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    Haddad faz campanha na Rocinha e promete aumentar imposto de bancos que mantiverem juros altos

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, atacou nesta sexta-feira a concentração bancária e afirmou que se eleito vai estimular a redução dos juros para fomentar o crédito e a economia, e prometeu aumentar impostos das instituições financeiras que não diminuírem as taxas.

    O petista, que visitou a favela da Rocinha para um ato de campanha na zona sul do Rio de Janeiro, disse que a retomada da atividade econômica depende de um conjunto de medidas, tais como reforma tributária, redução de impostos para famílias de menor renda e uma reformulação bancária.

    “Sem a reforma bancária o juro vai continuar muito alto na ponta, chega a 300 por cento no cartão de crédito e 100 por cento no cheque especial“, disse Haddad a repórteres.

    'Quanto mais juros o banqueiro cobrar mais imposto ele vai pagar, e vice-versa. Vamos induzir a diminuição das taxas de juros porque o sistema está muito concentrado, e, já que não tem concorrência entre eles, o governo vai regular para que haja concorrência“, acrescentou.

    Durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foram adotadas medidas anticíclicas para enfrentar o baixo crescimento econômico, e uma delas foi o usou dos bancos públicos para forçar a redução dos juros no setor bancário. Recursos bilionários também foram injetados pelo Tesouro no BNDES, que chegou a emprestar ao setor privado a um custo mais barato que o de captação.

    Essas medidas, no entanto, foram muito criticadas à época por comprometerem o desempenho dos bancos públicos e aumentarem o endividamento das famílias.

    Além de prometer medidas para forçar a queda nos juros como forma de estimular o crescimento econômico, Haddad afirmou que o teto de gastos públicos, que baliza as despesas do governo pela inflação do ano anterior, também comprime o nível de atividade.

    “O teto de gastos não abre nenhum espaço fiscal para investimento, e sem investimento público, sem consumo das famílias, sem crédito barato, a economia não vai retomar e o problema fiscal vai agravar', afirmou.

    O candidato do PT aproveitou a visita à Rocinha para prometer retomar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em comunidades carentes para melhorar as condições de vida das pessoas com mais emprego e geração de renda.

    Além de Haddad, também participaram do ato de campanha na Rocinha a candidata a vice Manuela D'Ávila e candidatos da coligação a outros cargos na eleição de outubro.

    Durante a visita, o candidato à Presidência cumprimentou eleitores e moradores e ouviu gritos de Lula durante boa parte do percurso, que foi acompanhado por militantes e com um carro de som anunciando “Lula é Haddad e Haddad é Lula”.

    (Por Rodrigo Viga Gaier)

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