Casa dos Ventos faz acordo de mais de US$500 mi para fornecer energia para data centers da Ascenty
Casa dos Ventos faz acordo de mais de US$500 mi para fornecer energia para data centers da Ascenty
Reuters
13/01/2026
Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 13 Jan (Reuters) - A geradora Casa dos Ventos fechou uma grande parceria para fornecimento de energia renovável para data centers no Brasil da Ascenty, em negócio avaliado em mais de US$500 milhões, disseram as companhias à Reuters.
O acordo prevê a entrada da empresa de data centers, controlada pela canadense Brookfield e pela Digital Realty, como sócia em dois novos empreendimentos que estão sendo desenvolvidos pela Casa dos Ventos, um eólico e outro solar.
Com cerca de R$7,5 bilhões em investimentos estimados, esses projetos de geração somarão mais de 1,5 gigawatt (GW) de capacidade e terão sua energia direcionada também a outros grandes consumidores.
Na parceria com a Ascenty, quando estiverem em operação, prevista para iniciar em 2027, os parques deverão fornecer 110 megawatts médios (MWm) de energia para o portfólio da empresa, que conta hoje com 20 data centers em atividade e mais oito em construção no Brasil.
'Temos contratos de energia que vão vencer nos próximos anos, esses novos empreendimentos vão substituí-los... A gente está olhando outros acordos com a Casa dos Ventos para os data centers futuros', afirmou o CEO da Ascenty, Christopher Torto.
O executivo destaca ainda que a empresa busca o uso 'responsável' de energia e por isso quer que suas instalações consumam energia nova, isto é, sem impactar o suprimento para outras classes de consumidores do Brasil.
Já para a Casa dos Ventos, os novos contratos, fechados no modelo de autoprodução de energia, serviram de 'âncora' para o lançamento de dois novos projetos: o complexo eólico Dom Inocêncio, no Piauí, com 828 MW e cerca de R$5 bilhões em investimentos, e o solar Paraíso, no Mato Grosso do Sul, com 640 MW e mais R$2,5 bilhões em aportes.
Os data centers têm sido os principais responsáveis pela contratação de nova energia no Brasil nos últimos anos, conforme investidores do segmento buscam se instalar no país para aproveitar o fornecimento de energia abundante e renovável.
'Se o Brasil passa o Redata (programa federal de incentivo), eliminando os impostos, o Brasil vai competir muito bem contra o resto do mundo para ser um grande polo de inteligência artificial', avaliou Torto, da Ascenty.
'Hoje a energia é um insumo cada vez mais crítico (para data centers), então se conseguirmos apoiá-los no desenvolvimento, trazer energia competitiva, vamos ajudar a deslanchar esse setor. Estamos bem otimistas com as novas oportunidades', disse Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos.
NOVOS PROJETOS RENOVÁVEIS
O acordo para viabilizar grandes novos complexos de energia é positivo principalmente para a indústria fornecedora do setor de renováveis, que sofreu gravemente com uma falta de encomendas de máquinas nos últimos anos.
Além dos projetos com a Ascenty, a Casa dos Ventos, que tem como acionista a francesa TotalEnergies, também está lançando um terceiro novo empreendimento, contou Araripe.
Chamado de Ibiapaba, o parque eólico ficará no Ceará e terá mais 630MW, com R$4 bilhões em investimentos e máquinas da chinesa Envision. Os primeiros clientes que consumirão energia do complexo não foram divulgados.
Ao mesmo tempo, a entrada de nova energia tende a piorar sobreoferta no Brasil, uma situação que já tem levado o desperdício de recursos eólicos, solares e hídricos e até mesmo agravado os riscos de apagões por desequilíbrio sistêmico.
Várias elétricas que atuam com energias renováveis, como Engie e CPFL, colocaram novos investimentos em compasso de espera devido às condições ruins de mercado.
(Por Letícia Fucuchima)
Reuters

