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Bancos centrais globais defendem Powell após ameaça de Trump

Bancos centrais globais defendem Powell após ameaça de Trump

Reuters

13/01/2026

Placeholder - loading - Chair do Federal Reserve, Jerome Powell  10/12/2025. REUTERS/Kevin Lamarque
Chair do Federal Reserve, Jerome Powell 10/12/2025. REUTERS/Kevin Lamarque

Atualizada em  13/01/2026

FRANKFURT, 13 Jan (Reuters) - Os chefes de vários dos principais ⁠bancos centrais do mundo divulgaram nesta terça-feira uma declaração conjunta sem precedentes em apoio ao chair do Federal Reserve, Jerome Powell, depois que o governo dos Estados Unidos o ameaçou com uma acusação criminal.

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, foi uma das autoridades monetárias que assinaram o documento.

Powell foi ameaçado de indiciamento por causa de um depoimento que prestou ao Congresso no ano passado sobre a reforma da sede do Fed, no que ele chamou de 'pretexto' para o governo Trump tentar obter influência presidencial sobre as taxas de juros.

Os chefes do Banco Central Europeu, do Banco ​da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo do ⁠Brasil, disseram ⁠que Powell agiu com integridade e que a independência do banco central é crucial para manter os preços e os mercados financeiros estáveis.

'Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair Jerome H. Powell', disseram os banqueiros centrais em um raro comunicado conjunto.

'A independência dos bancos centrais é a pedra fundamental da estabilidade ‌econômica, financeira e de preços no interesse dos cidadãos que atendemos', acrescentaram.

Fontes próximas ao processo ​afirmaram que a presidente do BCE, Christine Lagarde, que assinou ‌em nome dos 21 ​bancos centrais ​da zona do euro, foi a principal articuladora da resposta conjunta, enquanto grande parte do trabalho de articulação para obter a adesão dos governadores individuais foi realizado por Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do ​Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão que reúne os bancos centrais.

O BCE e o BIS recusaram-se a comentar.

Outros signatários incluíram os presidentes dos bancos centrais da Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Coreia do Sul e França, bem como altos funcionários do BIS.

O Banco do Japão (BOJ) esteve notavelmente ausente da lista.

Um porta-voz do BOJ afirmou que o banco se absteve de comentar as ações de outros bancos centrais.

Uma fonte próxima ao processo disse que o BOJ inicialmente manifestou apoio à declaração conjunta, mas que ainda não estava pronto para assiná-la. A lista não é considerada definitiva, contudo, e os banqueiros centrais ainda podem adicionar seus nomes, disseram diversas fontes.

TEMORES DE INFLAÇÃO MAIS ALTA

A investigação dos EUA já atraiu críticas do mundo das finanças e também de alguns membros importantes do Partido Republicano ⁠de Trump.

Os banqueiros centrais temem que a influência política sobre o Fed diminua a confiança no compromisso do ‌banco com sua meta de inflação. Isso ⁠levaria a uma inflação mais alta e a volatilidade do mercado financeiro global.

Como os EUA são a economia dominante do mundo, provavelmente exportariam essa inflação mais alta por meio dos mercados ‍financeiros, tornando mais difícil para outros bancos centrais manterem os preços estáveis.

'Portanto, é fundamental preservar essa independência, com total respeito ao estado ​de ‌direito e à responsabilidade democrática', afirmou o grupo de banqueiros centrais.

(Reportagem de Francesco Canepa e Balazs Koranyi)

Reuters

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