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    Demanda por energia elétrica no Brasil amplia perda com quarentenas contra vírus

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    Torres e linhas de transmissão de energia elétrica em Brasília (DF) 29/08/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Luciano Costa

    SÃO PAULO (Reuters) - A demanda por energia elétrica no Brasil tem apresentado quedas de quase 20% nesta semana quando na comparação com o período anterior à adoção de quarentenas ao redor do país para combater a disseminação do coronavírus, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) compilados pela Reuters.

    Os números, um sinal de como as distribuidoras do Brasil terão impacto na demanda por energia, mostram uma redução ainda maior que a verificada nas semanas iniciais das medidas de isolamento, quando o recuo na carga de energia ficou mais próximo de 15%.

    Com muitos comércios e empresas obrigados a fechar as portas devido às quarentenas e diversas companhias adotando regime de trabalho remoto para evitar expor funcionários a riscos de contaminação, a demanda por eletricidade tem ficado mais próxima ou até abaixo de níveis vistos em finais de semana antes da pandemia.

    Na última quarta-feira, a carga de energia foi de 59.384 megawatts médios, com retração de 18,95% frente à vista em 18 de março, antes da decretação de quarentena no Estado de São Paulo, polo econômico do Brasil.

    Na quarta-feira anterior, 2 de abril, a queda frente ao período anterior à pandemia era de 15%.

    Mais cedo nesta semana, na segunda e na terça-feira, a demanda recuou 16% e 17,3% na comparação com o período anterior às medidas mais duras de isolamento.

    Isso se compara a recuos de 14,6% e 15% vistos na segunda e terça-feira da semana anterior, segundo os dados do ONS.

    Os números de carga desta semana ainda ficaram em todos os dias abaixo dos registrados em 15 e 16 de março, último fim de semana antes da adoção em larga escala das quarentenas, o que acontece pela primeira vez desde o agravamento da epidemia no Brasil.

    A agência de classificação de risco Fitch Ratings projetou nesta quinta-feira que as distribuidoras de energia do Brasil devem enfrentar queda de 20% em volumes no segundo trimestre quando na comparação com as estimativas iniciais para o período.

    Levando em consideração também um esperado aumento de 20% na inadimplência devido aos efeitos das medidas de isolamento sobre a renda da população, a Fitch projetou que os 10 principais grupos que operam distribuidoras no Brasil verão recuo de cerca de 54% na geração de fluxo de caixa, ou 13 bilhões de reais.

    Em meio às perspectivas de impacto da pandemia sobre os negócios de distribuição, o governo publicou nesta quinta-feira uma medida provisória que deverá viabilizar a obtenção de empréstimos para apoiar o caixa das elétricas.

    As empresas do setor estimam que precisariam de entre 15 bilhões de reais e 17 bilhões de reais para recompor o fluxo de caixa após os efeitos do vírus.

    O Ministério de Minas e Energia ainda não divulgou quanto pretende negociar em empréstimos para o setor e nem quais instituições financeiras podem participar das operações. Os financiamentos devem ser tomados por meio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para evitar pressionar o endividamento das distribuidoras.

    Na semana passada, representantes do ministério tiveram uma reunião com BNDES, Caixa e Banco do Brasil.

    Em paralelo, a MP também autoriza o Tesouro a destinar 900 milhões de reais para conceder isenção da conta de luz por três meses para famílias de baixa renda.

    Escrito por Reuters

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