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    Netanyahu deve ser indiciado em casos de corrupção

    Por Jeffrey Heller

    JERUSALEM (Reuters) - O procurador-geral de Israel disse nesta quinta-feira que pretende indiciar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por acusações de corrupção, em uma decisão que acontece apenas seis semanas antes de uma disputada eleição nacional.

    Essa é a primeira vez em que um primeiro-ministro israelense no exercício do cargo é notificado oficialmente sobre um planejado indiciamento, o que intensificou a incerteza sobre como Netanyahu, um veterano líder de direita, se sairá contra uma coalizão de adversários de centro.

    O efetivo indiciamento, que inclui acusações de suborno, fraude e quebra de confiança, dependerá do resultado de uma audiência, informou o Ministério da Justiça. Isso pode demorar meses.

    Na audiência --que pode ocorrer após a eleição de 9 de abril--, Netanyahu pode tentar persuadir o procurador-geral a não indiciá-lo.

    Em tom de indignação ao se dirigir à nação no horário nobre da TV, Netanyahu rejeitou as três acusações, descrevendo-as como uma “caça às bruxas” política que visa retirá-lo do poder.

    “Eu pretendo servir a vocês e ao país como primeiro-ministro por muitos mais anos. Mas, depende de vocês”, disse, em referência a sua esperança de conquistar um quarto mandato consecutivo em abril.

    “Não depende de funcionários públicos. Não depende dos estúdios de televisão. Não depende dos especialistas e dos jornalistas.”

    Netanyahu é suspeito de aceitar indevidamente 264 mil dólares em presentes, que procuradores dizem incluir charutos e garrafas de champagne, de magnatas e de conceder favores em supostas tentativas de melhorar a cobertura de seu governo por um jornal israelense e um site.

    Ele pode enfrentar 10 anos de prisão se condenado por pagamento de suborno e um máximo de 3 anos preso por fraude e quebra de confiança.

    Pesquisas de intenção de voto indicam uma corrida eleitoral disputada para o partido Likud de Netanyahu, com fortes ganhos para a aliança de centro-esquerda liderada por Benny Gantz, um ex-chefe das Forças Armadas que tem prometido um governo limpo.

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    CORREÇÃO-EUA investigam esquema de propina em negociação de petróleo no Brasil

    Por Gary McWilliams

    HOUSTON (Reuters) - (Corrige no 9º parágrafo informação em matéria do dia 7/02, para indicar que a propina foi paga a funcionários já demitidos da Petrobras, e não para a companhia, segundo autoridades do Brasil)

    O Departamento de Justiça dos EUA está investigando um ex-negociador de petróleo da Petrobras baseado nos EUA, já acusado no Brasil, quanto à participação em um esquema de corrupção envolvendo as tradings de commodities Vitol, Glencore e Trafigura, segundo pessoas familiarizadas ao assunto.

    Essa foi a primeira confirmação de que investigadores norte-americanos se juntaram à nova fase da operação Lava Jato, que colocou mais de 130 políticos e empresários na prisão em toda a América Latina.

    A Procuradoria dos EUA no Distrito Leste de Nova York tem conversado com Rodrigo Garcia Berkowitz, negociador de petróleo baseado em Houston já investigado no Brasil por aceitar milhões de dólares em propinas para ele próprio e para outros, segundo uma das pessoas com conhecimento do caso.

    Berkowitz, de 39 anos, está cooperando com as autoridades norte-americanas na investigação e pode enfrentar acusações nos EUA, disse uma das pessoas, apesar de no momento ainda não ter sido acusado.

    Berkowitz não foi encontrado para comentar o assunto, e não é conhecido de imediato qual escritório de advocacia o representa.

    Promotores brasileiros declararam que executivos das empresas de commodities, incluindo alguns nos EUA, estavam envolvidos em pagamentos indevidos a executivos da Petrobras, e que Berkowitz e outros trabalhavam diretamente com essas empresas.

    Vitol, Glencore, Trafigura e outras pagaram conjuntamente, em um período de seis anos, ao menos 31 milhões de dólares em propinas para integrantes da Petrobras para assegurar vantagens em negócios, disseram procuradores brasileiros.

    O caso de Nova York sinaliza que os procuradores dos EUA estão examinando os braços norte-americanos da Vitol e de outros implicados pelas autoridades brasileiras, já que alguns desses fundos foram movimentados através de sistemas bancários norte-americanos e europeus.

    As propinas pagas a funcionários da Petrobras, já demitidos, passaram por contas nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Suécia, Suíça e Uruguai, de acordo com autoridades brasileiras, abrindo espaço para procuradores dos EUA investigarem violações na legislação norte-americana.

    Em dezembro, Mike Loya, chefe das operações da Vitol nos EUA, baseadas em Houston, foi citado em documentos brasileiros que acusavam Berkowitz e outros de terem total conhecimento do esquema de negociação. Loya não foi acusado. Ele não respondeu aos pedidos de comentários.

    Nesta quinta-feira, promotores federais do Brasil se recusaram a dizer se estavam colaborando com o Departamento de Justiça dos EUA no caso.

    Vitol, Trafigura e Glencore se recusaram a comentar as investigações norte-americanas.

    Vitol e Glencore reiteraram declarações anteriores de que estão cooperando com autoridades brasileiras, e a Trafigura afirmou que leva as alegações a sério. Todos foram suspensos de negociações com a Petrobras.

    O Brasil emitiu no início de dezembro um alerta vermelho da Interpol chamando Berkowitz de fugitivo de acusações e requerendo sua prisão. O escritório policial de Houston afirmou neste mês não ter recebido solicitação de prisão para Berkowitz.

    Autoridades norte-americanas prenderam há dois meses Luiz Eduardo Loureiro Andrade, empresário brasileiro, sob alegações de que ele intermediou propinas da Vitol e de outros para membros da Petrobras, segundo documentos judiciais brasileiros.

    Andrade, Berkowitz e outros nove foram acusados no Brasil em dezembro com alegações de que intermediaram negócios da Vitol e de outras firmas de comércio entre 2011 e 2014. Andrade não foi localizado para comentários.

    (Reportagem adicional de Brad Brooks em São Paulo e Julia Payne em Londres)

    ((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447745))

    REUTERS GA RS

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    Produção de petróleo e gás do Brasil cai em novembro, diz ANP

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção de petróleo do Brasil caiu em novembro, ante o mês anterior, em meio a paradas para manutenção em plataformas operadas pela Petrobras em importante campo do pré-sal e da Bacia de Campos, informou nesta quinta-feira a agência reguladora do setor, a ANP.

    O volume de petróleo produzido em novembro recuou 1,8 por cento ante outubro e 1,1 por cento na comparação anual, para 2,567 milhões de barris ao dia.

    Em outubro, a extração de petróleo havia subido 5,2 por cento ante setembro, após quatro quedas consecutivas ante o mês anterior.

    Já a produção de gás natural do Brasil em novembro teve queda de 4 por cento ante outubro e de 0,9 por cento na comparação anual, para 112 milhões de metros cúbicos/dia, segundo nota da ANP.

    Do montante de gás natural produzido, 59,651 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado, 35,222 milhões de m³/d foram reinjetados nos campos, 13,265 milhões de m³/d foram consumidos pelas plataformas e 4,213 milhões de m³/d foram queimados.

    Assim, a produção de petróleo e gás no Brasil em novembro foi de 3,274 milhões de barris de óleo equivalente por dia, uma redução de 2,3 por cento em relação ao mês anterior.

    A produção do pré-sal correspondeu a 55,5 por cento do total produzido no Brasil.

    'A queda se deve principalmente à realização de paradas para manutenção no FPSO Cidade de Ilhabela, no campo de Sapinhoá (Bacia de Santos), e nas plataformas P-18 e P-37, no campo de Marlim (Bacia de Campos)', disse a ANP em nota.

    Segundo a ANP, a produção média de petróleo da Petrobras, como concessionária, em novembro, foi de aproximadamente 1,906 milhão de bpd.

    Já a Shell, empresa privada com maior produção no Brasil e forte presença no pré-sal, produziu 319,667 mil bpd em novembro.

    (Por Roberto Samora e Marta Nogueira)

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    Lava Jato e Petrobras pedem ressarcimento de R$3 bi de MDB, PSB, Queiroz Galvão, Vital Engenharia e políticos

    BRASÍLIA (Reuters) - A Força Tarefa da Lava Jato e a Petrobras entraram nesta terça-feira com uma ação civil pública por improbidade administrativa pedindo o ressarcimento de 3 bilhões de reais contra o PSB e o MDB, além das empresas Queiroz Galvão e a Vital Engenharia Ambiental.

    A ação atinge ainda os senadores Valdir Raupp (MDB-RO) e Fernando Bezerra (PSB-PE), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) e os espólios do ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) —ambos mortos em 2014—, além de pessoas ligadas aos políticos, executivos das empresas e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

    De acordo com o MP do Paraná, a 1ª Vara Federal de Curitiba deferiu o pedido liminar e determinou já o bloqueio de um precatório de 210 milhões de reais que a construtora Queiroz Galvão estava prestes a receber do Estado de Alagoas.

    Na ação, o MP descreve o funcionamento de dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras, um em contratos da diretoria de Abastecimento, especialmente os firmados com a Queiroz Galvão, individualmente ou por intermédio de consórcios, e outro referente ao pagamento de propina no âmbito da CPI da Petrobras em 2009.

    Segundo o MP, um cartel de empreiteiras fraudava as licitações na Petrobras em grandes obras, inflando indevidamente os lucros obtidos.

    “As propinas eram entregues pelos operadores para os executivos da estatal, assim como para os políticos e partidos responsáveis pelo apadrinhamento dos funcionários públicos”, afirmou o Ministério Público Federal em nota.

    Os parlamentares envolvidos teriam sido beneficiados pelo recebimento de propinas e recursos de caixa 2 depois de acordos de seus partidos para apadrinhar nomes para a estatal.

    O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) afirmou em nota que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o prosseguimento de investigações contra ele, por considerar que as afirmações dos delatores não constituem elemento de prova.

    “Como reforça a defesa de Fernando Bezerra --representada pelo advogado André Callegari-- ‘não há suporte mínimo de autoria e materialidade contra o senador e a consequência natural era a rejeição das denúncias pela Suprema Corte do país’”, diz a nota da assessoria de Bezerra.

    Em nota, Raupp afirmou que a doação de 500 mil reais alvo da ação civil pública ajuizada pelo MPF foi feita ao diretório estadual do MDB de Rondônia e não a sua campanha eleitoral, em 2010. O senador ressaltou ainda que 'as doações recebidas foram oficiais, legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral, conforme determinava à legislação em vigor, a época'.

    Já o MDB afirmou que 'responsabilizar instituições com base em depoimentos enviesados é um risco enorme para nossa estabilidade, ainda mais com uma peça que mais parece um panfleto político eleitoral'. O partido ressalta, em nota, que todos os recursos recebidos como doação 'foram contabilizados e todas as nossas contas foram aprovadas'.

    O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, divulgou comunicado afirmando que o partido recebeu a notícia com surpresa.

    'Afirmamos que as campanhas do PSB sempre foram financiadas de acordo com as normas legais', diz Siqueira.

    Na nota, o presidente do PSB fala que sobre a menção a Campos 'temos confiança plena de que nada haverá de ser comprovado que macule o nome e a honra de um homem público com tantos e tão relevantes serviços prestados a Pernambuco e ao Brasil'.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu; reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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    Moro deve assumir posição na equipe de transição mesmo sem ter pedido exoneração

    BRASÍLIA (Reuters) - O juiz Sérgio Moro deverá assumir uma posição na equipe de transição do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro e sua nomeação deverá ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial, de acordo com informações repassadas pela equipe de transição.

    Moro deverá ter agenda já na quarta-feira em Brasília, incluindo um encontro com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

    O juiz, no entanto, ainda continua ligado à magistratura e pretende pedir sua exoneração apenas em janeiro deste ano, depois de tirar dois períodos de férias consecutivos, excedentes de anos anteriores, e parte do recesso de final de ano no Judiciário.

    Em carta enviada na segunda-feira à Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o juiz informou que estaria em férias até o dia 21 deste mês e, em seguida, emendaria com outro período entre o dia 21 e 19 de dezembro. Apenas depois disso, na véspera de sua nomeação como ministro da Justiça, assinaria seu pedido de exoneração.

    Em entrevista na tarde desta terça, Moro afirmou que não pediu exoneração ainda porque depende do salário de juiz e ainda assumiu qualquer cargo, o que acontecerá apenas em janeiro.

    De acordo com a lei da magistratura, um juiz no exercício do cargo --mesmo em férias ou afastado-- não pode exercer qualquer outra atividade remunerada, com exceção do magistério.

    De acordo com a equipe de transição de Bolsonaro, a previsão é que o grupo tenha três tipos de colaboradores: 50 remunerados, dentro das vagas criadas pelo governo federal para a transição; pessoal cedido de outros órgãos que continuariam a receber seus salários regulares; voluntários, sem vencimentos.

    A equipe de transição não soube especificar em qual categoria Moro se encaixaria.

    Dentro das vagas de transição, os salários mais altos são uma vaga de 16,6 mil reais brutos --ocupada pelo deputado Onyx Lorenzoni, coordenador da transição-- e outras quatro de 16,2 mil reais brutos, reservadas até agora ao general Augusto Heleno, ao economista Paulo Guedes, e ao advogado Gustavo Bebbiano, os dois primeiro já confirmados como futuros ministros de Bolsonaro.

    Moro, de acordo com informações disponíveis no site do TRF-4, recebeu em outubro 34,2 mil reais brutos.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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    Haddad admite surpresa com velocidade do crescimento em pesquisas, mas evita expectativa sobre 2º turno

    (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, admitiu ter se surpreendido com o rápido crescimento nas pesquisas, demonstrado pelo levantamento do Ibope divulgado na terça-feira, que mostra o petista já com 19 por cento das intenções de voto, isolado em segundo lugar na corrida presidencial.

    'O crescimento era esperado, mas não esperávamos que fosse tão rápido', disse Haddad na manhã desta quarta ao chegar para uma caminhada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo

    A pesquisa Ibope mostrou o petista saltando 11 pontos percentuais em relação ao resultado da semana anterior. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com 28 por cento, lidera com folga a disputa para o primeiro turno.

    Haddad, no entanto, não quis dizer se acredita estar já em um segundo turno com Bolsonaro.

    'Não vamos fazer esse tipo de prognóstico. Ainda tem muito chão pela frente, temos mais de duas semanas de campanha', afirmou.

    FAZENDA

    Haddad foi mais uma vez questionado sobre a composição de sua possível equipe econômica, mas disse que não trabalha com nomes ainda.

    'É natural que algumas pessoas especulem, mas nós não estamos trabalhando ainda com a equipe. Equipe começa a montar no segundo turno para ganhar a eleição', disse.

    Como mostrou a Reuters, Haddad já tem um perfil para seu futuro ministro da Fazenda, no caso de ser eleito: alguém próximo da academia mas que tenha boa interlocução com o mercado. O petista também não pretende indicar um político para o cargo. [nL2N1W401O]

    Perguntado sobre esse perfil, o candidato disse que é necessário alguém 'pragmático'.

    'É um perfil pragmático no sentido de buscar solução para o problemas do povo. Sem ser sectário. Às vezes os economistas figurões são muito sectários, acham que são os donos da verdade. Quando você está no governo tem que ter jogo de cintura, pragmatismo, flexibilidade para buscar soluções', respondeu o candidato.

    CRÍTICAS

    Atacado mais uma vez pelo pedetista Ciro Gomes, que afirmou que o Brasil não 'suporta mais um presidente fraco', Haddad manteve a postura de evitar críticas diretas, mas dessa vez alfinetou o rival.

    'Ciro é meu amigo mas às vezes temos visões diferentes. Força de um presidente para mim primeiro é firmeza. Segundo, autocontrole. Tem que ter essa duas qualidades para conduzir o país: firmeza de propósitos e muito autocontrole para evitar provocação. Eu sou uma pessoa firme e controlada', disse.

    (Por Lisandra Paraguassu)

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    Trump acusa China de tentar influenciar eleição dos EUA e ameaça retaliação

    WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta terça-feira adotar mais uma retaliação contra a China se Pequim atingir os trabalhadores agrícolas ou industriais norte-americanos em meio a uma disputa comercial, e acusou a China de tentar influenciar a eleição dos EUA para prejudicar agricultores.

    Trump fez as acusações em uma sequência de publicações em sua conta no Twitter, no momento em que os dois países impuseram novas tarifas comerciais em uma intensificação das disputas entre as duas maiores economias do mundo.

    A China disse que vai retaliar com tarifas sobre 60 bilhões de dólares em produtos norte-americanos, depois que Trump impôs tarifas de 10 por cento sobre cerca de 200 bilhões de dólares em importações chinesas na segunda-feira.

    Trump disse que a China está tentando usar o comércio para prejudicá-lo com seus apoiadores antes das eleições parlamentares em 6 de novembro nos Estados Unidos.

    'A China declarou abertamente que está ativamente tentando impacta e mudar nossa eleição, atacando nossos agricultores, fazendeiros e trabalhadores industriais por causa de sua lealdade a mim', escreveu Trump. Não ficou claro sobre qual declaração de Pequim o presidente estava se referindo em suas publicações.

    'Haverá uma grande e rápida retaliação econômica contra a China se nossos agricultores, pecuaristas e/ou trabalhadores industriais forem prejudicados!', acrescentou Trump. Trump venceu a disputa presidencial de 2016 com forte apoio desses agricultores e eleitores de classe trabalhadora.

    Em julho, Pequim divulgou um pequeno vídeo em inglês apresentando um desenho animado falante de soja confirmando a importância do comércio. O desenho pontua que nove dos dez maiores Estados produtores de soja votaram em Trump nas eleições presidenciais de 2016.

    'Então os eleitores vão apoiar Trump e os republicanos assim que forem atingidos em suas carteiras?', pergunta o grão.

    (Por Susan Heavey)

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    PT não fará nova carta aos brasileiros porque tem fundamentos para tocar país, diz Haddad

    BRASÍLIA (Reuters) - Candidato a vice-presidente na chapa presidencial petista, Fernando Haddad disse na noite de quinta-feira que o PT não irá fazer uma nova 'Carta aos Brasileiros', nos moldes da escrita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acalmar o mercado antes de sua primeira eleição, em 2002, porque o partido tem 'fundamentos sólidos'.

    Em entrevista à rede GloboNews, o candidato à vice --que deve ser confirmado no início da semana que vem como substituto de Lula, que teve seu registro rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)--, Haddad foi pressionado a admitir erros na condução econômica do PT e a se comprometer com uma política diferente do segundo governo de Dilma Rousseff.

    'Não existe isso. Estão querendo obrigar o PT a escrever uma outra carta aos brasileiros, ao mercado. Não precisa, nós temos fundamentos sólidos para tocar o país', afirmou.

    Haddad reconheceu decisões equivocadas assumidas pelo PT no segundo governo de Dilma Rousseff, especificamente a política de desonerações e a política energética, mas ressaltou que a conta da crise, em sua opinião, teve também um forte componente político.

    'Eu entendo que 2013 e 14 tomamos algumas decisões equivocadas. Mas que não explicam a crise de 2015 e 2016 que, na minha opinião, foi sobreposta com a crise institucional. Na minha opinião a crise política tem que ser colocada na conta da recessão', defendeu.

    'De 2003 a meados de 2012 eu penso que, se cometemos erros na gestão econômica, eles foram muito laterais, não foram importantes. Em 2013 e 2014 foram erros importantes, mas que não explicam a debacle de 2015 e 2016.'

    Haddad acusa o PSDB de gerar instabilidade no país a partir de 2014, quando o senador Aécio Neves não aceitou o resultado da eleição presidencial, e de cooptar um vice de 'caráter frágil' --referindo-se ao atual presidente Michel Temer-- para criar a crise política que levou ao impeachment de Dilma.

    'Foi um sabotagem institucional que causou incertezas e levou os investidores a se recolherem para ver no que ia dar. Deu nisso', disse.

    DECISÃO

    Haddad confirmou ainda que o PT espera o resultado da Justiça sobre os últimos pedidos --ainda resta uma liminar pedida ao TSE-- para garantir o registro de Lula e conversará com o ex-presidente na segunda-feira para então homologar a mudança da chapa na terça, data limite dada pelo tribunal.

    Questionado se continuaria na chapa como vice no caso do PT escolha outro nome que não o seu para substituir Lula, Haddad negou. 'Não continuarei', disse.

    A substituição de Lula por Haddad já está pacificada dentro do PT por decisão do próprio ex-presidente, depois de semanas de disputas internas causadas, inclusive, pela dificuldade que Lula teve em aceitar que dificilmente conseguiria garantir seu registro.

    Sem outra solução e sob o risco de ficar sem candidato se não decidir até terça-feira, a expectativa é que Haddad saia do encontro com Lula, na segunda, com uma carta apontando-o como substituto. A homologação deve ser feita na própria segunda ou na terça.

    Haddad ainda foi questionado se daria um indulto a Lula, caso fosse eleito. O ex-prefeito esclareceu que isso não está em consideração.

    'Lula pede que os tribunais superiores julguem o mérito da sua condenação. Que se reconheça o erro judiciário. Ele não vê no processo uma única prova cabal que ele tenha cometido um ilícito no caso daquele apartamento. Ele me disse 'eu quero a comprovação da minha inocência. Eu não estou pedindo indulto, estou pedindo reconhecimento do erro judiciário'', disse Haddad.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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    ESPECIAL-Evangélicos se articulam para aumentar representatividade política

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - Sem as mesuras do cargo de ministro que ocupa nos dias de semana como direito a carro com motorista, o pastor Ronaldo Fonseca chegou dirigindo seu próprio automóvel à Assembleia de Deus de Taguatinga no principal dia de culto da sua igreja na manhã de um domingo de agosto. Fiéis já acompanhavam a celebração conduzida por outros religiosos num templo grande, mas simples, com capacidade para 750 lugares e praticamente lotado.

    O segmento evangélico registra um forte aumento no país, e essa parcela do eleitorado tem sido cada vez mais cobiçada nas eleições, com uma bancada que pretende crescer no Congresso Nacional no pleito deste ano. Fonseca estava lá para comandar o culto, mas não se furtou a falar de política.

    Às 10h54, o pastor assomou ao centro do altar sozinho para pedir uma bênção ao 'amigo' pastor Pedro Leite e fazer uma troça: 'Pedro Leite é candidato a deputado distrital. Estou tão feliz, tão feliz, porque hoje se encerra o prazo de coligação, quem vai ser candidato, e eu graças a Deus não estou nem aí', disse.

    'Glória a Deus!', replicaram os fiéis, uníssonos.

    'Quero que vocês fiquem de pé e façam uma oração para ele. Ele vai ser candidato, sei que é uma luta, ser candidato não é fácil, um homem de princípios cristãos, precisa realmente estar ali representando e defendendo os ideais cristãos', disse Fonseca.

    Com as mãos levantadas em direção a Pedro Leite, os fiéis ouviram a súplica de outro pastor para que Deus ajudasse o pastor a cumprir o propósito de chegar à Câmara Distrital para que o governo de Brasília seja bem fiscalizado e que o homem de Deus possa realizar essa tarefa.

    'Amém!', replicou o público.

    Ronaldo Fonseca chegou ao Palácio do Planalto numa jogada do governo Michel Temer para, entre outros objetivos, tentar atrair o apoio dos evangélicos para a candidatura presidencial do ex-ministro Henrique Meirelles (MDB).

    Nomeado no fim de maio, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência dá expediente no 4º andar do Palácio do Planalto nos dias de semana. Aos domingos, religiosamente celebra cultos de manhã e à noite na igreja distante cerca de 27 quilômetros do centro de Brasília. Além disso, atua pelo projeto político de se manter influente com a eleição de aliados evangélicos.

    O ministro, deputado licenciado e pastor, é um dos principais exemplos da atuação dos evangélicos na política. Apesar de fortemente fragmentado em igrejas e diversos partidos das mais variadas matizes ideológicas, o grupo tem de modo geral uma causa em comum: a defesa de pautas conservadores, como posições contrárias à legalização do aborto e união entre pessoas do mesmo sexo.

    A participação do segmento no Congresso vem crescendo desde antes da Constituição de 1988, mas, apesar da agenda do grupo sempre ganhar ressonância nos meios de comunicação, está aquém da representatividade do segmento na população brasileira.

    O último censo demográfico do país de 2010, portanto bastante defasado, aponta que os evangélicos são 42,2 milhões de brasileiros (22,2 por cento da população), ante a forte presença dos católicos, 123,2 milhões (64,6 por cento do total). Estimativas mais atualizadas, entretanto, dão conta de que os evangélicos hoje são 30 por cento da população brasileira --pesquisa Ibope de agosto de intenção ao Palácio do Planalto apontou 27 por cento da amostra como evangélica e 57 por cento, católica.

    Na eleição à Presidência deste ano, entre os candidatos que lideram as pesquisas, apenas a ex-senadora Marina Silva (Rede) é declaradamente evangélica. Mas, segundo a maioria das lideranças do segmento ouvidas pela Reuters, o apoio dos evangélicos está pulverizado entre vários presidenciáveis.

    Dados do Ibope mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) --que deve ter a candidatura barrada com base na Lei da Ficha Limpa-- e o deputado Jair Bolsonaro (PSL), católico casado com uma evangélica, como os preferidos do segmento, e Marina, de modo geral, num terceiro lugar.

    Na Câmara dos Deputados, segundo o coordenador da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Takayama, do Partido Social Cristão (PSC), são cerca de 100 representantes (cerca de 20 por cento do total) --o número varia em função de afastamentos. No Senado, disse, são apenas 4 dos 81 senadores (somente 5 por cento das cadeiras).

    Durante o culto naquela manhã de domingo, Fonseca fez questão de registrar que qualquer candidato que fosse à igreja seria abençoado. Este foi o único momento em que se falou de política durante o culto de quase duas horas, embora após a cerimônia o pastor Pedro Leite tenha sido abordado por lideranças religiosas ligadas a Fonseca para ajudar na campanha.

    A Justiça Eleitoral está de olho nessa relação entre eleições e religião. Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que pedir votos em evento religioso durante a campanha configura abuso do poder econômico e cassou o mandato de dois parlamentares mineiros.

    Aos 59 anos, Fonseca decidiu não se candidatar novamente nas eleições de outubro, após ter obtido dois mandatos de deputados federal --o último deles com 85 mil votos. Disse já ter cumprido sua 'missão', mas admite trabalhar para emplacar Pedro Leite deputado distrital e o professor Marcos Pacco, que ocupou cargos no governo do Distrito Federal, na cadeira que ocupa na Câmara dos Deputados.

    'Nosso segmento tem a tendência de escolher o representante que leva as demandas da instituição, do que a pessoa pensa na verdade, o seu pensamento político', disse Fonseca, em uma das entrevistas à Reuters em seu gabinete no Planalto.

    CRESCIMENTO

    Apesar de evidente nos últimos anos, a participação dos evangélicos na política é relativamente recente. Anteriormente avessos ao engajamento, a atuação começou a ganhar corpo pouco antes da Assembleia Nacional Constituinte, quando diferentes vertentes do segmento se organizaram para eleger parlamentares que defendessem seus valores, conforme a tese de doutorado em psicologia social pela PUC de São Paulo de Bruna Suruagy do Amaral Dantas, intitulada 'Religião e Política: ideologia e ação da 'bancada evangélica' na Câmara Federal'.

    A pauta do grupo na ocasião --praticamente a mesma dos dias atuais-- girava em torno da 'manutenção da família, união conjugal monogâmica e heterossexual, a proibição do aborto e do divórcio, a moral sexual e o combate à sexualidade', segundo a tese.

    Após a Constituinte, o grupo continuou a trabalhar pela eleição de representantes no Congresso a fim de diminuir a hegemonia da Igreja Católica. Porém, a frente evangélica da Câmara só foi criada em 2003, no início do governo do então presidente Lula, e desde então tem sido renovada no começo de cada Legislatura.

    É contra o que consideram baixa representatividade desse segmento religioso que Ronaldo Fonseca, Takayama e outras lideranças evangélicas têm feito um trabalho para ampliar a presença no Congresso, influenciar ou até participar do próximo governo, independentemente de quem seja o próximo presidente da República.

    A estimativa de lideranças evangélicas é que haja um crescimento de 10 por cento do tamanho da bancada na Câmara dos Deputados em outubro. Apesar da atuação coesa no Congresso, não há um plano de ação conjunta entre as igrejas para maximizar o desempenho eleitoral --em alguns casos, há disputas pelo mesmo eleitorado.

    Ronaldo Fonseca disse que a Assembleia de Deus --a maior representante evangélica no país, com cerca de um terço do total-- pretende eleger um deputado federal em cada uma das 27 unidades da Federação. Foram 24 na eleição passada, afirmou.

    Na capital do país, o grupo quer eleger Pacco, do Podemos, para a Câmara dos Deputados, mas ele provavelmente terá que disputar os votos evangélicos com Julio Lopes, do PRB, o deputado distrital mais votado na eleição passada.

    'Ele (Ronaldo) deixou a vida parlamentar e trabalha para transferir o capital político para mim. Estamos caminhando aí para juntar esse capital político', afirmou Pacco.

    'O voto evangélico, cristão, será decisivo na minha eleição', atestou o candidato, que ficou na suplência na eleição passada buscando eleitores no nicho dos preparatórios para concursos públicos, e agora se intitula candidato do segmento evangélico.

    Pacco admite estar fazendo uma série de agendas 'casadas' com lideranças religiosas com Fonseca em busca de apoios.

    A professora Maria das Dores Campos Machado, especialista em sociologia da religião pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que muitos dos parlamentares evangélicos detêm títulos eclesiásticos e, dessa forma, são mais comprometidos com as doutrinas, ao contrário de representantes católicos no Legislativo.

    'As igrejas lançam essas pessoas porque é mais fácil mantê-las sob controle do que um leigo', disse Maria das Dores.

    FINANCIAMENTO

    Para as eleições de outubro não há um padrão de financiamento de candidatos evangélicos no país. Os entrevistados pela Reuters dizem que vão buscar doações de aliados e contam principalmente com recursos do chamado fundo eleitoral, recurso público criado para custear as campanhas.

    O PRB, legenda mais identificada com uma igreja do segmento, a Universal do Reino de Deus, terá quase 70 milhões de reais para bancar todas as disputas.

    Procurada pela Reuters, a Receita Federal somente divulgou a arrecadação de todas as igrejas, sem discriminar por segmento religioso. Elas arrecadaram ano passado cerca de 531 milhões de reais, ante 536 milhões de reais em 2016 e 461 milhões de reais em 2015.

    Ou seja, 1,5 bilhão de reais em arrecadação que envolve, principalmente, algumas retenções tributárias, como o Imposto sobre a Renda retido na fonte do trabalho dos empregados, PIS sobre folha e recolhimentos tributários daquilo que não é considerado atividade das entidades. Nessa conta não entra a receita das igrejas com dízimos, por exemplo.

    Ninguém diz que contará com o respaldo financeiro de integrantes da igreja, ainda mais diante da proibição do financiamento das campanhas por empresas.

    Pacco disse que estima gastar 300 mil reais na campanha --o teto legal de despesas para a sua campanha é de 2,5 milhões de reais. Ele espera contar com recursos do fundo eleitoral previstos para o Podemos, partido ao qual é filiado, mas que ainda não informou quanto vai disponibilizar para a disputa, e doações de pessoas próximas.

    'Vai ser uma campanha franciscana', disse Pacco, que também fará uma vaquinha eletrônica para garantir um suporte financeiro.

    Segundo a professora da UFRJ, candidatos a cargos eletivos evangélicos partem de uma vantagem em relação aos demais por contarem com uma estrutura institucional de apoio, mesmo que não haja apoio financeiro às campanhas.

    'Essas candidaturas são trabalhadas com muita antecipação', disse a professora, citando, por exemplo, o endosso de lideranças religiosas aos candidatos e o uso de rádios para torná-los conhecidos.

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    Cid evita falar sobre adesão de blocão a Alckmin, mas minimiza impacto em candidatura de Ciro

    Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - Coordenador da campanha de Ciro Gomes à Presidência, o ex-governador Cid Gomes afirmou nesta sexta-feira, na chegada à convenção do PDT que vai confirmar a candidatura de seu irmão, que não fala sobre 'possibilidades', ao ser questionado sobre a adesão do blocão ao tucano Geraldo Alckmin, mas minimizou o impacto ao dizer que a estratégia sempre foi buscar alianças 'progressistas'.

    'Não posso, não devo falar sobre possibilidades, o dia que tiver uma coisa acertada eu falo', afirmou Cid ao chegar à convenção. 'A gente sempre teve muito claramente definida nossa estratégia que é buscar o apoio do PSB, dos partidos progressistas e pensar em governar o Brasil', acrescentou.

    Na quinta-feira, o blocão, formado por DEM, PR, PRB, Solidariedade e PP, decidiu, em uma série de reuniões, fechar o apoio ao candidato tucano, em uma reviravolta causada por um contra-ataque do PSDB, mas também pela entrada no grupo do PR que, depois de desistir de aliança com Jair Bolsonaro (PSL), dava preferência ao tucano.

    Cid confirmou que o partido continua esperando uma aliança com o PSB que, segundo ele, seria mais alinhada com o perfil de Ciro.

    'Daria moldura à candidatura do Ciro, aquela que ele gostaria de ter, de um candidato progressista, um candidato popular, que trabalha pelo povo brasileiro de fato. Qualquer partido, que seja do arco progressista ou não, que se disponha a apoiar esses princípios será bem-vindo', afirmou.

    Cid defendeu o irmão candidato das principais razões apontadas pelo blocão para desistir da aliança: a dificuldade de controlar a língua e questões econômicas divergentes.

    'Sinceramente acho que o povo brasileiro não tolera mais a falsidade, o discurso da promessa fácil. O Ciro tem tido uma postura franca e sincera e às vezes isso desagrada alguns. Mas Ciro continua do jeito que é: franco, sincero e apaixonado por resolver os problemas do país', defendeu.

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