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    Emissões de gases estufa atingem novo recorde e podem causar efeitos 'destruidores', diz ONU

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    Usina de carvão em Helper, Utah, no EUA 27/11/2012 REUTERS/George Frey

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    Por Emma Farge e Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - As emissões de gases do efeito estufa atingiram um nível recorde no ano passado, e as temperaturas mundiais podem subir mais do que o dobro do limite de aquecimento combinado globalmente se nada for feito, mostrou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira.

    O 'Relatório de Defasagem de Emissões' é um de uma série de estudos divulgados antes de uma cúpula climática da ONU que acontecerá em Madri na semana que vem e que visa exortar os líderes mundiais a limitarem a mudança climática.

    O estudo mede o volume de cortes de emissões necessário para limitar o aumento das temperaturas mundiais a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais, como combinado no crucial Acordo de Paris de 2015. No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou para grandes mudanças globais se essa meta não for cumprida, como a perda de quase todos os recifes de coral e a maior parte do gelo do Oceano Ártico.

    Mantendo-se os compromissos atuais de corte de emissões, 'pode-se esperar uma elevação de 3,2ºC nas temperaturas neste século, o que trará impactos climáticos abrangentes e destruidores', disse um sumário do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

    'Sendo avô, não queremos deixar isso para nossos netos', disse o principal autor do relatório, John Christensen, em uma coletiva de imprensa.

    O documento disse que o limite de temperatura mais seguro acordado em Paris --1,5ºC-- ainda é atingível, mas que exigirá cortes de emissões de 7,6% por ano entre 2020 e 2030. Limitar a elevação a 2ºC significaria custos anuais de 2,7%.

    'Estamos falando de uma mudança transformadora agora – mudança incremental simplesmente não bastará. Simplesmente precisamos transformar as sociedades nos próximos 10 anos', disse Christensen. 'Quanto mais esperamos, mais difícil se torna'.

    O relatório revelou que as emissões, incluindo aquelas causadas pela mudança no uso de terras, como o desmatamento, ainda não chegaram ao pico e atingiram um recorde equivalente a 55,3 gigatoneladas de dióxido de carbono em 2018.

    Christensen disse que parte daqueles que cumpriram suas metas com folga, como a Turquia e a Rússia, deveriam endurecê-las consideravelmente.

    O documento identificou os Estados Unidos como um dos grandes emissores, assim como Brasil e Japão, que estão aquém de suas próprias metas, ou Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

    Escrito por Reuters

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