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    Em 'guerra sem tiro', família de Manaus usa oxigênio em casa para salvar pai com Covid

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    Osmar Magalhães recebe ajuda da filha Karoline Magalhães em sua casa em Manaus 20/01/2021 REUTERS/Bruno Kelly

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    Por Bruno Kelly

    MANAUS (Reuters) - Osmar Magalhães é um sobrevivente da Covid-19 em meio ao caos do sistema de saúde de Manaus durante uma severa segunda onda da doença na capital do Amazonas.

    O aposentado de 68 anos enfrentou seu dia mais difícil da infecção pelo coronavírus na semana passada, ao mesmo tempo em que a cidade passava por seu pior momento da pandemia, com falta de leitos e um colapso no abastecimento de oxigênio nos hospitais.

    'É uma guerra sem um tiro dado, porém com vítimas fatais', disse o filho de Osmar, Osmir Bindá de Magalhães, que passou uma noite em claro em frente a uma empresa privada de fornecimento de oxigênio em Manaus em busca do insumo para manter o pai vivo.

    'As pessoas que estavam na fila recebiam ligações dos familiares falando que o parente, o ente querido, havia ido a óbito por falta de oxigênio', disse Osmir.

    Depois de alguns dias de sintomas leves e recuperação em casa, o quadro de saúde de Osmar se agravou e a família passou a procurar hospitais para atendê-lo. No mesmo dia, porém, Manaus ficou sem abastecimento de oxigênio nos hospitais devido a uma alta de casos provocada em parte por uma nova variante do coronavírus.

    Os filhos de Osmar, então, iniciaram uma saga para manter o pai vivo.

    Osmar dependeu de um cilindro de oxigênio emprestado por um amigo médico da família e de outro transportado por um familiar de Boa Vista (RR), além de uma compra de uma empresa que só estava autorizada a vender para o Estado, para se manter vivo na luta contra a doença. Sem leitos hospitalares, o tratamento foi realizado dentro da própria casa da família na capital do Amazonas.

    Ainda prejudicado pelos efeitos da Covid-19, Osmar celebrou estar 'bem melhor', mas destacou que a preocupação da família está longe de acabar: sua esposa segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital, intubada, por causa da doença.

    Além deles, a filha Karoline Magalhães também contraiu a Covid-19, e disse ter sido a única de sua enfermaria a ter sobrevivido à doença mediante o caos no sistema de saúde do Estado.

    O Amazonas é o segundo Estado com maior número de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes do Brasil, com 159, atrás apenas do Rio de Janeiro, cuja taxa atinge 163, segundo dados do Ministério da Saúde.

    Pelos números publicados pelo governo federal na quarta-feira, o Estado somava um total de 241.182 casos confirmados de infecção pelo coronavírus, com 6.757 mortes registradas.

    A situação em Manaus levou o governo federal a montar uma operação para transferir pacientes para outros Estados e para levar cilindros de oxigênio para o Amazonas. O governo estadual também tem recebido doações de oxigênio para lidar com a escassez, inclusive do governo da Venezuela.

    'A Amazônia é o pulmão do mundo, só que os amazônidas, o povo da terra, estão morrendo por falta de oxigênio', resumiu Osmir Bindá de Magalhães.

    (Reportagem adicional de Gabriel Araújo, em São Paulo)

    Escrito por Reuters

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