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    A pedido de Bolsonaro, bancada evangélica apresenta lista tríplice para Ministério da Cidadania

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A pedido do presidente eleito Jair Bolsonaro, representantes da bancada evangélica na Câmara dos Deputados apresentaram nesta terça-feira ao futuro chefe do Executivo uma lista com três nomes para ocupar o Ministério da Cidadania, disse à Reuters uma fonte que participou do encontro no gabinete de transição em Brasília.

    O grupo entregou a Bolsonaro os nomes dos deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP), Marcos Feliciano (Podemos-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-SP), ex-ministro do Trabalho do governo Michel Temer.

    A sugestão dos nomes ocorreu após o presidente eleito ter comentado com os cerca de 30 presentes à reunião se tinham interesse em que algum membro do grupo integrasse o novo governo, disse a fonte.

    Bolsonaro chegou a comentar que há pastas pendentes de indicação --ainda estão vagas, por exemplo, Turismo, Meio Ambiente, Minas e Energia e Turismo--, mas os representantes da frente demonstraram interesse no Ministério da Cidadania.

    A nova pasta a ser criada deve englobar ações sociais da gestão Bolsonaro e também pode abranger programas como o Bolsa Família.

    O grupo, segundo a fonte, não impôs qualquer restrição ao nome do senador não-reeleito Magno Malta (PR-ES), mas destacou que uma escolha do parlamentar seria por 'mérito' dele e não com referente da frente parlamentar.

    Representantes da frente fizeram questão de ressaltar no encontro com Bolsonaro que não estavam ali para exigir qualquer tipo de cargo do futuro governo e que vão atuar como uma espécie de 'barreira ideológica' de quem é contra o conservadorismo cristão.

    Na semana passada, a bancada evangélica --que tem tido forte influência com Bolsonaro-- impôs uma espécie de veto à indicação do diretor Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, para ocupar o cargo de ministro da Educação. Bolsonaro acabou escolhendo o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez.

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    Bolsonaro diz não ter pressa para definir ministérios; nega pressão de evangélicos

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado que não tem pressa para fechar seu ministeriado, embora tenha manifestado que já gostaria de ter definido todos os nomes.

    Bolsonaro, que não deu prazo para a escolha de todos os ministros, negou que tenha sofrido pressão de evangélicos para a definição do ministro de Educação, anunciado nesta semana.

    'Já queria ter fechado o ministério, mas isso é como casar. Você pode namorar muitas, mas noivar e casar só com uma', disse ele a jornalistas, depois de participar de uma cerimônia militar na zona oeste do Rio de Janeiro.

    Segundo ele, para fechar o ministeriado, 'falta a gente conversar melhor com aqueles que a gente pretende colocar nesses ministérios'.

    Os nomes para muitos ministérios já foram definidos. Mas falta, por exemplo, saber quem comandará o Ministério de Minas e Energia, estratégico em um país como o Brasil, grande exportador de commodities.

    'Todos os ministérios são importantes e precisam ser muito bem discutidos, e a gente não pretende anunciar nome e depois trocar', completou o presidente eleito.

    Esta semana, houve polêmica em torno da escolha do ministro da Educação, depois de uma suposta pressão da bancada evangélica.

    Bolsonaro escolheu Ricardo Vélez Rodríguez, após a bancada religiosa ter supostamente vetado o nome de Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna.

    O presidente eleito negou a pressão dos evangélicos na definição do ministro, mas destacou a importância do segmento religioso para seu governo e para o país.

    'Não teve pressão nenhuma (da bancada evangélica). Várias pessoas me procuram, são indicadas, eu converso com todo mundo e, como vocês dizem na imprensa, 'comeram barriga'. Citaram um nome que não tinha sequer anunciado', afirmou ele.

    'A bancada evangélica é importante, não é para mim, é para o Brasil... A pessoa indicada não é evangélica, mas atende aquilo que a bancada evangélica defende como os princípios, valores familiares, respeito a criança... formar alguém que seja útil para o Brasil e não para o seu partido', complementou.

    Rodríguez, escolhido para ministro da Educação, é um defensor da Escola sem Partido, e foi indicado ao presidente eleito pelo filósofo Olavo de Carvalho --que também emplacou Eugênio Araújo no Ministério das Relações Exteriores.

    VENEZUELA

    Sobre a entrada de venezuelanos em Roraima, para fugir da crise econômica no país vizinho, o presidente eleito disse que é preciso buscar uma solução conjunta para os imigrantes.

    Segundo ele, os venezuelanos não podem ser devolvidos ao seu país 'porque não são mercadorias'.

    Bolsonaro cogitou a possibilidade de criação de campo de refugiados em Roraima e defendeu um rígido controle na entradas dos venezuelanos, 'porque tem gente que não queremos no Brasil'.

    PROGRAMAS SOCIAIS

    O presidente eleito garantiu que não pretende acabar com os programas sociais de administrações anteriores, mas afirmou que em seu governo vai auditá-los para eliminar eventuais irregularidades e a dependência das pessoas dos projetos.

    'Projeto social tem que ser para tirar a pessoa da pobreza e não para mantê-la num regime de quase dependência', disse ele.

    'Ninguém seria irresponsável de acabar com programa social, mas todos serão submetidos a auditorias para que aqueles que podem trabalhar entrem no mercado e não fiquem dependendo do Estado a vida toda', frisou.

    (Por Rodrigo Viga Gaier)

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    ENFOQUE-CEO da Eletrobras sofre forte pressão antes de votação sobre venda de distribuidoras

    Por Luciano Costa e Rodrigo Viga Gaier

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente-executivo da Eletrobras, Wilson Ferreira Pinto Jr., que tem liderado a maior elétrica da América Latina em meio a planos do governo de privatizar a companhia e suas seis subsidiárias de distribuição de eletricidade, vem sofrendo pressões crescentes dentro e fora da companhia para deixar o cargo.

    A eventual saída do executivo, que já foi apontada por analistas como um risco aos planos do governo de diluir sua participação na Eletrobras, em um processo de desestatização previsto para este ano, também poderia dificultar a negociação das distribuidoras, em um leilão agendado para o próximo mês.

    O movimento contra o CEO é capitaneado por partidos de oposição ao presidente Michel Temer e sindicatos, que realizaram uma greve na semana passada pela saída do principal executivo da empresa.

    Mas nos bastidores há até nomes da base aliada do governo que atuam contra o executivo, disseram à Reuters diversas pessoas com conhecimento do assunto.

    A situação reflete-se na própria empresa, onde Ferreira já tem enfrentado um clima pesado e dificuldade para emplacar suas vontades, segundo uma das fontes, que falou sob a condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.

    Na quarta-feira, por exemplo, uma cerimônia interna para comemorar 50 anos da subsidiária Eletrosul foi alvo de protesto de alguns funcionários contra a privatização, que levaram ao evento um homem com uma fantasia amarela de um pintinho, em referência à campanha Fora Pinto! , liderada por sindicalistas.

    Numa mostra da tensão que ronda a estatal, o que poderia ser uma manifestação bem-humorada quase terminou em confusão: o manifestante interrompeu um discurso de Ferreira aos gritos e ambos discutiram por quase um minuto no palco antes que terceiros interferissem para permitir a continuidade do evento.

    Essa pressão está acontecendo há bastante tempo, tanto internamente quanto externamente... ele está completamente isolado... o poder de decisão dele interno já não é muito grande , disse à Reuters uma fonte com conhecimento da situação.

    Mas a forte pressão dos funcionários tem encontrado algum eco em alas do partido de Temer com tradicional influência sobre o setor elétrico, de acordo com as fontes.

    A intensidade do movimento está ligada à promessa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de votar com urgência na Casa um projeto de lei visto como essencial para viabilizar a venda das distribuidoras da estatal, que operam em Estados do Norte e Nordeste, e à chegada das eleições de outubro.

    A fonte adicionou que o ex-presidente José Sarney (MDB) já chegou a cogitar nomes para o lugar de Ferreira, enquanto o senador Eduardo Braga (MDB-AM) também pressiona pela saída por ser contra a venda da distribuidora de energia da Eletrobras no Amazonas.

    Quem está mais contra são alguns senadores, que são aqueles que costumam indicar para cargos nas distribuidoras , disse uma fonte da Eletrobras, que falou sob a condição de anonimato.

    As distribuidoras da estatal já foram apontadas até por técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) como cabide de empregos para apadrinhados políticos e muitas sofrem com excesso de pessoal, conforme publicou a Reuters ainda em 2016.

    Procurada, a Eletrobras afirmou que os manifestantes agiram de maneira extremamente desrespeitosa , enquanto a Eletrosul divulgou uma nota de repúdio em que defendeu que Ferreira sempre pautou suas ações pelo diálogo e qualificou o protesto como autoritário .

    RESISTÊNCIA

    O presidente Temer, no entanto, não deu sinal até o momento de que cederá às pressões para substituir o presidente da Eletrobras, de acordo com uma fonte do Planalto.

    As pressões vêm de gente que não quer a privatização ou acha que em ano eleitoral é complicado falar disso , afirmou a fonte.

    Um fator que tem pesado a favor da permanência de Ferreira, de acordo com uma outra fonte, é a forte reação do mercado e de investidores após Pedro Parente ter pedido demissão da presidência da Petrobras no final de maio, também sob forte pressão política e de sindicalistas.

    Depois que o governo ficou fraco, houve um ataque muito grande do mundo político... mas é muito difícil para o governo tirá-lo, é um gesto que teria um significado muito grande , afirmou uma pessoa próxima de Ferreira.

    Ele está firme... pelo que conheço dele, ele irá segurar as pontas , afirmou a fonte, para quem o executivo seguirá na estatal até o final de seu mandato, a não ser que seja demitido.

    Ex-presidente da privada CPFL Energia, Ferreira assumiu o comando da Eletrobras em julho de 2016 para um mandato que já tinha como uma das principais bandeiras a venda das deficitárias distribuidoras de energia da estatal.

    Pouco mais de um ano depois, em agosto de 2017, o governo anunciou os planos de privatização da companhia como um todo.

    A Eletrobras ressaltou em nota que desde a posse de Ferreira a companhia teve um corte de custos de 20 por cento, além de redução significativa no endividamento. No período, o valor de mercado da elétrica saltou de 9 bilhões para cerca de 19 bilhões de reais atualmente.

    (Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília)

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