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    PSL deve reivindicar presidência da Câmara em eventual gestão Bolsonaro, diz Luciano Bivar

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente licenciado do PSL e deputado federal eleito, Luciano Bivar (PE), afirmou nesta segunda-feira que o partido deverá se tornar a maior bancada da Câmara dos Deputados no próximo ano com a migração de parlamentares e, nessa condição, deve reivindicar a presidência da Casa, no início do que ele acredita que será o governo do correligionário Jair Bolsonaro.

    'Ora, tradicionalmente o partido que tem mais deputados é quem indica o presidente da Câmara. Então, isso é um assunto para se discutir depois do dia 28 de outubro', disse Bivar, em entrevista à Reuters.

    Bivar, que disse que vai reassumir o comando do partido em dezembro, não quis adiantar se colocaria seu nome para presidir a Câmara.

    'Olha, isso é uma coisa do partido, então vamos ver como vai decorrer. A gente está muito focado agora na eleição do Jair Bolsonaro', ressalvou.

    O presidente licenciado destacou que o partido esperava conquistar uma grande bancada, mas se surpreendeu com o resultado. O PSL, que hoje tem oito deputados, elegeu 52 deputados, ficando atrás somente do PT, com 56.

    Ele conta com a migração de parlamentares de outras legendas que não atingirem a chamada cláusula de barreira --norma que impede ou restringe o funcionamento parlamentar ao partido que não atingir um percentual de votos-- para suplantar os petistas e se tornar a principal força da Câmara.

    'Não imaginava que o povo estava tão indignado como nós. Então isso é uma prova insofismável da indignação do povo. Então elegemos hoje a maior bancada, pode ficar certo que esses outros partidos que não  alcançaram a cláusula de barreira migrarão para o nosso lado e vamos ser, sem dúvida, o partido de maior bancada na Câmara Federal', disse.

    Bivar afirmou que a eleição de parlamentares do PSL e de outros partidos simpáticos a Bolsonaro neste domingo demonstra que o candidato a presidente do partido, caso venha ser eleito, terá uma base no Congresso 'consistente demais'.

    'Vamos ter absolutamente toda a bancada, governabilidade perfeita, vamos viabilizar os projetos que a sociedade exige, as reformas que estão aí em curso vamos concluí-las. Acho que a gente vislumbra uma coisa muito boa para a nação brasileira', disse.

    'Não tenho dúvida que a gente vai atingir isso (maioria parlamentar) com facilidade porque a gente professa o bem. Os novos deputados que estão aí sabem que, se não for por esse caminho, a vida dele é um voo de galinha', completou.

    O dirigente partidário disse acreditar que somente o PT, a quem chamou de 'seita' e não de partido, deve ficar na oposição a um eventual governo Bolsonaro. Segundo ele, o deputado que se alinhar a 'essa seita a tendência deles é se acabar'.

    Apesar de otimista com uma vitória no segundo turno, Bivar afirmou que a disputa não será fácil contra a candidatura do petista Fernando Haddad. Para ele, as 3 semanas a mais vão servir para que as propostas da campanha de Bolsonaro fiquem cristalinas as diferenças entre os projetos.

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    ANÁLISE-Bolsonaro transforma nanico PSL em potência no Congresso

    Por Bruno Federowski e Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato a presidente Jair Bolsonaro, que foi o mais votado no primeiro turno da eleição neste domingo e fará o segundo turno com Fernando Haddad (PT), transformou seu partido, o até então nanico PSL, em uma potência parlamentar, provocando uma mudança sísmica ao passo que eleitores deram um enfático recado nas urnas contra o establishment.

    O forte apoio dado a aliados de Bolsonaro nas eleições legislativas desafiou muitas previsões e sugere que Bolsonaro, até então um apagado deputado, pode ter mais facilidade para conquistar apoio a reformas econômicas duras.

    O PSL deve ficar com 51 cadeiras na Câmara dos Deputados, de 513 assentos, de acordo com projeção da XP Investimentos, ficando atrás apenas do PT, de Haddad, que deve ter 57 vagas.

    Trata-se de um crescimento explosivo para um partido que tinha apenas 8 deputados e nenhum senador antes de domingo.

    'O PSL é um novo capítulo na história política do Brasil. É um grupo que abraça uma tese única de austeridade fiscal, de governo menor, de reforma da Previdência', disse Lucas de Aragão, da consultoria Arko Advice.

    Ele afirmou que o crescimento do PSL melhora as perspectivas para as reformas fiscais, mas reconheceu que elas ainda enfrentarão oposição ferrenha do PT.

    Para se ter uma ideia, o MDB, do presidente Michel Temer, por décadas uma das maiores forças nos governos de coalizão de todo o espectro político, deve cair para a quarta posição na Câmara, com apenas 33 cadeiras.

    Vários dos principais parlamentares do MDB não conseguiram se reeleger, incluindo o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Isso tira do caminho figuras históricas que poderiam extrair custosas concessões de um eventual governo Bolsonaro.

    Os resultados enfatizam a revolta dos eleitores contra escândalos de corrupção que levaram à prisão dezenas de políticos e empresários, afetando partidos tradicionais que até então definiam o debate político.

    FORÇA NO SUDESTE

    Bolsonaro quase venceu a disputa no primeiro turno da eleição de domingo, mas enfrentará Haddad em um segundo turno no dia 28 de outubro.

    Independentemente do resultado, o PT continuará tendo uma base forte no Congresso após ter um resultado sólido na votação, especialmente no Nordeste, tradicional reduto petista que se beneficiou de políticas sociais durante seus 13 anos no poder.

    No entanto, o PSL dominou os dois maiores Estados do país, São Paulo e Rio de Janeiro.

    Com 98 por cento dos votos apurados em São Paulo, Eduardo, filho de Bolsonaro, foi o candidato mais votado da história para a Câmara dos Deputados, ajudando o PSL a atrair mais de 20 por cento dos votos para a Câmara em São Paulo.

    A contagem foi ainda maior no Rio de Janeiro, onde seu partido obteve quase 23 por cento dos votos para a Câmara.

    Até este ano, o PSL era um entre dezenas de partidos pouco conhecidos na política brasileira, com poucas cadeiras e sem ideologia clara.

    Isso mudou quando Bolsonaro chegou à legenda em março - tornando-se sua nona afiliação partidária. Sua campanha de mídia social eletrizou o PSL, empurrou-o para a direita e ajudou a projetar candidatos como o Major Olimpio, o mais votado para o Senado em São Paulo.

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    Líderes na disputa presidencial, PT e PSL formam maiores bancadas da Câmara, mostra levantamento da XP

    (Reuters) - O PT e o PSL, partidos dos dois candidatos à Presidência que disputarão o segundo turno no fim do mês, terão as maiores bancadas na Câmara dos Deputados após as eleições deste domingo, de acordo com um levantamento feito pela XP Investimentos.

    O PT de Fernando Haddad, que conta com 61 parlamentares na Câmara atualmente, elegeu 57 deputados federais neste domingo. O número de eleitos, no entanto, é bem menor que os 70 eleitos em 2014.

    O PSL, por sua vez, embalado pela onda pró-Bolsonaro neste domingo elegeu 51 parlamentares. Há quatro anos, o partido tinha conseguido eleger apenas um deputado. A bancada atual, de oito deputados, já tinha se beneficiado pela transferências de parlamentares em função da filiação do presidenciável em março deste ano.

    Mas o nanico PRTB, do general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, não elegeu nenhum parlamentar à Câmara.

    O MDB do presidente Michel Temer, que historicamente sempre foi uma das forças na Câmara, reduziu sua presença na Casa pela metade quando comparado com o número de eleitos há quatro anos. O partido, que teve o ex-ministro Henrique Meirelles na disputa pelo Planalto, elegeu 33 deputados federais neste domingo, uma forte queda também frente aos atuais 51 emedebistas na Câmara.

    O PSDB de Geraldo Alckmin, outro partido com forte presença na Câmara, perdeu espaço. Neste domingo, o partido elegeu 29 deputados federais. Em 2014, o partido havia eleito 53 parlamentares, número que caiu para 49 na bancada atual.

    O chamado centrão --formado por PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade--, partidos que nesta eleição fecharam apoio a Alckmin, elegeu 137 deputados federais. Individualmente, o PP deve ser a terceira maior bancada na Câmara, com 37 deputados.

    A bloco deve tentar emplacar o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a reeleição ao comando da Câmara.

    O PDT de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, elegeu 25 parlamentares para a Câmara. Já a Rede Sustentabilidade, partido da presidenciável Marina Silva não conseguiu nenhuma cadeira.

    (Por Laís Martins)

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