AIEA aprova resolução que encaminha Irã ao Conselho de Segurança da ONU
AIEA aprova resolução que encaminha Irã ao Conselho de Segurança da ONU
Reuters
09/09/2026
Atualizada em 09/09/2026
VIENA, 9 Set (Reuters) - A diretoria da agência nuclear da ONU, composta por 35 países, aprovou uma resolução que encaminha o Irã ao Conselho de Segurança da ONU pela primeira vez em 20 anos por violar suas obrigações de não proliferação, informaram diplomatas nesta quarta-feira.
A resolução dá continuidade a uma anterior, aprovada em 12 de junho do ano passado — um dia antes de Israel iniciar os bombardeios contra as instalações nucleares do Irã, logo seguido pelos Estados Unidos —, que considerou o Irã em “descumprimento” dessas obrigações. Para encaminhar o caso ao Conselho por essa violação, era necessária outra resolução.
Embora seja improvável que o Conselho de Segurança tome medidas concretas contra o Irã, uma vez que seus aliados, Rússia e China, são membros permanentes com direito a veto, a medida representa uma escalada no impasse diplomático entre o Irã e as potências ocidentais, e o Irã advertiu na segunda-feira que retaliaria caso a resolução fosse aprovada.
O texto, proposto pelos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, foi aprovado com 23 votos a favor, três contra e oito abstenções, segundo diplomatas presentes na reunião a portas fechadas da Agência Internacional de Energia Atômica. Os países que se opuseram foram Rússia, China e Níger, afirmaram eles.
“(A diretoria) solicita ao diretor-geral (da AIEA) que comunique esta resolução e as resoluções adotadas anteriormente... a todos os membros da Agência, bem como ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral das Nações Unidas, de acordo com as disposições pertinentes do Estatuto da AIEA”, dizia o texto.
Embora a constatação de não conformidade seja anterior à guerra entre os Estados Unidos e o Irã e diga respeito à falha do Irã em explicar os vestígios de urânio encontrados em locais não declarados — que a agência levou anos para investigar —, há agora outro impasse sobre o acesso da AIEA aos locais bombardeados por Israel e pelos Estados Unidos.
(Reportagem de François Murphy)
Reuters

