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    PT vai ao CNJ para impedir que Moro assuma ministério até órgão julgar suposta parcialidade

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e outros quadros partidários entraram nesta terça-feira com ação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para impedir que o juiz federal Sérgio Moro, que era até a semana passada responsável pela operação Lava Jato em Curitiba (PR), assuma o cargo de ministro da Justiça até que o órgão julgue em definitivo processos anteriores que questionam a suposta parcialidade dele na condução de casos envolvendo petistas e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Na ação, à qual a Reuters teve acesso, petistas afirmam que a parcialidade de Moro é 'gritante'. Citam reportagem publicada na imprensa em que consta que o então vice-candidato a presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), disse que o convite para integrar o governo ao conhecido juiz da Lava ocorreu quando a campanha ainda estava em curso.

    A peça ainda cita o fato de que, uma semana antes do primeiro turno, 'quando ainda não havia uma ascensão do candidato Jair Bolsonaro', o juiz divulgou dados aos quais tinha dever de proteção, sem qualquer relação temporal. Era uma referência à delação do ex-ministro dos governos petistas Antonio Palocci.

    'Dados que repisavam acusações contra o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores, cujo candidato Fernando Haddad estava na disputa com crescimento na preferência do eleitorado. Note-se que não há como negar que o juiz Sérgio Fernando Moro age com interesses ilegítimos e por paixões políticas. Urge que o Judiciário brasileiro e seus órgãos de controle demonstrem que o Direito e as instituições estão acima disso e dos caprichos, desejos e vontades dele', disse.

    'A revelação do general Hamilton Mourão é prova testemunhal da relação entre o juiz Sérgio Fernando Moro e o então candidato Jair Bolsonaro. Uma relação que operou uma 'troca de favores', um vazamento de um depoimento pela promessa de um cargo político. Uma atuação que, de fato, já se desenha há muito tempo, com as ações para o impedimento do ex-presidente Lula, que era o líder nas pesquisas de opinião pública. Eliminando o principal adversário do aliado político, era necessário minar o candidato que se colocava', completou.

    O PT pede que o a Corregedoria do CNJ cautelarmente impeça que Moro assuma outro cargo público até que o órgão conclua a investigação das condutas citadas na ação. E pede que, ao fim, 'diante de todos os fatos e evidências de parcialidade', sejam aplicadas a Moro as penalidades compatíveis com as falhas funcionais, administrativas e disciplinares mencionadas.

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    PT e defesa de Lula criticam Moro após juiz aceitar ser ministro de Bolsonaro

    (Reuters) - O PT e a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticaram duramente o juiz federal Sérgio Moro, que nesta quinta-feira aceitou ser ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.

    Para a defesa de Lula, a entrada de Moro na política no governo do presidente eleito comprova que Lula foi condenado e preso com o 'objetivo de interditá-lo politicamente'.

    'A formalização do ingresso do juiz Sérgio Moro na política e a revelação de conversas por ele mantidas durante a campanha presidencial com a cúpula da campanha do Presidente eleito provam definitivamente o que sempre afirmamos em recursos apresentados aos tribunais brasileiros e também ao Comitê de Direitos Humanos da ONU', disse um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, em nota.

    'Lula foi processado, condenado e encarcerado sem que tenha cometido crime, com o claro objetivo de interditá-lo politicamente'.

    Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP). O ex-presidente alega inocência e diz ser alvo de uma perseguição política que tinha por objetivo impedi-lo de disputar a eleição presidencial, o que acabou ocorrendo com base na Lei da Ficha Limpa.

    Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Nacional após se reunir com Bolsonaro na casa do presidente eleito no Rio de Janeiro. O juiz disse que tomou essa decisão para poder implementar uma agenda anticorrupção no país.

    Na nota, Zanin afirma ainda que a defesa do ex-presidente, preso em Curitiba, tomará medidas no plano nacional e internacional para que Lula tenha direito a 'julgamento justo, imparcial e independente'.

    'JUIZ PARCIAL'

    Em outra frente, o PT pediu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) paute imediatamente representação contra Sérgio Moro 'pelos desvios de sua função e a parcialidade na sua atuação'.

    Em nota no seu site, intitulada 'Cai a máscara de Sérgio Moro', o partido afirma que a resposta positiva de Moro ao convite de Bolsonaro evidencia que ele 'sempre foi um juiz parcial, sempre agiu com intenções políticas'.

    'Desde o começo da operação Lava Jato agiu não para combater a corrupção, mas para destruir a esquerda, o Partido dos Trabalhadores e o governo que dirigia o país. Todas as suas ações foram meticulosamente pensadas para influenciar nesse sentido', afirmou a Executiva Nacional do partido na nota.

    Mais cedo, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e o candidato derrotado Fernando Haddad usaram o Twitter para criticar a escolha do juiz federal para ministro da Justiça.

    'Moro será ministro de Bolsonaro depois de ser decisivo para sua eleição, ao impedir Lula de concorrer', disse Gleisi.

    'Denunciamos sua politização quando grampeou a presidente da República (Dilma Rousseff) e vazou para imprensa; quando vazou a delação de Palocci antes das eleições. Ajudou a eleger, vai ajudar a governar', completou.

    Haddad também criticou a indicação. 'Se o conceito de democracia já escapa à nossa elite, muito mais o conceito de república. O significado da indicação de Sérgio Moro para ministro da Justiça só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais', disse ele no Twitter.

    A candidata a vice-presidente na chapa de Haddad, Manuela D'Ávila (PCdoB), também reagiu à escolha de Moro para fazer parte do novo governo. 'Ao aceitar o convite para ser Ministro da Justiça, Sérgio Moro decide tirar a toga para fazer política', tuitou.

    (Por Ricardo Brito e Laís Martins)

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    PT planeja frente democrática liderada por Haddad, diz Gleisi

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Ao fim da primeira reunião depois de ter sido derrotado no segundo turno das eleições, o PT apontou Fernando Haddad como sua principal liderança hoje, depois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva --que, preso em Curitiba, não tem como representar o partido-- e como o articulador de uma frente de resistência ao governo de Jair Bolsonaro.

    'Fernando Haddad tem um papel muito importante e relevante nesse processo, é um papel muito maior que o PT. Porque ele sai depositário da esperança e da luta do povo pela democracia e o PT dará todas as condições para que Haddad possa exercer esse papel de articulador junto com outras lideranças sociais e de partidos para consolidar essa frente de resistência', disse a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

    Haddad não tem hoje um cargo na Executiva do partido, e essa é uma das questões que o PT ainda tem a discutir. Mesmo entre os partidários de Haddad há quem defende que o ex-candidato assuma um cargo na Executiva nas eleições que acontecem em julho, outros acreditam que ele deve ficar solto das amarras da burocracia partidária.

    Haddad, no entanto, conseguiu pelo menos atingir uma quase unanimidade dentro do PT que nunca antes tivera. Até ser indicado a ser vice de Lula, o ex-prefeito de São Paulo era extremamente contestado e tratado por alguns como alguém sem traquejo político e jogo de cintura. A impressão agora mudou.

    'Não tenho dúvida que ele emerge como uma grande liderança do PT. Depois de Lula ele é uma grande liderança, é o depositário de 47 milhões de votos, tem muita legitimidade de articular e liderar', disse Gleisi, uma das que resistia inicialmente a Haddad.

    BAIXAR A POEIRA

    A presidente do PT, convocou a reunião da Executiva para esta terça para que o partido fizesse uma avaliação do cenário político. No entanto, como mostrou a Reuters, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, de Curitiba, que o partido precisa 'esperar a poeira baixar' e ter calma para se reorganizar e ter cuidado na oposição a Bolsonaro.

    A avaliação do ex-presidente, levada ao encontro pelos membros da sua tendência, a Construindo um Novo Brasil (CNB) é que o PT não pode passar a impressão de que está contestando o resultado das urnas e a oposição deve ter prática, a temas específicos.

    Gleisi, no entanto, não se furtou a reclamar do processo eleitoral, que classificou de 'eivado de vícios e fraudes'. Ao ser questionada se o PT questionada o processo, lembrou que existe uma investigação eleitoral em curso no Tribunal Superior Eleitoral e que caberá ao TSE decidir se é o caso de punição ou não a chapa.

    De acordo com a presidente do PT, o partido quer organizar uma frente de oposição a Bolsonaro que seria articulada e liderada por Haddad. Seria, segundo Gleisi, uma frente para 'defender os direitos mínimos', da população, os direitos humanos, civis, de manifestação, de livre expressão.

    Apesar de dizer que espera que o governo de Bolsonaro cumpra a Constituição, o partido estaria se preparando 'para o pior'. 'Não podemos prescindir de estar preparado para defender direitos', afirmou.

    O PT vê em Haddad a figura para liderar essa frente multipartidária. O ex-prefeito de São Paulo conseguiu, reconheceu Gleisi, atrair apoios na reta final da eleição que não eram ao PT, mas em favor da democracia, e pode continuar esse trabalho, mesmo que nem todos tenham exatamente a mesma agenda - especialmente em relação à defesa da liberdade de Lula.

    'Ninguém é obrigado a apoiar todas as causas que apoiamos, mas não vamos abrir mão nunca de defender liberdade de Lula. Pode ser que tenha gente na frente que não esteja no Lula Livre, mas está na defesa de democracia. A frente é pela democracia', disse Gleisi.

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    PT cobra que emissoras mantenham programação de debate mesmo sem participação de Bolsonaro

    BRASÍLIA (Reuters) - A coordenação de campanha do candidato do PT, Fernando Haddad, pediu nesta sexta-feira que as emissoras de tevê que tinham programado debates para o segundo turno entre os presidenciáveis mantenham as datas, apesar da recusa do adversário, Jair Bolsonaro, em participar dos eventos.

    Em nota, a coligação que reúne PT e PCdoB disse que Haddad se mantém à disposição das emissoras para usar o tempo que lhe seria destinado nos debates e apresentar suas ideias.

    'Cancelar os debates significa compactuar com a estratégia covarde e antidemocrática do deputado Bolsonaro. O povo brasileiro tem o direito de saber em quem vai votar e as emissoras de TV têm o dever de prestar este serviço ao público', diz o texto.

    Seis debates haviam sido marcados pelas principais redes de tevê, sendo que quatro - Band, TV Gazeta, RedeTV e SBT - que ocorreriam nesta semana e na anterior, já foram cancelados pelas emissoras. Restariam Record, no dia 21, e Globo, no dia 26.

    Até a última quinta-feira, os médicos que cuidam de Bolsonaro desde que o candidato foi atacado com uma facada não o haviam liberado para participar de eventos de campanha. Ainda assim, Bolsonaro fez visitas a locais como a Polícia Federal do Rio de Janeiro e o Bope, além de ter dado diversas entrevistas.

    Esta semana, na última avaliação, os médicos consideraram que houve evolução e que caberia ao candidato decidir sobre a participação em debates.

    Bolsonaro citou dois fatores —restrições médicas e preocupação com a segurança— para justificar que “dificilmente” participará de debates no segundo turno. “Temos a questão do meu estado de saúde ainda, estou com restrições. E por outro lado pesa o fator segurança. Então, baseado nisso, dificilmente eu comparecerei a debates”, disse o presidenciável em vídeo divulgado em suas redes sociais nesta sexta-feira.

    “Eu tenho uma bolsa de colostomia aqui do lado e a restrição vem daí. Ela pode se romper e eu teria uma recaída. Então a minha saúde em primeiro lugar.”

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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    PT pede ao TSE investigação contra campanha de Bolsonaro por abuso de poder econômico

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O PT entrou nesta quinta-feira no Tribunal Superior Eleitoral com um pedido de investigação judicial contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação social, com base na suspeita de que a campanha esteja sendo beneficiada pelo disparo em massa de mensagens contra o PT, pagas por empresários simpatizantes do candidato.

    Na ação, o partido pede que sejam investigadas a campanha de Bolsonaro, cinco empresas que são citadas pela Folha de S.Paulo como responsáveis pelo disparo de mensagens em massa via WhatsApp, e um empresário que teria financiado o envio de mensagens e, caso comprovados os fatos, a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

    'O caráter eleitoral dos fatos aqui narrados é evidente, além de demonstrar potencial suficiente a comprometer o equilíbrio do pleito eleitoral de 2018. Afinal, trata-se de propaganda eleitoral ilegal em favor do candidato Jair Bolsonaro, por parte de empresas a serem aqui investigadas', diz o pedido entregue ao TSE.

    'Resta evidente claro o abuso de poder econômico na medida em que a campanha do candidato representado ganha reforço financeiro que não está demonstrado nos gastos oficiais de arrecadação eleitoral e, possivelmente têm origem vedada (Pessoa Jurídica), todavia os resultados do abuso perpetrado serão por ele usufruídos', continuam os advogados do partido.

    Segundo reportagem publicada nesta quinta pela Folha, empresários têm bancado a compra de distribuição de mensagens contra o PT por WhatsApp, em uma prática que se chama pacote de disparos em massa de mensagens, e estariam preparando uma ação para a próxima semana, antes do segundo turno.

    O jornal relata que cada pacote de disparos em massa custaria até 12 milhões de reais, para o envio de centenas de milhões de mensagens.

    O PT pede que sejam investigados, além da campanha de Bolsonaro, as empresas citadas na reportagem.

    O partido ainda quer que o WhatsApp apresente em 24 horas um plano para impedir o disparo de mensagens em massa contra a sigla, alegando que o plano apresentado na reportagem da Folha, de uma ação às vésperas do 2º turno, poderia afetar diretamente a campanha de Haddad.

    O partido cita ainda diversos exemplos de ações de distribuição de notícias falsas contra a campanha de Haddad.

    'Para além da reportagem da Folha de S.Paulo, toda a circunstância acima trazida demonstra a plausibilidade das suspeitas aqui suscitadas, o que motiva o ajuizamento da presente ação investigativa', defendem os advogados.

    Especialistas ouvidos pela Reuters avaliaram que, confirmadas as informações reveladas pela Folha, a campanha de Jair Bolsonaro pode ser acusada de abuso de poder econômico, abuso do uso de meios de comunicação e omissão de doações de campanha, o que poderia levar à impugnação da chapa, mesmo que Bolsonaro não soubesse da ação de empresários a seu favor.

    Os juristas concordam que, em tese, mesmo a campanha alegando que não tem relação com a decisão de empresários que agiram em prol de Bolsonaro, o candidato poderá ser responsabilizado por crime eleitoral, já que o resultado da eleição pode ser alterado por ações em seu benefício.

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    PT tenta achar rumo e admite que ideia de frente pela democracia é remota

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O PT ainda busca um rumo para reverter votos a favor do seu candidato, Fernando Haddad, e tentar bater Jair Bolsonaro (PSL), depois de admitir que a ideia de criar uma frente 'em defesa da democracia' tem chances cada vez mais remotas de se concretizar.

    De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a possibilidade de uma frente, como foi sonhada pelo PT nos primeiros dias do segundo turno, 'morreu'. A pá de cal foi colocada por Cid Gomes, irmão do candidato do PDT, Ciro Gomes, em um evento do PT em Fortaleza. Provocado por um militante, Cid disse que o partido 'fez muita besteira' e precisava admitir um mea culpa, ou iria perder merecidamente a eleição.

    Nesta terça, um dos coordenadores da campanha, o senador eleito Jaques Wagner, chegou a dizer que desconhecia a ideia da frente, mesmo ele pessoalmente tendo sido encarregado de negociar com outros partidos. [nL2N1WW0WW]

    A explosão de Cid deu ao PT o sinal definitivo de que não conseguirá colocar Ciro ao lado de Haddad em um palanque, como pretendia. O partido também conseguiu o apoio do PSB, mas até agora sem grandes atos de defesa de Haddad, e uma carta de apoio do grupo tucano Esquerda para Valer.

    Depois da entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao jornal Estado de S. Paulo, afirmando que havia uma 'porta' para conversar com Haddad, o petista tentou um contato, mas o PT não tem esperanças de que do lado de FHC venha um apoio efetivo e entusiasmado.

    'Não se pode cobrar apoio, não é uma obrigação. O que se devia fazer era pontos para dizer 'eu me comprometo com isso' e conversar em cima disso. Ficaria mais difícil apelar para o 'eu não acredito no PT'', disse uma fonte do conselho da campanha.

    A explosão de Cid ajudou a pesar o clima no partido, somado com o resultado da pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, que deu 59 por cento dos votos válidos para Bolsonaro, contra 41 por cento para Haddad.

    Segundo fontes, o partido esperava ver um movimento positivo nos índices de Haddad, o que não aconteceu. Ao contrário, o Ibope revelou ainda uma menor resistência a Bolsonaro entre os eleitores mais pobres e do Nordeste, tradicionalmente mais fiéis ao PT.

    RESISTÊNCIA

    Já há no PT quem dê o segundo turno como perdido, mesmo que a campanha tente passar um tom de otimismo. Uma das fontes ouvidas pela Reuters disse que Haddad precisaria criar 'um fato muito forte' para conseguir reverter votos a seu favor, mas que não vê no horizonte o que poderia ser feito.

    'A campanha pode sim virar votos até o final. Já ganhamos eleições nos últimos dias com diferenças tão grandes como essa, mas possivelmente vai ser insuficiente. Mas isso não importa', disse uma das fontes. 'Uma das hipóteses é já criar uma resistência. Temos que fortalecer desde já a resistência para esse governo de milicianos que pode vir por aí.'

    Uma outra fonte ouvida pela Reuters reconhece que o clima na campanha não está bom e avaliou como 'muito difícil' o petista reverter os mais de 10 milhões de votos necessários para vencer Bolsonaro.

    A fonte disse que uma parcela muito significativa da população que ganha de 3 a 5 salários mínimos, dos quais 70 por cento são evangélicos, está votando no Bolsonaro e seria “muito difícil” converter essas pessoas porque a campanha nas igrejas tem sido forte.

    'É a primeira vez que temos os principais bispos todos apostando em um único candidato', comentou.

    Ainda assim, a campanha vai tentar. Uma das estratégias decidida em reuniões nesta terça-feira é levar uma carta-compromisso a um encontro com bispos evangélicos na quarta, em que Haddad se compromete a não enviar ao Congresso projetos para liberação do aborto ou descriminalização das drogas.

    VOLTAR ÀS RUAS

    Um grupo de petistas do Nordeste vai propor ainda que Haddad volte às ruas, especialmente na região, onde calculam que ainda há votos para ganhar.

    Desde o primeiro turno, Haddad tem levado a campanha para as redes sociais, competindo por espaço aí com Bolsonaro, dando entrevistas e feito eventos com grupos específicos, como sindicalistas e professores, para receber apoio.

    'Precisamos criar um clima de campanha nas ruas. Ainda há votos para ganhar, teve muita abstenção na região, tem os eleitores dos candidatos que não estão mais no páreo', avalia o senador Humberto Costa (PE).

    (Reportagem adicional de Gabriela Mello)

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    Haddad volta a admitir erros de governos do PT e diz que vai recuperar projeto com correções

    SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, voltou a admitir nesta segunda-feira erros cometidos pelos governos comandados pelo partido, e afirmou que vai recuperar o projeto petista com correções.

    'Houve erros do PT, mas não vamos jogar a criança com a água do banho, vamos recuperar um projeto de inclusão, democrático, de desenvolvimento corrigindo os erros', disse o presidenciável em entrevista coletiva em São Paulo.

    'Mas jogar o projeto fora porque houve erros me parece um mau negócio', acrescentou.

    Haddad disse ainda que, se eleito, atuará dentro das normas da Lei de Responsabilidade Fiscal e defendeu que é preciso retomar o investimento para que a arrecadação volte a crescer.

    'Minha proposta é voltar às normas da Lei de Responsabilidade Fiscal, votada em 2000 e foi suficiente para cumprir as metas estabelecidas, fazer a dívida pública cair como caiu, depois houve um desarranjo disso no final de 2014, sobretudo em 2015, em função da queda de arrecadação, não em função do aumento da despesa', afirmou Haddad.

    'A saída para o Brasil é voltar a investir para a arrecadação voltar a crescer e a gente equilibrar com a reforma tributária e a reforma bancária', acrescentou o candidato petista, citando as duas reformas que pretende encaminhar ao Congresso no início do governo.

    Haddad também prometeu realizar num primeiro momento uma reforma da Previdência no setor público para que depois se crie um único regime geral.

    'Nós temos que fazer uma reforma da Previdência pública para que num segundo momento a gente unifique o regime geral e os regimes próprios numa única regra que valha para todo mundo, sem privilégio para ninguém', disse o ex-prefeito de São Paulo.

    'Não haverá regime único sem fazer a reforma dos regimes próprios. É uma estratégia diferente da do governo Temer, busca os mesmos resultados, mas com uma estratégia diferente.'

    (Reportagem de Laís Martins; Edição de Alexandre Caverni)

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    Líderes na disputa presidencial, PT e PSL formam maiores bancadas da Câmara, mostra levantamento da XP

    (Reuters) - O PT e o PSL, partidos dos dois candidatos à Presidência que disputarão o segundo turno no fim do mês, terão as maiores bancadas na Câmara dos Deputados após as eleições deste domingo, de acordo com um levantamento feito pela XP Investimentos.

    O PT de Fernando Haddad, que conta com 61 parlamentares na Câmara atualmente, elegeu 57 deputados federais neste domingo. O número de eleitos, no entanto, é bem menor que os 70 eleitos em 2014.

    O PSL, por sua vez, embalado pela onda pró-Bolsonaro neste domingo elegeu 51 parlamentares. Há quatro anos, o partido tinha conseguido eleger apenas um deputado. A bancada atual, de oito deputados, já tinha se beneficiado pela transferências de parlamentares em função da filiação do presidenciável em março deste ano.

    Mas o nanico PRTB, do general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, não elegeu nenhum parlamentar à Câmara.

    O MDB do presidente Michel Temer, que historicamente sempre foi uma das forças na Câmara, reduziu sua presença na Casa pela metade quando comparado com o número de eleitos há quatro anos. O partido, que teve o ex-ministro Henrique Meirelles na disputa pelo Planalto, elegeu 33 deputados federais neste domingo, uma forte queda também frente aos atuais 51 emedebistas na Câmara.

    O PSDB de Geraldo Alckmin, outro partido com forte presença na Câmara, perdeu espaço. Neste domingo, o partido elegeu 29 deputados federais. Em 2014, o partido havia eleito 53 parlamentares, número que caiu para 49 na bancada atual.

    O chamado centrão --formado por PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade--, partidos que nesta eleição fecharam apoio a Alckmin, elegeu 137 deputados federais. Individualmente, o PP deve ser a terceira maior bancada na Câmara, com 37 deputados.

    A bloco deve tentar emplacar o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a reeleição ao comando da Câmara.

    O PDT de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, elegeu 25 parlamentares para a Câmara. Já a Rede Sustentabilidade, partido da presidenciável Marina Silva não conseguiu nenhuma cadeira.

    (Por Laís Martins)

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    Petistas comemoram boca de urna que indica 2º turno depois de horas de tensão

    Por Lisandra Paraguassu

    SÃO PAULO (Reuters) - Depois de momentos de tensão com o resultado das bocas de urna estaduais, integrantes do PT reunidos em São Paulo para acompanhar a apuração do primeiro turno da eleição comemoraram os números da pesquisa para presidente da República que indicam que deve haver um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

    Os números estaduais, que mostravam um crescimento repentino de candidatos que declararam nos últimos dias apoio a Bolsonaro, tinham acabado com o clima de 'otimismo cauteloso' que o PT adotara nos últimos dias.

    Petistas ouvidos pela Reuters admitiam preocupação que essa onda tivesse chegado à eleição presidencial e com a possibilidade de uma vitória também para o ex-capitão do Exército no 1º turno.

    Haddad chegou ao hotel em São Paulo, pouco depois das 18h30, acompanhado da mulher, Ana Estella, e subiu direto para um quarto, onde acompanha a apuração com outros petistas do comando político da campanha. De acordo com uma fonte que está no local, o clima é 'tenso'.

    Houve comemoração ao sair o resultado da boca de urna, mas a abertura dos resultados da apuração propriamente dita, com Bolsonaro muito perto dos 50 por cento de votos, voltou a aumentar a tensão.

    Ao sair de casa, Haddad afirmou que 'estava confiante'.

    Com 68,27% das seções eleitorais apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro aparece com 48,42 por cento em apuração para presidente da República, enquanto Haddad com 26,56 por cento.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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    Bolsonaro diz que povo se cansou de ser tutelado pelo PT e pede voto útil para vencer no 1º turno

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou na tarde desta quinta-feira que o povo brasileiro cansou de ser tutelado pelo PT e disse ter condições de se eleger ainda no primeiro turno, ao pregar o voto útil.

    'O povo cansou de ser tutelado pelo PT, como se eles fossem o dono do povo. Partido não é dono de ninguém', afirmou Bolsonaro, em entrevista à Rádio CBN de Recife (PE).

    O presidenciável criticou duramente o PT, a quem disse ter dividido e também afundado o país. Ele aproveitou a entrevista para acusar o provável adversário no segundo turno, o petista Fernando Haddad, de ser 'mentiroso' ao afirmar que ele iria acabar com o programa Bolsa Família.

    Essa foi a segunda entrevista dele a uma rádio nordestina no dia, em um esforço do presidenciável de garantir um melhor desempenho eleitoral na região, tradicional reduto eleitoral petista.

    Bolsonaro afirmou que o eleitorado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está votando nele e que o Nordeste lhe dará uma surpresa.

    O presidenciável do PSL voltou a dizer que São Paulo, a cidade mais nordestina fora da região, foi mal administrada por Haddad, ex-prefeito da capital paulista.

    Mais cedo, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Bolsonaro pediu aos ouvintes do Nordeste para conversar com parentes e amigos que moram em São Paulo para conhecerem a avaliação da gestão de Haddad à frente da prefeitura paulistana.

    Na entrevista à rádio pernambucana, o líder das pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto disse também que a prioridade, caso eleito, é terminar as obras inacabadas e que a conclusão da transposição do Rio São Francisco será a obra mais importante.

    (Por Ricardo Brito, em Brasília)

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    PT se assusta com crescimento de Bolsonaro, mas resiste a tirar Lula do centro das atenções e focar em Haddad

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O resultado das pesquisas Ibope e Datafolha de segunda e terça-feira deu um susto no comando de campanha do PT, que tenta encontrar uma estratégia para compensar o aumento da rejeição a Fernando Haddad, mas ainda resiste a tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do holofote e centrar forças no candidato verdadeiro.

    Depois de uma reunião que durou boa parte da tarde e da noite de terça-feira, o comando político conseguiu concordar em mudar o tom da campanha e partir para o ataque mais direto ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, adversário em um possível segundo turno. No entanto, parte do comando, ainda apegado à imagem de Lula, resiste à tese de que é preciso tirar o ex-presidente do centro da campanha e abrir mais espaço para Haddad.

    Membros do comando político defendem que é preciso, a partir de agora, haver 'mais Haddad e menos Lula', relatou uma fonte à Reuters, com o candidato se mostrando mais, até em uma tentativa de atrair, em um eventual segundo turno, uma aliança maior do que o PT tem hoje.

    O núcleo duro petista, no entanto, resiste à idéia de tirar Lula do centro da campanha e deixar Haddad, tido como 'excessivamente moderado', solto, o que lhe permitiria fazer mais acenos ao mercado e abertura aos adversários.

    'Acho que isso vai ter de ficar para o segundo turno, mas é preciso construir mais a narrativa do personagem Fernando Haddad. Ele precisa se colocar como líder. Continua a transferência de votos do presidente Lula como uma das coisas importantes, mas aí associando com outros elementos', disse uma outra fonte que participou da reunião.

    A preocupação de parte dos petistas é considerada pelo outro grupo pouco pragmática, mas o conselho político, formado por vários caciques petistas e dos demais partidos aliados, PCdoB e Pros, empurrou a decisão para frente.

    'Não se trata de fazer acenos para o mercado, se trata de defender a democracia. Temos que jogar para ganhar, não para jogar bonito. Mas acho que essa ficha caiu. O Haddad compreende isso perfeitamente', disse a fonte.

    Conseguiu-se, pelo menos, chegar a um acordo: a mudança no tom da campanha, que passará a adotar um discurso mais claro contra Bolsonaro.

    Até agora, o PT tinha evitado atacar diretamente o ex-capitão, deixando esse serviço para os outros adversários. No entanto, a estratégia acabou dando errado, porque o PT também era atacado e foi colocado como o outro extremo de Bolsonaro.

    'Não adianta ficar chamando Bolsonaro de fascista, isso é muito abstrato para a maior parte das pessoas', disse a fonte que estava presente à reunião.

    'Tem que mostrar concretamente que esse é um programa ruim, que afeta a vida das pessoas, que ele foi a favor de coisas como a terceirização, o teto de gastos', disse uma outra fonte.

    Uma primeira peça dessa nova campanha já foi ao ar nesta quarta-feira e mostra votações de Bolsonaro contra a política de reajuste do salário mínimo, a favor da reforma trabalhista, contra a criação do Fundo da Pobreza e a favor de aumentar o salário dos parlamentares. 'Não vote em quem sempre voltou contra você', diz a propaganda.

    O PT planeja tentar vincular Bolsonaro ao governo Temer, mostrando que o parlamentar apoiou medidas impopulares do atual governo.

    'Tem que desconstruir essa imagem do Bolsonaro e mostrar que ele vai usar uma ditadura para continuar o que Temer não conseguiu fazer numa democracia', contou a fonte.

    De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, os trackings do PT já haviam dado um crescimento de 3 pontos do candidato do PSL, Jair Bolsonaro --ainda assim, inferior aos 4 pontos apontados pelo Ibope e pelo Datafolha-- mas não haviam captado o crescimento de até 11 pontos na rejeição ao candidato petista.

    O diagnóstico para a mudança --o petista vinha subindo nas intenções de voto, enquanto Bolsonaro havia estagnado, e ganhava já nas simulações de segundo turno-- foi creditada a três pontos: a ofensiva do PSDB no final de semana, que teria acentuado o antipetismo, a ação de líderes evangélicos, que declararam voto em Bolsonaro e passaram a recomendar voto nas igrejas, e a uma nova onda de notícias falsas.

    'Foi uma explosão organizada, planejada', disse uma das fontes.

    Nesta quarta, o PT abriu um número de telefone para receber denúncias de notícias falsas contra o partido e seu candidato, e Haddad deu entrevista reclamando dos ataques, que teriam incluído até sua família.

    'Nós acreditamos que essas mensagens no WhatsApp estão fazendo alguma pequena diferença. Nós estamos falando de milhões de mensagens que estão sendo disparadas de mulheres nuas, crianças sendo abusadas, coisas gritantes mesmo', disse o candidato, creditando a isso o crescimento de Bolsonaro.

    'Nós desconfiamos do Bolsonaro pelo conteúdo, Eu não posso acusar, mas posso desconfiar pela natureza. É muito compatível com o discurso dele, uma aderência muito grande em relação ao que ele fala', completou.

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    Ciro diz que PT não pode contar com ele e que essa será sua última eleição

    (Reuters) - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, atacou mais uma vez o PT nesta sexta-feira e afirmou que não seria ministro em um eventual governo de Fernando Haddad, além de garantir que disputa sua última eleição.

    Em entrevista à rádio Guaíba de Porto Alegre, Ciro afirmou que o PT 'definitivamente não pode contar com ele', em resposta a falas de Haddad, que tem dito ter certeza que ele e Ciro estarão juntos em um segundo turno, seja qual dos dois vá disputar a segunda fase da eleição.

    'Não pode contar. O PT contou comigo ao longo desses 16 anos, até impeachment da Dilma. A medida que depois se junta com Renan Calheiros, estão junto com Eunício Oliveira, não é mais possível andar com eles. Definitivamente não é possível não', disse Ciro.

    O pedetista disse ainda que o PT 'se tornou uma organização odienta de poder' e que não pretende aceitar um eventual convite para ser ministro.

    'Eu não serei ministro. Disputarei minha última eleição. Vou dar todo meu amor, toda minha energia, acredito que tenha uma chance grande. Evidente vou ter que lutar como um obstinado até às 17h do dia 7', disse Ciro.

    Mais tarde, em um encontro em que compareceu para falar de políticas para mulheres, o pedetista voltou à carga contra o parido. Questionado se não temia queimar pontes com o PT, depois de todos os ataques ao partido e a Fernando Haddad, Ciro negou.

    'Não quero nenhuma ponte com ninguém a não ser com o povo brasileiro. Eu não pretendo ser presidente da República fazendo qualquer tipo de concessão a quem quer que seja. Jamais eu teria a condição de ter o apoio do PT, porque o PT tem a natureza do escorpião, o PT só sabe apoiar a si próprio', disse.

    'O PT, quando a gente o ajuda, a gente é o melhor herói do mundo. Quando a gente faz qualquer crítica, por mais fraterna ou respeitosa, o PT sobe nas tamancas e se considera dono do abacateirol.'

    Ciro está numericamente em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Haddad ocupa a vice-liderança da corrida presidencial.

    BOLSONARO

    O pedetista atacou também o líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), e afirmou que seria importante 'banir' o deputado da disputa já no primeiro turno.

    'Seria muito importante que o brasileiro banisse essa proposta radical, extremista, que é contra os trabalhadores, que é entreguista da riqueza nacional, já no primeiro turno, menos por mim e mais pelo país', defendeu.

    Ciro diz acreditar que tem condições de tirar parte dos votos de Bolsonaro, que hoje tem cerca de 28 por cento das intenções de votos, nas últimas pesquisas.

    'Existe um núcleo duro do eleitor do Bolsonaro que é fascista, 14, 16 por cento que vai ficar com Bolsonaro nem que ele corra nu na rua, que espanque a imagem de Nossa Senhora. Esse eleitor não está preocupado com nada. Costuma ser um garoto branco, rico com muito ódio no coração', disse. 'Mas essa diferença vem para mim, porque eu sou o único quadro no campo centro-esquerda que pode derrotar o PT sem ódio e com capacidade de dialogar com a esquerda, a direita e o centro.'

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu, em Brasília, e Laís Martins, em São Paulo)

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