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Arte brasileira ganha destaque em Veneza

  • 24/07/2015 17:52
Imagem: Arte brasileira ganha destaque em Veneza

Todo artista tem o sonho de ver seu trabalho exposto em uma Bienal. O escultor brasileiro Véio deu um passo ainda maior e inaugurou uma exposição individual na Abadia de São Gregório, paralelamente a 56ª edição da Bienal de Veneza, na Itália. Ocupada pelas esculturas bucólicas e coloridas em troncos de árvore, a abadia oriunda do século 12 fica à margem do Grande Canal. As obras do artista, em maioria de grandes dimensões, têm curadoria de Stefano Rabolli Pansera e realização da grife Italiana Marni, em comemoração de seus 20 anos no mercado. A exposição acontece entre 09 de maio e 22 de novembro.

O sertanejo nascido no pequeno município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, nunca estudou nas escolas clássicas de arte e, desde muito novo, se expressa de uma forma intuitiva: “para pessoas que nem eu, eu sempre digo que a arte é como se fosse um vício, se você não estiver fazendo aquilo, até adoece”, conta o artista.

Quando ainda menino, entalhava esculturas na cera de abelha, mas destruía as peças de imediato quando se via na presença de outras pessoas, sabendo que não o compreenderiam. Preferindo assim ficar por vontade própria trocar a companhia de colegas da mesma idade por pessoas mais velhas. Daí veio o apelido, Cícero passou a ser chamado de “Véio” por ter um comportamento diferenciado das outras crianças. 

Com estética peculiar e sofisticada, as figuras talhadas na madeira alçaram voo até instituições de arte como o memorial de Sergipe, a Pinacoteca de São Paulo e o MAM-Rio (Museu de Arte Moderna). Mas foi a exposição no Instituto Tomie Ohtake que deu destaque internacional a Véio. A mostra foi vista em 2012 pelo curador francês da Fundação Cartier (Fondation Cartier pour l’Art Contemporain), que selecionou o artista para expor em Paris.

 

Arte Brasileira


Carolina Castiglioni, da grife Italiana Marni, declarou: “Quando vimos o trabalho de Véio na Cartier foundation, achamos muito interessante e poético, mas também minimalista - muito ‘limpo’. As suas combinações de cores se aproximavam muito da estética que buscamos.”

Ela ainda explica o porque a Marni escolheu Véio como o artista para representante do evento de comemoração de 20 anos da marca: “Ele encontra um pedaço de madeira e, depois de analisar, tenta encontrar algum aspecto humano, animal, algo que seja uma figura. Modifica essa peça e dá vida a essa madeira morta, é como se fosse uma poesia”.

 

Arte Brasileira


Hoje, as obras de Véio ocupam um clássico edifício Veneziano do século XII, em pleno período de Bienal – que é um dos momentos mais celebrados da arte de Veneza. São mais de 100 obras escolhidas pelo curador Stefano Rabolli Pansera, algumas diretamente de Sergipe, e outras que já se encontravam na Galeria Estação em São Paulo. Levadas aos pares para o país europeu, as peças acabaram criando interações inesperadas. “Percebemos que o cão observava o pinguim, e que o pássaro conversava com o macaco no outro canto. [...] Com essa abordagem divertida começamos a criar grupos de esculturas [...] por darem margem a associações e diálogos divertidos”.

Arte Popular

Arte Popular é a nomenclatura usada para se referir à produção artística de profissionais que trabalham por fora das normas estéticas. Apesar do nome popular, os artistas também chamados de Outsiders, apresentam um trabalho coerente, com linguagem consistente que dialoga facilmente com outras áreas de interesse.
O artista popular Véio é representado desde 2009 pela Galeria Estação, em São Paulo. Os trabalhos são vendidos nos dias atuais por preços que variam entre R$ 8.000 e R$ 45.000.