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Buraco negro continua a expelir matéria anos depois de engolir estrela

Buraco negro continua a expelir matéria anos depois de engolir estrela

Reuters

05/02/2026

Placeholder - loading - Conceito artístico de um evento de ruptura de maré em imagem divulgada em 15 de junho de 2018 e obtida pela Reuters em 5 de fevereiro de 2026 NRAO/AUI/NSF/NASA/Divulgação via REUTERS
Conceito artístico de um evento de ruptura de maré em imagem divulgada em 15 de junho de 2018 e obtida pela Reuters em 5 de fevereiro de 2026 NRAO/AUI/NSF/NASA/Divulgação via REUTERS

Por Will Dunham

WASHINGTON, 5 Fev (Reuters) - Cientistas estão observando o comportamento de um ⁠buraco negro supermassivo que apresenta hábitos alimentares excepcionalmente desordenados.

Usando principalmente radiotelescópios no Novo México e na África do Sul, eles acompanham o buraco negro, localizado no centro de uma galáxia muito além da Via Láctea, enquanto ele continua a expelir um jato de material em alta velocidade após rasgar e devorar uma estrela que cometeu o erro de se aproximar demais.

O inusitado desse encontro estelar fatal é a intensidade e a duração da indigestão pós-refeição do buraco negro.

O material remanescente da estrela só começou a ser ejetado para o espaço dois anos depois de ser desintegrado em seus gases componentes pelas forças gravitacionais do buraco negro.

Esses componentes já estão sendo ejetados para o espaço há seis anos — mais tempo do que jamais foi observado antes — e continua a se intensificar no que ​se tornou um dos eventos únicos mais poderosos já detectados no universo.

'O ⁠aumento exponencial na ⁠luminosidade dessa fonte é sem precedentes. Agora ela é cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando foi descoberta e está incrivelmente brilhante para um objeto em ondas de rádio. Isso vem acontecendo há anos e não há sinais de que vá parar. Isso é super incomum', disse a astrofísica Yvette Cendes, da Universidade de Oregon, principal autora do estudo publicado nesta quinta-feira no Astrophysical Journal.

Os buracos negros são objetos excepcionalmente densos com gravidade tão ‌forte que nem mesmo a luz consegue escapar. Este buraco negro está localizado a cerca de 665 milhões de anos-luz ​da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em ‌um ano, 9,5 trilhões de ​km.

O buraco ​negro é cerca de 5 milhões de vezes mais massivo que o Sol. Isso o torna aproximadamente comparável ao buraco negro supermassivo no centro de nossa própria galáxia, que tem uma massa cerca de 4 milhões de vezes a do Sol.

A estrela condenada era do tipo ​anã vermelha, com cerca de um décimo da massa do Sol.

Um horizonte de eventos é o ponto sem retorno para o material atraído pela força gravitacional de um buraco negro. Quando uma estrela é destruída por um buraco negro, isso é chamado de evento de ruptura por maré, pois resulta da mesma dinâmica gravitacional responsável pelas marés oceânicas na Terra.

'Qualquer objeto que se aproxime demais do horizonte de eventos de um buraco negro corre o risco de ser destruído pelas forças das marés e esticado em um longo fluxo de detritos, um processo chamado de 'espaguetificação'', disse a astrofísica da Universidade do Arizona e coautora do estudo, Kate Alexander.

'Depois que a estrela foi destruída, parte desse gás caiu em direção ao buraco negro e se aqueceu, e o buraco negro começou a consumir a estrela. A luz de rádio brilhante que vemos com nossos telescópios é produzida por matéria estelar que se aproximou, mas nunca cruzou o horizonte de eventos — como um bebê exigente que mastiga a comida e a cospe violentamente, em vez de ⁠engoli-la', disse Alexander.

As pesquisadoras não sabem exatamente por que esse evento de ruptura por maré com seu jato, formalmente chamado de jato relativístico, ‌foi tão espetacular.

'Quanto ao que causa o jato relativístico ⁠em primeiro lugar, na verdade não sabemos, e essa é uma área ativa de pesquisa. Provavelmente tem algo a ver com campos magnéticos ao redor do buraco negro, mas também claramente deve ser algo incomum, ou então veríamos mais deles', disse Cendes.

A ‍questão agora é por quanto tempo esse jato continuará a se intensificar. As pesquisadoras suspeitam que ele possa atingir seu pico no final deste ano ou no próximo.

'Depois que ​a ‌emissão atingir o pico, ela deve diminuir lentamente, então provavelmente ainda poderemos vê-la por uma década ou mais', disse Alexander.

(Reportagem de Will Dunham)

Reuters

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