Eneva viabiliza novos 'hubs' e consolida liderança em geração termelétrica no país
Eneva viabiliza novos 'hubs' e consolida liderança em geração termelétrica no país
Reuters
19/03/2026
Atualizada em 19/03/2026
Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - A Eneva conquistou contratos equivalentes a 5,06 gigawatts (GW) de capacidade no leilão realizado pelo governo, recontratando usinas já existentes e viabilizando a construção de dois novos 'hubs' de termelétricas e terminais de gás, em negócios que consolidam sua liderança na geração térmica no Brasil.
A empresa, que tem o BTG Pactual como principal acionista, vinha disputando o posto de maior geradora termelétrica com a Âmbar, veículo de energia da holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que cresceu rapidamente no segmento nos últimos anos por meio de aquisições.
Ambas detinham cerca de 7 gigawatts (GW) em usinas térmicas, de diferentes fontes, até o leilão da véspera, mas a Eneva disparou na liderança ao vencer contratos para 3,65 GW em novos projetos, alcançando um portfólio de 10,8 GW.
A Âmbar conseguiu recontratar no certame as usinas Norte Fluminense, Santa Cruz, Araucária e Uruguaiana.
Já a Petrobras, terceira maior geradora térmica do país, com 4,9 GW, obteve novos contratos para oito usinas existentes, mas não viabilizou novos empreendimentos, como o projeto da termelétrica no complexo Energia Boaventura.
Ao todo, os empreendimentos da Eneva que venceram o leilão devem exigir investimentos de R$18,2 bilhões. A companhia disse que, nos dois novos 'hubs' de gás, no Nordeste e Sudeste, poderá ter parceiros que entrariam com até R$4,4 bilhões do aporte total.
A ação da Eneva subia 1,5% na bolsa brasileira perto das 12h, a R$24,73.
Após o leilão, o Citi estimou, em cálculos preliminares, que o preço-alvo da ação da Eneva poderia aumentar de R$25/ação para R$30/ação, assumindo que a empresa fechará parcerias com investidores estratégicos para seus novos projetos.
RESULTADO DO LEILÃO
Dos ativos existentes de seu portfólio, a Eneva conseguiu novos contratos para as usinas Povoação 1, Viana 1 e Luiz Oscar Rodrigues de Melo, que passarão a fornecer potência ao sistema elétrico a partir deste ano por mais dez anos.
Também foram recontratadas usinas do Complexo Parnaíba, no Maranhão, para início de disponibilidade em 2028 e 2029, por dez anos, e as duas termelétricas a carvão, em Itaqui (MA) e Pecém (CE).
Já em novos projetos, a Eneva conseguiu contratos para expansão com três usinas no complexo termelétrico Porto de Sergipe, que fica junto ao terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) da companhia.
A Eneva terá um novo 'hub' de gás no Ceará, com as termelétricas Jandaia II e Jandaia III, que serão supridas por um novo terminal de GNL a ser implementado no Porto de Pecém e passarão a disponibilizar potência ao sistema elétrico em 2029. A companhia poderá ter um parceiro no empreendimento termelétrico cearense, com opção de compra de até 30% do capital, informou.
O terceiro 'hub' de gás da Eneva ficará no Sudeste, junto às novas termelétricas Porto Norte Fluminense II B, Presidente Kennedy, Presidente Kennedy I e Jandaia 1, que conquistaram contratos com início em 2031 e também serão supridas por novo terminal de GNL.
Para o 'hub' Sudeste, a Eneva também negociou a possibilidade de estruturação de parceria, que poderá envolver participação de terceiros em até 49% no empreendimento.
Os potenciais parceiros nos novos 'hubs', caso optem pela entrada nos projetos, ficariam responsáveis por até R$4,4 bilhões do investimento total de R$18,2 bilhões estimados.
Em paralelo, a empresa também entrou como fornecedora de gás para outros vencedores do certame da véspera, contratando um total de 4,2 milhões de m³/dia por 15 anos a partir de 1 de outubro de 2028, e de 1,3 milhão de m³/dia por dez anos a partir de 1 de agosto de 2031.
(Por Letícia Fucuchima)
Reuters

