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    ENTREVISTA-Bolsonaro não poderá ficar 'refém' de presidente da Câmara, diz aliado que defende nome do PSL

    Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - Caso saia vitorioso das urnas no segundo turno da disputa presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) não poderá ficar 'refém' do novo presidente da Câmara, afirmou o deputado Delegado Waldir (PSL-GO), aliado do presidenciável e defensor da tese segundo a qual o comando da Casa deve ficar com o PSL.

    Segundo ele, um nome do PSL à frente da Câmara traria uma garantia de governabilidade a Bolsonaro.

    'Nós não queremos um presidente (da República) refém de um presidente da Câmara', disse à Reuters por telefone. 'Nós queremos um presidente (da República) independente.'

    'O presidente da República acaba comendo na mão do presidente Câmara, por isso não concordo que ele seja do centrão, ou seja do partido A, B, C ou D e de algumas pessoas. Por isso que eu prego que ele seja do PSL', afirmou.

    Sobre o atual presidente da Casa, que já demonstrou a intenção de se reeleger ao cargo, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Waldir voltou a dizer que preferiria um nome de seu partido e lembrou do acordo do carioca com partidos de esquerda para se eleger.

    Afirmou que apesar do alinhamento do deputado à agenda de reformas, Bolsonaro poderia, sim, ficar refém de Maia.

    'Com certeza. Você não pode esquecer que o pai dele foi derrotado pelo filho do Bolsonaro e por um aliado do Bolsonaro ao Senado no Rio de Janeiro', lembrou. Cesar Maia (DEM) ficou em terceiro lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD).

    Delegado Waldir diz não conversar com o centrão ou partidos, mas com pessoas, e defendeu que o próximo a ocupar a cadeira de comando da Câmara não esteja envolvido nas investigações da Lava Jato.

    'O pai do Rodrigo Maia foi derrotado, o sogro dele é investigado na Lava jato, o Rodrigo é investigado na Lava Jato. Então nós não podemos ficar reféns de réus da Lava Jato ou de pessoas investigadas na Lava Jato.'

    O deputado do PSL aproveitou, inclusive, para citar outros nomes do partido que se colocam como fortes candidatos à Presidência da Câmara. Além de si mesmo, lembrou de outro filho de Bolsonaro, Eduardo (SP), Joice Hasselmann (SP) e Kim Kataguiri (SP), assim como Luciano Bivar (PE), presidente licenciado da legenda.

    'Isso lá na frente vai afunilar', avaliou, defendendo que o candidato do partido seja definido pelo voto da bancada.

    'Dentro da bancada devemos fazer uma eleição e aquele que for mais votado dentro da bancada, que tenha experiência e que queira ser o presidente da Câmara seja o escolhido para ser o nosso candidato e tenha o apoio dos demais.'

    Eduardo Bolsonaro tem dito, no entanto, que o PSL poderia apoiar um nome de fora do partido para o comando da Câmara, desde que afinado às bandeiras do pai. [nL2N1WQ0CW][nL2N1WW2AB]

    MUDAR REGIMENTO 'ANDIDEMOCRÁTICO'

    O deputado federal reeleito classificou o atual regimento da Câmara de 'muito antidemocrático' e defendeu mudanças para agilizar, por exemplo, a tramitação de propostas legislativas. Ele disse que, respeitado o direito das minorias, é preciso mudar a forma de se fazer obstrução na Casa --recurso ao qual se recorre para evitar a votação de determinadas matérias.

    'Os partidos nanicos conseguem travar toda a pauta da Câmara por horas e por dias com as ferramentas previstas no regimento', criticou. 'Penso que, se não agirmos tomando cuidados com esses pequenos detalhes, nós voltaremos a ter quatro anos de muita embromação do eleitor', completou.

    O parlamentar disse que é indispensável também enxugar o número de comissões temáticas na Câmara, considerado por ele excessivo, e até mesmo o quadro funcional de forma a dar vazão aos trabalhos dos deputados e não penalizar os novatos.

    Ao ser questionado sobre o foco da pauta legislativa, Delegado Waldir defendeu que, a partir de fevereiro de 2019, o novo Congresso priorize não apenas a pauta econômica.

    'Penso que a pauta prioritária é a de interesse do país, as pautas econômicas, as reformas tributária, previdenciária, reforma da segurança pública, na legislação penal e de processo penal, reformas mais necessárias para o equilíbrio do país', afirmou.

    'Eu penso que tem que tramitar todas as pautas importantes, não devemos focar apenas em uma pauta. Não tem que parar o país apenas em função de uma pauta. A Câmara tem que ser mais produtiva, ela é muito improdutiva', completou.

    Bolsonaro lidera com folga as pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial. Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira mostrou o candidato do PSL com 59 por cento dos votos válidos, contra 41 por cento de Haddad.

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    PSL deve reivindicar presidência da Câmara em eventual gestão Bolsonaro, diz Luciano Bivar

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente licenciado do PSL e deputado federal eleito, Luciano Bivar (PE), afirmou nesta segunda-feira que o partido deverá se tornar a maior bancada da Câmara dos Deputados no próximo ano com a migração de parlamentares e, nessa condição, deve reivindicar a presidência da Casa, no início do que ele acredita que será o governo do correligionário Jair Bolsonaro.

    'Ora, tradicionalmente o partido que tem mais deputados é quem indica o presidente da Câmara. Então, isso é um assunto para se discutir depois do dia 28 de outubro', disse Bivar, em entrevista à Reuters.

    Bivar, que disse que vai reassumir o comando do partido em dezembro, não quis adiantar se colocaria seu nome para presidir a Câmara.

    'Olha, isso é uma coisa do partido, então vamos ver como vai decorrer. A gente está muito focado agora na eleição do Jair Bolsonaro', ressalvou.

    O presidente licenciado destacou que o partido esperava conquistar uma grande bancada, mas se surpreendeu com o resultado. O PSL, que hoje tem oito deputados, elegeu 52 deputados, ficando atrás somente do PT, com 56.

    Ele conta com a migração de parlamentares de outras legendas que não atingirem a chamada cláusula de barreira --norma que impede ou restringe o funcionamento parlamentar ao partido que não atingir um percentual de votos-- para suplantar os petistas e se tornar a principal força da Câmara.

    'Não imaginava que o povo estava tão indignado como nós. Então isso é uma prova insofismável da indignação do povo. Então elegemos hoje a maior bancada, pode ficar certo que esses outros partidos que não  alcançaram a cláusula de barreira migrarão para o nosso lado e vamos ser, sem dúvida, o partido de maior bancada na Câmara Federal', disse.

    Bivar afirmou que a eleição de parlamentares do PSL e de outros partidos simpáticos a Bolsonaro neste domingo demonstra que o candidato a presidente do partido, caso venha ser eleito, terá uma base no Congresso 'consistente demais'.

    'Vamos ter absolutamente toda a bancada, governabilidade perfeita, vamos viabilizar os projetos que a sociedade exige, as reformas que estão aí em curso vamos concluí-las. Acho que a gente vislumbra uma coisa muito boa para a nação brasileira', disse.

    'Não tenho dúvida que a gente vai atingir isso (maioria parlamentar) com facilidade porque a gente professa o bem. Os novos deputados que estão aí sabem que, se não for por esse caminho, a vida dele é um voo de galinha', completou.

    O dirigente partidário disse acreditar que somente o PT, a quem chamou de 'seita' e não de partido, deve ficar na oposição a um eventual governo Bolsonaro. Segundo ele, o deputado que se alinhar a 'essa seita a tendência deles é se acabar'.

    Apesar de otimista com uma vitória no segundo turno, Bivar afirmou que a disputa não será fácil contra a candidatura do petista Fernando Haddad. Para ele, as 3 semanas a mais vão servir para que as propostas da campanha de Bolsonaro fiquem cristalinas as diferenças entre os projetos.

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    Placeholder - loading - Imagem da notícia Em último debate, favorito à Presidência do México diz que colapso do Nafta 'não é fatal'

    Em último debate, favorito à Presidência do México diz que colapso do Nafta 'não é fatal'

    Por Anthony Esposito e Noe Torres

    CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O colapso do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) não seria fatal ao México, afirmou o candidato esquerdista e favorito a vencer a eleição presidencial do país. André Manuel López Obrador, na terça-feira, enquanto mantinha a calma diante dos ataques de seus rivais no último debate televisionado antes das eleições marcadas para o dia 1º de Julho. 

    Perguntado sobre o que faria caso falhassem as negociações para renegociar o acordo que sustenta a grande maioria do comércio do país, López Obrador disse que redirecionaria a economia para o mercado interno, ressuscitando a economia rural. 

    Irei sugerir que o tratado continue, mas (o fim do Nafta) não pode ser fatal aos mexicanos, nosso país tem muitos recursos naturais, muita riqueza , disse em discussão em mesa redonda entre os quatro candidatos na cidade de Mérida. 

    Extensas negociações convocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para modernizar o Nafta chegaram a um impasse desde que o presidente norte-americano impôs tarifas sobre importações de aço e alumínio a seus principais parceiros comerciais. 

    Com apenas pouco mais de duas semanas antes dos eleitores irem às urnas, o debate foi uma das últimas chances para os candidatos que querem diminuir a liderança do esquerdista López Obrador na corrida presidencial.

    Os quatro candidatos discutiram sobre suas visões de mudanças para os sistemas educacional e de saúde pública do México, mas, aparentemente, ninguém atingiu nenhum golpe decisivo o bastante para alterar o atual cenário eleitoral. 

    O ex-prefeito da Cidade do México, que está em sua terceira tentativa de chegar à Presidência, saiu ileso dos dois debates anteriores e desde então só amplia sua vantagem de dois dígitos na maioria das pesquisas. 

    Ele tem o dobro do apoio de Ricardo Anaya, que lidera uma coalizão de direita-esquerda, de acordo com uma pesquisa nacional publicada no início da terça-feira. 

    López Obrador novamente prometeu financiar grandes projetos ao terminar com a corrupção, mas foi acusado por Anaya de distribuir contratos sem licitações públicas quando era prefeito da Cidade do México. 

    O esquerdista negou as acusações e Anaya levantou um cartaz que direcionava os espectadores a um website que teria evidências para suas acusações. 

    O endereço eletrônico, no entanto, não funcionava, e o partido de centro-direito Partido de Ação Nacional (PAN), que era chefiado por Anaya, disse no Twitter que o site havia sofrido um ataque virtual da Rússia. 

    O PAN não comentou mais o assunto imediatamente e a Reuters não conseguiu verificar independentemente a acusação de que o endereço havia recebido dezenas de milhares de acessos simultâneos de endereços russos. 

    López Obrador, de 64 anos, se beneficiou do amplo desencantamento com o atual partido do governo, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), diante de escândalos de corrupção política, níveis recordes de violência e vagaroso crescimento econômico.

    ((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

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