A ESTREIA SOLO DE DIANA ROSS COMPLETA 56 ANOS
A TRANSIÇÃO DA MAIOR VOZ DA MOTOWN COMEÇOU ANTES DO ADEUS E CULMINOU EM UM DOS LANÇAMENTOS MAIS EMBLEMÁTICOS DO POP SOUL
João Carlos
07/04/2026
Em abril de 1970, Diana Ross iniciava oficialmente sua trajetória solo com o lançamento de “Reach Out and Touch (Somebody’s Hand)”, marcando uma nova fase artística que mudaria não apenas sua carreira, mas também o posicionamento da Motown no mercado musical.
Mas, como quase tudo na indústria da música, essa mudança não aconteceu de forma repentina. Ela vinha sendo construída silenciosamente ao longo dos anos anteriores.
O início da separação começou antes do fim

Crédito da imagem: Reprodução/Arquivo/Diana Ross
Muito antes do anúncio oficial, a trajetória de Diana Ross já apontava para um caminho independente. Em 1967, o grupo passou a se chamar Diana Ross & the Supremes, uma mudança que evidenciava sua centralidade dentro das The Supremes.
Esse reposicionamento não era apenas simbólico. Ele refletia uma estratégia clara da Motown: transformar Ross em uma artista solo de grande escala.
Em 1968, o álbum Love Child consolidou esse cenário de transição. Embora ainda creditado ao grupo, o projeto já mostrava sinais evidentes de fragmentação interna.
A faixa-título, um dos maiores sucessos da fase final das Supremes, atingiu o topo das paradas americanas. Ainda assim, nos bastidores, o funcionamento do grupo já não era o mesmo.
Na prática, a transição de Diana Ross para a carreira solo já estava em andamento.
O adeus definitivo e o início de uma nova era
A despedida aconteceu em janeiro de 1970, em Las Vegas. O momento foi tratado como histórico e emocional para os fãs, encerrando um dos ciclos mais bem-sucedidos da música pop.
Com 12 singles no topo da Billboard, as Supremes deixavam um legado difícil de igualar.
Mas a expectativa em torno do próximo passo de Diana Ross era ainda maior.
“Reach Out and Touch”: uma estreia calculada

Crédito da imagem: Reprodução/Arquivo/Diana Ross
Diferente do que muitos poderiam esperar, o primeiro single solo não apostava em um impacto imediato de pista ou em uma fórmula óbvia de sucesso.
“Reach Out and Touch (Somebody’s Hand)” apresentou uma abordagem mais emocional e espiritual, com influência de gospel e uma interpretação mais intimista.
A escolha foi estratégica: era a forma de reposicionar Diana Ross como uma artista mais madura, sofisticada e independente da identidade construída com as Supremes.
O resultado foi positivo. A canção alcançou o Top 20 da Billboard Hot 100 e teve forte desempenho nas paradas de soul, mostrando que o público estava disposto a acompanhar essa nova fase.
O álbum “Diana Ross” e a afirmação artística

Crédito da imagem: Reprodução/Arquivo/Diana Ross
Lançado em junho de 1970, o álbum Diana Ross foi concebido como a consolidação dessa transição.
Produzido majoritariamente por Nickolas Ashford e Valerie Simpson, o disco apresentou uma sonoridade mais sofisticada, com arranjos orquestrais e forte carga emocional.
Entre as faixas que mais se destacaram estão:
- “Reach Out and Touch (Somebody’s Hand)”
- “You’re All I Need to Get By”
- “These Things Will Keep Me Loving You”
- “Ain’t No Mountain High Enough”
Mas foi justamente essa última que mudou completamente o jogo.
O sucesso definitivo: “Ain’t No Mountain High Enough”

Crédito da imagem: Reprodução/Arquivo/Diana Ross
Lançada como segundo single, a música se tornou o primeiro grande marco da carreira solo de Diana Ross.
A faixa alcançou o número 1 da Billboard Hot 100 e consolidou sua posição como artista independente de sucesso.
Mais do que um hit, a canção apresentou uma nova identidade: mais teatral, mais intensa e com uma interpretação que ia além do formato tradicional do pop da época.
A reação do público e da crítica
A recepção à nova fase foi, no geral, positiva — ainda que acompanhada de certa cautela inicial.
Os fãs das Supremes dividiram-se entre a nostalgia pelo grupo e a curiosidade pela carreira solo de Ross. Já a crítica reconheceu rapidamente sua capacidade de sustentar uma trajetória própria.
Com o tempo, o álbum passou a ser visto como um dos trabalhos mais importantes de sua discografia, justamente por estabelecer as bases de tudo o que viria depois.
Um novo capítulo na história da música
A estreia solo de Diana Ross representou uma redefinição completa de sua identidade artística.
Há 56 anos, sua saída do The Supremes deu origem a uma das carreiras solo mais influentes da história da música pop e soul.


