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Conselho de Paz de Trump enfrenta problemas de caixa, e plano para Gaza atrasa, dizem fontes

Conselho de Paz de Trump enfrenta problemas de caixa, e plano para Gaza atrasa, dizem fontes

Reuters

10/04/2026

Placeholder - loading - Reunião inaugural do Conselho de Paz, em Washington 19 de fevereiro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque
Reunião inaugural do Conselho de Paz, em Washington 19 de fevereiro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque

Por Pesha Magid e Nidal al-Mughrabi

JERUSALÉM/CAIRO, 10 Abr (Reuters) - O Conselho de Paz de ​Donald Trump recebeu apenas uma pequena fração dos US$17 bilhões prometidos para Gaza, impedindo o presidente dos Estados Unidos de levar adiante seu plano para o enclave palestino, disseram fontes à Reuters.

Dez dias antes de os ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã mergulharem a região em uma guerra, Trump organizou uma conferência em Washington, na qual Estados árabes do Golfo prometeram bilhões para a governança e a reconstrução de Gaza após dois anos de destruição por Israel.

O plano prevê a reconstrução em larga escala do enclave costeiro após o desarmamento do grupo militante palestino Hamas -- cujos ataques a Israel desencadearam o recente conflito em Gaza -- e a retirada das tropas israelenses.

As promessas de financiamento também se destinavam a pagar as atividades de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um grupo em fase de formação, apoiado pelos EUA e constituído por tecnocratas palestinos que pretendia assumir o controle de Gaza do Hamas.

O Conselho da Paz negou, em uma declaração publicada nesta sexta-feira nas redes sociais após a publicação ⁠da matéria da Reuters, que passe ⁠por problemas de financiamento.

'O Conselho da Paz é uma organização enxuta ​e focada na ‌execução, que mobiliza capital conforme necessário. Não há restrições de financiamento. Até o momento, todas as solicitações de financiamento foram atendidas imediata e integralmente', afirmou.

Representantes do NCAG não responderam imediatamente a pedido de comentário.

Uma das fontes, uma pessoa com conhecimento direto das operações do conselho, disse que dos dez países que prometeram fundos, apenas três -- Emirados Árabes Unidos, Marrocos e os próprios EUA -- haviam contribuído com fundos.

Segundo essa fonte, que não entrou em detalhes, o financiamento foi de ⁠menos de US$1 bilhão até o momento. A guerra do Irã 'afetou tudo', exacerbando as dificuldades anteriores de financiamento, disse a fonte.

O ​NCAG não pôde entrar em Gaza devido a questões tanto de financiamento quanto de segurança, acrescentou a fonte. Mesmo após o acordo de cessar-fogo em outubro ​passado, ataques israelenses mataram pelo menos 700 pessoas em Gaza, de acordo com autoridades de ‌saúde do local, enquanto ataques de militantes ​mataram quatro ⁠soldados, segundo Israel.

A segunda fonte, uma autoridade palestina familiarizada com o assunto, disse que o conselho informou ao Hamas e a outras facções palestinas que o NCAG não pode entrar em Gaza no momento devido à falta de financiamento.

'Não há dinheiro disponível no momento', teria dito a grupos palestinos o enviado do conselho, Nickolay Mladenov, segundo essa autoridade palestina.

O Hamas ​tem repetidamente afirmado que está pronto para entregar a governança ao NCAG, liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, que atualmente exerce um autogoverno limitado em partes da Cisjordânia ocupada por Israel.

A intenção é que o comitê de Shaath assuma o controle dos ministérios de Gaza e administre sua força policial.

Ele e seus 14 membros do comitê estão enclausurados em um hotel no Cairo, sob a supervisão de agentes norte-americanos e egípcios, disse uma fonte diplomática.

A reabilitação de Gaza, onde quatro quintos dos edifícios foram destruídos ​em dois anos de bombardeios israelenses, deve custar cerca de US$70 bilhões, segundo projeções de instituições globais.

O hesitante plano para o futuro de Gaza ecoa outras iniciativas ambiciosas de Trump, que tem procurado se projetar como o pacificador do mundo, mas tem enfrentado dificuldades para encerrar a guerra da Ucrânia, como ele disse que faria, e vê a trégua desta semana com o Irã sob forte pressão.

DESARMAMENTO

O Egito, que tem sido o anfitrião das negociações de desarmamento, convidou o Hamas para mais reuniões no sábado, de acordo com uma fonte do grupo militante.

O cessar-fogo interrompeu a guerra total, mas deixou as tropas israelenses no controle de uma zona despovoada que abrange bem mais da metade de Gaza, com o Hamas no poder em uma estreita faixa costeira.

O conselho de Trump tem liderado as negociações com o Hamas e outras facções palestinas ​sobre o desarmamento. Israel defende que o Hamas deponha as armas antes de retirar suas tropas de Gaza, e o Hamas diz que não obedecerá sem garantias da saída ‌de Israel e do fim dos disparos no enclave.

A fonte diplomática familiarizada ⁠com as negociações sobre o desarmamento disse que permanece o impasse e teme que Israel esteja procurando uma desculpa para relançar uma ofensiva em grande escala em Gaza.

Autoridades militares israelenses já declararam que se preparam para um rápido retorno à guerra em grande escala, caso o Hamas não deponha suas armas.

A guerra de Gaza ⁠começou com os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que mataram 1.200 pessoas, ⁠de acordo com registros israelenses.

A campanha de dois anos que se seguiu de ⁠Israel matou mais de 72.000 palestinos, ⁠a ​maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza, espalhou a fome e deslocou a maior parte da população do território.

(Reportagem de Pesha Magid, em Jerusalém, e Nidal al-Mughrabi, no Cairo)

Reuters

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