TERAPIA CAR-T TRAZ ESPERANÇA PARA PACIENTES COM A DOENÇA DE CÉLINE DION
ESTUDO MOSTRA MELHORA SIGNIFICATIVA DA MOBILIDADE EM PESSOAS COM SÍNDROME DA PESSOA RÍGIDA APÓS TRATAMENTO EXPERIMENTAL
João Carlos
16/07/2026
Uma terapia desenvolvida originalmente para combater alguns tipos de câncer no sangue acaba de apresentar resultados promissores no tratamento da Síndrome da Pessoa Rígida (Stiff Person Syndrome – SPS), uma rara doença autoimune que ganhou projeção mundial após o diagnóstico da cantora Céline Dion.
Os dados, apresentados durante a reunião anual da Academia Americana de Neurologia (AAN) 2026, mostram que pacientes submetidos ao tratamento experimental com células CAR-T registraram melhora importante na mobilidade, na velocidade da caminhada e na qualidade de vida, abrindo uma nova perspectiva para uma doença que, até hoje, conta com opções terapêuticas limitadas.
Como funciona a terapia
A tecnologia utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e eliminar células B — responsáveis pela produção dos anticorpos que atacam o sistema nervoso em diversas doenças autoimunes.
Batizado de mivocabtagene autoleucel (miv-cel), o tratamento foi desenvolvido pela empresa americana Kyverna Therapeutics e já vinha sendo estudado com sucesso em determinados cânceres hematológicos. Agora, os pesquisadores investigam seu potencial para "reinicializar" o sistema imunológico em doenças autoimunes graves.
Resultados animadores
O estudo clínico de fase 2, chamado KYSA-8, acompanhou 26 adultos diagnosticados com Síndrome da Pessoa Rígida.
Após 16 semanas de acompanhamento, os pesquisadores observaram que:
- 81% dos pacientes apresentaram melhora clinicamente significativa na velocidade da caminhada;
- entre os participantes que dependiam de cadeira de rodas ou dispositivos de apoio para se locomover, oito conseguiram realizar o teste de caminhada sem qualquer auxílio;
- também foram registradas reduções na rigidez muscular e na incapacidade funcional causada pela doença.
Os resultados representam um dos avanços mais importantes já registrados para essa condição extremamente rara.
A doença que chamou atenção após Céline Dion
A Síndrome da Pessoa Rígida provoca rigidez muscular progressiva, espasmos intensos e dificuldades crescentes para caminhar e manter o equilíbrio.
A doença ganhou notoriedade internacional em 2022, quando Céline Dion revelou publicamente o diagnóstico, levando ao cancelamento de sua turnê mundial e ao afastamento dos palcos. Desde então, a artista tornou-se uma das principais responsáveis por aumentar a conscientização sobre a síndrome, que afeta apenas algumas pessoas a cada milhão de habitantes.
Até o momento, não há qualquer informação de que Céline Dion tenha recebido essa terapia experimental.
Ainda não é uma cura
Apesar dos resultados considerados muito positivos pelos especialistas, os pesquisadores alertam que o tratamento continua em fase experimental.
O estudo envolveu um número reduzido de participantes e será necessário acompanhar os pacientes por mais tempo para confirmar se os benefícios serão duradouros e se a terapia poderá ser utilizada de forma ampla.
Especialistas envolvidos na pesquisa destacam que ainda é cedo para falar em cura, mas classificam os resultados como um marco importante no desenvolvimento de tratamentos capazes de modificar o curso da doença — algo que os medicamentos atuais raramente conseguem fazer.
Um novo caminho para doenças autoimunes
O sucesso das células CAR-T contra alguns tipos de leucemia e linfoma já transformou a oncologia nos últimos anos. Agora, pesquisadores acreditam que essa mesma tecnologia poderá inaugurar uma nova geração de tratamentos para doenças autoimunes graves, como a Síndrome da Pessoa Rígida, o lúpus e outras enfermidades em investigação.
Embora ainda dependa de novos estudos e da aprovação dos órgãos reguladores, o trabalho representa um dos avanços mais promissores já apresentados para pacientes que convivem com essa condição rara.


