administra esse jogo de interesses, vamos dizer assim. Eu, em relação aos outros, em relação a esses agentes passados pela sua vida, acho que com o tempo você vai ficando cada vez melhor nesse sentido.

[0:07:48] – MM: Que bom, que bom, nada como o tempo! Aliás, por falar em tempo, Carla, eu sei que a sua formação é em publicidade e propaganda aqui no Brasil, depois você foi fazer um MBA em gestão nos Estados Unidos né, uma pós graduação lá nos Estados Unidos, e você ingressou aos 32 anos na carreira executiva, diferente da trajetória de muita gente que, quando pensa: “— ah, eu quero mesmo ir pra uma multinacional, eu quero fazer carreira”, já se organiza na própria faculdade ou até antes né, arruma um estágio, alguma coisinha assim, e já começa a trilhar dentro desse ambiente. O que aconteceu na sua vida que durante os seus 30 anos você resolveu seguir por esse caminho? Como é que foi essa sua escolha? Onde você estava antes e fazendo o quê? Rs...

[0:08:32] – CA: Ah tá! Bom, enfim, é isso aí que você falou, eu sou formada em publicidade e propaganda, e eu lembro que quando eu escolhi a minha faculdade eu era muito nova, eu tinha 17 anos, lá eu não sabia o que eu queria ser quando crescer, sabe? Mas foi toda essa pressão né, seja da família, da sociedade ou até tua própria, de você ter que fazer uma escolha. E lá fui eu. Na época, eu acho que publicidade e propaganda tinha uma... uma certa redução, e aí eu escolhi essa profissão, essa graduação. Mas, é... E antes mesmo de me formar eu já entrei no mercado publicitário, eu lembro que logo no começo da minha carreira eu já estagiava numa agência super legal na Av. Paulista, que já era uma multinacional, e lá eu já comecei a perceber que não era muito a minha praia, mas eu não sabia dizer exatamente o que eu queria, sabia... comecei a entender o que eu não queria né, e o que eu queria, efetivamente, eu ainda não sabia. E aí é... eu cheguei a atuar nessa área até eu me formar, 2, 3 anos após eu me formar, e aí veio uma oportunidade pessoal de eu me mudar para os Estados Unidos. E quando eu... E nesse ínterim eu já era... na própria faculdade eu sempre gostei muito de moda e muito de... é... trading, então eu comprava coisa, eu vendia, eu ia na Praça da República, eu comprava bijou, eu fazia a embalagem, eu vendia pra amigos; enfim, eu sempre gostei dessa coisa do trading, sabe? Mas nunca entendi que isso fosse competência, é perfile, que pudesse efetivamente traduzido numa carreira, profissão. Bom, dito isso eu fui parar nos Estados Unidos, e aí eu comecei. Quando eu cheguei nos Estados Unidos eu voltei a estudar, fui fazer uma pós, resolvi fazer uma pós em gestão, e não satisfeita em apenas estudar, eu comecei a... a... revender uma marca de moda praia do Brasil nos Estados Unidos, eu bati na porta da dona dessa... dessa marca chamada Pouco Pano, eu falei.... ela exportava pra Europa, falei: “— me manda o mostruário aí que eu vou tentar colocar aqui na Costa Oeste americana. Então lá eu comecei esse trabalho aí de... de... entender de mercado, de venda, de negociação, de gestão, na prática. Ali eu comecei a conhecer as minhas competências efetivas, estava muito mais relacionada a essa parte de gestão e de administração do que publicidade em si. Mas isso gerava, e agora falando do lado pessoal e emocional, isso gerava sempre uma grande confusão dentro de mim, porque eu não sabia exatamente o que eu queria ser quando crescesse, apesar da roda e da engrenagem já estar funcionando, já estar acontecendo. E eu olhava pro lado e já via alguns amigos né, com uma carreira tão bem definida, tão clara, fosse em incorporação, enfim, onde fosse já tendo tudo isso mais estruturado, e eu ainda nessa constante transformação e sem entender direito pra onde ir. E aí eu tive essa oportunidade morando nos Estados Unidos de trabalhar com esse mercado de importação e exportação, e eu fiz isso por 4, 5 anos. E aí, numa das vezes que eu vim para o Brasil, eu conheci a Swarovski, e conheci a Swarovski com uma história que foi muito bonita, conheci através de uma.... de uma consultora da companhia que estava aqui no Brasil, etc., que me conheceu e me chamou pra fazer um job pra Swarovski, porque ela viu em mim coisas que eu ainda não sabia se eu tinha.

[0:12:25] – MM: Olha!

[0:12:26] – CA: Que era exatamente essa questão de implementar e executar projetos, etc., e ela me convidou pra fazer esse job pela Swarovski pelo Brasil que era uma marca que ninguém conhecia.

[0:12:37] – MM: Uhum...

[0:12:37] – CA: E foi assim que eu comecei a minha vida corporativa, como freelancer.

[0:12:40] – MM: Olha!

[0:12:41] – CA: Então, até mesmo quando eu entrei na Swarovski, na época, eu entrei como freelancer pra executar um projeto, que era um projeto de 3 meses aqui no Brasil pra companhia. E foi assim que eu entrei na carreira corporativa. E aí me convidaram, efetivamente, pra parte do corpo de marketing da companhia, à época, e aí que eu comecei a minha... vamos dizer, a minha profissão dentro de uma grande corporação e, por isso, que veio tão tardiamente né. Mas hoje eu olhando, tudo tinha um sentido.

[0:13:13] – MM: Como é que foi a sua decisão pessoal, alinhar com a decisão profissional, casamento também... Nossa! Você mudou de país, iniciou uma nova carreira, veio a maternidade, casamento, tudo ao mesmo tempo parece que acontece na sua vida né, ao natural, e você lida com várias áreas ao mesmo tempo.

[0:13:33] – CA: É, eu acho que faz parte da vida de muitas de nós né. Mas, foi interessante que, quando eu.... É... a minha carreira na Swarovski, na época ainda na área de marketing, ela estava em plena ascensão, e eu já estava com 36 anos pra 37 anos e eu lembro que eu cheguei pro meu ex-marido e falei pra ele assim: “— ah, agora está na hora de eu fazer um MBA, porque se não, eu vou ficar pra trás, ficar desatualizada, tal” , e ele falou: “ah, tá! E você sempre fala....” Ele já tinha filho de um outro casamento, ele falou: “— ah, você sempre fala que tem desejo, também, de ser mãe e tal, e você tá deixando isso pra quando, no caso? MBA você pode fazer em qualquer época da sua vida, mas ser mãe você sabe que tem um relógio cronológico né?”

[0:14:22] – MM: Olha! Gostei dele, eu achei generoso da parte dele!

[0:14:26] – CA: É, eu achei que assim, era tão óbvio o que ele falou, mas quando você está numa engrenagem, às vezes você perde essa noção ali, ou ao menos eu perdi. E foi mais ou menos isso; falei: “— bom, você tem razão, mas também... a maternidade não é algo que você fala: eu quero ser mãe e você vira mãe né. Mas, pra minha sorte, quando eu deixei essa oportunidade entrar, ela veio muito rápido, e junto com isso veio um conflito de pensar grande, porque eu falei: “— puxa vida, como é que eu vou dar conta agora né, como é que eu vou dar conta das duas coisas?” Porque eu tenho um.... É, até hoje, eu tenho uma... uma sensação muito parecida de quando eu entrei na companhia, eu tenho alma de dono, sabe, não que eu seja dona, mas eu tenho alma de dona, eu me sinto realmente, todo dia, como se eu fosse... tivesse tocando um negócio que é muito meu; então eu achava que não ia dar conta desses papéis. E quando a Loretta nasceu, antes de a Loretta nascer, e eu fui conversar, na época, com o diretor da companhia, eu lembro que ele falou um negócio muito legal pra mim... “— olha, tal, grávida!” Tá certo, eu esperei né, falar com 3, 4 meses de gestação pra contar pra ele, eu falei: “— olha, mas fique tranquilo porque eu vou voltar pra empresa, etc.” ele falou: “— tá, espera, deixa a sua filha nascer, depois que nascer você vai saber exatamente o que você quer fazer”. E ele falou algo que foi muito verdade pra mim. Eu lembro que quando a Loretta nasceu, eu tinha mais a... a insegurança e dúvida de que eu ia dar conta das duas coisas do que, efetivamente, a dúvida de não querer voltar a desenvolver a minha carreira profissional. Então, esses papéis... Só que isso me trouxe uma força, uma potência, que eu não tinha antes, porque quando esses dois desejos acabam, vamos dizer, explodindo, você cria uma força maior, uma potência maior. Então, eu acho que a maternidade me trouxe uma potência, uma tração que eu não imaginei que existia. Então eu acho que é isso que me faz curtir muito esses dois papéis, apesar de terem sido sempre muito desafiadores, porque a minha carreira ela deslanchou com a maternidade. Logo em seguida que eu voltei eu fui apontada como sucessora pra essa posição de gestão né, de administradora, de managing director da companhia na época. Então a minha carreira profissional, ela despontou num momento que eu tinha acabado de aflorar a minha maternidade. E só foi possível porque eu.... eu falo que eu tenho uma lema na vida, eu falo que eu não sou ótima em nada mas eu sou boa em muita coisa. Foi o que eu me permiti, exatamente é... a viver exatamente esse lema na prática. Eu falei: “— bom, eu não vou ser uma mãe maravilhosa e perfeita, mas eu vou ser uma boa mãe, porque eu amo ser mãe, e também vou ser uma executiva boa, porque eu adoro ser uma executiva, mas não vou ser uma executiva ótima. Então, eu sempre acreditei muito nessa verdade, e essa verdade foi me levando e me trazendo aonde eu estou hoje.

[0:17:40] – MM: Nossa!

[0:17:40] – CA: É, de saber lidar com todas essas portinhas de desejo com potência. Sabe, onde eles não se colidam, mas eles de alguma maneira se integrem e transforme numa força maior pra você conduzir sua vida.

[0:17:52] – MM: Nossa! Amei tudo isso que você falou, eu tenho certeza que deu uma aliviada na ansiedade, na expectativa, na insegurança de várias mulheres que estão nos escutando agora, como você teve essa sabedoria e essa paz interior pra entender as coisas com naturalidade e no tempo delas. Fiquei...rsrsrs.... Fiquei inspirada agora, inclusive...rsrsrs... E queria só pegar um detalhe de tudo que você contou, o MBA ficou aonde, afinal, antes ou depois da gravidez? Rsrsrs...

[0:18:27] – CA: É, mas o MBA ficou encostado, encostado! Eu voltei a pensar... quer dizer, aí a própria companhia, quando ela ...é... acabou me apontando como manager diretor da companhia aqui no Brasil, é lógico que eu tinha [...?] na minha formação, e a própria empresa foi me lapidando nesse sentido. E em paralelo a isso, eu fui empurrando, empurrando outros projetos é... na área profissional mais pra frente, e só consegui concretizar depois que a Loretta fez 10 anos.

[0:19:00] – MM: Arrrr! [interjeição de espanto].

[0:19:00] – CA: Mas eu acho que tem uma coisa aqui, Millena, que você falou, nas suas palavras eu acho muito importante a gente falar algo pra essa audiência, pra quem nos escuta. Tudo isso que a gente fala, quando a gente olha no retrovisor, parece ser tão... é... uma história de tanto sucesso e realização, mas essa história, ela vem com muito percalço, ela vem com muita insegurança, ela vem com muitos questionamentos né. Então, a trajetória, ela é uma trajetória sempre de altos e baixos; é que quando você põe em retrospectiva e no retrovisor, você consegue enxergar a linha, uma linha aí satisfatória né, de conquistas. Eu acho que isso é sempre muito importante pra gente humanizar esses desafios que a gente tenta como mulher.

[0:19:50] – Como é que você trabalhava a autocrítica, é... como a gente pode dizer, autoindulgência, também, você aceitar a si mesma, a exigência, você se perdoar ou você se cobrar?

[0:20:04] – CA: Como muitos de nós, né; sempre procurando suporte, seja ele como eu já comentei com você, através de uma disciplina que eu tenho de autocuidado, que eu valorizo demais, muito mesmo, acho que me dá uma... me dá uma sustentação, me dá uma fundação importante pra eu lidar com aspectos emocionais do dia a dia, salto cobrança, que é muito cruel na vida da gente, é... recorro à análise, vire e mexe eu tô em período que eu faço análise, tem horas que paro, depois eu volto de novo, adoro ler biografia, eu aprendo muito com a história dos outros, me inspirando na história dos outros, porque você, na verdade, quando você passa a ver histórias inspiradoras de pessoas inspiradoras, de uma maneira mais humana, você acaba, também, se aceitando mais. Eu acho que esse processo de autocrítica, ele vai se enfraquecendo quando você fortalece esse seu... esse amor próprio, né, essa valorização que você tem e que ela vem num pacote né, de sucessos, de desilusões, de fracasso, mas tudo isso é você, e quando você abraça tudo isso como sendo você, eu acho que essa sensação de autocrítica ela vai se e... vai de alguma maneira chegando mais pra um senso de realidade, porque eu acho que existe muito o ideal aí que a gente se projeta, pra gente, e que esses ideais são muito cruéis, a gente precisa calibrar isso com senso de realidade pra que a gente possa ter uma existência, não só de realizações, mas teime em ir, né, uma existência que faça você acordar todo dia e com a sensação de “ai, que legal, mais um dia de vida super legal aí na frente pra eu poder experimentar; então é assim, eu acho que é um conjunto de coisas aí que eu vou... é... vamos dizer, acessando pra com que essa autocrítica, ela seja positiva e não destruidora, no sentido de amor próprio e de valorização.

[0:22:19] – MM: Uhum. Você demonstra tanta consistência né, na sua essência, está aí presente mesmo, nossa! Em cada resposta, em cada assunto, em cada tema que você traz aqui pra gente. E o teu segmento é de luxo, você já está há 20 anos na Swarovski, eu queria saber se nesse tempo, nesse tempinho pequenininho, duas décadas...rsrsrs... Você já viu tanta coisa, o mundo se transformou tanto né? A pandemia, a última, a mais recente transformação que a gente viu, mas a gente já viu crise econômica, a gente já viu guerras, enfim, tantas coisas nesses últimos 20 anos. A tua percepção de luxo mudou de lá pra cá, de quando você entrou na empresa e nesse momento agora? Como é que é viver com luxo, pra você, comercializar o luxo, pra você? Como é que vai ser isso num futuro próximo?

[0:23:12] – CA: É, o luxo, o luxo sempre, de alguma maneira, está associado a questões efêmeras, né, não são as necessidades básicas que a gente está tratando, então o luxo, ele transita muito nessa... nessa, vamos dizer, nessa dimensão efêmera da vida. Mas eu gosto muito do que um... amigo e colega de trabalho, não digo colega porque ele é meu amigo do coração, que é o Carlos Ferreirinha, ele fala, que paladar não tem retrocesso. E o luxo é aquilo que você coloca na sua vida quando as suas necessidades básicas, de alguma maneira, já estão ali atendidas, e é o que traz a beleza, que traz, vamos dizer, essa parte da... da experiência da vida e que acaba se remetendo a boas memórias. Então, eu acho que o luxo, ele tem essa função de trazer pra gente muito mais é... a gente sair desse lado, vamos dizer, essencial, e se transportar pra experiências que te dão cor pra vida, que dão graça pra vida. Então, eu vejo que o luxo, ele tem também esse aspecto, vamos dizer, é... essa função, de trazer essa... esse desejo pelo... pela experiência extraordinária, sair do ordinário. Eu trabalho com um produto que ele tem uma analogia que eu acho muito rica, né, cristal é luz, e quem não gosta de luz, quem não gosta de brilho? Tudo isso está muito associado ao estado de felicidade, de contentamento. Então, o luxo ao qual eu me formei ao longo da minha profissão, ele tem uma... vamos dizer, um propósito que vai além, que é esse de trazer brilho à vida das pessoas. Então, de alguma maneira, eu associo o luxo a um propósito, que não necessariamente seja aquele bem concreto, mas é uma experiência de vida. E o luxo mudou? O luxo mudou demais, ele muda o tempo todo. O que é o luxo hoje? Acho que o luxo não está só refletido naquilo que você consome, mas é nas experiências que você traz pro seu dia a dia e, eu acho que o luxo está muito associado à questão de como você lida com o tempo, né, o tempo da sua vida, como é que você investe o tempo da sua vida. O luxo tem, eu acho, que tem muitas facetas. No sentido concreto da palavra, e na minha experiência com o luxo, ele está muito associado a essa.... a esse produto que remete a coisas incríveis, que é trazer esse estilo de vida que remete à luz, que remete à brilho, que remete à autoestima. Que mulher que não adora, né, se sentir bonita? Colocar uma peça e se olhar no espelho e falar: “— nossa! Isso me empoderou, me deixou mais bonita, me deixou mais forte”. Então, quando você coloca essas outras camadas associadas ao mercado de luxo, ele é extremamente resultado; é assim que eu vejo, e ele está em constante mutação, cada hora o luxo tem um significado diferente.

[0:26:26] – MM: Repete pra mim a fase do Ferreirinha, que teve um lapso de áudio e eu não entendi direito; qual é a frase dele?

[0:26:31] – CA: Ele fala o seguinte: “que o paladar não retrocede”. Então, a gente quando aprende é... a desenvolver certos, vamos dizer, é... gostos, a gente não retrocede; você pode até não adquirir mais aquilo por alguma questão na sua vida, mas o teu paladar nunca retrocede. Exemplo prático: quando ele fala isso me remete a algumas exceções. A gente quando começa, por exemplo, a tomar vinho, você começa... sei lá, eu, pelo menos, comecei a referência com vinhos mais doces; hoje eu não suporto mais vinhos mais doces, eu gosto de um outro sabor. Então, você vai evoluindo nos seus gostos, né, na vida. E mesmo que alguma situação, ou o impeça, de vivenciar aquele produto ou aquela experiência, o seu... a sua percepção sobre aquilo não vai retroceder por causa disso. Então, o luxo é uma experiência que você vai viver e que você nunca mais vai querer voltar ao que era antes, eu acho que o luxo tem essa coisa da evolução e desenvolvimento das suas... das suas questões estéticas, vamos dizer assim.

[0:27:42] – MM: Entendi, entendi e adorei, adorei essa visão! Agora, tem tudo a ver com a grande missão da empresa, também, o que você está falando né, que até li sobre isso, que é ‘dar coragem de celebrar a individualidade com cristais’. A partir de tudo isso que você resumiu sobre você aí pra gente, você é uma mulher que gosta de celebrar? Que tipo de ocasião você celebra, além da gratidão que você já demonstrou de todos os percalços aí da vida né, que você transformou os seus desafios em grandes aprendizados. Qual o momento que você usa pra celebrar? E celebra o quê?

[0:28:16] – CA: Celebrar... Ah, eu... eu acho... assim, primeiro que eu tenho... eu adoro, todo dia quando eu acordo, assim, e vou começar o dia, mesmo na época da pandemia foi algo que me deu muito orgulho, sabe? Eu tive todos os dias... assim, eu não vou exagerar, mas a grande maioria dos dias eu me comportei como se eu tivesse me preparando pra trabalhar, então eu me arrumava, eu escolhia uma roupa pra por, mesmo sentada na frente de uma tela de computador sem ninguém me ver, sabe, mas eu sempre me preparava pra aquela ocasião, pra aquele rito, da maneira como ele sempre deveria ser tratado. E isso... Então, assim, celebrar o dia a dia é uma coisa que eu curto, eu curto todo dia, de alguma maneira, eu falo: “— tá bom, como é que é o meu dia hoje? Como é que eu tenho que me vestir? O que eu tenho que fazer? Que peça que eu vou por de joia da Swarovski que eu vou usar hoje? Que cor que eu tenho que por?”. Então assim, essa celebração do dia a dia faz muito parte da minha rotina; então, essa... esse pequeno rito de autocuidado que eu acabo tendo todo dia, eu acho que é uma celebração consistente, tá; eu diria que é uma das maneiras que eu celebro a vida, é sempre me cuidando e me preparando pros ritos que você vai enfrentar ao longo do dia de uma maneira respeitosa, vamos dizer assim. É... Eu adoro celebrar momentos com amigos, eu adoro encontrar amigos, adoro, assim, ter esses pequenos momentos sociais. Eu não sou uma pessoa de muitas festas, celebrações grandes, dando um exemplo, eu não sou uma pessoa da noite; pra mim eu tenho uma grande dificuldade, assim, quando eu vejo uma agenda muito voltada pra compromissos sociais de grande é.... vamos dizer, de... assim, com muita gente; não é nem pela questão da pandemia, nunca foi a minha praia, mas esses petits comités de celebrar a vida com pessoas que você gosta, com amigos, com família, é um jeito que eu adoro, em tudo eu gosto de levar o rito, eu gosto de rituais. Então eu celebro dessa maneira, sempre trazendo esse respeito ao rito; se você vai jantar fora, você se arrumar pra encontrar um amigo, você vai tomar um café da manhã, você preparar a tua mesa de um jeito que você olhe e você goste mesmo visualmente daquilo que você vai comer. Então, eu acho que é assim que eu celebro a vida, nesses ritos de... e me... e me preparando conforme pra esses momentos do dia a dia.

[0:31:00] – MM: Amei! E já fiquei imaginando você no seu dilema matinal: “— que joia vou usar hoje da Swarovski?” Imagine o seu guarda-roupa? [risos]. Você começa pela joia....rsrsrs...

[0:31:10] – CA: Pior que é verdade.... É exatamente isso!

[0:31:15] – MM: Ai que bom! Rsrs... Tem gente que começa pela parte de baixo, né? Tem gente que começa pela parte de cima, pensa no sapato primeiro, você pensa nos acessórios, nas joias Swarovski...rsrs

[0:31:28] – CA: Mas sempre penso: “ah, hoje eu quero usar aquele brinco hoje!” ; aí depois eu vou compondo todo o figurino....rsrs...

[0:31:33] – MM: Adorei! Meninas, olha aí, fica uma dica, hein, façam diferente, ponham aí, segunda-feira começo pela parte de cima, terça-feira começo pela calça, quarta-feira o sapato, quinta-feira o acessório; vamos tentar fazer uma coisa diferente pra ganhar em experiências aí. Adorei! Carla, olha só como o tempo voa, chegou o momento de você dedicar uma música, é...à nossa audiência, a alguém especial pra você, e eu sei que você escolheu a música Leam to Fly do Foo Fighters, e quando eu olhei essa letra, a pergunta que me veio à cabeça é: qual será o próximo passo de Carla Assunção? Você já tá pensando na sua terceira carreira? Porque eu tô considerando a sua carreira executiva como seu segundo momento profissional....rsrsrs.... Você já está pensando no próximo passo? O que você quer aprender a fazer aí, a voar?

[0:32:18] – CA: É, essa música é incrível! Ela me dá essa... É exatamente isso né, esse booster, assim, de falar: “putz, what’s next?”, né, o quê que vem? Ah, eu quero começar tudo de novo, sabe, eu tenho essa vontade de cursar uma carreira empreendedora que... Assim, a minha carreira corporativa, que ainda não terminou, ela me deu uma coisa que foi muito importante pra mim, eu poder dar caneta sobre a minha vida, sabe, de eu poder decidir coisas na minha vida, saber que eu posso bancar essas minhas decisões, sejam elas na área pessoal ou profissional. E agora eu tenho uma vontade de uma outra independência, que é independência física, de poder atuar sem ter endereço, eu tenho esse desejo de começar uma carreira do zero, né, trazendo todo o meu pessoal em experiência, mas que eu possa viver aqui, que eu possa... Eu tenho um marido que é estrangeiro, atualmente ele está morando em outro país e eu estou morando aqui, então esse trânsito na minha vida faz com que eu queira construir uma carreira muito livre, então eu vou pra uma carreira empreendedora aí, não sei quando isso vai acontecer, como ela vai ser, eu estou aí colocando um pouco de foot fortalks, né, de pensar, pra isso acontecer e se materializar, mas a minha ideia é uma carreira empreendedora que me dê, agora, liberdade física pra eu poder atuar em qualquer fuso horário, em qualquer lugar, seja como for. Mas isso ainda tenho aí mais uns aninhos pela frente pra poder deixar acontecer, fazer acontecer.

[0:33:54] – MM: Rs... Nossa, que moderna você, menina! Não posso deixar de comentar. A primeira vez que eu ouvi falar sobre casais que moravam separados foi com a Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre, e eu lembro que eu estava adolescente e falei: “— nossa... mas existe casamento assim?! Você agora contando que você mora num país e seu marido no outro.... Tempos modernos! E que corajosa você é já pensando aí no seu próximo passo. Olha, eu te desejo muita, muita, muita, muita boa sorte.... Você merece! Por tudo que você já passou, pela sinceridade que você trouxe pra gente aqui nessa... nesse papo; você foi extraordinária! Gratidão pela sua participação, valeu esperar, essa agenda que você tem difícil, a gente insistindo, insistindo... Foi maravilhoso ter você aqui. Que todos os seus sonhos se realizem, que você seja cada vez mais reconhecida profissionalmente, mais amada pelas pessoas que você já ama, mais considerada, muita saúde e que, olha, realmente você seja essa cidadã do mundo que você espera, de alma já vi que você é, e que você possa, agora, fisicamente, se deslocar e curtir o seu amor, seu marido, sua filha, da melhor maneira possível, viu! Obrigada por ter aceito o nosso convite, foi maravilhoso, extraordinário esse papo.

[0:35:14] – CA: Ah, obrigada, Millena, suas palavras me emocionaram bastante, e eu fico muito feliz de ter podido transmitir essa percepção pra você, pra audiência, que o nosso tempo é tão precioso né? Então, espero que a gente possa fazer desse nosso tempo, juntas, um motivo de inspiração pra quem nos ouve. Então, eu te agradeço de coração essa oportunidade também. Adorei te conhecer.

[0:35:38] – MM: Ah, eu também, muito prazer! Fale mais de você aqui, que você tenha muitas oportunidades pra continuar inspirando mulheres e homens também, enfim, todas as pessoas. Um beijo bem grande, viu!

[0:35:48] – CA: Obrigada!

[0:35:48] – MM: Até a próxima!

[0:35:50] – CA: Um beijo, querida!

[0:35:50] – MM: Esse foi o pocast com o lado pessoal de Carla Assunção, a managing director da Swarovski pro Brasil, Chile e Argentina. Olha, esse podcast maravilhoso ficou imperdível né, gente... que incrível! Vai ficar disponível aí pra você escutar de novo, aliás, escute quantas vezes você quiser, eu tenho certeza que a cada nova escutada novas percepções, hein, e também compartilhe; compartilhe com quem você ama, considera, admira, compartilhe muito, porque vale! A gente se encontra, então, no próximo podcast? Combinado, hein... Um beijo e até lá!

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de tudo o que acontece nos bastidores do mundo da música, desde lançamentos, shows, homenagens, parcerias e curiosidades sobre o seu artista favorito. A vinda de artistas ao Brasil, cantores e bandas confirmadas no Lollapalooza e no Rock in Rio, ações beneficentes, novos álbuns, singles e clipes. Além disso, você acompanha conosco a cobertura das principais premiações do mundo como o Oscar, Grammy Awards, BRIT Awards, American Music Awards e Billboard Music Awards. Leia as novidades sobre Phil Collins, Coldplay, U2, Jamiroquai, Tears for Fears, Céline Dion, Ed Sheeran, A-ha, Shania Twain, Culture Club, Spice Girls, entre outros. Aproveite também e ouça esses e outros artistas no aplicativo da Rádio Antena 1, baixe na Apple Store ou Google Play e fique sintonizado.

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