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    América Latina discute saída de isolamento apesar de aceleração de casos de Covid-19

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    Imigrantes hondurenhos no México após serem deportados dos Estados Unidos 30/04/2020 REUTERS/Jorge Cabrera

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    Por Gabriel Stargardter e Natalia A. Ramos Miranda

    RIO DE JANEIRO/SANTIAGO (Reuters) - Países da América Latina têm enfrentado um debate cada vez mais exacerbado sobre quando e como reativar suas economias em grande parte paralisadas devido às medidas de isolamento do coronavírus, mesmo que a pior fase do surto ainda não tenha atingido os países da região.

    A discussão ocorre apesar de dados coletados pela Reuters mostrarem que os casos de coronavírus na América Latina crescem muito mais rápido do que em outras partes do mundo. A região ultrapassou uma marca lamentável na quarta-feira: 10 mil mortes e 200 mil casos confirmados de coronavírus.

    No Brasil, as cenas de um shopping em Blumenau (SC) que abriu as portas após o governo afrouxar as medidas de isolamento correram o país, provocando reações contrárias de euforia e críticas. No dia 22 de abril, quando houve a abertura, a cidade tinha 98 casos confirmados de Covid-19. Quatro dias depois, eram 167 -- um salto de mais de 70%.

    'A reabertura do shopping é efeitvamente uma ação muito ruim, em um momento muito ruim e do modo equivocado', disse o prefeito de Blumenau, Mario Hildebrandt, à Reuters.

    A operadora do shopping, Almeida Junior, disse que a decisão foi tomada seguindo as determinações do governo.

    O presidente Jair Bolsonaro, crítico veemente do isolamento por causa dos impactos econômicos, disse nesta semana que não pode fazer milagre, depois que o país bateu recorde de mortes em 24 horas --474-- e superou o total de óbitos da China, com mais de 5.400 vítimas fatais da doença.

    'E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre', respondeu o presidente a jornalistas, fazendo referência ao seu nome do meio.

    O debate no Brasil se estende pela América Latina, onde a maioria dos países está enfrentando sua pior recessão desde os anos 1930.

    O México tem 17.799 casos confirmados, o que as autoridades admitem ser uma fração do número real. O pico de infecções é esperado na primeira metade de maio, e a tensão já se faz sentir na Cidade do México, onde falta espaço em alguns hospitais particulares.

    Apesar do temor de um aumento das infecções, o governo está sendo exortado a suavizar as restrições impostas à indústria. Mais de 300 CEOs escreveram ao presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, na semana passada, pressionando por uma reabertura rápida de seus fornecedores no México.

    Como a economia mexicana é profundamente integrada aos Estados Unidos, um isolamento mexicano prolongado prejudicaria a capacidade de as indústrias norte-americanas reabrirem. O México está elaborando um calendário para permitir que as montadoras de veículos e seus fornecedores voltem ao trabalho a tempo para a reativação da indústria automobilística dos EUA, o que pode acontecer depois de 4 de maio.

    López Obrador, que assim como Bolsonaro vem sendo criticado por minimizar o coronavírus, sinalizou que qualquer reabertura poderia ser gradual e que levará em consideração os riscos de saúde.

    'Buscaremos o melhor momento, é questão de encontrar o equilíbrio entre saúde e economia', disse ele na segunda-feira.

    'DURO GOLPE'

    Contrastando com Brasil e México, o Chile recebeu elogios por seu regime de testes em larga escala, pressão limitada nos hospitais e taxa de mortalidade baixa. Até quarta-feira, o país tinha 14.365 casos confirmados e só 207 mortes, como mostraram dados do governo.

    Na semana passada, o presidente chileno, Sebastin Piñera, disse que passará a descongelar a economia gradualmente. O governo começou a chamar de volta funcionários públicos, anunciou o fim do fechamento das escolas e deu apoio tácito à reabertura de shoppings menores.

    No entanto, os planos do governo também enfrentaram críticas -- principalmente das principais operadoras de shopping centers. Na semana passada, Horst Paulmann, CEO da maior operadora de shopping centers do Chile, a Cencosud, disse que reabrir shoppings seria 'um grave erro'.

    'Os shoppings são como cidades, com 200 lojas ou mais do que qualquer um pode controlar', disse ele a um jornal chileno.

    Em um shopping recentemente reaberto no subúrbio de Patronato, em Santiago, a dona de uma loja de roupas, Miriam Dababneh, de 51 anos, ficou aliviada por voltar ao trabalho.

    'Este surto foi um duro golpe', disse ela, usando máscara. 'Isso não é um sinal de normalidade, apenas uma medida para nos impedir de ir à falência. Para nós, abrir é respirar novamente.'

    (Reportagem adicional de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Aislinn Laing, em Santiago; Frank Jack Daniels, na Cidade do México; Edição de Maria Pia Palermo)

    Escrito por Reuters

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