Lucro da Axia soma R$13,7 bi no 4° tri, impulsionado por reconhecimento fiscal
Lucro da Axia soma R$13,7 bi no 4° tri, impulsionado por reconhecimento fiscal
Reuters
26/02/2026
Atualizada em 26/02/2026
Por Leticia Fucuchima e Roberto Samora
SÃO PAULO, 26 Fev (Reuters) - A Axia Energia (ex-Eletrobras) reportou nesta quinta-feira lucro líquido de R$13,7 bilhões no quarto trimestre, um salto ante os R$1,11 bilhão obtidos um ano antes, impulsionado pelo reconhecimento de R$12,36 bilhões em ativo fiscal diferido após mudanças nas estimativas da companhia para seus lucros tributáveis futuros.
Segundo a elétrica, a projeção atual de resultados tributáveis se alterou significativamente em relação a 2024 devido a uma série de fatores, como a projeção de preços de energia e a redução do nível de alavancagem.
No caso dos preços de energia, a Axia cita para a reavaliação 'adoção de premissas aderentes às condições atuais de perspectivas de mercado, que demonstram curva de evolução de preço em comparação às estimativas anteriormente utilizadas'.
Os preços de energia no Brasil estão subindo desde o ano passado, refletindo tanto uma condição hidrológica menos favorável quanto transformações e mudanças setoriais, como a maior geração renovável intermitente na matriz e parâmetros de formação de preços mais avessos a risco.
Já sobre a alavancagem financeira, a Axia destacou a melhora de seu desempenho operacional, citando a diminuição gradual dos custos e despesas, aumento das receitas de transmissão, a desobrigação de investimentos na construção da usina nuclear de Angra 3, entre outros.
Excluindo efeitos não recorrentes, o lucro líquido ajustado da companhia elétrica somou R$1,25 bilhão, alta de 141% sobre o mesmo período de 2024, em meio a uma queda dos custos operacionais ('PMSO'), menor volume de provisões e menor despesa de IR/CS, que mais do que compensaram a menor contribuição da geração após a venda de térmicas.
Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) regulatório ajustado atingiu R$5,75 bilhões, avanço de 12,9% na comparação anual.
Em breve comentário sobre o resultado trimestral, a Axia destacou 'efeitos positivos' com a venda de energia, que melhoraram a margem de contribuição do setor de geração.
Em volume, a comercialização de energia pela companhia, considerando todos os mercados, somou 31,4 TWh no último trimestre de 2025, redução de 11,8% em relação aos 35,6 TWh de igual período do ano anterior.
Apesar disso, houve um aumento da margem de contribuição da energia comercializada no mercado livre e liquidada no mercado de curto prazo de energia, aos preços spot, que estão em alta no Brasil. Esse indicador avançou de R$78/MWh no quarto trimestre de 2024 para R$101/MWh no quarto trimestre de 2025, apontou a companhia.
A Axia, assim como a Copel, já havia comentado publicamente sobre sua estratégia de 'segurar' vendas de energia em contratos com prazos mais longos, para poder aproveitar oportunidades de altas dos preços spot.
(Por Roberto Samora)
Reuters

