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    Tratamento com placebo de fato faz efeito, comprova estudo

    Com isso, a espectativa é de que medicamentos possam ser substituídos, em alguns casos, por pílular de açúcar, por exemplo.

    Por Letícia Furlan

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    Tratamentos com placebo, como as pílulas de açúcar, podem provocar reduções reais nos sintomas dos pacientes, mas os cientistas lutam há muito tempo para entender exatamente como isso funciona.

    Um novo estudo publicado na Nature Communications descobriu que, quando algumas pessoas com dor lombar crônica tomavam uma pílula de açúcar placebo, a dor era reduzida de forma tão eficaz quanto teria sido com a medicação para a dor. Mas a descoberta mais recente, dizem os pesquisadores, é que as pessoas com certas características responderam melhor aos placebos de forma confiável do que outras.

    "A linha padrão tem sido que a resposta ao placebo é real, mas não é previsível", diz o co-autor do estudo, A. Vania Apkarian, professor de fisiologia da Feinberg School of Medicine da Northwestern University. “Esse é o ponto de vista clássico da literatura: que você não pode prever quem responderá ou o quanto eles responderão. Mas, na verdade, podemos prever os dois”. 

    Apkarian e seus colegas recrutaram 63 pacientes com dor lombar crônica para o estudo. Quarenta e três receberam uma pílula de açúcar que eles não sabiam ser um placebo, e 20 não receberam nenhum tratamento. Ninguém recebeu um analgésico real. Ao longo de cerca de oito semanas, os indivíduos realizaram avaliações laboratoriais periódicas e monitoraram sua dor diária em um aplicativo de smartphone. 

    Cerca de metade dos pacientes que receberam o tratamento simulado experimentaram uma redução de aproximadamente 30 por cento na dor - um resultado comparável aos medicamentos atualmente disponíveis no mercado. 

    Os pesquisadores também descobriram certas características que pareciam prever se as pílulas de açúcar seriam eficazes ou não. Várias características da anatomia do cérebro (como a assimetria em áreas que controlam a emoção e a recompensa, incluindo a amígdala, o accumbens e o hipocampo) e a personalidade (como ser emocionalmente autoconsciente, sintonizada com o corpo e atenta ao ambiente) correlacionado com a experiência do efeito placebo, diz Apkarian. 

    O poder preditivo parecia ser tão forte que esses pacientes nem precisariam ser enganados para tomar o placebo - seus cérebros já estão preparados para responder, mesmo sabendo que estão tomando uma droga simulada. 

    É impossível dizer quando, ou se, os resultados podem ser integrados à prática clínica, diz Apkarian. Seu estudo foi pequeno e precisará ser replicado. Além disso, a população incluída no estudo - pacientes com dor crônica - pode ter uma vasta experiência com o sistema médico e "fortes atitudes sobre sua saúde", diz Apkarian. Pessoas com menos exposição ao sistema de saúde podem não ter o mesmo perfil cognitivo ou estar em sintonia com pequenas mudanças na dor e outros sintomas. 

    Mas se os médicos pudessem prever consistentemente a resposta ao placebo, Apkarian diz que o impacto seria enorme, tanto em nível individual quanto sistemático. Os médicos não só poderiam prescrever placebos (que são livres de efeitos colaterais) a certos pacientes, poupando-lhes o uso desnecessário de drogas, mas também ensaios clínicos poderiam ser projetados sem levar em conta o efeito placebo, tornando-os mais baratos e fáceis de completar. 

    "No final, o clínico poderia dar cinco ou seis perguntas ao paciente e decidir se ele deveria prescrever apenas uma pílula de açúcar para eles", diz Apkarian. "Quanto mais alto eles pontuarem nesse questionário de personalidade, maior será a resposta ao placebo". 

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