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UM NOVO PARQUE NO JOCKEY, NOVAS POSSIBILIDADES PARA SÃO PAULO

O PROJETO ABRE ESPAÇO PARA DISCUTIR OS IMPACTOS QUE UMA INICIATIVA DESSA DIMENSÃO PODERIA GERAR PARA TODA A CAPITAL PAULISTA.

João Carlos

26/06/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Imagine caminhar livremente por uma área de quase 600 mil metros quadrados, cercada por jardins, patrimônio histórico, ciclovias, centros culturais e com vista para o Rio Pinheiros. O cenário ainda pertence ao campo das possibilidades, mas a discussão sobre o futuro do Jockey Club de São Paulo levanta uma questão inevitável: o que São Paulo teria a ganhar se um dos maiores terrenos da capital se transformasse em um parque aberto à população?

Além de ampliar significativamente a oferta de áreas verdes, um projeto dessa dimensão poderia criar um novo cartão-postal para a cidade, fortalecer o turismo na maior metrópole da América Latina, preservar um importante patrimônio histórico e beneficiar moradores, estudantes, esportistas, comerciantes, trabalhadores e toda a cadeia econômica que costuma florescer ao redor de grandes parques urbanos.

Por enquanto, o cenário é apenas hipotético. O Projeto de Lei 505/2025 autoriza o Executivo municipal a declarar o terreno de utilidade pública para uma futura desapropriação. Até o momento, a proposta permanecia na primeira fase de discussão e votação, sem aprovação definitiva.

Um parque em escala metropolitana

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O terreno do hipódromo possui quase 600 mil m². Para efeito de comparação, seria aproximadamente quatro vezes maior que o Parque Municipal Chácara do Jockey, na Vila Sônia, que ocupa cerca de 143 mil m².

Essa dimensão permitiria combinar diferentes usos sem concentrar todas as atividades no mesmo ponto. Poderiam existir áreas silenciosas de contemplação, espaços infantis, pistas de caminhada e bicicleta, gramados para piquenique, equipamentos esportivos e uma programação cultural distribuída pelos prédios históricos.

Os primeiros beneficiados seriam os paulistanos que procuram opções gratuitas de lazer. Famílias com crianças, adolescentes, idosos, corredores, ciclistas e pessoas com deficiência poderiam ganhar um equipamento de grande porte, desde que o projeto oferecesse acessibilidade universal, sanitários, iluminação, entradas bem distribuídas e acesso eficiente por transporte público.

Uma área verde que trabalha pela cidade

Um parque urbano não serve apenas para passear. Segundo a própria Prefeitura de São Paulo, essas áreas contribuem para regular a temperatura, melhorar a qualidade do ar, conservar a biodiversidade e aumentar a permeabilidade do solo. A Organização Mundial da Saúde também relaciona o acesso ao verde ao estímulo à atividade física, à redução do estresse e ao fortalecimento da convivência social.

No Jockey, a manutenção das grandes áreas abertas poderia ajudar a preservar uma superfície permeável em uma região marcada por avenidas, edifícios e intenso trânsito. O plantio planejado de árvores nativas ainda poderia ampliar as áreas de sombra e criar pontos de alimentação e passagem para aves.

Esses resultados, porém, não surgiriam apenas com a troca da placa na entrada. Seriam necessários um projeto de drenagem, manejo adequado da vegetação, proteção do solo e acompanhamento ambiental permanente.

Esporte e bem-estar

Um parque dessa dimensão também teria potencial para se tornar um dos principais polos de esporte e lazer ao ar livre da capital.

Além de pistas para caminhada e corrida, ciclovias e áreas destinadas à prática de atividades físicas, o espaço poderia receber quadras para modalidades como tênis, basquete, vôlei e beach tennis, ampliando o acesso da população a equipamentos esportivos de qualidade. A proposta ainda permitiria integrar áreas de convivência e descanso, incentivando hábitos saudáveis e a ocupação permanente de um dos maiores espaços verdes da cidade.

A história continuaria dentro do parque

A criação de um parque não precisaria apagar a memória do turfe. Pelo contrário: o patrimônio existente poderia se transformar em uma de suas principais atrações.

O conjunto é tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp. A proteção inclui arquibancadas, paddock, Tatersal, Vila Hípica, antigas cocheiras, prédios administrativos, elementos internos e o traçado da pista. Também estão protegidos altos-relevos de Victor Brecheret. A resolução municipal reconhece as diferentes fases arquitetônicas associadas a Elisiário Bahiana e Henri Sajous.

Como qualquer intervenção dependeria de aprovação dos órgãos de patrimônio, as arquibancadas e construções históricas poderiam ter novos usos estudados sem perder suas características. Exposições, bibliotecas, atividades educativas, apresentações musicais e centros de memória estão entre as possibilidades de ocupação cultural.

A própria pista poderia permanecer visível no desenho do parque, servindo como eixo para percursos de caminhada e ciclismo. Assim, o visitante continuaria reconhecendo que aquele espaço nasceu como hipódromo.

Uma nova conexão com o Rio Pinheiros

A localização também favoreceria a formação de um corredor de lazer junto ao Rio Pinheiros. A margem oeste já recebe o Parque Bruno Covas, ciclovias e áreas destinadas à caminhada e à convivência. Nos últimos anos, novas ligações para pedestres e ciclistas ampliaram as possibilidades de deslocamento entre Pinheiros e Butantã.

Integrado a essa rede, um parque público no Jockey poderia se tornar destino de quem chega de bicicleta, a pé ou por transporte coletivo. Para isso, seriam indispensáveis travessias seguras, acessos próximos à estação ferroviária e conexão real com as ciclovias — não apenas linhas desenhadas em um projeto.

Turismo, cultura e economia local

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Os prédios tombados, o desenho da pista e a proximidade com o rio poderiam formar um novo ponto turístico paulistano. Escolas ganhariam um espaço para atividades de educação ambiental e patrimonial; artistas e produtores culturais encontrariam novos ambientes para exposições e apresentações; e visitantes teriam mais uma atração além dos circuitos tradicionais da cidade.

O aumento da circulação também poderia favorecer restaurantes, padarias, bicicletarias e outros estabelecimentos próximos. Dentro do parque, serviços de jardinagem, manutenção, limpeza, segurança, alimentação e produção cultural abririam oportunidades profissionais — desde que as contratações e concessões fossem transparentes e não transformassem o espaço público em um centro comercial cercado de cobranças.

Um planejamento socialmente responsável também poderia reservar qualificação e prioridade de contratação aos atuais trabalhadores do complexo. Durante a audiência pública realizada em 2025, funcionários e representantes da instituição defenderam as atividades e os empregos mantidos pelo Jockey. Uma eventual transição precisaria considerar essas pessoas para que o ganho urbano não produzisse novos excluídos.

São Paulo já tem um precedente

A experiência mais próxima está na própria zona oeste. A antiga Chácara do Jockey foi assumida pela Prefeitura em 2014 e aberta como parque em 2016. O local passou a combinar núcleos contemplativo, cultural e esportivo, preservando estruturas ligadas à antiga atividade hípica.

O projeto foi implantado em etapas. Foram recuperados edifícios, criados acessos próximos a ônibus e ciclovia, plantadas mais de 250 árvores e instalados equipamentos de esporte, educação e convivência. A indenização do terreno foi compensada com aproximadamente R$ 133 milhões em dívidas de IPTU, mas a adaptação da área exigiu investimento público superior a R$ 20 milhões. Ou seja: obter o imóvel e transformar o imóvel em parque são desafios financeiros diferentes.

Um patrimônio compartilhado

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Caso saia do papel, o parque do Jockey poderia beneficiar muito mais do que a vizinhança de Cidade Jardim. Seu maior valor estaria em transformar uma extensa paisagem histórica em espaço compartilhado: verde para enfrentar o calor, caminhos para se movimentar, prédios antigos novamente ocupados e uma nova relação da cidade com o Rio Pinheiros.

Para cumprir essa promessa, o futuro projeto teria de ser aberto, acessível e construído com participação pública. Um parque dessa escala não deveria pertencer apenas a quem mora perto ou pode consumir dentro dele. Precisaria funcionar, de fato, como um lugar para toda São Paulo.

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