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    Aumento do desmatamento em terra indígena ameaça tribo isolada da Amazônia, diz ONG

    Por Karla Mendes

    RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Madeireiros ilegais e grileiros desmataram uma área de 1.863 hectares de uma terra indígena na Amazônia brasileira neste ano, ameaçando uma tribo indígena isolada, disseram ativistas nesta terça-feira.

    Imagens de satélite coletadas pelo Instituto Socioambiental (ISA), uma organização não governamental, detectaram o aumento do desmatamento na terra indígena de Ituna Itata, no norte do Pará.'Essa situação preocupa muito', disse Juan Doblas, analista sênior de geoprocessamento da ISA, à Thomson Reuters Foundation.'São riscos em série, sobretudo para os indígenas isolados, fora o risco de atingir outros territórios indígenas'.A Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Polícia Federal não estavam disponíveis de imediato para comentar. Já o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse em um comunicado que dados oficiais sobre o desmatamento na Amazônia serão divulgados em novembro.As tribos isoladas do Brasil, algumas das últimas do planeta, dependem de áreas amplas de florestas intactas para caçar animais e coletar os alimentos de que necessitam para sobreviver.

    Elas ficam particularmente vulneráveis quando seus direitos de posse de terra são ameaçados porque carecem de imunidade natural contra doenças que são transmitidas por pessoas de fora, de acordo com grupos de direitos humanos.

    A perda florestal em Ituna Itata --onde foi proibida a entrada de forasteiros em 2011 para proteger a tribo isolada-- saltou de 2 hectares em maio para 880 hectares em agosto, disse o ISA, que monitora a área com satélites desde janeiro.O Brasil têm registrado dezenas de conflitos de terra com mortos, o que ilustra a tensão entre a preservação da cultura indígena e o desenvolvimento econômico.Em abril o ISA fez uma queixa a autoridades federais e estaduais a respeito da destruição da floresta e do corte ilegal de árvores na área durante a temporada de chuvas, o que é incomum, disse Doblas.'Era um sinal de que algo muito grande ia acontecer. E aconteceu', afirmou. 'Era uma preparação da invasão'.O Ibama reagiu em maio enviando patrulhas que interromperam o desmatamento temporariamente, disse ele, acrescentando que o ISA pretende apresentar uma nova queixa nesta semana usando dados atualizados e imagens de satélites.

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    Brasil reduz emissão de carbono por desmatamento na Amazônia e no Cerrado, diz governo

    BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil reduziu o ritmo de emissões de carbono resultantes de desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2016 e 2017, e atingiu o patamar de redução de CO2 prometido pelo país para 2020 como parte de convenção internacional sobre mudanças do clima, afirmou nesta quinta-feira o Ministério do Meio Ambiente.

    Anunciado durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada em 2009 em Copenhague, o compromisso voluntário do Brasil é de diminuir as emissões de CO2 até 2020 em 564 milhões de toneladas em função da redução do desmatamento na Amazônia e em 104 milhões de toneladas no caso do Cerrado.

    Segundo o ministério, dados colhidos pelo governo apontam que a redução das emissões na Amazônia em 2017 chegaram a 610 milhões de toneladas de dióxido de carbono, enquanto no Cerrado essa diminuição alcançou 170 milhões de toneladas de CO2.

    A redução das emissões de carbono pelo combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado está incluída na Política Nacional de Mudança do Clima ao lado de outros objetivos, como a restauração de pastagens e uma melhoria da eficiência energética.

    No entanto, a meta estipulada em Copenhague é diferente do compromisso assumido posteriormente pelo Brasil como parte do Acordo do Clima de Paris, em 2015, no qual o país se comprometeu a reduzir em 2025 as emissões totais de gases de efeito estufa em 37 por cento abaixo dos níveis de 2005.

    Segundo o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, a redução das emissões de carbono pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado deve-se a medidas como a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), instituído pelo novo Código Florestal, e ao monitoramento em tempo real dos biomas.

    “São conquistas consolidadas que fazem com que tenhamos certeza do prosseguimento desses avanços”, disse o ministro em evento em que tomaram posse novos membros do Comitê do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC).

    Criado em 2000 para discutir ações de combate a efeitos da mudança climática, o grupo recebeu a tarefa do presidente Michel Temer de elaborar em 120 dias uma proposta sobre o que seria necessário para que o Brasil possa zerar suas emissões líquidas a partir de 2060, com base no acordo firmado em Paris para a redução absoluta de emissões de gases de efeito estufa para conter o aquecimento global.

    Para o secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago de Araújo Mendes, há uma mensagem “política” nos dados colhidos sobre a redução da emissão dos gases.

    “Num cenário em que o planeta e vários atores internacionais querem se retirar de acordos importantes, o Brasil reafirma, como sociedade, que é possível antecipar as metas”, afirmou.

    Apesar dos números positivos divulgados pelo governo sobre a emissão de carbono, o Ministério do Meio Ambiente informou em junho que o desmatamento do Cerrado, que cobre 25 por cento do território brasileiro, voltou a crescer em 2017 após acentuada queda em 2016.

    O desmatamento do Cerrado atualmente supera o da Amazônia, que em 2017 caiu pela primeira vez em três anos, de acordo com dados do governo.

    (Reportagem de Maria Carolina Marcello e Jake Spring)

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    Desmatamento no mundo em 2017 atinge área do tamanho da Itália, diz estudo

    Por Alister Doyle

    OSLO (Reuters) - O mundo perdeu cobertura vegetal de tamanho equivalente à Itália em 2017, uma vez que florestas foram queimadas para ceder terreno para fazendas da Amazônia à Bacia Congo, de acordo com levantamento de uma rede independente de monitoramento de florestas divulgado nesta quarta-feira.

    A perda de cobertura vegetal, principalmente nos trópicos, totalizou 294.000 quilômetros quadrados no ano passado, pouco abaixo de um recordo de 297.000 quilômetros quadrados registrado em 2016, de acordo com a Global Forest Watch, entidade administrada pelo norte-americano World Resources Institute (WRI).

    Florestas tropicais foram perdidas a uma taxa equivalente a 40 campos de futebol por minuto em 2017, disse Frances Seymour, do WRI, em entrevista coletiva durante o fórum de Oslo sobre florestas tropicais, com 500 especialistas.

    O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, disse que o ritmo do desmatamento florestal foi catastrófico e ameaça os esforços para reduzir o aquecimento global. As árvores absorvem o dióxido de carbono do ar enquanto crescem, e o liberam quando são queimadas ou apodrecem.

    A destruição florestal está impulsionando as mudanças climáticas , disse. A Noruega investiu cerca de 2,8 bilhões de dólares em projetos de preservação florestal nos últimos 10 anos --mais do que qualquer outro país rico.

    Brasil, República Democrática do Congo, Indonésia, Madagascar e Malásia sofreram as maiores taxas de desmatamento em 2017, afirmou o Global Forest Watch, com base em dados de satélite coletados desde 2001.

    O estudo omite, entretanto, quanto a plantação de novas árvores ou o crescimento natural compensa as perdas.

    Vastas áreas continuam a ser desmatadas para soja, pecuária e óleo de palma e outras commodities comercializadas globalmente. Muito desse desmatamento é ilegal , disse Seymour.

    Em 2017, o Brasil perdeu 45 mil quilômetros quadrados de cobertura vegetal, uma queda de 16 por cento frente a um recorde estabelecido em 2016.

    Justin Adams, do grupo ambiental Nature Conservancy, disse que apenas 3 por cento do financiamento público para reduzir mudanças climáticas foi destinado a soluções naturais como as florestas.

    Ele argumentou que florestas bem administradas podem ser fonte de empregos e crescimento econômico.

    A cobertura vegetal é, entretanto, apenas uma maneira de avaliar o estado das florestas no mundo.

    A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) disse que o desmatamento de florestas em todo o mundo diminuiu para apenas 33 mil quilômetros quadrados líquidos por ano de 2010 a 2015, com as perdas anuais de 76 mil km quadrados compensadas pelo ganho anual de 43 mil km quadrados.

    Entre as diferenças, a FAO considera que florestas onde árvores foram deliberadamente derrubadas para realizar novas plantações ainda são florestas. Já o Global Forest Watch registra as derrubadas como perda de cobertura vegetal.

    Anssi Pekkarinen, autoridade florestal graduada da FAO, disse que seu método de identificar o uso subjacente da terra fornece uma visão muito mais abrangente das florestas do mundo .

    (Reportagem de Alister Doyle)

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