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China restringe exportações de fertilizantes, prejudicando oferta já apertada pela guerra

China restringe exportações de fertilizantes, prejudicando oferta já apertada pela guerra

Reuters

19/03/2026

Placeholder - loading - Fertilizantes no porto de Lianyungang, China. 15 de fevereiro de 2025. cnsphoto via REUTERS
Fertilizantes no porto de Lianyungang, China. 15 de fevereiro de 2025. cnsphoto via REUTERS

19 Mar (Reuters) - A China está restringindo as exportações de fertilizantes para ​proteger seu mercado interno, segundo várias fontes do setor, colocando pressão adicional sobre os mercados globais que já estão lutando contra a escassez causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

A China está entre os maiores exportadores de fertilizantes, com embarques avaliados em mais de US$13 bilhões no ano passado, e tem um histórico de controle das exportações para manter os preços baixos para os agricultores.

As remessas pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pela guerra, são responsáveis por cerca de um terço do suprimento por via marítima. Em meados de março, Pequim proibiu as exportações de misturas de fertilizantes de nitrogênio e potássio e de certas variedades de fosfato, disseram fontes à Reuters.

A proibição, que não foi formalmente revelada, foi reportada no início desta semana pela Bloomberg News.

Além das proibições ⁠existentes e das ⁠cotas de exportação de ureia, apenas alguns fertilizantes -- principalmente ​o sulfato ‌de amônio -- podem ser exportados, disseram cinco fontes. Isso significaria que entre metade e três quartos das exportações da China no ano passado estão restritas, potencialmente até 40 milhões de toneladas, de acordo com uma estimativa da Reuters.

'Esse padrão é consistente: a China restringe os suprimentos em vez de vir em socorro durante a escassez global', disse Matthew Biggin, ⁠analista sênior de commodities da BMI.

'As restrições à exportação existem por causa do equilíbrio interno apertado -- ​eles estão priorizando a segurança alimentar e isolando seu mercado interno dos choques de preços.'

As restrições de Pequim, como a ​medida tomada na semana passada de proibir as exportações de combustível refinado, ‌ocorrem no momento em que ​os governos ⁠limitam as exportações de produtos cujos insumos foram ameaçados pela interrupção da guerra, agravando a escassez e os preços mais altos em todo o mundo.

Os preços internacionais da ureia aumentaram cerca de 40% em relação aos níveis anteriores à guerra. Na China, os futuros da ​ureia estão próximos de uma máxima de 10 meses.

DEPENDÊNCIA DA CHINA

Os fertilizantes são essenciais para o crescimento das plantas e o rendimento das colheitas. Os preços mais altos podem levar à redução do uso, ou os agricultores podem mudar para culturas que exijam menos fertilizantes.

No ano passado, a China enviou ao Brasil, à Indonésia e à Tailândia cerca de um quinto de suas importações ​de fertilizantes, e esse número ficou em um terço para a Malásia e a Nova Zelândia, de acordo com dados do International Trade Centre. Para a Índia, foi cerca de 16%, de acordo com dados comerciais.

Entre metade e 80% dessas exportações estão agora restritas, de acordo com uma análise da Reuters dos dados alfandegários chineses.

'Compradores esperavam que a China interviesse e preenchesse a lacuna de fornecimento, mas essa decisão apenas restringirá ainda mais o fornecimento', disse um funcionário de uma empresa de fertilizantes com sede em Nova Délhi, em referência às recentes restrições.

O funcionário da empresa não quis se identificar devido à sensibilidade do assunto.

QUANDO AS EXPORTAÇÕES SERÃO ​RETOMADAS?

Na quarta-feira, as Filipinas disseram que a China havia garantido que as exportações de fertilizantes não seriam restringidas.

Questionado sobre os comentários um ‌dia depois, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ⁠da China encaminhou a questão para outros departamentos.

A Administração Geral de Alfândega da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério do Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Em uma conferência sobre fertilizantes em Xangai na quarta-feira, cinco ⁠vendedores disseram que não esperavam que as proibições de fertilizantes fossem suspensas antes ⁠de agosto, após o período de pico de exportação da China, ⁠de junho a agosto.

Os ⁠produtores ​estão atentos aos sinais do governo após o plantio da primavera para saber se as proibições poderiam ser estendidas.

(Reportagem da equipe da Reuters)

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