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COALIZÃO GLOBAL DA INDÚSTRIA MUSICAL CRIA SELOS PARA IDENTIFICAR USO DE IA

GRUPO PROPÕE RÓTULOS PARA DIFERENCIAR MÚSICAS GERADAS E ASSISTIDAS POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

João Carlos

13/07/2026

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Crédito da imagem: Rádio Antena 1

Uma ampla coalizão da indústria musical internacional apresentou um novo sistema de identificação para informar aos ouvintes como a inteligência artificial foi utilizada na produção de cada música.

Anunciada na última sexta-feira (10), a iniciativa reúne algumas das principais entidades do setor, entre elas IFPI, RIAA, A2IM, WIN, IMPALA, Grammy, SAG-AFTRA e Human Artistry Campaign.

A proposta estabelece dois rótulos diferentes, aplicados individualmente a cada faixa nos serviços digitais: “Gerada por IA” e “Assistida por IA”. Os ícones funcionariam como uma informação visual de fácil reconhecimento, de maneira semelhante aos avisos já usados para identificar músicas com conteúdo explícito.

Segundo as organizações, o objetivo não é impedir o uso da tecnologia, mas oferecer mais transparência sobre a origem das gravações e preservar a relação de confiança entre artistas e público.

Qual é a diferença entre os dois selos?

Crédito da imagem: IFPI

O rótulo “Gerada por IA” será destinado às gravações nas quais a inteligência artificial tenha produzido toda ou a maior parte dos principais elementos criativos.

A classificação poderá ser usada, por exemplo, quando o vocal principal tiver sido criado artificialmente, quando uma execução instrumental fundamental tiver sido gerada por algoritmos ou quando a música completa tiver surgido a partir de comandos de texto.

Já o selo “Assistida por IA” identificará gravações produzidas predominantemente por pessoas, mas que tenham utilizado ferramentas generativas em alguns elementos expressivos. Nesse caso, os vocais principais e os instrumentos centrais deverão ter sido executados por seres humanos.

Letras e capas ainda ficam fora do sistema

Nesta primeira fase, a classificação será limitada às gravações sonoras. O uso de inteligência artificial em letras, composições, partituras, videoclipes ou capas de álbuns ainda não será contemplado pelos novos selos.

As entidades afirmam, porém, que o modelo foi criado para evoluir à medida que a tecnologia, a legislação e as necessidades do mercado avancem.

Os rótulos serão acompanhados por informações inseridas nos metadados das músicas. Artistas, gravadoras, distribuidores e agregadores deverão declarar voluntariamente como a IA foi empregada antes de enviar o conteúdo às plataformas.

A coalizão pretende trabalhar com serviços de streaming e organismos responsáveis por padrões técnicos para transformar as classificações em uma referência adotada internacionalmente.

A explosão das músicas criadas por IA

A iniciativa chega em meio ao crescimento acelerado das gravações totalmente artificiais nos catálogos digitais.

Em abril, a Deezer informou que recebia quase 75 mil músicas geradas integralmente por IA por dia, equivalentes a aproximadamente 44% de todos os novos envios diários feitos à plataforma.

Apesar do grande volume, essas faixas ainda representavam somente entre 1% e 3% das reproduções no serviço. A empresa também afirmou que 85% das execuções registradas por músicas totalmente artificiais estavam ligadas a atividades consideradas fraudulentas e, por isso, eram retiradas do cálculo de pagamentos.

O cenário também se repete na Apple Music. Oliver Schusser, vice-presidente responsável pelo serviço, revelou à Billboard que mais de um terço do conteúdo recebido mensalmente pela plataforma já era classificado internamente como música “100% IA”. Segundo o executivo, porém, essas gravações respondiam por menos de 0,5% do consumo dos assinantes.

Plataformas aguardam novos metadados

A Digital Media Association, que representa serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music, YouTube, Tidal, Pandora e Qobuz, declarou que acompanha o desenvolvimento do projeto e espera receber informações mais detalhadas e precisas sobre o uso de inteligência artificial nas faixas.

A associação destacou que esses dados precisam percorrer toda a cadeia musical, partindo dos criadores e distribuidores até chegar aos aplicativos usados pelos ouvintes.

Os novos rótulos ainda não possuem uma data única para aparecer nos serviços de streaming. A expectativa das organizações envolvidas é que eles estejam disponíveis em um futuro próximo, à medida que plataformas, gravadoras e distribuidores adaptem seus sistemas.

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