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    ANÁLISE-Após tumulto com Petrobras, investidores reavaliam exposição a estatais de mercados emergentes

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    REUTERS/Sergio Moraes

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    Por Karin Strohecker e Simon Jessop

    LONDRES (Reuters) - O anúncio sobre a troca de comando da Petrobras desencadeou uma reação negativa a outros ativos financeiros brasileiros, mas também pode fazer investidores globais a repensarem sua exposição de mais de 1 trilhão de dólares a empresas controladas por governos em mercados emergentes.

    Da chinesa Exim Bank à gigante mexicana do petróleo Pemex e à prestadora de serviço sul-africana Eskom, empresas controladas total ou parcialmente por governos respondem por metade do mercado de 2,4 trilhões de dólares da dívida corporativa em mercados emergentes.

    Normalmente, tais empreendimentos estatais (SOEs, na sigla em inglês) têm muita procura de investidores, primeiramente porque seus títulos têm uma rentabilidade maior do que a dívida soberana, e em segundo lugar por causa da percepção do amparo estatal.

    Mas o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter indicado o general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras após o encerramento do mandato do atual CEO da companhia, Roberto Castello Branco, 'lembra os investidores do risco inerente de se investir em SOEs ou quase-soberanos', disse Eric Ollom, chefe de estratégia de dívida corporativa para mercados emergentes do Citi.

    As ações da Petrobras despencaram, perdendo cerca de 100 bilhões de reais de valor de mercado em apenas dois dias, e seus títulos enfraqueceram Bolsonaro fazer o anúncio nas redes socais na esteira de discussões sobre a política de preços dos combustíveis no Brasil.

    Empresas de energia e serviços de utilidade pública, como saneamento básico, podem estar sujeitas a diretivas de precificação de motivação política, e os registros financeiros e a produtividade podem ficar aquém dos vistos no setor privado.

    A rentabilidade pode perder terreno para prioridades políticas, como criar empregos ou vencer eleições.

    'Acima de tudo, os investidores precisam perceber e entender onde esta SOE se encaixa na pauta do panorama político e socioeconômico do país... sua importância social como empregador ou contribuinte do orçamento', disse Sergey Dergachev, gestor de fundos da Union Investment.

    Investidores, contudo, ainda não estão correndo para se livrar de SOEs de mercados emergentes em grande quantidade, e laços estreitos com governos podem ser uma vantagem.

    'O 'respaldo' dos governos por trás dos títulos de dívida pode representar possíveis 'amortecedores de cupom' e um sinal de estabilidade ', disse Guillaume Mascotto, chefe de ESG e administração de investimentos da American Century Investments.

    Escrito por Reuters

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