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Conflito no Irã pode antecipar fim do ciclo de cortes da Selic, diz Ceron

Conflito no Irã pode antecipar fim do ciclo de cortes da Selic, diz Ceron

Reuters

02/03/2026

Placeholder - loading - Secretário do Tesouro, Rogério Ceron, durante entrevista à Reuters, em Brasília 03/07/2025 REUTERS/Adriano Machado
Secretário do Tesouro, Rogério Ceron, durante entrevista à Reuters, em Brasília 03/07/2025 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  02/03/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 2 Mar (Reuters) - O secretário do Tesouro Nacional, ​Rogério Ceron, disse nesta segunda-feira que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços, ponderando que o novo cenário geopolítico pode gerar mais efeitos positivos do que negativos para o Brasil.

Após a eclosão do conflito no final de semana, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, o Ministério da Fazenda reunirá equipes durante os próximos dias para coletar primeiras impressões e avaliar cenários com possíveis impactos para o país, acrescentou uma fonte da pasta.

Em evento promovido pelo Valor Econômico, Ceron disse ver ⁠possíveis ganhos ⁠para a arrecadação de tributos e para a ​balança comercial ‌do Brasil com a venda de petróleo mais valorizado.

O preço do petróleo subia perto de 8% na manhã desta segunda, depois que ataques retaliatórios do Irã interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, após o bombardeio do fim de semana que matou o líder supremo iraniano Ali ⁠Khamenei.

Na avaliação de Ceron, o Banco Central não deve mudar seu cenário de curto ​prazo porque o efeito inflacionário de uma valorização do petróleo até certo patamar é mitigado pela ​recente valorização do real.

'O que pode acontecer lá na frente é ‌o momento de parada (do ​ciclo de ⁠corte de juros) acontecer antes, caso esse cenário de incerteza, de repasse a preços comece a ficar mais intenso', disse.

Ele afirmou ser cedo para avaliações mais precisas, enfatizando que em cenários mais radicais, como uma disparada do barril ​de petróleo para acima de US$100, haveria de fato pressão inflacionária e outras repercussões.

O BC tem mantido a Selic em 15%, mas indicou que iniciará neste mês um ciclo de cortes de juros. A autarquia não deu sinais sobre qual será a magnitude ou o período do ciclo.

Com projeções feitas até semana passada, ​antes dos ataques, o boletim Focus do BC mostrou nesta segunda que o mercado passou a ver a Selic em 12% no fim deste ano, contra mediana de 12,13% da semana passada. Os juros futuros de mercado, no entanto, registravam alta nesta segunda.

Ceron acrescentou que em um ambiente de atritos geopolíticos globais, o Brasil está bem posicionado e também acaba sendo um 'porto seguro' para investimentos externos, com o governo podendo diversificar emissões da dívida pública.

PROGRAMAS SOCIAIS

O secretário ainda disse ver uma janela para debate sobre reorganização de programas sociais do ​governo, citando a existência de iniciativas sobrepostas e ações com crescimento insustentável de despesas.

Ceron ecoou fala recente do ministro da ‌Fazenda, Fernando Haddad, ao afirmar que é ⁠preciso repensar o modelo de assistência social como um todo, que enfrenta muita judicialização, citando a possibilidade de integrar programas.

Segundo ele, o país observa uma redução de indicadores de pobreza e não está precisando hoje ⁠de incremento de despesa para apoio social.

Em outra área, Ceron afirmou ⁠que não há discussão no governo sobre federalização do ⁠BRB, que vive uma ⁠crise ​financeira. Para o secretário, isso é problema que deve ser resolvido pelo Distrito Federal e pela própria instituição financeira.

Reuters

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