Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Bradesco está com viés mais conservador para crédito, mas sem 'puxar freio de mão', diz CEO

Bradesco está com viés mais conservador para crédito, mas sem 'puxar freio de mão', diz CEO

Reuters

07/05/2026

Placeholder - loading - Logotipo do Banco Bradesco é visto em um smartphone em frente ao mesmo logotipo exibido nesta ilustração tirada em 1º de dezembro de 2021 REUTERS/Dado Ruvic
Logotipo do Banco Bradesco é visto em um smartphone em frente ao mesmo logotipo exibido nesta ilustração tirada em 1º de dezembro de 2021 REUTERS/Dado Ruvic

Atualizada em  07/05/2026

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - O Bradesco está com apetite a risco ​moderado para crédito, com viés mais conservador, em razão da piora do cenário macro, mas continua bem tracionado e buscando crescer, afirmou nesta quinta-feira o presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha.

'Isso não significa puxar o freio de mão, parar de operar', disse o executivo em entrevista coletiva após a divulgação do resultado do primeiro trimestre na véspera.

'O viés mais conservador significa que eu posso pegar certos modelos e dizer 'eu não tenho apetite para fazer isso aqui', ou uma modalidade ou outra, mas continuamos com tração forte naquilo que é bom, bons ratings, boas modalidades com garantia.'

O banco encerrou março com a carteira de crédito expandida em R$1,1 trilhão, acréscimo de 8,4% na base anual, e manteve sua previsão de crescimento em 2026 de 8,5% a 10,5%.

Noronha destacou que o cenário macro piorou, acrescentando que a guerra no Irã não estava no radar e acaba afetando preços no mercado e respingando na inflação. E isso, acrescentou, acende um alerta na expectativa de quão restritiva ou não vai ser a política monetária para esse ano, a partir desses eventos. 'Isso determina também o apetite a risco.'

Ele ⁠citou que o banco tem apetite ⁠a segmentos como Private, Principal e Prime, de alta renda, e ​continua trabalhando muito ‌bem com micro, pequenas e médias empresas, especialmente em linhas mais garantidas e linhas governamentais. Também disse que o Bradesco está bem tracionado em toda a linha de consignado e tem apetite em veículos.

Mesmo no crédito rural, que o banco ainda vê com um pouco mais de preocupação, Noronha afirmou que o Bradesco continua com o apetite, 'mas naturalmente trabalhando modelagem e rating para decidir o crédito, tipo de cultura, que tipo de garantias'. Parte da razão do 'viés para mais conservador' explicado pelo banco ⁠no balanço foi atribuída a indicadores de mercado sobre inadimplência, que apresentaram certa degradação, em particular no agronegócio e algumas modalidades.

De acordo ​com o diretor de relações com investidores do Bradesco, André Carvalho, o banco está bastante cauteloso no segmento de cartão de crédito. 'É um ambiente macro que exige ainda ​bastante cautela', afirmou.

Noronha também afirmou não ver grandes oscilações na inadimplência do banco, que terminou em ‌4,2% no índice das operações com atraso acima ​de ⁠90 dias. Mas ponderou que pode ter uma variação de 0,2 ponto percentual para cima, sob efeito da carteira de micro, pequenas e médias empresas.

Sobre o Novo Desenrola, o executivo afirmou que é um bom programa, que o Bradesco tem o público com o perfil atendido pelo programa e que vai trabalhar em cima disso. 'Mas para a continuidade na nossa recorrência, eu não vejo ​relevância significativa', afirmou Noronha ao ser questionado sobre a relevância dele para a carteira do banco, que está muito bem equilibrada.

PROVISÕES, ROE

Noronha afirmou que o Bradesco verá um custo de crédito um pouco maior, em parte pela piora no cenário macro, mas principalmente porque a carteira de crédito do banco está crescendo, efeito da resolução 4.966.

No primeiro trimestre, o custo do crédito, representado pela despesa de provisões (PDD) expandida, do Bradesco aumentou 9,5% no trimestre, para quase R$9,7 bilhões. No atacado, a PDD expandida somou R$800 milhões, de R$300 milhões no trimestre ​anterior. No caso do massificado, a PDD expandida somou R$8,8 bilhões, de R$8,5 bilhões no quarto trimestre de 2025.

De acordo com Noronha, boa parte do aumento no segmento do atacado foi um caso específico, que, quando excluído, deixa o resultado dentro da normalidade.

'Nós estamos tranquilos em relação à qualidade dos nossos ativos... Eu vejo crescimento de custo de crédito por conta do crescimento da nossa carteira, de um macro um pouco pior, mas só isso, nada, nada diferente disso', reforçou em teleconferência com analistas.

Ainda na coletiva de imprensa realizada mais cedo, o presidente-executivo do Bradesco preferiu não fazer uma promessa específica relacionada ao retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que ficou em 15,8%, de 14,4% um ano antes. Mas destacou que a perspectiva é de lucros crescentes e destacou a manutenção do guidance de crescimento da margem financeira líquida de R$42 bilhões a R$48 bilhões.

De acordo com o diretor de RI, do lado de receitas, ​a margem financeira será o principal 'driver' de ROE desse ano do banco. 'Nosso guidance diz que a nossa margem financeira líquida vai ter um crescimento de dois dígitos baixos esse ano e, portanto, ‌é o principal crescimento das nossas receitas, que é o principal crescimento do ⁠ROE', acrescentou Carvalho,

O Bradesco divulgou na véspera lucro líquido recorrente de R$6,8 bilhões no primeiro trimestre, alta de 16,1% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Na bolsa paulista, as ações do banco recuavam 3,74%, a R$18,55, enquanto o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, perdia 1,89%.

Na visão de analistas da XP, o Bradesco entregou um trimestre misto, ⁠mas amplamente construtivo, reforçando a trajetória de recuperação. Eles destacaram, contudo, que persistem algumas dúvidas em relação à qualidade ⁠de crédito e ao consumo de capital.

No primeiro trimestre do ano, o índice de ⁠Basileia ficou em 17,4%, com efeito ⁠positivo ​de 2,5 pontos percentuais oriundo da Bradsaúde, conglomerado criado a partir da consolidação das operações da Bradesco Saúde, Odontoprev e Atlântica Hospitais e Participações.

(Por Paula Arend Laier; edição Michael Susin e Pedro Fonseca)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.