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Crescimento da Europa é mais afetado por exportações da China do que déficit comercial maior, diz Goldman

Crescimento da Europa é mais afetado por exportações da China do que déficit comercial maior, diz Goldman

Reuters

02/07/2026

Placeholder - loading - Porto de Yangshan, nos arredores de Xangai  7 de maio de 2026.  REUTERS/Go Nakamura
Porto de Yangshan, nos arredores de Xangai 7 de maio de 2026. REUTERS/Go Nakamura

Por Akriti Shah e Rashika Singh

2 ​Jul (Reuters) - O maior obstáculo ao crescimento da União Europeia é a perda de participação de mercado para a China, e não o aumento do déficit comercial com o país asiático, afirmou o Goldman Sachs nesta quinta-feira, mas acrescentou que qualquer resposta do bloco não chegaria a adotar tarifas generalizadas ao estilo dos EUA.

Diante da fraqueza da demanda interna e do excesso de capacidade, os fabricantes chineses têm se voltado para os mercados internacionais, aumentando a concorrência para a ⁠União ⁠Europeia nos mercados da Ásia-Pacífico, da ​América ‌Latina e da Europa Oriental, afirmou o Goldman.

O Banco Central Europeu reduziu recentemente suas perspectivas de crescimento para o restante do ano.

“Estimamos que essa concorrência no terceiro mercado, e não o próprio déficit bilateral, ⁠seja responsável pela maior parte do impacto negativo no crescimento europeu ​causado pelo modelo chinês impulsionado pelas exportações”, afirmou o Goldman.

No geral, as ​exportações da China para a UE aumentaram ‌cerca de 16% ​nos primeiros ⁠cinco meses deste ano, enquanto as exportações da UE para a China cresceram menos de 10%, estimou o Goldman.

O maior impacto foi nos produtos manufaturados, especialmente ​equipamentos de transporte e maquinário industrial, setores em que a vantagem de custo da China entra em jogo, afirmou o Goldman.

A participação da Europa nas exportações de bens de capital caiu para 43% do volume global, ante ​54% em 2005, enquanto a da China disparou de 7% para 24%, incluindo um aumento de 50% nas exportações de maquinário para a Europa, completou.

Neste mês, líderes da UE debateram medidas novas e mais rigorosas para conter o déficit comercial.

O Goldman espera que a UE mude sua postura amplamente acomodatícia em relação à China para uma resposta de política comercial mais assertiva — mas ​ainda direcionada.

No entanto, um regime de “tarifas generalizadas ao estilo dos EUA” continua improvável, já ‌que a UE não gostaria de ⁠comprometer o acesso a um mercado importante para materiais essenciais, como terras raras, afirmou o Goldman.

Ele espera que as medidas políticas se concentrem inicialmente ⁠nos setores onde as evidências de desvio comercial ⁠e impacto negativo na indústria ⁠são mais fortes, incluindo ⁠aço, ​maquinário e produtos químicos básicos.

(Reportagem de Akriti Shah e Rashika Singh em Bengaluru)

Reuters

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