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    EXCLUSIVO-Trump diz que China está 'de volta ao mercado' por soja dos EUA

    Por Roberta Rampton e Jeff Mason

    WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na terça-feira que a China está comprando uma 'enorme quantidade' de soja norte-americana e que negociações comerciais com Pequim já estão sendo feitas por telefone, acrescentando que são aguardadas mais reuniões entre autoridades dos dois países.

    Trump disse à Reuters em uma entrevista que o governo chinês está 'de volta ao mercado' para comprar soja dos EUA depois de uma trégua em 1º de dezembro na guerra comercial envolvendo Washington e Pequim.

    Operadores em Chicago, no entanto, disseram não ter visto nenhuma evidência de uma retomada de tais compras após a imposição de uma tarifa de 25 por cento sobre a soja dos EUA em julho.

    'Acabei de ouvir hoje que eles estão comprando enormes quantidades de soja. Eles estão começando, apenas começando agora', afirmou Trump na entrevista.

    Trump também disse acreditar que a China reduzirá em breve as tarifas dos automóveis norte-americanos para 15 por cento, em relação aos atuais 40 por cento.

    'Eu acho que eles estão querendo fazer isso imediatamente, muito rapidamente', disse.

    Um funcionário do governo Trump disse à Reuters que o plano da China para cortar as tarifas de automóveis foi esboçado em um telefonema entre o vice-premiê chinês, Liu He, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin.

    VENDAS DA SOJA ATENDIDAS

    Os dados do governo dos EUA não mostram nenhuma venda de soja para a China desde julho, quando Pequim impôs tarifas sobre o fornecimento de oleaginosas dos EUA em retaliação aos impostos dos EUA sobre produtos chineses.

    Traders vêm observando atentamente por sinais de confirmação de uma retomada das compras chinesas de soja dos EUA, particularmente depois que Trump tuitou na manhã de terça-feira que 'conversas muito produtivas' estavam acontecendo com a China. 'Preste atenção em alguns anúncios importantes!', acrescentou.

    Os futuros de soja na Bolsa de Chicago avançaram na terça-feira, com a esperança de que novos acordos fossem assinados em breve, mas não havia sinais de aumento de atividade nos mercados à vista, disseram operadores.

    As normas do Departamento de Agricultura dos EUA exigem que os exportadores relatem imediatamente as vendas de 100 mil toneladas ou mais de uma commodity em um único dia.

    No ano passado, a China comprou cerca de 60 por cento das exportações de soja dos EUA em transações avaliadas em mais de 12 bilhões de dólares. Com as exportações perdidas, os preços da soja caíram para o menor patamar em uma década, sobrecarregando os fazendeiros norte-americanos, um importante eleitorado dos Trump.

    Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, pediram uma trégua temporária em sua guerra comercial em 1º de dezembro. Trump concordou em adiar por 90 dias o aumento previsto para 1º de janeiro nas tarifas sobre produtos chineses enquanto os dois lados negociam o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, entre outros pontos.

    Trump disse na terça-feira que essas negociações já estavam acontecendo por telefone.

    'Provavelmente teremos outra reunião. E talvez uma reunião das principais pessoas de ambos os lados', disse Trump. 'Se for necessário, vou ter outra reunião com o presidente Xi, de quem gosto muito e com quem me dou muito bem.'

    Trump não ofereceu nenhum cronograma para novas reuniões face a face entre autoridades americanas e chinesas.

    Ele disse que esperaria para aumentar as tarifas sobre produtos chineses para 25 por cento, de 10 por cento, até que se torne evidente se os Estados Unidos e a China podem fazer um acordo.

    (Reportagem adicional de Tom Polansek e Michael Hirtzer, em Chicago)

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    EXCLUSIVO-Dreyfus e Olam têm maior salto em exportação de soja do Brasil em 2018

    Por José Roberto Gomes

    SÃO PAULO (Reuters) - A Louis Dreyfus Company (LDC) e a Olam International foram, dentre as gigantes tradings de commodities agrícolas, as que mais impulsionaram embarques de soja do Brasil em 2018, na esteira de uma safra recorde no país e aumento de envios à China, em meio à guerra comercial da nação asiática com os Estados Unidos.

    Após investimentos no país, a Dreyfus exportou de janeiro a novembro 30,5 por cento mais soja brasileira, com 10,56 milhões de toneladas, conforme dados da agência marítima Williams compilados pela Reuters. O volume representa cerca de 13 por cento de tudo o que o Brasil, o maior exportador da oleaginosa, vendeu no período.

    A exportação da Dreyfus supera ligeiramente o total de 10,49 milhões de toneladas de soja embarcada pela chinesa Cofco, que também teve aumento expressivo no período, de 22 por cento.

    Caso a Dreyfus se mantenha à frente da chinesa em dezembro, deve terminar o ano na terceira posição entre os maiores exportadores de soja do Brasil, atrás apenas da líder absoluta, Bunge, e da Cargill.

    'Um fator importante é o tamanho da safra, que sempre influencia, mas não é ao acaso. Não estamos esperando a safra ficar grande para crescer. A Louis Dreyfus tem feito investimentos em infraestrutura ao longo dos anos', afirmou o diretor-executivo de Oleaginosas da empresa no Brasil, Luis Barbieri.

    Os resultados de 2018 até o momento mostram como as companhias tradicionais, integrantes do chamado ABCD (ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus), estão lidando com a atuação da chinesa Cofco, que se consolidou entre os maiores exportadores de grãos do Brasil em 2017.

    Segundo Barbieri, a Dreyfus está 'colhendo agora os frutos desses investimentos', que giraram em torno de 500 milhões de reais por ano nos últimos anos, considerando-se todos os negócios da companhia.

    Barbieri explicou que a trading conta atualmente com maior capacidade de transporte de soja no Arco Norte, com 64 barcaças e sete empurradores pelos rios da Amazônia, o que favorece o escoamento da oleaginosa.

    Além disso, o Tegram, terminal de grãos no Maranhão, um dos mais novos do Brasil, que tem a empresa como sócia, rodou em 2018 pela primeira vez 'à plena capacidade'.

    'Acho que um dos fatores importantes para se atingir esse crescimento acima da média do mercado foram nossos investimentos em infraestrutura. Outro ponto foi nosso foco de estar próximo do produtor rural', afirmou Barbieri, preferindo não comentar sobre os números levantados pela Reuters a partir de line-ups da Williams.

    CHINA

    O apetite chinês pela soja brasileira também tem ajudado tradings com atuação no país sul-americano.

    A Olam International, com forte presença na Ásia, expandiu suas exportações de soja do Brasil em 237,2 por cento entre janeiro e novembro, na comparação anual, para 5,85 milhões de toneladas.

    'Nosso aumento nos volumes está em linha com o aumento do fluxo de comércio de soja do Brasil para a China, impulsionado pelas restrições comerciais entre Estados Unidos e China', afirmou a trading em nota por e-mail.

    Os produtores brasileiros foram muito beneficiados neste ano pela guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Em meio a diversas retaliações, Pequim impôs uma taxa de 25 por cento sobre a commodity norte-americana, o que levou os chineses a se voltarem à oleaginosa brasileira.

    Beneficiado também por uma safra recorde de cerca de 120 milhões de toneladas, o Brasil vem embarcando volumes históricos à China e deve fechar o ano com vendas de cerca de 82 milhões de toneladas.

    A própria Louis Dreyfus também teve seus negócios ajudados pela China. Em setembro, a empresa abriu em Tianjin, no norte chinês, sua nova planta processadora de oleaginosas, em um plano de expansão no maior consumidor global de soja.

    Dentre as outras grandes tradings com atuação no Brasil, a Bunge elevou suas exportações de soja em 9 por cento até agora em 2018, para 16,64 milhões de toneladas, enquanto a Cargill manteve certa estabilidade, em 11,35 milhões de toneladas, conforme os dados da Williams.

    A Archer Daniels Midland (ADM) viu seus embarques crescerem 12,6 por cento, para 8,20 milhões de toneladas. Já a Marubeni exportou 5,6 por cento menos, com quase 9 milhões de toneladas.

    (Por José Roberto Gomes)

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    ENTREVISTA-Indústria de soja do Brasil já vê exportação em 2018 acima do esperado

    Por Roberto Samora

    SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de soja do Brasil em 2018 deverão ficar acima das expectativas da própria indústria brasileira da oleaginosa, com a demanda da China derivada da disputa comercial com os Estados Unidos mantendo elevados os embarques do país nos últimos meses do ano, um período em que tradicionalmente minguariam, afirmou a associação do setor Abiove.

    Isso está sendo possível também porque o Brasil nunca colheu tanta soja como na safra 2017/18. Além disso, há avaliações de alguns operadores de que a última colheita tenha sido ainda maior do que o estimado, disse à Reuters o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral.

    A Abiove estimou no início de outubro exportações de 77 milhões de toneladas para o ano calendário de 2018, e o volume embarcado no acumulado de 2018 até meados deste mês já atingiu 73 milhões de toneladas no ano.

    'E tem mais a soja que está no 'line-up' para este mês... Já chega ao final de outubro perto da projeção da Abiove para o ano', afirmou Amaral, sem apontar um novo número para os embarques do principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, que vai exportar mais de 30 bilhões de dólares em 2018 só do grão.

    Ele ponderou que as projeções da Abiove, feitas com base em associados como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus, Amaggi e Cofco, foram 'pensadas' com expectativas de uma 'retomada' das relações dos EUA com a China.

    'Mas este cenário está um pouco distante de acontecer, a China continua fazendo compras no Brasil...', afirmou ele, referindo-se a fato de os chineses terem praticamente abandonado o mercado norte-americano após Pequim ter imposto em julho uma tarifa de 25 por cento sobre a soja dos EUA, em retaliação a medidas de Washington.

    As exportações de soja do Brasil, com cerca de 80 por cento indo para a China este ano, seguem relativamente fortes na entressafra apesar de o país já ter exportado no acumulado de 2018 cerca de 5 milhões de toneladas a mais do que o volume de 68 milhões de toneladas embarcado em 2017, quando o país havia marcado um recorde.

    Muitos integrantes do setor se perguntam até quanto poderia ir a exportação neste ano, especialmente porque alguns acham que a safra foi efetivamente maior do que a estimada. A Abiove estima a produção 2017/18 em 119,5 milhões de toneladas.

    'Pode ser que a safra tenha sido um pouco maior, existem estimativas de associados indicando que talvez a oferta doméstica tenha sido um pouco maior', disse ele. A consultoria Datagro, por exemplo, estima uma safra de 120,2 milhões de toneladas.

    Já com a colheita finalizada, as exportações do Brasil foram recordes para o mês de setembro, o que já pode ser dito também de outubro (cerca de 4 milhões de toneladas), com base em dados do governo levantados pela Reuters.

    COMPROMISSOS HONRADOS

    As grandes exportações do grão, no entanto, não impedirão a indústria brasileira de atender os clientes de farelo e óleo de soja --se deixasse de processar certos volumes, poderia sobrar a matéria-prima para exportação.

    'Do ponto de vista doméstico, as empresas têm compromissos de entrega de farelo e óleo. E esses compromissos vão ser atendidos', disse Amaral.

    Ele admitiu, contudo, que o processamento poderia ficar um pouco abaixo dos 43,6 milhões de toneladas previstos para 2018, com algumas empresas enviando um pouco mais de soja à exportação.

    'Pode baixar um pouco, mas sempre em linha com o compromisso de honrar contratos para abastecer o mercado interno.'

    O gerente não quis especular se alguma companhia multinacional poderia atender seus clientes com exportação de farelo de outros países, o que liberaria as empresas para exportar mais soja do Brasil para a China.

    Ele também disse não acreditar que haja importação de farelo de soja fora dos volumes usuais para atender ao mercado brasileiro --nos últimos anos, praticamente não existiram.

    'Eu já vi trader comentar sobre isso, eventualmente ter alguma importação de farelo, mas não é usual, 2008 foi o último ano em que importamos mais de 100 mil toneladas de farelo.'

    Ainda que alguma colheita da nova safra (2018/19) possa chegar um pouco antes, em dezembro, com um plantio antecipado, Amaral não vê chance de maiores exportações em janeiro.

    'A tendência é que janeiro seja um mês de estoque apertado, após estoque de passagem mais baixo. A colheita estará no início...', comentou.

    Ele disse ainda esperar um 'estresse' de mercado em função da baixa disponibilidade de soja esperada para o final do ano, de 1,46 milhão de toneladas, o menor estoque final estimado pela Abiove em pelo menos dez anos.

    Os preços internos, que se aproximaram de 100 reais por saca em setembro, agora estão menos pressionados, a 88 reais, após o dólar ter recuado, aponta um indicador do Cepea, da USP.

    (Por Roberto Samora)

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    Produção de soja do Brasil em 2019 deve igualar recorde de 2018, diz Abiove

    SÃO PAULO (Reuters) - A produção de soja do Brasil em 2019 deverá alcançar 119,50 milhões de toneladas, estável na comparação com o volume recorde revisado de 2018, projetou nesta terça-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), na primeira estimativa para a nova safra.

    Até o mês passado, a Abiove previa uma safra de 118,8 milhões de toneladas para 2018, com colheita encerrada há alguns meses.

    Por ora, produtores estão no meio do plantio da nova temporada, cuja colheita tende a começar na virada de 2018 para 2019 --o calendário considerado pela Abiove vai de janeiro a dezembro e, portanto, difere do ano-safra 2018/19, de julho deste ano a junho do próximo.

    Ainda conforme a entidade, os embarques pelo maior exportador global da oleaginosa devem alcançar 71,90 milhões de toneladas em 2019, abaixo do recorde de 77 milhões no ano anterior.

    As vendas brasileiras foram impulsionadas neste ano pela crescente disputa comercial entre Estados Unidos e China, que culminou com Pequim taxando a soja norte-americana. A medida levou compradores chineses a se voltarem com força para o produto brasileiro.

    Embarques menores em 2019, contudo, devem contribuir para o aumento dos estoques domésticos. A Abiove prevê reservas de 3,765 milhões de toneladas ao término do ano que vem, contra 1,465 milhão em 2018.

    Quanto às importações de soja, a entidade estima compras de 300 mil toneladas em 2019, estável ante 2018 --em 2017, foram 254 mil toneladas.

    A Abiove também previu processamento de 43,2 milhões de toneladas de soja no ano que vem, levemente abaixo na comparação com os 43,6 milhões estimados para 2018, um recorde. Em 2017, o processamento somou 41,8 milhões de toneladas.

    DERIVADOS

    A associação prevê produção de 32,6 milhões de toneladas de farelo de soja pelo Brasil em 2019, queda de 0,6 por cento na comparação anual.

    No caso do óleo de soja, a fabricação também tende a recuar 0,6 por cento, para 8,6 milhões de toneladas.

    (Por José Roberto Gomes)

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    Brasil direciona quase 80% da exportação de soja para China de janeiro a agosto

    Por Roberto Samora

    SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de soja do Brasil para a China somaram 50,9 milhões de toneladas de janeiro a agosto, volume que representa 78,8 por cento de toda a oleaginosa exportada pelos brasileiros no período, à medida que o gigante asiático evita comprar o produto dos EUA devido a uma tarifa de 25 por cento.

    Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Agricultura, que apontou também que as exportações totais do Brasil nos oito primeiros meses de 2018 somaram um recorde de 64,6 milhões de toneladas, versus 56,9 milhões de toneladas no mesmo período de 2017.

    De janeiro a agosto de 2017, as exportações do Brasil para a China haviam atingido 44,1 milhões de toneladas, o que representou uma fatia de cerca de 77,5 por cento de tudo o que o país exportou no período.

    As exportações brasileiras de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, estão estimadas em 76 milhões de toneladas em 2017/18, resultando em estoques finais mínimos, o que indica que o país não terá muito mais soja para ofertar aos chineses nos próximos meses, até a entrada da nova safra, a partir de janeiro.

    Buscando evitar a soja dos EUA, taxada em 25 por cento pelos chineses desde julho, em meio a uma guerra comercial, a China já deu mostras de que busca alternativas.

    Nesta semana, a China reduziu sua previsão de importações anuais de soja no ano-safra que começa em 1º de outubro para 83,65 milhões de toneladas, ante 93,8 milhões de toneladas na previsão anterior, planejando recorrer a outros produtos para fabricar ração animal.

    O ministério brasileiro informou ainda que, de janeiro a agosto, as exportações de soja, o principal produto exportado pelo país, somaram 25,72 bilhões de dólares, alta de 20 por cento na comparação anual.

    O governo relatou também que as exportações de soja em grão para a China responderam por quase 30 por cento do valor total exportado em produtos do agronegócio brasileiro (68,52 bilhões de dólares, de janeiro a agosto), o que ressalta a dependência brasileira da China no comércio global.

    O gigante asiático comprou sozinho, de janeiro a agosto, 42,7 por cento da safra de soja em grão brasileira 2017/2018, que atingiu um recorde de 119,3 milhões de toneladas.

    Já as exportações de farelo de soja também atingiram volume recorde, com 11,8 milhões de toneladas de janeiro a agosto, gerando divisas de 4,69 bilhões de dólares (+32 por cento), de acordo com o ministério. O produto, no entanto, teve como principal destino a União Europeia.

    RECORDE DE CARNE

    Segundo o ministério, a China também adquiriu 41,7 por cento da quantidade total exportada pelo Brasil de celulose e quase 20 por cento da quantidade exportada de carne bovina in natura.

    A propósito, a quantidade de carne bovina in natura comercializada para o exterior apresentou recorde mensal em agosto, com 144,42 mil toneladas negociadas, aumento de 17,6 por cento, e crescimento de 13,5 por cento em valor (590 milhões de dólares), conforme a Reuters antecipou no início do mês.

    A alta foi registrada apesar da queda do preço médio (- 3,5 por cento), segundo o ministério.

    Os principais destinos foram a China, com 33,3 mil toneladas (+23 por cento), e Hong Kong, com 26,6 mil toneladas (+18 por cento) da carne bovina in natura.

    (Por Roberto Samora)

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    Brasileiros almejam contrato futuro de soja diante de guerra comercial EUA-China

    Por Ana Mano

    SÃO PAULO (Reuters) - Agricultores brasileiros estão em busca de apoio para desenvolver um contrato futuro de soja que facilite as negociações entre o Brasil, maior exportador de soja do mundo, e a China, o maior importador, em um momento de tensões comerciais entre norte-americanos e chineses.

    Segundo um crescente coro de produtores, analistas, banqueiros e até mesmo um economista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, faria sentido estabelecer tal contrato para mitigar riscos, já que os preços da soja do Brasil e dos EUA se descolaram com o recrudescer da guerra comercial.

    Os prêmios no mercado brasileiro de soja subiram para um recorde de cerca de 2 dólares em relação aos preços da bolsa de Chicago (CBOT), após uma decisão tomada por Pequim de impor uma tarifa de 25 por cento sobre a oleaginosa norte-americana em julho, em retaliação às taxas impostas pelo presidente Donald Trump.

    Um novo contrato poderia fornecer uma alternativa à CBOT, referência mundial em preços de soja.

    A matriz da CBOT, CME Group Inc, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

    Bartolomeu Braz, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), disse que os agricultores gostariam de ver um novo contrato comercializado no Brasil ou na Argentina, o terceiro maior produtor mundial de soja.

    Ele discutiu a ideia com o embaixador argentino em Brasília no ano passado e recentemente abordou a questão diante de uma plateia de comerciantes chineses em uma reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o poderoso lobby agrícola no Congresso brasileiro.

    'Os próximos passos envolvem a procura de aconselhamento técnico e jurídico para avançar o processo', disse ele em uma entrevista na semana passada.

    A criação de tal contrato na bolsa brasileira B3 SA não é complicada e exigiria apenas a definição de padrões relativos a preço, qualidade e quantidade, disse Frederico Favacho, um advogado que representa grupos brasileiros de processamento e exportação de grãos.

    Se a guerra comercial continuar e a China quiser garantir a soja sul-americana em janeiro e fevereiro, o prêmio colocado sobre a soja brasileira 'teria de ser negociado e ficaria difícil ou impossível de fazer o hedge via CBOT', disse Dan Basse, economista e presidente da consultoria AgResource, de Chicago.

    Os Estados Unidos, o segundo maior exportador de soja do mundo, venderam no ano passado cerca de 12 bilhões de dólares em soja para os chineses, enquanto as vendas do Brasil para esse país ficaram um pouco acima de 20 bilhões de dólares, segundo dados do governo.

    A China está virtualmente fora do mercado norte-americano desde que as tarifas foram anunciadas.

    Faz sentido 'econômico' procurar um local diferente para comercializar a soja brasileira, disse à Reuters Warren Preston, vice-economista-chefe do USDA, durante uma conferência em São Paulo.

    Com interrupções no comércio, flutuações cambiais e diferenciais de transporte aumentando o risco para produtores e compradores, Preston disse que se tornou mais difícil para as pessoas que usam um contrato CME tentar fazer hedge de suas compras e vendas.    Em julho, a S&P Global Platts começou a publicar três indicadores do preço da soja denominados SOYBEX CFR China, SOYBEX FOB Santos e SOYBEX FOB Paranaguá.

    Enquanto fontes diplomáticas e da indústria chinesas dizem que a ideia de um contrato de soja na América do Sul deva ser explorada, ainda não há apoio incondicional à iniciativa.    Qu Yuhui, ministro-conselheiro da embaixada chinesa no Brasil, disse que o conceito de um contrato futuro direto entre o Brasil e a China merece discussão.

    'Ambos os lados devem trabalhar na direção de qualquer ideia --como ter os dois lados assinando contratos futuros-- que permita ao mercado brasileiro de soja e agricultores saber quanta demanda chinesa haverá no próximo ano e que os compradores chineses saibam que preço eles podem receber do Brasil', disse ele em uma entrevista no mês passado.

    Um alto executivo chinês de empresas de grãos disse que a ideia seria 'disruptiva', tomando emprestado um termo do Vale do Silício para expressar uma mudança positiva.

    'A inovação é bem-vinda, já que o mercado está passando por mudanças estruturais e as margens estão apertadas', disse o executivo, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar com a mídia.

    (Reportagem de Ana Mano em São Paulo; com reportagem adicional de Jake Spring em Brasília e Julie Ingwersen em Chicago)

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    Justiça cassa liminar que proibia uso de glifosato no Brasil, diz ministro

    SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A Justiça cassou uma decisão judicial do início do mês que havia determinado a suspensão de registros de produtos que contenham glifosato, ingrediente de herbicidas usados em larga escala no Brasil, disse nesta quinta-feira o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

    'Notícia boa!!! Acaba de ser cassada a liminar que proibia o uso do glifosato no Brasil', escreveu o ministro em sua conta oficial no Twitter.

    A decisão foi cassada após recurso movido na quarta-feira pela Advocacia-Geral da União (AGU).

    No recurso ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), a AGU defendeu a revogação imediata da proibição, destacando que o impedimento, se mantido, geraria 'grave risco de lesão à ordem econômica' e impacto de bilhões de reais para a balança comercial.

    O glifosato é um herbicida utilizado em importantes lavouras brasileiras, especialmente na soja, o principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

    A liminar foi cassada em momento em que produtores se preparam para o plantio da nova safra nas próximas semanas, o que deve trazer mais tranquilidade para um setor que planeja semear uma área recorde de mais de 36 milhões de hectares de soja na temporada 2018/19.

    A AGU destacou que, se a decisão não fosse cassada, o Brasil seria o primeiro país a restringir totalmente o uso de glifosato, o que levaria muito provavelmente a maior parte dos produtores a deixar de utilizar a modalidade de plantio direto e voltar a preparar, em alguma medida, o solo, com evidentes perdas para o meio ambiente (erosão, diminuição do teor de matéria orgânica do solo, aumento do consumo de combustível etc.).

    No começo do mês, a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, havia determinado a não concessão de novos registros de produtos que contenham como ingredientes ativos glifosato, abamectina e tiram, presentes em agroquímicos, em processo movido pelo Ministério Público.

    O caso envolve companhias como a Monsanto, comprada pela Bayer, que comercializa, por exemplo, a soja transgênica resistente ao herbicida glifosato, plantada em larga escala no

    Brasil.

    Em nota técnica recente, o Ministério da Agricultura lembrou que o glifosato é um herbicida de uso disseminado na agricultura mundial, representando mais de 50 por cento de todas as aplicações de agrotóxicos e afins no Brasil e no mundo.

    (Por Marcelo Teixeira e Luciano Costa em São Paulo e Ricardo Brito em Brasília)

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    Apesar de incertezas, Brasil deve plantar recorde de 36,3 mi ha de soja em 18/19, apontam analistas

    Por José Roberto Gomes

    SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja na safra 2018/19 do Brasil deve crescer pelo 12º ano seguido e atingir novo recorde, superior aos 36 milhões de hectares, em meio a uma demanda robusta e margens ainda firmes, embora uma série de incertezas deixe o setor em alerta para potenciais revisões nas estimativas já divulgadas, mostrou uma pesquisa da Reuters nesta terça-feira.

    Conforme o levantamento com nove consultorias e entidades, a semeadura no maior exportador global da oleaginosa, que tem início em setembro, deve alcançar 36,28 milhões de hectares, alta de 3,2 por cento ante 2017/18.

    A expansão de área nos últimos 12 anos foi de em média cerca de 5 por cento ao ano, sendo que o maior incremento se deu em 2012/13, com 10,7 por cento.

    'Entre os fatores que vemos para esse novo aumento de área da soja (em 2018/19)... podemos citar os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem resultado em certa manutenção dos preços da soja brasileira para exportação... O câmbio também tem dado suporte aos preços da soja em reais', afirmou o analista do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, Victor Ikeda.

    Uma escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo neste ano culminou com Pequim taxando as importações de soja dos Estados Unidos, o que levou a China, maior compradora mundial da commodity, a se voltar ainda mais à oferta brasileira.

    Os prêmios do produto nacional chegaram a disparar para 2 dólares por bushel, ao passo que a apreciação da moeda norte-americana ante o real tem compensado o enfraquecimento dos preços na Bolsa de Chicago (CBOT), que já caíram cerca de 7 por cento em 2018.

    Mas esse mesmo dólar, com alta de quase 20 por cento neste ano, tende a puxar os custos na temporada.

    'A desvalorização do real deverá elevar os custos de produção, em média, em 10 por cento para a próxima safra, com destaque para o forte aumento dos preços de fertilizantes e químicos', resumiu a consultoria Céleres, que prevê plantio de 36,2 milhões de hectares e rentabilidade operacional média de 1.191 reais por hectare em 2018/19.

    'Apesar de ser menor que a rentabilidade efetiva na safra 2017/18, as margens projetadas se mostram elevadas e deverão incentivar o aumento de área por parte do produtor', ponderou.

    Mesmo assim, há no radar do setor incertezas ainda capazes de jogar para baixo as perspectivas de plantio.

    Enquanto o cenário eleitoral deve provocar volatilidade no câmbio nas próximas semanas, indefinições quanto aos custos com fretes, tabelados após os protestos de caminhoneiros, têm prejudicado as vendas antecipadas da safra.

    'Nas últimas semanas, a comercialização da safra nova poderia ter andado um pouco mais, só que isso não aconteceu, em parte devido às incertezas em relação à situação do frete em 2019', destacou Steve Cachia, da Cerealpar.

    Mais recentemente, uma decisão judicial suspendendo o registro de glifosato levantou dúvidas quanto ao uso do herbicida, presente há décadas no Brasil, na safra 2018/19 de soja.

    'Entre fatores que podem levar a alterações no cenário-base que estamos considerando atualmente estão a questão do frete e a discussão sobre o uso do glifosato na próxima safra... Nesses dois casos, em caso de manutenção das medidas em vigor, há possibilidade de revisarmos os números levemente para baixo, principalmente no que se refere à projeção área', afirmou Ikeda, do Rabobank, que prevê semeadura de 36,7 milhões de toneladas.

    PRODUÇÃO

    Por enquanto a expectativa é de uma colheita levemente maior na comparação com 2017/18, atingindo também históricos 119,76 milhões de toneladas, aumento de 0,65 por cento.

    'Em termos de produtividades, nossos primeiros números naturalmente indicam rendimentos médios inferiores aos da última safra, que foi praticamente perfeita em todo o país. Nada impede a repetição destas grandes produtividades, mas para isso o clima deverá ser novamente muito favorável. Alertamos para a possibilidade crescente do fenômeno El Niño ser confirmado no verão sul-americano', disse o consultor, Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado.

    (Por José Roberto Gomes)

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