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    Brasil busca medicamentos de intubação no exterior para enfrentar emergência por escassez

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    Médica realiza procedimento de intubação em paciente suspeito de ter Covid-19, em São Bernanrdo do Campo (SP) 24/03/2021 REUTERS/Amanda Perobelli

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    Por Pedro Fonseca

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil está negociando com países parceiros o recebimento de medicamentos para intubação de pacientes de Covid-19, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em meio à 'situação de emergência' vivida com a escassez desses insumos.

    Queiroga destacou, em entrevista coletiva, um acordo já fechado com a Espanha, além de uma compra internacional realizada pelo ministério por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O ministro não detalhou as quantidades.

    'O Ministério da Saúde, em parceria com a Opas, fez uma compra internacional desses insumos que visam recuperar o nosso estoque. Além dessa ação junto à Opas, a relação bilateral do Brasil com outros países, aqui eu destaco a Espanha, também trará a curto prazo medicamentos para nos atender nessa situação de emergência', afirmou.

    Uma doação de medicamentos da Espanha tem previsão de saída do país europeu no final da próxima semana, segundo informou em nota o Ministério das Relações Exteriores.

    Na coletiva, Queiroga também mencionou uma doação realizada por um pool de empresas de 2,3 milhões de medicamentos para intubação. Os remédios chegaram nesta quinta-feira ao país e serão redistribuídos imediatamente aos Estados, segundo ele.

    O Brasil vive atualmente o momento mais grave da pandemia de Covid-19, com uma média diária superior a 3 mil mortos pela doença, e vários Estados apontaram problemas com o abastecimento de medicamentos do chamado 'kit intubação', tanto na rede pública quanto na privada.

    No Estado de São Paulo, o mais rico e de maior população do país, por exemplo, a Secretaria de Saúde disse na quarta-feira ter estoque somente para 'alguns dias' e em outros locais, como em cidades do Rio de Janeiro, há relatos de pacientes tendo de ser amarrados em leitos enquanto ficam intubados devido à falta de sedativos.

    'Eu nunca achei que fosse vivenciar uma situação dessas depois de 20 anos fazendo medicina intensiva', disse Aureo do Carmo Filho, médico de UTI no Rio de Janeiro, em entrevista à Reuters.

    'O uso de contenção mecânica em pacientes sem sedativos é uma má prática... o paciente é submetido a uma forma de tortura. Então, a falta desses medicamentos tem feito a gente sofrer muito', acrescentou.

    OXIGÊNIO

    De acordo com o ministro, além da dificuldade com os medicamentos para intubação, o Brasil também ainda enfrenta problemas no abastecimento de oxigênio. No início do ano, muitos pacientes de Covid-19 morreram em unidades de saúde do Amazonas por falta do insumo, e a escassez tem se espalhado pelo país.

    'Essas dificuldades não são só com esses insumos, há dificuldades com o oxigênio, como vocês sabem', afirmou.

    A organização Médicos Sem Fronteiras afirmou nesta quinta que o Brasil vive uma catástrofe humanitária pela resposta falha do governo contra a Covid-19, e que milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o país tivesse adotado uma resposta adequada.

    Diante da escassez de medicamentos, o Ministério da Saúde fez uma requisição administrativa para fabricantes e distribuidores com vistas a centralizar as compras e posterior distribuição a Estados e municípios. Governos locais, no entanto, reclamam da continuidade da falta dos remédios e da dificuldade em adquiri-los diretamente dada a requisição do ministério.

    Segundo o ministério, as demandas dos Estados têm sido atendidas dentro das possibilidades, com mais de 550 mil unidades desses medicamentos enviadas este ano apenas para SP. De acordo com a pasta, todos os Estados discutem junto ao ministério a distribuição em reuniões do conselho dos secretários estaduais de Saúde, levando em conta a gravidade da situação em cada local.

    Queiroga afirmou ainda que os próprios governadores deveriam estar buscando compras internacionais dos insumos, assim como feito pelo ministério e até por empresas privadas.

    'Não adianta só ficar enviando ofício para o Ministério da Saúde', afirmou.

    'A obrigação de todos nós que somos gestores públicos, do Ministério da Saúde, dos secretários estaduais, numa ação conjunta, é suprir o mercado nacional desses insumos. Não é hora de ficar um atirando no outro.'

    O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse em publicação no Twitter que está 'tomando providências' para adquirir os medicamentos no mercado internacional, e pediu aos parlamentares do Estado no Congresso Nacional que verifiquem porque os ofícios enviados ao ministério 'foram ignorados'.

    (Reportagem adicional de Leandra Câmera)

    Escrito por Reuters

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