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BC pretende manter Selic restritiva até inflação caminhar para a meta, diz diretor David

BC pretende manter Selic restritiva até inflação caminhar para a meta, diz diretor David

Reuters

19/05/2026

Placeholder - loading - Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  19/05/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 19 Mai (Reuters) - O diretor de Política ​Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.

Em evento promovido pelo Santander, David voltou a afirmar que o BC se preocupa com a desancoragem das expectativas de mercado para períodos mais longos, especialmente 2028, que tendem a ser menos sensíveis a choques momentâneos.

'O que mais nos preocupou foi o fato de as expectativas de inflação para 2028 subirem... o que dificulta nosso trabalho', afirmou.

O mercado espera que a inflação fique em 3,65% ao fim de 2028, segundo o boletim Focus, acima do centro da meta de ⁠3%, que tem ⁠uma tolerância de 1,5 ponto para mais ou ​para menos.

O ‌BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em abril, a 14,50%, em movimento que tem chamado de 'calibração', com David reforçando que a autarquia terminará o ciclo de com juros ainda em nível restritivo.

De acordo com o diretor, o conflito no Irã pegou o Brasil em uma situação melhor do que outros ⁠pares, com o país tendendo a ter um crescimento econômico maior do que o esperado ​por ser superavitário no comércio de petróleo.

Ele ponderou, no entanto, que esse deve ser um crescimento mais ​restritivo do que em outros momentos porque deve se observar uma ‌renda disponível menor das famílias ​diante ⁠do aumento de preços de alimentos e combustíveis.

O diretor acrescentou que o nível de incerteza, ampliado com o início do conflito, impede o BC de indicar o que fará com a taxa Selic nas próximas reuniões.

Para David, a atividade econômica ​no Brasil, que vinha rodando acima de seu potencial, agora está em patamar neutro --que tende a não pressionar a inflação.

O diretor afirmou que o conflito no Oriente Médio mudou preços relativos no mundo e isso pode ser transmitido para os índices de inflação. Ele defendeu que o BC não reaja a dados únicos ou mudanças pontuais de ​preços.

'O Banco Central não vai atacar qualquer mudança nos preços que possa ocorrer devido ao conflito, mas também não vai tolerar que isso se transforme em inflação no futuro', disse.

O diretor afirmou que as avaliações do BC são feitas com cautela e serenidade diante do elevado nível de incerteza no ambiente, ressaltando que a política monetária está funcionando.

David disse ainda que o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo, traz mais uma camada de incerteza porque pode gerar efeitos distintos -- pessoas gastando mais após 'limparem' seus nomes e pessoas com menos renda disponível porque vão ​gastar para quitar seus débitos.

Na apresentação, ele tratou dos desafios enfrentados pelo BC nos últimos anos, citando a irrigação de ‌recursos na economia com uma série de iniciativas, ⁠como o aumento do nível de crédito, a política de ganhos reais de salário mínimo, o pagamento de precatórios represados e o maior nível de bancarização.

David também citou preocupação apresentada por agentes de mercado de que ⁠o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda poderia pressionar ⁠a inflação e dificultar o trabalho do BC.

'Apesar das condições ⁠monetárias restritivas, vimos o ⁠Brasil ​crescer acima das expectativas ano após ano até o ano passado', disse o diretor.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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