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Volkswagen vê setor de defesa como futuro para fábrica na Alemanha em meio a grande reestruturação

Volkswagen vê setor de defesa como futuro para fábrica na Alemanha em meio a grande reestruturação

Reuters

07/09/2026

Placeholder - loading - Logotipo da Volkswagen em Hanôver, Alemanha, em 4 de março de 2026. REUTERS/Fabian Bimmer/Foto de arquivo
Logotipo da Volkswagen em Hanôver, Alemanha, em 4 de março de 2026. REUTERS/Fabian Bimmer/Foto de arquivo

Por Christina Amann e Christoph Steitz

OSNABRÜCK, ALEMANHA, 7 ​Set (Reuters) - A Volkswagen fechou nesta segunda-feira um acordo preliminar que prevê a conversão de uma de suas unidades na Alemanha para a produção de equipamentos de defesa sob nova administração, uma iniciativa inédita nos esforços da montadora para reestruturar fábricas que enfrentam dificuldades para competir com rivais chineses de custo mais baixo.

O acordo oferece um modelo potencial para outras unidades da Volkswagen com um futuro incerto, conforme a maior montadora da Europa inicia sua maior reestruturação de todos os tempos para recuperar margens de lucro e combater o excesso crônico de capacidade no mercado europeu ⁠estagnado.

De acordo ⁠com os termos iniciais do acordo, a ​Volkswagen venderá ‌sua fábrica em Osnabrück para a empresa israelense Aurelius Capital e para o Estado da Baixa Saxônia, sede da Volkswagen, em uma medida que, segundo autoridades trabalhistas, poderia preservar cerca de 1.400 dos 1.800 empregos da unidade.

O acordo surge dias depois que ⁠a Volkswagen revelou uma grande reformulação para cortar empregos e simplificar estrutura, evidenciando ​como o aumento dos gastos com defesa na Europa poderia ajudar a absorver o excesso ​de capacidade de produção no setor automotivo.

A Volkswagen alertou ‌que até quatro fábricas ​alemãs ⁠podem enfrentar fechamento ou conversão, a menos que sejam encontradas alternativas de uso em meio à fraca demanda, aos custos altos e à crescente concorrência da China.

CARTA DE INTENÇÕES

A Aurelius Capital e o ​Estado da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen, assinaram na segunda-feira uma declaração de intenções para assumir a fábrica, onde a produção de veículos deve ser encerrada em 2027.

A Volkswagen afirmou que um “projeto âncora” inicial para Osnabrück seria uma cooperação com a israelense Rafael Advanced ​Defense Systems, uma das principais parceiras por trás dos sistemas de defesa aérea e antimísseis israelenses Iron Dome, Arrow e David’s Sling, confirmando o que fontes haviam informado à Reuters em maio.

“Esses planos envolvem a possível fabricação de sistemas e componentes para sistemas de defesa aérea para a Alemanha e a Europa”, afirmou a Volkswagen, acrescentando que a cooperação poderia abrir caminho para outros acordos desse tipo.

Outros projetos poderiam envolver a conversão das picapes VW Amarok em veículos ​militares, disse uma pessoa a par do assunto, acrescentando que a empresa polonesa de defesa WB Group ‌poderia fazer o mesmo com veículos da ⁠MAN, de propriedade da Traton da Volkswagen.

A Baixa Saxônia e o WB Group se recusaram a comentar os planos, que foram divulgados pela primeira vez pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine ⁠Zeitung.

A produção para a defesa está sendo cada vez mais ⁠vista como uma solução para fábricas automotivas subutilizadas, ⁠com empresas como ⁠a ​Rheinmetall e a Continental buscando iniciativas semelhantes.

(Reportagem de Christina Amann, em Osnabrück, e Christoph Steitz, em Frankfurt)

Reuters

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