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2025 está entre os três anos mais quentes já registrados no mundo, diz a OMM

2025 está entre os três anos mais quentes já registrados no mundo, diz a OMM

Reuters

14/01/2026

Placeholder - loading - Nascer do sol no Mar Mediterrâneo em Barcelona 02/07/2025 REUTERS/Nacho Doce
Nascer do sol no Mar Mediterrâneo em Barcelona 02/07/2025 REUTERS/Nacho Doce

Atualizada em  14/01/2026

Por Kate Abnett

BRUXELAS, 14 Jan (Reuters) - O ano passado esteve entre os três mais ⁠quentes já registrados no planeta, informou a Organização Meteorológica Mundial nesta quarta-feira, quando cientistas da União Europeia também confirmaram que as temperaturas médias já ultrapassaram 1,5 grau Celsius de aquecimento global pelo maior tempo desde o início dos registros.

A OMM, que consolida oito conjuntos de dados climáticos de todo o mundo, disse que seis deles -- incluindo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) da União Europeia e o serviço meteorológico nacional britânico -- classificaram 2025 como o terceiro mais quente, enquanto dois o colocaram como o segundo mais quente no registro de 176 anos.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) também confirmou em dados divulgados nesta quarta-feira que 2025 foi o terceiro ano mais quente em seu registro de temperatura global, que remonta a 1850.

Todos os oito conjuntos de dados confirmaram que os últimos três anos foram os três mais quentes do planeta desde ​o início dos registros, disse a OMM. O ano mais quente registrado foi 2024.

PERÍODO ⁠DE TRÊS ANOS ⁠ACIMA DO NÍVEL DE AQUECIMENTO MÉDIO DE 1,5°C

As pequenas diferenças nas classificações dos conjuntos de dados refletem suas diferentes metodologias e tipos de medições -- que incluem dados de satélite e leituras de estações meteorológicas.

O ECMWF disse que o planeta acabou de ter seu primeiro período de três anos em que a temperatura média global ficou 1,5°C acima da era pré-industrial -- o limite além do qual os cientistas acreditam que o aquecimento global desencadeie impactos graves, alguns deles irreversíveis.

'1,5°C não é um precipício. No entanto, sabemos que cada ‌fração de grau é importante, especialmente para o agravamento de eventos climáticos extremos', disse Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no ECMWF.

Burgess ​disse que espera que 2026 esteja entre os cinco anos mais quentes do planeta.

ESCOLHA ‌DE COMO GERENCIAR SUPERAÇÃO DA TEMPERATURA

Os ​governos ​se comprometeram, no âmbito do Acordo de Paris de 2015, a tentar evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5°C, medido como uma temperatura média de décadas em comparação com a era pré-industrial.

Mas o fato de não conseguirem reduzir as emissões de gases de efeito estufa significa que esse nível poderá ser ultrapassado ​antes de 2030, uma década antes do que havia sido previsto quando o Acordo de Paris foi assinado em 2015, segundo o ECMWF.

'Estamos fadados a ultrapassá-lo', disse Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da UE. 'A escolha que temos agora é como gerenciar melhor a inevitável superação e suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais.'

Atualmente, o nível de aquecimento de longo prazo do mundo está cerca de 1,4°C acima da era pré-industrial, disse o ECMWF. Medidas em uma base de curto prazo, as temperaturas médias anuais ultrapassaram 1,5°C pela primeira vez em 2024.

A NOAA disse que 2025 excedeu a média pré-industrial em 1,34°C.

A agência dos EUA também disse que o teor de calor do oceano superior atingiu um recorde em 2025, indicando que os oceanos da Terra atingiram seus níveis mais altos de calor, o que gera tempestades mais fortes, chuvas mais intensas e aumento do nível do mar.

CLIMA EXTREMO

Exceder o limite de 1,5°C a longo prazo levaria a impactos mais extremos e generalizados, incluindo ondas de calor mais quentes e mais longas, além de tempestades e inundações mais fortes.

Já em 2025, os incêndios florestais na Europa produziram as emissões totais mais altas já registradas, ⁠enquanto estudos científicos confirmaram que eventos climáticos específicos foram agravados pelas mudanças climáticas, incluindo o furacão Melissa no Caribe e as chuvas de monções no Paquistão, ‌que mataram mais de 1.000 pessoas em inundações.

Apesar desses impactos ⁠cada vez piores, a ciência climática está enfrentando resistência política. O presidente dos EUA, Donald Trump, que chamou a mudança climática de 'a maior fraude', na semana passada se retirou de dezenas de entidades da ONU, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática.

O consenso há muito estabelecido entre os ‍cientistas do mundo é que a mudança climática é real, causada principalmente por seres humanos, e está piorando. Sua principal causa são as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de ​combustíveis ‌fósseis, como carvão, petróleo e gás, que retêm o calor na atmosfera.

(Reportagem de Kate Abnett e Valerie Volcovici; reportagem adicional de William James e Emma Farge)

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