Acelen Renováveis assina acordo com Bunge para óleo de soja em projeto de SAF e HVO na Bahia
Acelen Renováveis assina acordo com Bunge para óleo de soja em projeto de SAF e HVO na Bahia
Reuters
10/07/2026
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 10 Jul (Reuters) - A Acelen Renováveis, empresa de energia do Mubadala Capital, assinou um acordo de cinco anos com a Bunge para o fornecimento de 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja certificado, matéria-prima que será utilizada na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) em sua futura biorrefinaria na Bahia.
Conforme o acordo, a Bunge fornecerá 300 mil toneladas do insumo por ano a partir de 2029, quando a unidade da Acelen Renováveis deverá iniciar operações. Segundo as empresas, trata-se do maior contrato de fornecimento de óleo de soja já firmado pela Bunge na América do Sul.
O volume contratado com a Bunge representa aproximadamente 30% da matéria-prima necessária para iniciar a produção da biorrefinaria, disse o vice-presidente Comercial e de Trading da Acelen Renováveis, Cristiano da Costa, em entrevista à Reuters.
Outros cerca de 60% também já estão contratados e serão de óleo de cozinha usado (UCO – Used Cooking Oil), sendo parte a ser fornecida pela Trafigura e outra por um fornecedor que permanece em sigilo.
'Nós (já) temos três fornecedores de matérias-primas, mas a Bunge é a única fornecedora de óleo de soja', afirmou Costa, destacando que a parceria com a companhia poderá não se limitar à soja e que ambas as empresas planejam estudar possibilidades com outras culturas, de forma a diversificar mais a cesta de matérias-primas.
'Eu tenho 10% que a gente deixou propositalmente aberto para buscar desenvolver uma cultura alternativa.'
Com investimentos de mais de US$3 bilhões de dólares, a biorrefinaria da Acelen Renováveis terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros de SAF e HVO por ano.
O projeto foi concebido para, no futuro, utilizar óleo de macaúba, cultura que a Acelen está desenvolvendo. No entanto, devido ao ciclo de maturação da palmeira e outros avanços, a matéria-prima deve começar a ser incorporada à produção apenas a partir de 2032, de forma gradual, explicou Costa.
'Não existe uma solução única... (as matérias-primas) são complementares', disse Costa. 'Estamos falando de um milhão de toneladas por ano de demanda.'
O óleo de soja a ser fornecido pela Bunge poderá ser originado no Brasil e na Argentina e contará com certificações internacionais de sustentabilidade, incluindo padrões da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (CARB).
Cerca de 88% da produção da planta já está comercializada por meio de contratos de longo prazo, com predominância de clientes na Europa e nos Estados Unidos, disse o executivo.
Embora o principal foco inicial seja a exportação, a companhia mantém conversas com potenciais compradores no Brasil, onde a demanda por SAF deverá crescer com a implementação gradual, pelo país, da lei do Combustível do Futuro.
DESAFIO COM CERTIFICAÇÃO
A parceria ocorre em meio ao crescimento da demanda global por combustíveis de baixo carbono, impulsionada por metas de descarbonização de companhias aéreas e governos.
Costa e o diretor Comercial da Bunge, Tito Martinho, afirmaram que o grande desafio em um projeto como esse é a garantia de um grande volume de matéria-prima e que ela esteja devidamente certificada, de modo a atender aos requisitos dos mercados internacionais.
Martinho destacou que a Bunge é o principal esmagador de soja no Brasil e que o volume do contrato representa cerca de 15% de sua capacidade de produção de óleo no país. Entretanto, ressaltou que 'não é porque a gente é um grande esmagador que nos permite fornecer esse óleo'.
'O grande desafio aqui é conseguir, obviamente, um volume de óleo grande, mas certificado', disse Martinho, acrescentando que a companhia monitora atualmente cerca de 46 mil propriedades rurais no Brasil e na Argentina para garantir conformidade com seus compromissos de sustentabilidade.
'A Bunge vem trabalhando nos últimos 10 anos para ter as cadeias totalmente rastreadas.'
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Letícia Fucuchima)
Reuters

