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Cortes de energia renovável reduzem até 2030, mas seguirão elevados, prevê ONS

Cortes de energia renovável reduzem até 2030, mas seguirão elevados, prevê ONS

Reuters

07/07/2026

Placeholder - loading - Uma linha de transmissão de energia elétrica próxima à usina termelétrica a carvão Candiota III, em Candiota, Rio Grande do Sul, Brasil, em 8 de maio de 2025. REUTERS/Diego Vara
Uma linha de transmissão de energia elétrica próxima à usina termelétrica a carvão Candiota III, em Candiota, Rio Grande do Sul, Brasil, em 8 de maio de 2025. REUTERS/Diego Vara

Atualizada em  07/07/2026

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 7 Jul (Reuters) - Os cortes de geração ​das usinas eólicas e solares no Brasil deverão se reduzir até 2030, mas continuarão em níveis elevados, já que o sistema elétrico permanecerá com sobreoferta e sem uma inserção expressiva de tecnologias de armazenamento como as baterias, estimou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta terça-feira.

Na apresentação do Plano da Operação Energética de 2026 a 2030, o ONS avaliou que as restrições impostas à geração renovável se manterão elevadas, especialmente durante a safra de ventos, nos meses de agosto e outubro, sendo mais frequentes na faixa horária de 7h às 15h e mais intensas aos domingos.

Os cortes de geração se tornaram um problema crescente para a indústria eólica e solar no Brasil desde meados de 2023. As limitações de produção, ⁠motivadas principalmente por ⁠sobreoferta de energia na rede e gargalos de ​transmissão, têm ‌imposto prejuízos bilionários às empresas do setor e levado ao cancelamento de investimentos.

Segundo o ONS, haverá uma redução da frequência de cortes de eólicas e solares realizados na operação em tempo real do setor, de 19% das horas em 2027 para 14% das horas em 2030, devido à combinação de crescimento da demanda de ⁠energia, expansão da rede de transmissão e menor ritmo de inserção de novas usinas renováveis ​no sistema.

Em magnitude, as restrições poderão atingir até 40 gigawatts (GW) em determinados momentos do dia, em todos os ​anos entre 2027 e 2030. Esses picos serão puxados pelos cortes ‌classificados como 'energéticos', impostos para equilibrar ​a rede ⁠devido a uma geração acima do consumo.

Já as limitações ligadas à confiabilidade do sistema elétrico, como quando ocorrem problemas em equipamentos, serão menos frequentes, variando de 7% das horas em 2027 a 4% das horas em 2030.

A situação dos cortes até ​2030 poderá ser atenuada tanto por um crescimento mais forte da demanda por energia no Brasil, com destaque para a ampliação do setor de data centers, quanto por soluções de armazenamento de energia que absorvam a geração excedente, como as baterias, apontou o ONS.

CARGA E DATA CENTERS

O ONS estima ainda que a carga de energia elétrica no Brasil irá ​passar de 83,8 GW neste ano para 98,8 GW em 2030, um crescimento de 17,9%, com destaque para o impulso dado pelos data centers, empreendimentos altamente demandantes de energia.

A expectativa é de que os data centers ligados à rede elétrica nacional passem de um consumo de 0,3 GW médio em 2026 para quase 3,5 GW médios em 2030.

A oferta de geração no Brasil, por sua vez, deverá crescer dos atuais 256 GW para 286,5 GW em 2030, com destaque para a expansão da geração solar distribuída.

Os pequenos sistemas solares, espalhados em telhados e fachadas, já são a segunda ​maior fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas das hidrelétricas. A fatia dessa tecnologia na matriz deverá subir de 18,1% do ‌total para 23,5% no fim do horizonte.

Mesmo com ⁠a expansão da oferta projetada para os próximos anos, o ONS manteve uma recomendação de que o governo faça leilões anuais para contratação de mais potência -- isto é, de usinas que não precisam gerar o tempo todo, mas ⁠que fiquem disponíveis para serem acionadas em momentos de pico de demanda.

Segundo ⁠o órgão, os dois certames que ocorreram em março deste ⁠ano não foram suficientes para ⁠cobrir ​todo o déficit de potência até 2030, de maneira que novas licitações deveriam ser realizadas.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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