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    Juiz da Nicarágua emite mandado de prisão para líder de oposição

    MANÁGUA (Reuters) - Um juiz de Manágua emitiu na segunda-feira um mandado de prisão para o líder de oposição da Nicarágua Felix Maradiaga, acusado pelo governo de financiar violentos protestos que têm abalado o país da América Central.

    O governo de Daniel Ortega alega que Maradiaga financiou os protestos e treinou manifestantes por meio de uma organização que lidera, o Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas.

    'Minha consciência está limpa. Sempre fui guiado pela justiça, pela não violência e pela integridade. Hoje eu tenho mais convicção moral do que nunca', escreveu Maradiaga em publicação no Twitter.

    'Aqueles de nós que amam a Nicarágua e acreditam na liberdade têm a obrigação ética de continuar firmemente nessa luta civil'.

    Atualmente Maradiaga não está na Nicarágua.

    Cerca de 300 pessoas foram presas na Nicarágua desde que os protestos começaram em abril, de acordo com ativistas de direitos humanos locais. Mais de 300 pessoas morreram durante as manifestações, em repressões lideradas pela polícia e por grupos armados de apoio ao governo, afirmaram grupos de direitos humanos.

    Os protestos começaram depois que o governo de esquerda de Ortega sinalizou uma redução nos benefícios sociais, mas logo se transformaram em uma ampla oposição a Ortega, que está no poder desde 2007. Ortega também liderou o país na década de 1980, durante a guerra civil da Nicarágua.

    (Reportagem de Ismael Lopez)

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    ONU acusa Nicarágua de violações generalizadas de direitos humanos

    Por Tom Miles

    GENEBRA (Reuters) - O governo da Nicarágua cometeu violações de direitos humanos e fez vista grossa quando grupos armados perseguiram manifestantes, alguns dos quais que foram vítimas de estupros e torturados, disse o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) em um relatório nesta quarta-feira.

    O relatório documentou violações de direitos humanos cometidas entre 18 de abril e 18 de agosto, incluindo o uso de força desproporcional e execuções extrajudiciais por parte da polícia, desaparecimentos, detenções arbitrárias generalizadas e episódios de tortura e violência sexual em centros de detenção.

    'Repressão e retaliação contra manifestantes continuam na Nicarágua enquanto o mundo olha para o outro lado', disse o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, em um comunicado.

    O relatório disse que o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que se reúne no mês que vem, deveria cogitar a instauração de um inquérito internacional ou de uma comissão da verdade para evitar que a situação piore, embora 'o efeito arrepiante da repressão' e 'um clima de terror generalizado' já tenham silenciado muitos manifestantes.

    Detidos foram torturados com armas de choque, arame farpado, espancamentos com os punhos e com canos e tentativas de estrangulamento, disse o relatório.

    'Algumas mulheres foram submetidas a violência sexual, inclusive estupro, e descreveram ameaças de abuso sexual como algo comum. Homens detidos também mencionaram casos de estupro, inclusive estupro com fuzis e outros objetos'.

    A repressão violenta aos protestos contra o presidente Daniel Ortega, ex-líder guerrilheiro marxista, atraiu repúdio internacional. O relatório da ONU afirmou que mais de 300 pessoas foram mortas e 2.000 ficaram feridas.

    Depois do início dos protestos, em abril, pessoas associadas ao partido sandinista do governo foram mobilizadas em 'forças de choque' ou 'gangues' para atacar manifestantes pacíficos, segundo o documento.

    'Estas gangues portavam porretes, varas e pedras e usavam capacetes', disse o relatório.

    Em 20 de julho Ortega disse em uma entrevista à emissora de televisão Euronews que os grupos são uma 'polícia voluntária' realizando 'missões especiais' e que operam em sigilo por motivos de segurança, segundo o relatório.

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    Ortega diz querer 'fortalecer' diálogo na Nicarágua e busca incluir a ONU

    Por Oswaldo Rivas

    MANÁGUA (Reuters) - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, quer 'fortalecer' o debilitado processo de diálogo com a oposição incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU) e outros organismos internacionais com a meta de superar a crise política que o país vive, disse o mandatário em uma entrevista à rede CNN en Español.

    A Nicarágua atravessa uma onda de protestos antigoverno que já dura mais de três meses e já custou a vida de quase 300 pessoas, segundo grupos de direitos humanos.

    Buscando amenizar a pior crise desde que reconquistou a Presidência em 2007, o ex-guerrilheiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) iniciou um processo de diálogo mediado pela Igreja Católica, mas que naufragou pouco depois diante de sua negativa de aceitar renunciar.

    'Fizemos contato com o secretário-geral das Nações Unidas (António Guterres), com diferentes organismos internacionais e com o cardeal (da Nicarágua, Leopoldo) Brenes', disse Ortega em um trecho adiantado da entrevista que concedeu à CNN en Español no final de semana e que será transmitida na íntegra na noite desta segunda-feira.

    'Vamos buscar criar as condições para fortalecer a comissão de diálogo e que isto nos ajude a ter bons resultados', acrescentou.

    Ortega, que foi comparado com Anastasio Somoza, o brutal ditador que depôs em 1979, garantiu que o número de mortos durante os 100 dias de protestos é de 195, muito abaixo do quase 300 reportados pelo Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) ou os 485 registrados pela Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH).

    'Os organismos de direitos humanos que vieram aqui (...) fazem visita de médico e caem em cima de nós', queixou-se durante a entrevista ao jornalista Andrés Oppenheimer. 'Estão politizados, têm uma política sistemática contra o governo e colocam gente para fazer denúncias, inventam qualquer coisa.'

    Um plano de Ortega para reduzir os benefícios dos aposentados provocou as manifestações em meados de abril. O governo recuou da medida pouco depois, mas sua reação severa aos protestos criou mais turbulências, motivadas pela rejeição à gestão do líder de esquerda.

    Os opositores exigem a renúncia de Ortega, a quem acusam de fraudar eleições, controlar a mídia, manipular a justiça e querer instaurar uma 'ditadura familiar' junto com sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo.

    O casal presidencial negou as acusações e argumenta que as manifestações que pedem sua saída são financiadas pelos Estados Unidos.

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    Autoridades da Nicarágua mataram, prenderam e torturaram pessoas, diz ONU

    Por Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - A polícia e autoridades da Nicarágua mataram e prenderam pessoas sem o devido processo legal e cometeram torturas, denunciou o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, pedindo o fim dos episódios de violência que deixaram estimados 280 mortos desde abril.

    Em abril foram deflagrados protestos contra um plano do presidente Daniel Ortega de reduzir benefícios dos aposentados. O governo recuou, mas sua reação violenta às manifestações provocou um protesto mais amplo contra a gestão Ortega.

    O presidente é um ex-líder guerrilheiro marxista que está no poder desde 2007, também tendo governado o país entre 1979 e 1990.

    'Uma ampla gama de violações de direitos humanos está sendo cometida, inclusive execuções extrajudiciais, torturas, detenções arbitrárias e a recusa ao direito de livre expressão das pessoas', disse o porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, em um boletim à imprensa.

    O saldo incluiu ao menos 19 policiais, disse, acrescentando que os relatos vêm de agentes de direitos humanos no país e que têm como pano de fundo a ausência do Estado de Direito.

    'A grande maioria das violações é do governo ou de elementos armados que parecem estar trabalhando conjuntamente com ele', disse Colville à Reuters, acrescentando que os manifestantes são em sua maioria pacíficos, mas que alguns andam armados.

    Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que grupos ligados ao governo da Nicarágua estão usando força letal 'inaceitável' contra os cidadãos, e pediu o fim da violência.

    O escritório de direitos humanos da ONU exortou o governo da Nicarágua a prestar informações sobre dois ativistas desaparecidos desde que foram detidos no aeroporto na semana passada e a abrir todas as prisões para monitores.

    Os ativistas Medardo Mairena e Pedro Mena foram detidos pela polícia no aeroporto de Manágua na sexta-feira, e as autoridades não disseram às suas famílias onde eles estão, apesar de solicitações judiciais, disse Colville.

    Mais tarde nesta terça-feira, autoridades de direitos humanos da ONU tiveram acesso a uma prisão da capital, La Modelo, o que pode ser 'um pequeno avanço', afirmou. Mas elas querem visitar a prisão de El Chipote, também na capital, onde estão sendo mantidos muitos dos detidos, segundo ele.

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