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ÚLTIMO ADEUS A CLIVE DAVIS

ALICIA KEYS, BRUCE SPRINGSTEEN, DIONNE WARWICK, BARRY MANILOW E STEVIE WONDER ESTIVERAM ENTRE OS NOMES QUE HOMENAGEARAM O EXECUTIVO

João Carlos

30/06/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Daniel Prakopcyk/Grammy via Instagram/Clive Davis
Crédito da imagem: Daniel Prakopcyk/Grammy via Instagram/Clive Davis

A despedida de Clive Davis reuniu, em Manhattan, um daqueles encontros raros em que a história da música parece ocupar a mesma sala. Na segunda-feira, 29 de junho, artistas, amigos, familiares e nomes importantes da indústria se reuniram na Central Synagogue, em Nova York, para prestar as últimas homenagens ao executivo que ajudou a revelar, guiar ou reposicionar carreiras que marcaram gerações. A cerimônia foi fechada ao público, mas transmitida pela sinagoga. Davis havia morrido em 22 de junho, aos 94 anos, em seu apartamento em Manhattan.

Entre os nomes presentes estavam Bruce Springsteen, Alicia Keys, Dionne Warwick, Barry Manilow, Stevie Wonder, Kenny G, Jennifer Hudson, Ja Rule, Diane Warren, Adrien Brody, Gayle King, Hoda Kotb, Rob Thomas, Pat Houston e Ted Sarandos, copresidente da Netflix. O encontro teve clima de reunião de família musical: muitos dos artistas que estiveram ali viram suas trajetórias mudar depois de cruzarem o caminho de Davis.

A cerimônia alternou lembranças pessoais, momentos de humor e apresentações musicais. Jennifer Hudson interpretou “Hallelujah”, de Leonard Cohen, e depois emocionou os presentes ao cantar “I Will Always Love You”, eternizada por Whitney Houston, uma das maiores descobertas e protegidas de Davis. O encerramento também trouxe a memória de Whitney: uma versão instrumental de “I Wanna Dance with Somebody” acompanhou a saída do caixão da sinagoga.

Crédito da imagem: Facebook/@brucespringsteen

Bruce Springsteen lembrou que tinha 22 anos quando Davis o contratou para a Columbia Records. O músico contou que, depois de ouvi-lo, o executivo simplesmente deu as boas-vindas ao selo — um gesto que, segundo Springsteen, mudou sua vida para sempre.

Crédito da imagem: Sony Music UK

Alicia Keys, visivelmente emocionada, recordou o primeiro encontro com Davis ainda adolescente e destacou a forma como ele enxergou nela algo que ela mesma ainda começava a perceber.

Créditos da imagem: Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic

Dionne Warwick também trouxe à tona uma história decisiva. Ela relembrou como Davis insistiu para que ela trabalhasse com Barry Manilow no fim dos anos 1970, parceria que resultou no álbum “Dionne”, certificado de platina e vencedor de dois Grammys. Manilow, por sua vez, falou sobre a relação criativa com Davis e sobre como o executivo o encorajou a transformar “Brandy” em “Mandy”, canção que se tornaria um de seus maiores sucessos.

As últimas reverências da indústria

As homenagens começaram logo após o anúncio da morte. A Sony Music, onde Davis ocupou papel central em sua fase mais recente, afirmou que ele foi uma figura lendária da indústria e que seu instinto para artistas ajudou a moldar gerações. Rob Stringer, chairman da Sony Music Group, ressaltou que Davis teve papel fundamental na história da companhia e deixou uma marca permanente no catálogo e na cultura da gravadora.

Nas redes e em comunicados à imprensa, artistas de diferentes épocas reforçaram a dimensão pessoal dessa influência. Springsteen destacou o respeito e a gentileza que recebeu de Davis desde o início da carreira. Barry Manilow falou de uma parceria de 50 anos feita de trabalho, criação, discussões e celebrações. Carlos Santana definiu Davis como um visionário capaz de perceber o potencial de um artista antes de todos. Patti Smith, Diane Warren, Rob Thomas e Harry Connick Jr. também publicaram homenagens ao executivo.

A Recording Academy também se manifestou. Harvey Mason Jr., CEO da instituição, disse ao Los Angeles Times que a música havia perdido uma de suas figuras mais importantes e lembrou a longa relação de Davis com o Grammy, incluindo a tradicional festa pré-Grammy que se tornou um dos eventos mais cobiçados da indústria.

A homenagem no BET Awards 2026 veio no domingo, 28 de junho, um dia antes do funeral. Durante o segmento “In Memoriam”, a premiação lembrou personalidades da música, da televisão e da cultura, incluindo Clive Davis. A cantora gospel Erica Campbell, do Mary Mary, introduziu o momento e cantou “I Love the Lord”, música associada à voz de Whitney Houston, ao lado de Le’Andria Johnson. O tributo também lembrou o compositor gospel Richard Smallwood e outros nomes que morreram no último ano.

O impacto de Davis atravessou décadas e estilos. Ex-advogado que se tornou um dos executivos mais influentes da música pop e do rock, ele presidiu a Columbia Records, fundou a Arista Records, lançou a J Records e depois assumiu função criativa na Sony Music. Ao longo da carreira, esteve ligado a artistas como Whitney Houston, Alicia Keys, Bruce Springsteen, Janis Joplin, Santana, Barry Manilow, Aretha Franklin, Rod Stewart e Kelly Clarkson.

As últimas homenagens mostraram por que Clive Davis era chamado de “homem do ouvido de ouro”. Sua despedida refletiu a foça de um grande produtor executivo que ajudou a transformar talento em memória afetiva. Para muitos artistas, ele foi mentor. Para a indústria, um estrategista. Para o público, ainda que indiretamente, uma presença constante em algumas das músicas mais conhecidas das últimas seis décadas.

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