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    Corpo de ex-presidente peruano Alan García é velado em sede de partido político

    LIMA (Reuters) - O corpo do ex-presidente peruano Alan García estava sendo velado nesta quinta-feira na sede do partido político que o levou a presidir o país duas vezes, e o governo decretou três dias de luto nacional devido à sua morte repentina.

    Na sede da Apra, um dos partidos mais antigos da América Latina, centenas de simpatizantes, amigos e dirigentes de diversos partidos políticos se aproximavam do caixão de García, que foi levado ao local na noite de quarta-feira em um carro fúnebre escoltado por dezenas de policiais motorizados.

    'Alan dignidade', 'Alan dignidade', bradaram seus seguidores, muitos erguendo lenços brancos na sede partidária, chamada 'A Casa do Povo' e localizada no centro de Lima.

    García, de 69 anos, se suicidou com um tiro na cabeça quando a polícia chegou à sua casa para prendê-lo em decorrência de uma investigação de corrupção que envolve a construtora brasileira Odebrecht, em uma reviravolta dramática no maior escândalo de subornos da América Latina.

    O presidente Martín Vizcarra decretou três dias de luto nacional pela morte de García e ordenou que a bandeira peruana seja hasteada a meio mastro em todos os edifícios públicos, incluindo o Congresso, onde García foi deputado.

    O governo ofereceu à família de García uma cerimônia com honras, como corresponde a um ex-presidente, mas esta a recusou e preferiu um velório privado com amigos, disse o secretário pessoal de García, Ricardo Pinedo.

    O velório teve a presença de políticos e parlamentares de vários partidos, entre eles a vice-presidenta Mercedes Aráoz, que foi ministra da Economia no segundo mandato de García.

    A morte de García pode aprofundar a divisão entre o governo de Vizcarra e a oposição de direita que controla o Congresso, onde o ex-mandatário tinha aliados influentes.

    Durante o velório, partidários do ex-presidente gritaram 'Vizcarra assassino', uma alusão às críticas recentes de García, que havia se declarado um 'perseguido político'.

    Segundo a polícia e pessoas próximas do ex-mandatário, García usou uma das cinco armas de fogo que tinha em seu poder para tirar a vida. Após o disparo contra a cabeça, policiais que iam detê-lo o levaram ao hospital mais próximo, mas o político morreu cerca de três horas depois.

    Se a detenção de García tivesse sido efetuada, ele teria se convertido no terceiro ex-presidente do Peru a ser preso no caso Odebrecht. Ollanta Humala passou nove meses em prisão preventiva entre 2017-2018, Pedro Pablo Kuczynski foi preso sem acusações na semana passada e Alejandro Toledo luta contra um pedido de extradição dos Estados Unidos.

    Todos negaram as acusações.

    (Por Marco Aquino)

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    Ex-presidente peruano Alan García morre após atirar na cabeça para evitar prisão em caso Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O ex-presidente peruano Alan García morreu em um hospital de Lima, nesta quarta-feira, após atirar na cabeça enquanto a polícia chegava à residência dele para prendê-lo por ligação com caso de suborno e corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht, disseram autoridades.

    García tinha 69 anos.

    Habilidoso orador que governou o país por dois mandatos -- primeiro como político de esquerda e, depois, como campeão dos investimentos estrangeiros e livre comércio --, García enfrentava acusações de corrupção nos últimos anos, que negava repetidamente.

    Ele foi uma das nove pessoas cuja prisão foi ordenada por um juiz devido a ligação com subornos distribuídos pela empreiteira Odebrecht, que desencadeou o maior escândalo da América Latina ao admitir publicamente em 2016 que subornou políticos e autoridades políticas para ganhar contratos lucrativos na região.

    Membros do partido de García anunciaram o falecimento para multidões reunidas do lado de fora do hospital Casimiro Ulloa, onde o ex-presidente sofreu três paradas cardíacas e passou por uma cirurgia de emergência.

    O presidente do Peru, Martín Vizcarra, disse no Twitter que estava 'consternado' com a morte de García e manifestou condolências aos membros da família.

    García governou o país como nacionalista de 1985 a 1990 antes de se transformar em um defensor do livre mercado e ganhar um novo mandato de cinco anos em 2006.

    Ele negava irregularidades envolvendo a Odebrecht, alegando perseguição política como motivo de seus problemas legais.

    'Outros podem se vender, mas eu não', afirmou García em comentários transmitidos na terça-feira, repetindo uma frase que usou com frequência quando seus inimigos políticos se envolveram na investigação da Odebrecht.

    O ministro do Interior, Carlos Morán, disse em uma coletiva de imprensa antes da morte de García que o ex-presidente comunicou à polícia que precisava ligar para seu advogado após as autoridades chegarem a sua casa em Lima para prendê-lo.

    'Ele entrou em seu quarto e fechou a porta atrás dele', disse Morán. 'Em alguns minutos, um disparo de uma arma foi ouvido, e a polícia entrou à força no quarto e encontrou o Sr. García sentado com uma ferida em sua cabeça.'

    No ano passado, García pediu asilo político ao Uruguai após ser impedido de deixar o Peru. O Uruguai negou o pedido.

    García seria o terceiro ex-presidente peruano a ir preso pelo caso Odebrecht. Em 2017-2018, Ollanta Humala passou nove meses em detenção pré-julgamento e Pedro Pablo Kuczynski foi preso sem acusações na semana passada.

    Um quatro ex-presidente, Alejandro Toledo, está lutando contra extradição na Califórnia depois que um juiz peruano ordenou sua detenção por 18 meses em ligação ao caso Odebrecht em 2017.

    Todos negaram envolvimento com a empreiteira brasileira.

    No Peru, suspeitos criminais podem ser condenados a até três anos de prisão antes do julgamento caso os promotores demonstrem que têm provas que provavelmente levariam a uma condenação, e o suspeito possivelmente fugiria ou tentaria interferir na investigação.

    (Reportagem de Mitra Taj e Marco Aquino)

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    Ex-presidente do Peru Alan García atira em si mesmo após polícia tentar prendê-lo por caso Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O ex-presidente do Peru Alan García atirou em si mesmo após a polícia chegar à casa dele em Lima para prendê-lo, nesta quarta-feira, por ligação com investigação de suborno relacionada à empreiteira Odebrecht, disse uma fonte de polícia.

    García, de 69 anos, foi levado imediatamente ao hospital Casimiro Ulloa, disse a fonte, que pediu anonimato porque não estava autorizada a falar com a mídia.

    A TV local America informou que García entrou em coma depois de passar por uma cirurgia de emergência. Imagens do filho de García e de apoiadores chegando ao hospital foram televisionadas.

    Erasmo Reyna, advogado de García, disse aos jornalistas que a condição do ex-presidente era 'delicada'. 'No momento, ele está sendo operado. Vamos rezar a Deus para dar-lhe força', disse Reyna em comentários televisionados.

    García, habilidoso orador que liderou o uma vez poderoso partido Apra por décadas, governou o Peru como nacionalista de 1985 a 1990 antes de se transformar em um defensor do livre mercado e ganhar um novo mandato de cinco anos em 2006.

    García está sendo investigado por ligação com a Odebrecht, que desencadeou o maior escândalo da América Latina após admitir publicamente em 2016 que ganhou contratos lucrativos na região devido a subornos a políticos e autoridades públicas.

    No ano passado, García, que nega irregularidades, pediu asilo político ao Uruguai após ser impedido de deixar o Peru. O Uruguai negou o pedido.

    (Por Marco Aquino)

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    Ex-presidente peruano Kuczynski é detido por caso de corrupção vinculado à Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski foi levado de sua casa para uma delegacia nesta quarta-feira em cumprimento a um mandado de prisão temporária de 10 dias emitido por um juiz enquanto é investigado por sua relação com supostos atos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

    Kuczynski assumiu a presidência em meados de 2016, mas renunciou em março de 2018 devido à divulgação de vídeos que mostraram uma suposta compra de votos para evitar que o Congresso o destituísse na esteira de acusações de que ele mentiu sobre seus vínculos com a Odebrecht.

    O ex-mandatário rechaçou a decisão judicial e afirmou que se trata de um momento muito duro para ele, mas que o enfrentará com 'a integridade de quem só teve o anseio de ter um país melhor'.

    'É uma arbitrariedade. Colaborei totalmente com todas as investigações e compareci pontualmente a todas as convocações das autoridades judiciais. Nunca me esquivei da Justiça', afirmou ele no Twitter.

    Kuczynski, um ex-banqueiro de 80 anos que trabalhou em Wall Street, já havia sido proibido de sair do país por 18 meses.

    Seu advogado, Nelson Miranda, qualificou o mandado de prisão como 'arbitrário' em declarações à televisão e anunciou que apelará da decisão judicial.

    Imagens da TV local mostraram o traslado de Kuczynski de sua residência, no bairro residencial San Isidro, à sede do Instituto Médico Legal de Lima.

    O ex-presidente parecia tranquilo ao ingressar para um exame de seu estado de saúde, parte do processo de detenção solicitado por uma equipe legal. Depois ele foi levado à sede policial de Lima.

    O escândalo de corrupção da empreiteira brasileira respingou nos quatro ex-presidentes anteriores do país minerador desde 2001: Alejandro Toledo, Alan García, Ollanta Humala e agora Kuczynski.

    Procuradores acusam o ex-líder de estar ligado a 'atos de corrupção' devido a contratos para construir uma estrada e uma obra de irrigação oferecidos à Odebrecht quando Kuczynski era ministro de Toledo, segundo a denúncia vista pela Reuters. Sua secretária e seu chofer também são alvos de mandados de prisão temporária de 10 dias, acrescentou.

    Kuczynski, que teve a cidadania norte-americana, negou qualquer delito em sua relação com a Odebrecht e se comprometeu a cooperar com os procuradores que investigam os vínculos de empresas brasileiras com políticos locais.

    (Por Marco Aquino, Mitra Taj e Guadalupe Pardo)

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    Baleia de 4 patas do Peru caminhava e nadava há 43 milhões de anos, dizem pesquisadores

    Por Will Dunham

    WASHINGTON (Reuters) - Cientistas escavaram fósseis de uma baleia de quatro patas que habitava a terra e o mar cerca de 43 milhões de anos atrás em um deserto do litoral sul do Peru, em uma descoberta que ilumina um estágio essencial da evolução inicial dos cetáceos.

    O mamífero de 4 metros de comprimento, batizado de 'Peregocetus pacificus', representa uma etapa intermediária crucial antes de as baleias se adaptarem totalmente à existência marinha, disseram cientistas nesta quinta-feira.

    Seus quatro membros eram capazes de suportar o peso na terra, o que significa que o 'Peregocetus' podia voltar ao litoral rochoso para descansar e talvez dar à luz, mesmo passando a maior parte do tempo no mar.

    Seus pés e mãos tinham pequenos cascos e provavelmente tinham membranas para ajudá-los a nadar. Como tinham dedos longos e membros relativamente esguios, pode não ter sido fácil para eles se movimentar na terra.

    Seu focinho alongado e seus dentes robustos --incisos e caninos grandes para agarrar e molares que rasgavam a carne-– tornava o 'Peregocetus' hábil para apanhar presas de tamanho médio, como peixes.

    'Achamos que ele se alimentava na água, e que sua locomoção submarina era mais fácil do que na terra', disse Olivier Lambert, paleontólogo do Instituto de Ciências Naturais Real Belga, que liderou a pesquisa publicada no periódico científico Current Biology.

    As origens evolucionárias das baleias eram pouco conhecidas até os anos 1990, quando fósseis dos exemplares mais antigos foram descobertos.

    O 'Peregocetus' representa o esqueleto de baleia quadrúpede mais completo fora da Índia e do Paquistão, e o primeiro conhecido da região do Pacífico e do Hemisfério Sul.

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    Nova procuradora-geral do Peru critica lei proposta por presidente para reformar Ministério Público

    LIMA (Reuters) - A nova procuradora-geral do Peru, Zoraida Ávalos, criticou na terça-feira uma legislação proposta pelo presidente peruano, Martín Vizcarra, para reformular a Procuradoria, advertindo que a medida violaria a autonomia da instituição.

    Zoraida disse que enviará ao Congresso seu próprio projeto de lei para fortalecer a confiança no Ministério Público peruano, que ficou comprometida depois que seu predecessor no comando da organização tentou demitir dois importantes promotores da investigação de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, na semana passada.

    Os comentários de Zoraida refletem o argumento de críticos que têm acusado Vizcarra de ultrapassar os limites do cargo, à medida que o presidente busca políticas para combater a corrupção enraizada em uma das economias que cresce mais rápido na América Latina.

    Vizcarra propôs a legislação, que mudaria a estrutura da liderança da Procuradoria, depois que o ex-procurador-geral Pedro Chávarry inicialmente se recusou a renunciar, apesar de crescente pressão e de protestos na semana passada.

    Chávarry acabou renunciando na terça-feira, se retratando como a vítima de uma campanha midiática para difamá-lo.

    “Eu entendo que esse projeto de lei foi proposto devido à crise que vivíamos”, disse Zoraida a repórteres após assumir o cargo. “Mas acho que é claro que é um projeto de lei que, de uma maneira, viola a estrutura constitucional ou o projeto constitucional da Procuradoria”.

    O gabinete de Vizcarra não respondeu de imediato a pedidos por comentário.

    Ex-vice-presidente do Peru, Vizcarra tem feito do combate à corrupção o foco de seu governo, após assumir a Presidência no ano passado para substituir Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou devido a um dos muitos escândalos de corrupção a abalar o Peru nos últimos anos.

    Vizcarra havia pedido repetidamente a renúncia de Chávarry, mas não tinha poderes para demiti-lo diretamente. De acordo com a Constituição peruana, apenas o Congresso, onde Chávarry contava com apoio da maioria de oposição, pode remover o procurador-geral.

    Zoraida também havia pedido a renúncia de Chávarry. Após assumir o cargo para substituí-lo, ela prometeu apoio completo aos promotores que investigam a corrupção.

    Os dois promotores inicialmente demitidos por Chávarry, Rafael Vela e José Domingo Pérez, são vistos como figuras essenciais na investigação envolvendo a Odebrecht no Peru.

    Os dois haviam recentemente elaborado um acordo de leniência que obrigava a construtora a fornecer evidências sobre 30 milhões de dólares em propinas que admite ter pago a políticos locais.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de diversos países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

    (Reportagem de Marco Aquino e Mitra Taj)

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    Procurador-geral do Peru renuncia em meio a investigação da Odebrecht

    Por Marco Aquino

    LIMA (Reuters) - O procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, disse que irá renunciar nesta terça-feira, em meio à crescente indignação pública com a maneira como tem lidado com a investigação de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

    A decisão de Chávarry acontece pouco mais de uma semana depois que ele demitiu dois importantes promotores do inquérito, uma medida que desencadeou ampla condenação e uma ameaça do presidente peruano, Martín Vizcarra, de suspendê-lo.

    Chávarry negou as acusações de que estaria tentando interferir na investigação e, mais tarde, reconvocou os dois promotores, ambos admirados no Peru como combatentes da corrupção.

    Entretanto, a reversão não foi suficiente para acalmar muitos peruanos, que têm continuado a protestar contra Chávarry.

    Na noite de segunda-feira, Chávarry disse em comunicado que irá apresentar sua renúncia do Ministério Público peruano às 10h (13h no horário de Brasília) desta terça-feira por “respeito a minha instituição”.

    A decisão de Chávarry marca uma importante vitória para o presidente Vizcarra que, na semana passada, enviou ao Congresso uma legislação para suspender o procurador-geral do cargo.

    Vizcarra, que substituiu o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski após sua renúncia devido a um escândalo de corrupção no ano passado, tem feito do combate à corrupção o foco de seu governo.

    Os dois promotores inicialmente demitidos por Chávarry, Rafael Vela e José Domingo Pérez, são vistos como figuras essenciais na investigação da Odebrecht no Peru.

    Os dois haviam recentemente elaborado um acordo de leniência que obrigava a construtora a fornecer evidências sobre 30 milhões de dólares em propinas que a empresa admite ter pago a políticos locais.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de diversos países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

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    Procurador-geral do Peru reverte afastamento de procuradores de inquérito da Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, reconvocou na quarta-feira dois procuradores destacados que havia afastado do inquérito sobre corrupção envolvendo a Odebrecht, depois que a decisão causou um repúdio generalizado e o presidente Martín Vizcarra ameaçou suspendê-lo.

    Os procuradores Rafael Vela e José Domingo Pérez acertaram um acordo de leniência com a Odebrecht que obrigava a empreiteira brasileira a apresentar provas de cerca de 30 milhões de dólares em propinas que disse ter pago a políticos locais.

    Muitos peruanos os louvam por vê-los como verdadeiros combatentes da corrupção por mirarem políticos notórios, inclusive quatro ex-presidentes e a líder opositora Keiko Fujimori.

    No entanto, na noite de segunda-feira Chavarry anunciou que estava afastando Vela e Pérez do caso por excederem sua autoridade.

    Na quarta-feira, depois de ser alvo de protestos e críticas, Chavarry assinou uma resolução restituindo ambos aos seus postos e dizendo que outros procuradores se recusaram a substituí-los.

    O recuo foi mais uma vitória de Vizcarra, que havia prometido fazer tudo que pudesse para reconduzir os dois procuradores ao caso.

    No início da quarta-feira Vizcarra enviou uma legislação ao Congresso para afastar Chavarry de seu cargo e declarar um estado de emergência na Procuradoria-Geral para reestruturá-la.

    Chavarry negou ter tentado interferir no inquérito sobre a Odebrecht dispensando Pérez e Vela.

    Vizcarra, que assumiu no lugar do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou no ano passado devido a um escândalo de corrupção, fez do combate à corrupção um dos pilares de seu governo. Seu índice de aprovação superava os 60 por cento no final de 2018, na esteira de reformas para extirpar o nepotismo enraizado que foram aprovadas com grande respaldo em um referendo.

    Vizcarra pediu a renúncia de Chavarry diversas vezes, mas pela Constituição peruana só o Congresso pode afastar o procurador-geral.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de uma dúzia de países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

    (Por Mitra Taj)

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    Presidente do Peru visa reforma trabalhista após pacote anticorrupção

    Por Mitra Taj e Marco Aquino

    LIMA (Reuters) - O governo do presidente do Peru, Martín Vizcarra, que teve sucesso na aprovação de propostas anticorrupção, está trabalhando em um objetivo menos popular: afrouxar as leis trabalhistas do país.

    O ministro das Finanças, Carlos Oliva, disse à Reuters na quinta-feira que o governo trabalhará para aprovar leis trabalhistas menos rígidas na esperança de incentivar mais empregos formais e, ao mesmo tempo, reduzir os custos das empresas e reforçar a produtividade.

    Conseguir aprová-lo não será uma tarefa pequena. Apesar de consecutivos governos pró-mercado, nenhum presidente peruano recente mexeu no tópico politicamente delicado das fortes proteções da nação para os trabalhadores formais.

    Comentários de Vizcarra sobre algum tipo de reforma trabalhista já irritaram sindicatos de trabalhadores e provocaram a renúncia do ministro do Trabalho.

    'Sabemos que é complicado. Sabemos que é difícil. Mas ao mesmo tempo sabemos que não podemos usar a abordagem 'esconder a cabeça na areia' dizendo 'vamos deixar o próximo fazê-lo, é difícil demais'', disse Oliva durante uma entrevista em seu gabinete.

    Vizcarra era relativamente desconhecido quando tomou posse em março, depois de seu antecessor renunciar devido a um escândalo de corrupção. Mas seu índice de aprovação foi a mais de 60 por cento depois que ele propôs leis para acabar com a corrupção enraizada, um gesto que a grande maioria dos peruanos apoiou em um referendo neste mês.

    Indagado se Vizcarra usará seu capital político para garantir a aprovação da reforma trabalhista, Oliva respondeu: 'Vamos levá-la até o fim. Usaremos toda nossa força, todas nossas habilidades para conseguir as reformas que o país precisa'.

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    Peru está perto de fechar acordo com Odebrecht em inquérito de corrupção, diz procurador

    Por Marco Aquino

    LIMA (Reuters) - A empreiteira brasileira Odebrecht está perto de fechar um acordo com procuradores peruanos que investigam propinas pagas pela empresa por contratos de obras públicas no Peru, disse um procurador na segunda-feira.

    A Odebrecht admitiu ter gasto cerca de 30 milhões de dólares em subornos para obter contratos no país sul-americano e concordou em fornecer detalhes dos pagamentos aos procuradores, o que culminará em um acordo formal de admissão de culpa para diminuir a exposição da empresa a riscos legais.

    'É verdade que estamos quase fechando tudo', disse Rafael Vela, um dos procuradores que investigam a Odebrecht, à Reuters. Ele não quis dar detalhes sobre o que o acordo incluirá.

    O jornal Valor Econômico de segunda-feira disse que a construtora assinará um acordo definitivo com as autoridades peruanas que a investigam nesta semana.

    Não foi possível obter comentários de representantes da procuradoria-geral de imediato.

    O escritório da Odebrecht em Lima disse à Reuters que a empresa está envolvida em conversas para fechar um acordo, mas não quis dar maiores detalhes.

    'A Odebrecht Peru mantém seu compromisso de colaborar com a justiça e a confidencialidade do caso, por isso não pode fazer nenhum comentário sobre a questão', disse à Reuters em um email.

    A Odebrecht está no cerne da Operação Lava Jato, escândalo de corrupção que repercutiu em toda a América Latina. Em 2016 ela admitiu em um acordo de leniência que subornou autoridades de uma dúzia de países para assegurar contratos de obras públicas ao longo de mais de uma década e concordou em pagar a soma inédita de 3,5 bilhões de dólares em acordos feitos nos Estados Unidos, no Brasil e na Suíça.

    Depois do Brasil, o Peru é o país onde o escândalo da Odebrecht causou mais impacto. Os quatro últimos presidentes peruanos estão sendo investigados por ligações com supostas propinas pagas pela Odebrecht.

    A investigação emperrou em julho, quando a empreiteira fez queixas do inquérito peruano a autoridades brasileiras. À época fontes disseram que a companhia quer proteções legais por se sentir tratada como suspeita, e não como uma informante voluntária.

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    Peru defende solução não militar para Venezuela, diz presidente

    Por Dave Graham

    NOVA YORK (Reuters) - O Peru rejeita uma solução militar para a crise da Venezuela, mas outras opções estão sendo discutidas para aumentar a pressão imposta ao governo do presidente Nicolás Maduro, incluindo a apresentação de uma queixa sobre direitos humanos, afirmou o presidente peruano, Martín Vizcarra, em entrevista.

    A Venezuela, que tem sofrido um colapso econômico e uma emigração em massa sob o governo Maduro, deve ser um dos assuntos centrais da Assembleia Geral da ONU realizada em Nova York nesta semana.

    Vizcarra disse que novas medidas econômicas e diplomáticas contra a Venezuela estão sendo consideradas, incluindo a apresentação de uma queixa de 'direitos humanos', mas que não há a possibilidade de ação militar.

    'Como país, precisamos ser claros ao dizer que rejeitamos uma solução militar, como de guerra', disse Vizcarra à Reuters em Nova York.

    'O que precisamos fazer é encontrar um jeito de sancionar o regime sem afetar a população', acrescentou.

    Vizcarra não entrou em detalhes sobre a medida de direitos humanos, mas pouco depois o presidente da Colômbia, Ivan Duque, disse em evento, também em Nova York, que ele e outros chefes de Estado assinarão nesta semana uma declaração denunciando o governo Maduro ao Tribunal Penal Internacional, em Haia.

    A Venezuela tem rejeitado as críticas ao governo Maduro como propagandas hostis e tentativas de abrir caminho para uma intervenção de potências estrangeiras no país.

    (Reportagem adicional de Dan Bases e Michelle Nichols)

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    Em vitória rara de presidente peruano, Congresso aprova voto de confiança no governo

    Por Mitra Taj e Marco Aquino

    LIMA (Reuters) - O Congresso de maioria opositora do Peru renovou a confiança no governo do presidente Martín Vizcarra, na noite de quarta-feira, evitando uma crise política que teria lhe custado seu gabinete e provocado novas eleições legislativas.

    A votação de 82 a 22 a favor do governo de centro de Vizcarra compromete os legisladores com a aprovação de suas reformas políticas e judiciais até 4 de outubro, em uma vitória rara sobre o partido de oposição conservador Força Popular, que controla o Congresso.

    Mais cedo na quarta-feira a líder do Força Popular, Keiko Fujimori, candidata presidencial derrotada duas vezes e filha do ex-autocrata Alberto Fujimori, acusou Vizcarra de tentar dar um golpe de Estado legislativo.

    Pela Constituição peruana, uma moção de rejeição teria obrigado Vizcarra a substituir todo seu gabinete, mas como o Congresso já demitiu um gabinete ele também teria podido reagir convocando eleições legislativas.

    Vizcarra pediu união após a votação.

    'Não há vencedores ou perdedores aqui', disse Vizcarra no Twitter. 'Só o Peru vence'.

    Vizcarra havia pedido uma moção de confiança na noite de domingo para forçar a aprovação de leis visando combater a corrupção enraizada e reinstaurar a confiança nas instituições públicas após escândalos consecutivos no último ano e meio.

    Críticos do Força Popular pressionavam Vizcarra a adotar uma postura mais combativa diante do partido opositor, que ajudou a depor seu antecessor, o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski.

    Kuczynski renunciou devido a alegações de corrupção às vésperas da segunda votação de um impeachment apoiado pelo Força Popular em março. Vizcarra, seu vice, tomou posse prometendo combater a corrupção 'a qualquer preço'.

    'Tenho confiança total de receber o voto de confiança hoje', disse Vizcarra aos jornalistas, cercado por seu gabinete, antes da votação. 'Os quatro projetos de lei precisam ser aprovados'.

    As propostas de Vizcarra, que exigem alterações na Constituição, incluem adotar um novo sistema de seleção de juízes, acabar com a reeleição de parlamentares, voltar a ter um Congresso bicameral e endurecer o financiamento de campanhas.

    Ele as apresentou em julho, depois que um escândalo de tráfico de influência no judiciário provocou protestos nas ruas e revolta contra a classe política.

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