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    Apenas um 'cataclisma' poderia abalar cenário da Vale, diz CEO

    Por Marta Nogueira e Alexandra Alper

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A escassez no mercado global de minério de ferro de alta qualidade, como o produzido pela Vale, garante à mineradora um ambiente de estabilidade para um desempenho adequado em qualquer condição nos próximos trimestres, disse nesta quinta-feira o diretor-presidente da companhia.

    Na visão de Fabio Schvartsman, os preços do minério de ferro seguem firmes, em linha com as expectativas da empresa, mesmo diante de notícias de guerra comercial, fazendo referência às disputas globais travadas entre as gigantes economias norte-americana e chinesa.

    'Com relação aos impactos da guerra comercial, é importante enfatizar que a gente crê que não existe qualquer impacto relevante sobre a Vale derivado disso no horizonte previsível', afirmou Schvartsman, em teleconferência com analistas de mercado que acompanham a maior produtora e exportadora global de minério de ferro.

    'Existe uma sobreoferta de outros minérios e existe uma escassez dos minérios produzido pela Vale, que garantem para a Vale um desempenho adequado em qualquer condição. Então precisaria de fato um cataclisma para que isso mudasse.'

    O executivo ponderou que 'declarações de obstáculos ao comércio internacional' têm trazido oscilações importantes para muitos minérios, mas não para o minério de ferro, que é o carro chefe da Vale, devido à demanda pela commodity com maior teor de ferro e menos impurezas, principalmente na China, maior importador global.

    Para ele, essa situação reafirma a confiança de que, 'em cenários normais, temos uma probabilidade muito grande de que os preços fiquem razoavelmente ancorados onde eles estão'.

    No segundo trimestre, o prêmio de qualidade no preço de finos de minério de ferro realizado da Vale atingiu um recorde de 7,1 dólares por toneladas no período, compensando uma queda de 9 dólares por tonelada no valor do minério de ferro no período.

    ESTOQUES

    A empresa seguirá aumentando levemente os estoques de minério de ferro no exterior, ao longo do segundo semestre, com alta de 4 milhões a 5 milhões de toneladas, mas já aponta para uma certa estabilidade em 2019, explicaram executivos.

    A ideia é permitir que os estoques fiquem mais próximos de seus clientes.

    Os chamados 'Brazilian Blend Fines', uma mistura de minérios da Vale que garantem maior teor de ferro, com baixos níveis de impurezas (como alumina e fósforo), serão em 2019 o produto de maior volume da companhia, segundo o diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão, Peter Poppinga.

    A Vale relatou na noite de quarta-feira lucro líquido de 306 milhões de reais no segundo trimestre, mas o resultado poderia ter superado 7 bilhões de reais, não fosse o efeito contábil das flutuações cambiais, em um período que a empresa qualificou como 'extraordinário' para seus negócios.

    Analistas de mercado consideraram o resultado da empresa positivo.

    'Vemos a Vale agora como uma empresa mais previsível que antes, menos suscetível às oscilações do mercado e mais bem preparada para seguir seu caminho rumo à perpetuidade', disse o BB Investimentos em relatório a clientes.

    A Vale anunciou ainda um programa de recompra de 1 bilhão de dólares, além do dividendo mínimo de 2,05 bilhões de dólares para o primeiro semestre de 2018. 'Vemos isso como o começo do que deve ser o maior ciclo de dividendos da história da Vale', disse a corretora XP Investimentos.

    As ações da empresa fecharam nesta quinta-feira com alta de 2 por cento, enquanto o Ibovespa caiu 1 por cento.

    PRÊMIOS DE MINÉRIO DE FERRO

    Schvartsman pontuou que a expectativa é que o prêmio permaneça crescente, devido ao aumento da produção da mina S11D, em Canaã dos Carajás, no Pará, de alta qualidade.

    A respeito do S11D, Poppinga ressaltou que é preciso 'desmistificar um medo que o pessoal tem no mercado de que haverá uma sobreoferta de Carajás'.

    Poppinga explicou que a empresa está completamente' sobrevendida em Carajás, inclusive de volumes ainda não produzidos, e que a produção está ainda sendo destinada a segmentos que não são tradicionais no mercado transoceânico, como o Leste Europeu.

    Além disso, destacou que o minério do S11D também está sendo utilizado na fabricação de pelotas e para envio à Índia.

    A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado entre abril e junho foi de 14,187 bilhões de reais, alta de 60,6 por cento ante o mesmo período de 2017 e crescimento de 10 por cento em relação ao primeiro trimestre.

    Schvartsman ainda frisou que a meta da dívida seguirá sendo 10 bilhões de dólares.

    A Vale reduziu sua dívida líquida para 11,519 bilhões de dólares em 30 de junho, queda de 3,382 bilhões de dólares com relação a 31 de março.

    SAMARCO

    Sobre a joint venture Samarco, o executivo disse que um plano de negócios sobre a mineradora está sendo finalizado, o que poderá dar maior clareza sobre o futuro da companhia, que está há quase três anos sem produzir após o rompimento de uma de suas barragens em 2015.

    No entanto, ele ponderou que o retorno da empresa depende de licenciamentos ambientais, cujos prazos não são controlados por companhias.

    A Samarco pertence à Vale e a anglo-australiana BHP Billiton,.

    (Por Marta Nogueira e Alexandra Alper; reportagem adicional de Tatiana Bautzer; edição de Roberto Samora)

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    Diesel volta a subir nos postos apesar de programa de subsídio do governo

    Por Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O preço médio do diesel nos postos do Brasil subiu levemente na semana passada, após cinco quedas consecutivas, na primeira alta semanal desde a instituição de um programa de subsídios do governo federal a produtores como a Petrobras e importadores.

    O valor médio do diesel nos postos brasileiros atingiu 3,388 reais por litro na semana encerrada em 14 de julho, alta de 0,1 por cento ante a semana anterior, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicados no site da autarquia entre terça-feira e esta quarta-feira.

    O pequeno avanço no preço ocorreu mesmo diante dos esforços do governo, que incluíram redução de tributos, para diminuir os valores e para atender demandas de caminhoneiros, após uma paralisação histórica em rodovias em maio contra a alta dos custos do combustível.

    O presidente da Plural, que representa as principais distribuidoras de combustíveis do Brasil, Leonardo Gadotti, acredita que o leve aumento da média nacional do diesel nas bombas foi resultado de uma alta recente dos preços do biodiesel.

    O combustível nas bombas contém 90 por cento de diesel fóssil, que está sendo subsidiado pelo governo, e 10 por cento do biodiesel, que não recebeu qualquer benefício do programa de subvenção.

    'O que vem acontecendo com o diesel (nas bombas), essa pequena alta... foi porque houve um aumento do biodiesel no último leilão que aconteceu. Isso impactou a mistura', disse Gadotti à Reuters.

    Procurada, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) não comentou diretamente o leve aumento nas bombas na semana passada. No entanto, criticou o programa de subvenção ao combustível fóssil.

    'O preço do diesel na bomba é artificial porque é subsidiado e esta conta está sendo dividida por todos os cidadãos que pagam impostos, inclusive o setor de biodiesel', afirmou em nota à Reuters.

    'Subsidiar diesel fóssil é pagar mal. E quem paga mal paga duas vezes. É isso que acontece hoje: pagamos na bomba e pagamos via subsídio um produto que é poluente.'

    A Ubrabio disse ainda que assim que o programa acabar o diesel fóssil voltará ao valor anterior à greve dos caminhoneiros, 'derrubando este argumento de que o biodiesel encarece o combustível'.

    A ANP informou que não irá comentar o aumento dos preços.

    Procurado, o Ministério da Justiça não pôde responder imediatamente.

    SUBVENÇÃO AO DIESEL FÓSSIL

    Conforme o programa de subsídio ao diesel fóssil, produtores e importadores têm que congelar os seus preços de comercialização do diesel em valores estipulados pelo governo federal, para serem ressarcidos em até 30 centavos de real por litro pela União, dependendo de condições de mercado.

    Um total de 31 companhias, incluindo a Petrobras, inscreveram-se para participar da segunda fase do programa de subsídios ao diesel, em vigor entre 8 de junho e o fim de julho, informou a ANP anteriormente.

    O objetivo do governo é que as empresas reduzam seus preços, sem que sejam prejudicadas financeiramente.

    Com a leve alta, os preços do diesel interromperam uma série de cinco quedas que ocorreram após um recorde registrado na semana entre 27 de maio e 2 de junho, de 3,828 reais por litro.

    Os preços em níveis recordes em maio levaram a uma paralisação de 11 dias de caminhoneiros, que causou graves desabastecimentos de produtos em diversos pontos e prejuízos à economia brasileira.

    A ideia inicial do governo era conseguir uma redução de 46 centavos no preço do diesel nos postos.

    Para atingir essa meta, além do programa de subsídios, o governo reduziu tributos federais e contou com uma redução das cobranças de ICMS pelos Estados, o que está demorando a acontecer de forma completa.

    A gasolina, por sua vez, registrou média nos postos brasileiros de 4,494 reais por litro na semana passada, leve queda de 0,02 por cento sobre a semana anterior, segundo a ANP.

    O etanol hidratado, concorrente direto da gasolina nas bombas, por sua vez, teve queda 0,9 por cento na semana, para 2,808 reais por litro, mostrou a pesquisa da ANP.

    (Por Marta Nogueira)

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    Preços do diesel nos postos caem pela 3ª semana seguida, diz ANP

    Por Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços do diesel nos postos do Brasil recuaram pela terceira semana consecutiva, apontaram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), como resultado de um programa de subsídios ao combustível fóssil lançado pelo governo federal para atender demandas de caminhoneiros.

    O valor médio do diesel nos postos brasileiros atingiu uma média de 3,397 reais por litro na semana passada, queda de 1 por cento em relação aos 3,434 reais por litro registrados ante a semana anterior, segundo pesquisa semanal da ANP, publicada na noite de segunda-feira.

    Nas duas semanas passadas, o combustível --o mais consumido no Brasil-- nos postos havia caído 9 por cento e 1,4 por cento respectivamente. As três quedas ocorreram após um recorde registrado na semana entre 27 de maio e 2 de junho, de 3,828 reais por litro.

    No entanto, os recuos do diesel ainda não atingiram o corte de 0,46 real por litro desejado pelo governo federal, fruto de negociações com os caminhoneiros para encerrar uma enorme greve de 11 dias realizada no mês passado, que desabasteceu diversos pontos do país e causou sérios danos a economia.

    Isso ocorre porque, além de um programa de subsídios à produtores e importadores de combustíveis e de corte de impostos federais, o governo conta ainda com que Estados reduzam o preço de referência para o cálculo de ICMS sobre combustíveis para atingir o prometido, o que ainda não ocorreu de forma completa.

    O diretor de planejamento estratégico da Plural, associação que representa as principais empresas distribuidoras de combustíveis do país, Helvio Rebeschini, explicou em entrevista concedida à Reuters na semana passada que apenas os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo haviam cumprido os cortes.

    Só de fato os três Estados contribuíram efetivamente para isso... alguns conseguiram um pedaço, os demais não chegaram ao nível esperado pelo governo até o momento , pontuou Rebeschini.

    O corte de 0,46 real por litro era esperado pelo governo ante valores registrados nos postos em 21 de maio.

    Considerando o preço médio levantado pela pesquisa da ANP na semana entre 20 e 26 de maio, a redução no preço do diesel foi de 0,39 real por litro.

    GASOLINA E ETANOL

    A gasolina, por sua vez, registrou média nos postos brasileiros de 4,538 reais por litro na última semana, queda de 0,74 sobre a semana anterior, quando foi vendida por 4,572 reais por litro, segundo a ANP.

    A gasolina vem sofrendo recuos em meio a uma queda dos preços do barril do petróleo no mercado internacional, dentre outros fatores.

    Ao contrário do diesel, que atualmente tem seus preços congelados nas refinarias, devido ao programa de subsídios do governo federal, a gasolina da Petrobras permanece sofrendo ajustes quase que diários, seguindo indicadores internacionais, como o preço do barril do petróleo e o dólar, com a empresa buscando de rentabilidade.

    O etanol hidratado, concorrente da gasolina nas bombas, por sua vez, teve queda 0,95 por cento na semana, para 2,920 reais por litro, mostrou a pesquisa da ANP.

    (Por Marta Nogueira)

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